A Armadilha da Falsa Economia: Você é um “Zé Continha”?
Quando eu era mais jovem, tinha um hábito peculiar: pegava os folhetos de vários supermercados, comparava seus preços e, a partir daí, montava a minha lista de compras da semana. Gastava horas e mais horas nesse processo, jurando que estava fazendo um trabalho impecável e economizando ao máximo.
Até que, um dia, parei para refletir. Percebi que dedicava várias horas para, no máximo, economizar uns 5 ou 10 reais. No entanto, apenas uma hora extra de trabalho já cobriria essa diferença.
Não seria muito mais vantajoso trabalhar essa hora a mais no mês e recuperar todo o tempo que eu estava perdendo com essas “continhas”?
E então, vem a pergunta: por quantas vezes você gasta seu tempo buscando o produto com o preço mais barato e, com isso, deixa de usar esse mesmo tempo para trabalhar mais ou se desenvolver pessoalmente?
Os Perigos do Foco Exagerado no Preço Baixo
Além disso, quantas vezes você já comprou algo de baixa qualidade porque tinha um preço menor, mas depois perdeu a paz quando o item quebrou justamente quando você mais precisava?
E como já havia passado da garantia, você teve que desembolsar mais dinheiro para comprar outro. Pense na eterna pesquisa por promoções na compra de eletrônicos que, surpreendentemente, estragam logo após o término da garantia, ou na má qualidade dos alimentos que você coloca na boca.
Todo esse foco em obter vantagens em pequenas coisas, em detrimento de buscar ser uma pessoa melhor, trabalhar com mais eficiência e prosperar mais, pode estar travando sua vida, impedindo sua evolução pessoal.
A Armadilha do “Zé Continha”: O Exemplo da Gasolina
É como aquelas pessoas que, por conta de uma diferença de dez centavos no litro da gasolina, vão até outro posto, pegam uma fila enorme para encher o carro. Vamos fazer as contas: imagine que o litro da gasolina esteja R$ 5 em um posto e R$ 4,90 no mais barato.
Se você colocar R$ 100 no posto mais caro, abasteceria 20 litros. No mais barato, 20,40 litros. Contando que o carro faça uma média de 10 km por litro na cidade (uma média alta), você ganharia 4 km de combustível por ter feito isso. Uau, que economia!
Mas aí você percebe que andou 2 km para ir e 2 km para voltar desse posto mais barato, pegou uma fila enorme e se estressou. Com isso, gastou 30 minutos a mais do seu dia.
Jurou ter economizado, mas perdeu dinheiro, paz e tempo por conta disso. Parabéns, você pode ser chamado de “Zé Continha”. E, confesso, eu mesmo já fui um desses.
O Que É a Verdadeira Economia? Dinheiro, Tempo e Paz
Cheguei ao ponto em que percebi que a economia realmente verdadeira é aquela que consegue englobar, além do dinheiro que já estamos acostumados a economizar, esses outros dois fatores: tempo e paz.
Se você economiza apenas dinheiro, mas perde seu tempo e sua paz, então essa economia não fez sentido. É necessário ter claro na mente que tempo e paz são moedas tão, ou ainda mais, importantes que o dinheiro.
Esses três fatores variam de pessoa para pessoa. Por exemplo, para algumas pessoas, andar pelo centro inteiro da cidade para comprar um tênis de baixa qualidade pode significar “ganhar dinheiro”, mas perder tempo e paz.
Para outros, pode ser a única opção. Eu poderia dar milhares de exemplos aqui, mas este já serve para que tenhamos bom senso e voltemos nossos olhos para nós mesmos, não para os outros, a fim de fazer essa autorreflexão.
Quanto vale o dinheiro para você? Quanto vale seu tempo? Quanto vale sua paz? Você consegue responder a essas perguntas?
A Mentalidade da Escassez: O Inimigo Silencioso
E, em alguns casos, pode até ser que você realmente economize alguns trocados aqui e ali, mas essa não é a questão maior. O problema é no que essa mentalidade o transforma.
Quando ficamos fazendo esse tipo de registro a todo momento em nossas vidas, estamos repetidamente afirmando ao nosso subconsciente que precisamos fazer contas sobre tudo, que talvez falte algo no futuro. Ficamos com a mentalidade de que as coisas irão sempre faltar. Essa é a mentalidade da escassez.
E aí passamos a enxergar o mundo dessa forma: não apoiamos ninguém porque, se o outro tem algo, ele pode estar “tirando de mim”. Deixamos de comprar um livro, um curso para melhorar como pessoa, porque pensamos estar gastando um dinheiro que no futuro pode fazer falta.
Passamos a focar a vida somente pelo lado de que algo irá faltar, nunca pelo que ela te oferece. E esse é um dos piores focos que você pode dar para o seu cérebro.
Quebrando o Ciclo: A Economia Sábia
Eu já resolvi meu negócio com os folhetos de supermercado, mas em outras coisas ainda vejo o “Zé Continha” operando dentro de mim. Isso é normal, nossas noções de dinheiro, tempo e paz vão se transformando com o tempo. E posso afirmar que não é fácil fazer esse balanceamento.
A mentalidade da escassez é ser mesquinho, é viver pior do que se poderia, mesmo podendo pagar um pouco mais para ter mais tempo e paz. É transformar o dinheiro em um deus, em vez de querer ter uma qualidade de vida melhor.
É viver somente atrás do dinheiro e não ter tempo para aproveitar as coisas que o dinheiro não compra. É morrer estressado, deixando um monte de dinheiro guardado e nunca tendo aproveitado a vida.
E não me entenda mal, isso não tem nada a ver com gastar todas as suas economias em um “carpe diem” irresponsável ou sair comprando bobagens por aí.
O contrário de uma mentalidade da escassez não é gastar excessivamente, mas sim gastar com sabedoria, sabendo que a economia é quando dinheiro, tempo e paz estão em equilíbrio.
Para mim, isso é comprar um bom café, já que gosto de cafés; é não me preocupar onde vou abastecer; é comprar os livros e cursos que desejo e que sei que farei; é dar gorjeta para os entregadores. Mas para você, isso pode ser diferente.
Encontre o seu bom senso. Procure na sua vida os momentos em que você se sentiu satisfeito pelo quanto gastou, pelo tempo que levou e pela paz que teve ao fazer tudo isso. Essa é uma vida equilibrada, que abre sua mente e seu espírito para uma vida que realmente vale a pena ser vivida.


