Crise da Atenção: Por Que Perdemos o Foco e Como Reconquistá-lo para a Saúde Mental

Tempo de leitura: 3 min

Escrito por Tiago Mattos
em junho 1, 2025

Crise da Atenção: Por Que Perdemos o Foco e Como Reconquistá-lo para a Saúde Mental

A Crise da Atenção: Entenda Por Que Perdemos o Foco e Como Reconquistá-lo

Algo preocupante está acontecendo: o número cada vez maior de adolescentes que simulam ter déficit de atenção para conseguir prescrições de estimulantes.

Isso significa, em muitos casos, o uso de medicamentos para aumentar a atenção através de drogas químicas.

Autores e especialistas, como Daniel Goleman, em sua obra Foco, alertam sobre o empobrecimento da atenção na sociedade atual.

Mas essa questão vai muito além dos adolescentes. A dificuldade de manter o foco é um problema que afeta pessoas de todas as idades e profissões.

O Impacto Generalizado da Distração

Considere o caso de um executivo que, antigamente, conseguia fazer apresentações de vídeo de cinco minutos com tranquilidade.

Hoje em dia, ele se vê obrigado a reduzir a mensagem para um minuto e meio no máximo, pois, caso contrário, a audiência simplesmente se desconecta e começa a mexer no celular.

Outro indicador claro da falta de atenção é a incapacidade de ler um livro. Mesmo um livro interessante se torna um desafio, e a pessoa não consegue passar de duas páginas por vez antes que surja uma vontade irresistível de verificar o e-mail ou as mídias sociais.

De certa forma, isso pode ser um “medo de perder o que está acontecendo em outro lugar”, uma manifestação de que o “aqui e agora” não é tão envolvente.

Atenção Plena: O Caminho Para a Concentração

Para aqueles que sentem a falta de foco, a solução não é buscar atalhos perigosos, mas sim desenvolver a capacidade de atenção.

Exercícios que promovem o que chamamos de atenção plena – ou seja, estar plenamente presente no momento – são poderosos. Apenas a prática de estar consciente já pode aumentar significativamente o seu foco.

O Poder dos Mini-Contratos e da Boa Comunicação

Em alguns momentos, um tipo de mini-contrato pode ser necessário. Imagine um casal que combina: “Quando estivermos juntos em casa depois do trabalho, vamos deixar o celular desligado e dentro da gaveta.”

Pode parecer radical, mas tanto o homem quanto a mulher podem se sentir frustrados quando o outro pega o celular e deixa de estar presente.

No entanto, a vontade irresistível de “só dar uma checada rápida” pode ser forte. Nesses casos, uma boa comunicação, baseada em respeito e sinceridade, pode ajudar muito a estabelecer limites e manter a harmonia na relação.

O Perigo da Automedicação

É fundamental abordar um tema extremamente sério: a automedicação. Há relatos preocupantes de indivíduos que usam medicamentos para transtorno de déficit de atenção ou narcolepsia para conseguir continuar trabalhando – como um advogado que admitiu não conseguir ler contratos sem eles.

Isso é uma loucura!

Esses não são medicamentos recreativos. Eles podem causar dependência, trazer diversos efeitos colaterais e exigem acompanhamento profissional muito próximo e sério.

Antigamente, a prescrição para esse tipo de medicamento era restrita a casos muito graves.

Hoje em dia, infelizmente, banalizou-se, transformando-se quase em um “melhorador de desempenho”, como o uso recreativo de outras substâncias.

Busque Ajuda Profissional e Desenvolva Suas Técnicas

Se você desconfia ter um problema de déficit de atenção ou simplesmente sofre com a falta de foco, o primeiro e mais importante passo é buscar atendimento médico qualificado e de sua confiança. Isso é inegociável.

Além disso, é importante considerar o contexto atual: vivemos em uma era com uma quantidade de informação infinitamente maior do que há alguns anos. É normal que seja mais difícil dar conta de tudo se não tivermos as técnicas de foco adequadas.

Herbert Simon, ganhador do Prêmio Nobel, afirmou: a informação consome atenção. Em um mundo com tanta riqueza de informação, estamos vivendo uma pobreza de atenção.

É sempre crucial que você busque informações de qualidade e trabalhe em conjunto com profissionais licenciados e clínicos de sua confiança. Um bom profissional saberá fazer o diagnóstico nos casos de doença e, o que é igualmente importante, saberá aconselhar quando nenhum tipo de remédio é necessário.

Lembre-se sempre do valor da boa comunicação, do autoconhecimento e da prática constante de técnicas de foco. Se você busca aprofundar seu conhecimento e aprender exercícios práticos para fortalecer sua capacidade de atenção, explore materiais confiáveis e dedique-se ao desenvolvimento pessoal.

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