O Efeito Mateus: Desvende Por Que Ricos Ficam Mais Ricos e Transforme Sua Mentalidade

Tempo de leitura: 12 min

Escrito por Tiago Mattos
em junho 3, 2025

O Efeito Mateus: Desvende Por Que Ricos Ficam Mais Ricos e Transforme Sua Mentalidade

O Efeito Mateus: Por Que os Ricos Ficam Mais Ricos e Como Você Pode Virar o Jogo

Já parou para pensar na ideia de que “a quem tem mais, será dado, e terá em abundância; mas a quem não tem, até o que tem lhe será tirado”?

Parece severo, talvez injusto, e reforça a percepção de que os ricos ficam mais ricos e os pobres, mais pobres.

Hoje, vamos desvendar o Efeito Mateus.

O Efeito Mateus descreve como pessoas que já possuem muito tendem a adquirir ainda mais, enquanto aqueles com pouco acabam com ainda menos.

Essa não é uma teoria aplicável apenas ao dinheiro ou a conceitos espirituais; você pode observá-la em escolas, na ciência, nos esportes e até mesmo no uso da internet.

O termo “Efeito Mateus” foi cunhado pelo sociólogo Robert Merton, em referência à Bíblia, especificamente Mateus 25:29, que diz: “Pois a todo o que tem, mais lhe será dado, e terá em abundância; mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado.”

Antes de mergulharmos fundo, um aviso: essa passagem é frequentemente mal interpretada.

Se você acha que sabe o significado exato ou a maneira correta de interpretá-la, peço que, por favor, continue lendo até o final para que possamos discutir todos os detalhes juntos.

O Efeito Mateus está em toda parte, e é crucial compreendê-lo.

O Efeito Mateus em Ação: Exemplos do Dia a Dia

Desde 1977, demonstrou-se que os vencedores do Prêmio Nobel, por exemplo, recebem uma vantagem significativa após serem premiados.

Eles ganham fama, reconhecimento e uma enxurrada de oportunidades, gerando uma espiral positiva.

Por outro lado, um jovem pesquisador sem prêmios ou reconhecimento enfrentará uma dificuldade muito maior para encontrar financiamento e apoio para seus projetos.

Nas escolas, um aluno que começa bem na leitura e na matemática tende a melhorar progressivamente.

Crianças que começam a ler mais cedo geralmente recebem mais oportunidades educacionais, o que lhes confere uma habilidade acadêmica ainda maior.

Já o aluno com dificuldade inicial lutará para acompanhar.

Com dinheiro, a lógica é similar.

A pessoa que começa com um pouco de capital muitas vezes consegue fazê-lo crescer, em parte devido ao empreendedorismo, mas também devido ao Efeito Cantillon.

Esse efeito mostra como o novo dinheiro injetado na economia chega primeiro aos bancos, empresas com boas conexões políticas e “amigos do rei”.

Eles gastam esse dinheiro antes que os preços subam.

Conforme o dinheiro circula e se espalha, ele se dilui e os preços aumentam.

Quem recebe o dinheiro por último, como a maioria das pessoas, acaba em desvantagem, pois o dinheiro compra menos.

Isso significa que nem todos se beneficiam da mesma forma na economia; se você já tem boas conexões, tende a ficar mais rico, enquanto quem começa com pouco ou nada tem mais dificuldade em progredir.

Estudos com famílias demonstram que é possível prever onde uma pessoa terminará com base em seu ponto de partida.

Pais ricos podem influenciar o futuro dos filhos, usando suas conexões para conseguir bons empregos, apresentar às pessoas certas ou, no mínimo, garantir boas escolas.

Uma boa escola ajuda a adquirir habilidades, e em casa, pais com uma boa formação podem cultivar hábitos como a leitura e atividades que promovem inteligência, boa personalidade e transmitem valores.

No mundo dos esportes, o Efeito Mateus também se manifesta.

O autor Malcolm Gladwell, em um de seus livros, explica como o sucesso muitas vezes surge de uma pequena vantagem aleatória inicial, como o mês de nascimento.

Um atleta nascido no início do ano, por exemplo, pode ter alguns meses a mais de prática e ser um pouco mais desenvolvido fisicamente, o que lhe dá uma vantagem significativa quando é muito jovem.

Essa pequena diferença pode levá-lo a ser escolhido para um time melhor, receber um treinamento superior e ter uma chance maior de sucesso.

Com o tempo, essa vantagem inicial cresce, dificultando para os mais novos alcançá-lo.

Isso é documentado em vários esportes ao redor do mundo.

Se você ainda não está plenamente convencido, observe uma rede social.

Um influenciador com milhões de curtidas publica algo, e todos o seguem.

Você pode copiar e colar exatamente a mesma coisa e não obterá a mesma quantidade de curtidas.

Por quê? Porque você tem menos seguidores para começar.

A Escolha é Sua: Ressentimento ou Ação?

As consequências do Efeito Mateus podem levá-lo a se sentir ressentido, a reclamar e não fazer nada.

Ou, podem impulsioná-lo a tomar uma atitude para melhorar sua vida. A escolha é sua.

Agora que entendemos o Efeito Mateus como um fenômeno social e econômico que favorece aqueles com vantagem inicial, é fundamental prestar atenção: seu foco determina sua realidade.

Se você decidir focar apenas na injustiça do Efeito Mateus, na vantagem que ele dá a quem já tem muito, tenderá a não tomar atitudes práticas para melhorar sua própria vida.

Há, contudo, uma maneira poderosa de mudar essa perspectiva e usar o Efeito Mateus a seu favor: lembrar-se de outra teoria, a do Locus de Controle.

Quando você adota um Locus de Controle Externo, você acredita que seu sucesso ou fracasso vêm de fatores externos, fora do seu controle.

Isso, obviamente, o fará sentir-se impotente.

Em vez disso, você pode adotar o Locus de Controle Interno, acreditando que tem poder sobre seus resultados.

Com o Locus de Controle Externo, você culpará a sorte, o tempo, outras pessoas – tudo isso estaria definindo sua vida e seus problemas.

Isso é desistir de assumir responsabilidade sobre sua vida.

É aqui que o Efeito Mateus se torna mais complicado.

Se você vem de uma situação com menos vantagens – seja dinheiro, contatos, histórico familiar ou oportunidades –, é muito fácil começar a ver esse padrão em tudo, como se todas as chances estivessem contra você, o universo trabalhando contra você.

E aí fica bem difícil avançar.

Se há uma ideia que eu quero que você se recorde da nossa conversa, é a seguinte: pergunte-se qual é o efeito prático do Efeito Mateus na sua vida.

Isso significa que, por ter menos vantagens iniciais, você está condenado? Não!

Você também precisa reconhecer que tem controle sobre sua própria vida e suas escolhas.

Basta saber como utilizar aquilo que você tem.

É aqui que entram a Mentalidade de Crescimento (teoria de Carol Dweck) e a Autoeficácia (teoria de Albert Bandura).

Em resumo, a Mentalidade de Crescimento significa acreditar que você pode crescer e melhorar, o que lhe confere poder.

A autoeficácia, por sua vez, é a crença na sua capacidade de realizar tarefas, o que o motiva e impulsiona a agir.

Em vez de pensar que você tem azar porque começou com muito menos do que outras pessoas – o que implica que sua vida é fixa e imutável –, você pode usar uma mentalidade de crescimento para pensar: “Como posso crescer? Como posso desenvolver minhas próprias habilidades?”

E em vez de acreditar que não tem capacidade de agir (agência, não no sentido de banco, mas de poder de ação), a autoeficácia o fará perguntar: “O que eu posso fazer agora para avançar?”

O Efeito Mateus não se trata apenas de dinheiro ou conexões; trata-se do que você constrói dentro de si e em sua vida.

Aprender, crescer, agir – essas são as coisas que criam seu próprio caminho.

O que você vai fazer? Vai ficar parado, apontando culpados? Isso fará com que fatores externos tenham ainda mais controle sobre sua vida.

Cada escolha que você faz, cada nova habilidade que você aprende, cada pedacinho de conhecimento que você ganha – tudo isso são blocos de construção para seu próprio futuro.

Com esforço, você está colocando esses blocos em sua estrada para que você fique ainda mais forte e trilhe um caminho melhor.

Essas são as ferramentas para seu sucesso, usando este princípio.

A Parábola dos Talentos: A Fonte Original do Efeito Mateus

A escolha é sua: você pode entender o Efeito Mateus e ficar passivamente ressentido, vendo os outros prosperarem, ou pode compreender que ele existe e, então, criar seu próprio impulso.

Embora o Efeito Mateus seja uma teoria das ciências sociais, com seu nome vindo de uma referência bíblica, vamos olhar a fonte original – a Parábola dos Talentos – para entender as muitas discussões sobre sua interpretação.

A Parábola dos Talentos é encontrada no Evangelho de Mateus, Capítulo 25, versículos 14 a 30.

A história é mais ou menos assim:

Um homem que estava partindo para uma viagem convocou seus servos e confiou-lhes sua riqueza.

A um servo ele deu cinco talentos (um talento era uma grande quantidade de dinheiro na época), a outro dois talentos, e ao último, um talento – cada um de acordo com sua habilidade e capacidade.

Depois, ele partiu.

O servo que recebeu cinco talentos imediatamente os investiu e ganhou mais cinco.

Da mesma forma, aquele que recebeu dois talentos ganhou mais dois.

No entanto, o servo que recebeu apenas um talento cavou um buraco no chão e escondeu o dinheiro do mestre.

Depois de muito tempo, o mestre retornou para acertar as contas com eles.

O servo que havia recebido cinco talentos trouxe outros cinco adicionais e disse: “Mestre, você me confiou cinco talentos; veja, ganhei outros cinco.”

O mestre ficou muito satisfeito e disse: “Muito bem, servo bom e fiel! Você foi fiel no pouco; eu o porei sobre muito. Venha e compartilhe da felicidade do seu mestre!”

O servo com dois talentos também veio e disse: “Mestre, você me confiou dois talentos; veja, ganhei outros dois.”

O mestre respondeu: “Muito bem, servo bom e fiel! Você foi fiel no pouco; eu o porei sobre muito. Venha e compartilhe da felicidade do seu mestre!”

Finalmente, o servo que havia recebido um talento veio e disse: “Mestre, eu sabia que você é um homem duro, que colhe onde não semeou, e ajunta onde não espalhou. Por isso, fiquei com medo, fui e escondi seu talento na terra. Aqui está o que lhe pertence.”

O mestre, então, respondeu: “Servo mau e preguiçoso! Você sabia que eu colho onde não semeei e ajunto onde não espalhei? Então devia ter colocado meu dinheiro no banco, para que, quando eu voltasse, o recebesse de volta com juros!”

O mestre ordenou que aquele talento fosse tirado da mão do servo e dado ao que tinha dez talentos.

Ele explicou: “Pois a todo o que tem, mais lhe será dado, e terá em abundância; mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado.”

O servo inútil foi jogado para fora, na escuridão, onde há choro e ranger de dentes.

Lições Chave da Parábola dos Talentos

A Parábola dos Talentos ensina que devemos fazer bom uso daquilo que nos é dado.

Mesmo que alguns interpretem essa parábola de forma exclusivamente espiritual, é inegável que todos podemos aprender lições importantes dessa história.

Há dois pontos de especial importância:

  1. O mestre deu diferentes quantidades de talentos a cada servo, de acordo com sua habilidade e capacidade.

    Isso nos lembra que as pessoas são diferentes, e não devemos tentar forçar a igualdade onde naturalmente existe diferença.

    A ideia é trabalhar com aquilo que você tem.

    Na história, o mestre dá dinheiro aos servos com base em suas habilidades, assim como um professor dá um trabalho mais desafiador a um aluno avançado.

    A lição principal é que todos têm suas próprias habilidades, desafios e contexto.

    Você deve focar nos seus pontos fortes e não se preocupar excessivamente com o que os outros estão fazendo.

    A meta é melhorar a si mesmo, não competir com os outros.

    A vida é uma jornada em que todos recebemos talentos – alguns muito, outros pouco.

    Pare de focar na narrativa de que é injusto que alguns tenham muito e outros pouco.

    Isso alimenta a inveja e não o ajudará a melhorar sua vida.

    Na verdade, quando você sucumbe a esse aspecto das diferenças e da “justiça social”, corre o risco de se tornar “mimado”, ou seja, alguém que se sente no direito de algo sem ter se esforçado para isso.

    O importante não é a quantidade que você recebe, mas o que você faz com ela.

    Você precisa usar o que tem, e muitas vezes o medo de não ter o suficiente nos impede de usar o que já possuímos.

    A história mostra que, se você usar o que tem, pode ganhar mais, mas se não usar, perderá até o pouco que possui.

  2. O servo que escondeu o talento estava com medo, e o mestre o chamou de “mau e preguiçoso”.

    Medo e preguiça são atitudes prejudiciais.

    O servo com medo achou que o mestre era rigoroso, então escondeu o talento em vez de usá-lo.

    O mestre o considerou preguiçoso.

    Isso nos mostra que o medo pode nos impedir de utilizar nossos talentos.

    Esconder um talento também é falta de gratidão, como não apreciar um presente recebido.

    A preguiça não é apenas falta de atividade; é também permitir que o medo o controle.

Use Seus Talentos e Aja!

Na vida cotidiana, essa Parábola dos Talentos é extremamente relevante.

Eu sei que você tem talentos, muitas coisas que você faz muito bem.

Mas você está utilizando suas habilidades para ajudar outras pessoas na vida prática, ou está escondendo seus talentos?

Ao longo de anos de interação com milhares de indivíduos, histórias reais mostram que todos nós podemos fazer grandes coisas.

Mas não basta apenas ter talento; o que realmente importa é utilizá-lo para ajudar os outros e fazer a diferença no mundo.

Quando escondemos nossos talentos, metaforicamente, estamos com medo e preguiça.

Em algum momento, a vida nos mostrará que não estamos no caminho certo.

A Parábola dos Talentos claramente nos convoca a agir, a não sermos retidos pelo medo.

Devemos utilizar nossa habilidade de uma maneira que corresponda ao nosso verdadeiro caminho e propósito.

Use seus talentos! Aja!

Quando você compartilha, desenvolve e faz florescer seus talentos, você não apenas melhora a vida de outras pessoas, mas também encontra uma profunda felicidade consigo mesmo.

Ser corajoso o suficiente para mostrar o que você pode fazer é o que lhe trará sucesso real e uma vida que vale a pena ser vivida.

Essa ideia se alinha com o Efeito Mateus: pessoas que usam seus talentos encontram mais possibilidades e chances de fazer uma diferença positiva.

E todos têm pelo menos um talento.

A história nos ensina a não esconder nem ignorar nossos talentos por medo.

Se não os utilizarmos, podemos perdê-los.

A vida, muitas vezes, nos dará sinais de que não estamos usando nosso potencial, e precisamos prestar atenção a esses sinais.

O Efeito Mateus, a teoria de Robert Merton que faz referência a um versículo bíblico, é usada para explicar como os ricos podem ficar mais ricos e os pobres, mais pobres.

No entanto, a qualquer momento, você pode escolher reclamar ou fazer algo que o ajudará a crescer e aprender.

Trabalhe em suas habilidades, veja como você se sai e continue melhorando.

A escolha é sua.

Agora, você tem uma decisão a tomar: pode continuar apenas absorvendo informações ou pode fazer algo que o ajudará a crescer e aprimorar suas habilidades.

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