Aprenda a Aprender: Desvende Estratégias para Dominar o Conhecimento
Já sentiu a dificuldade de acompanhar o professor na sala de aula? Ou, enquanto lia um livro, compreendia tudo na hora, mas no dia seguinte não se recordava de nada?
Talvez você tenha começado a estudar um assunto, mas sentiu as coisas confusas e não conseguiu continuar, seja por sono, vontade de levantar e fazer outras coisas, ou a irresistível tentação de espiar aquela rede social favorita.
E suas próprias anotações? Você chega ao ponto de sentir dificuldade em estudar usando o que você mesmo escreveu?
Se você se identifica, saiba que há um desajuste em sua estratégia de estudo. Mas relaxe, o problema não está em você.
O Segredo Não Está na Capacidade, Mas na Estratégia
Respire aliviado: não há nada de errado com seu cérebro. Ele possui bilhões de células, e nosso potencial de aprendizado é praticamente infinito.
É possível passar a vida inteira aprendendo coisas novas todos os dias e ainda assim ter espaço para mais.
Pense nos grandes aprovados em provas de vestibular ou concursos públicos, aqueles que praticamente gabaritam. O que eles têm de diferente não é um cérebro mais avantajado.
A diferença está em uma outra base de experiência, adquirida por uma estratégia distinta – uma forma diferente de utilizar o mesmo equipamento que todos nós temos.
Esse é um ponto crucial: não há nada de errado no seu cérebro. É comum, e com muita tristeza, que muitos pensem que são incapaces de aprender, após sofrerem com notas baixas e reprovações.
Entender que sua ação foi inadequada é uma coisa – a ação pode ser corrigida. O erro é achar que você está inadequado, pensando “eu não tomo jeito, comigo não dá”. Isso está equivocado.
O problema está na estratégia de estudo e no comportamento – e ambos podem ser mudados. É fundamental não atribuir os fracassos de aprendizado como um aspecto da sua identidade.
Quem acha que é “lerdo”, que tem “deficiência” ou que “há algo de errado no cérebro” está sofrendo com uma crença limitante.
Essa crença de pensar “eu tenho problema, meu cérebro não é bom, não adianta estudar” faz com que as ações necessárias não sejam tomadas, e, consequentemente, não há resultados.
Todas as pessoas possuem um grande potencial que ainda não está sendo aproveitado. Basta mudar as estratégias para aproveitar melhor esse potencial e, assim, colher melhores resultados.
Memória de Curto Prazo vs. Longo Prazo: O Papel da Expertise
Para otimizar seu aprendizado, é fundamental entender como seu cérebro processa as informações.
Temos a memória de curto prazo – aquela onde o conhecimento é adicionado por um breve período e que, infelizmente, pode evaporar rapidamente, como uma aula assistida hoje e esquecida no dia seguinte.
Por outro lado, há a memória de longo prazo, onde o conhecimento é assimilado e fica para a vida toda, como andar de bicicleta ou o aprendizado da língua portuguesa que usamos diariamente.
O segredo, então, é transportar o conhecimento da memória de curto prazo (o conhecimento que evapora) para a memória de longo prazo (aquele conhecimento que fica bem apreendido).
Como fazer isso? Adquirindo expertise naquela área. Quando se tem expertise, a forma de vivenciar o conteúdo é diferente, pois conseguimos atribuir um sentido diferente àquela informação.
A Ciência Comprova: A Importância da Expertise
Vários experimentos científicos respaldam a ideia de que a expertise é crucial para fixar conteúdo na memória de longo prazo e aprender para sempre.
1. Memorização de Peças de Xadrez:
Em um estudo da década de 1970, cientistas testaram a capacidade de memorização de jogadores de xadrez.
Eles mostravam tabuleiros com diferentes posições de peças e pediam que as pessoas as memorizassem. Após uma distração (um “interpulador”, como um vídeo de gatinhos), os cientistas pediam para as peças serem recolocadas.
Quem não era expert em xadrez tinha grande dificuldade, pois precisava lembrar quais peças estavam, quantas, em qual casa e se eram brancas ou pretas.
No entanto, os grandes jogadores de xadrez, com expertise, rapidamente reconheciam as posições e as recolocavam sem grande dificuldade, mesmo após a interrupção. A expertise lhes dava um significado diferente para as informações.
Curiosamente, quando mostravam tabuleiros com posições impossíveis de jogo (fictícias), mesmo os grandes campeões de xadrez encontravam dificuldade, pois não podiam usar sua expertise diante de algo que não fazia sentido.
2. Conhecimento Específico vs. Capacidade Geral de Leitura:
Outro experimento científico selecionou pessoas com alta e baixa capacidade de leitura e, dentro desses grupos, pessoas com alto e baixo conhecimento em esportes (por exemplo, futebol).
Foram apresentados textos sobre esportes, e os participantes deveriam ler e responder a testes.
O resultado comprovou que aqueles com grande conhecimento em esporte, mesmo os de baixa capacidade de leitura, tiravam notas maiores.
Eles conseguiram superar os resultados do grupo de alta capacidade de leitura que não tinha grande conhecimento do esporte.
Isso prova que a pessoa que tem expertise em uma certa área consegue uma melhor absorção, melhor retenção de conhecimento e melhor aprendizado, porque a forma dela vivenciar o conteúdo é diferente; o significado que ela encontra na informação é diferente.
Dominando Suas Anotações com Mapas Mentais
Se a expertise é a chave para o aprendizado duradouro, como podemos acelerar sua aquisição?
Uma das técnicas mais poderosas para otimizar seu estudo, anotações e revisão é a criação de Mapas Mentais.
Muitos se identificam com a frustração de fazer anotações que parecem inúteis na hora da revisão, pois não se lembram das conclusões ou do contexto.
Sentem que estão perdendo tempo, mesmo entendendo o assunto no momento da aula.
A diferença de um Mapa Mental em relação às anotações lineares tradicionais:
Anotações Lineares (Tradicionais):
- Padrão Linear: Cada ideia é expressa em uma linha do caderno.
- Estilo Narrativo: Exige regras gramaticais, sujeito, verbo, predicado, artigos, preposições e conjunções.
- Palavras-Chave Ocultas: Ficam escondidas no meio de informações de menor importância, dificultando a associação de conceitos.
- Uso Modesto de Numerais: Muitas vezes, números são escritos por extenso, não visualmente.
- Modo Automático: É fácil entrar em um processo de anotação quase no piloto automático, sem um grande engajamento crítico, apenas copiando frases importantes.
- Ineficiência: Exigem muito esforço (como a mão doendo de tanto escrever) para pouco resultado; usam um volume muito maior de palavras para o mesmo conteúdo.
- Propício à Distração: Permitem que a mente divague e pense em outros assuntos enquanto o corpo copia.
Mapas Mentais:
- Fluxo Não Linear: Rompem com o padrão A para B, seguindo uma forma mais natural do cérebro organizar e processar ideias.
- Visual e Espacial: Utilizam cores e imagens, oferecem uma noção espacial melhor e uma visão do todo.
- Hierarquia de Conceitos: Deixam clara a relação entre diferentes ideias.
- Engajamento na Revisão: São mais prazerosos e menos entediantes de revisar, aumentando a disciplina e a dedicação ao estudo.
- Concentração Intensa: Exigem total concentração e atenção para converter o material original em uma mídia visual, utilizando o maior potencial criativo do cérebro.
- Processo de Descoberta: Forçam o estudante a primeiro aprender e depois descobrir como pode repassar o conhecimento, mesmo que seja para si mesmo no futuro.
- Uso de Palavras-Chave: Para localizar e utilizar uma palavra-chave, é preciso concentração e compreensão profunda da matéria.
- Eficiência: Permitem expressar o mesmo conteúdo com uma fração das palavras, tornando o estudo de grandes volumes de conteúdo muito mais eficiente.
O aprendizado eficiente não é um dom, mas uma habilidade que pode ser desenvolvida com as estratégias certas.
Ao mudar sua abordagem, você libera o potencial ilimitado de seu cérebro para dominar qualquer assunto.
Invista em técnicas que forcem seu cérebro a pensar de forma ativa, a encontrar significado e a construir a tão necessária expertise. Seus resultados agradecerão.


