O Poder da Autofala: Como Conversar Consigo Mesmo Aumenta Foco e Performance

Tempo de leitura: 6 min

Escrito por Tiago Mattos
em junho 9, 2025

O Poder da Autofala: Como Conversar Consigo Mesmo Aumenta Foco e Performance

O Poder Surpreendente da Autofala: Como Conversar Consigo Mesmo Melhora Foco e Desempenho

É comum ver alguém falando sozinho e pensar que essa pessoa está fora de si. No entanto, o autodiálogo é uma prática totalmente normal, realizada por quase todo mundo, e que pode trazer benefícios incríveis para a sua vida.

Essa conversa privada tem diversas utilidades, especialmente para turbinar seu foco e concentração.

Você pode conversar consigo mesmo apenas mentalmente, sem mover os lábios, ou pode vocalizar seus pensamentos. Nossos pensamentos e nossa fala nem sempre estão totalmente conectados, e é justamente por isso que falar sozinho nos ajuda.

Essa conversa privada auxilia na criação de pontes e conexões entre nossos pensamentos, muitas vezes caóticos, e a nossa fala, que é mais organizada. Assim, aprimoramos nossa cognição, formulamos frases e nos comunicamos melhor.

A Ciência por Trás do Diálogo Interno

Você se concentra melhor quando fala sozinho, mas é preciso fazê-lo corretamente.

Um experimento científico interessante demonstrou que, se você fica repetindo palavras sem sentido (como “blá, blá, blá”) enquanto estuda, suas chances de processar e absorver informações diminuem drasticamente. Isso é conhecido como “supressão articulatória”. É óbvio que a retenção seria pior nesse cenário.

Agora, o oposto é que traz benefícios! Quando você verbaliza frases que são diretamente relacionadas à tarefa que está executando, sua concentração melhora significativamente.

Por exemplo, ao procurar um objeto, como sua carteira, falar em voz alta o nome do objeto (“Minha carteira… onde está minha carteira?”) aumenta a probabilidade de identificá-la. Talvez seja por isso que temos o hábito de andar pela casa repetindo o nome do que estamos procurando.

O Impacto da Motivação na Performance

Frases motivacionais são muito mais eficazes do que frases neutras ou derrotistas. Sentimentos como cansaço e dor, quando percebidos de forma negativa, podem reduzir seu desempenho físico.

A questão é: será que frases motivacionais podem dar ao cérebro mais resistência para lidar com o esgotamento?

Um experimento sobre performance física separou voluntários em grupos: um ouvia frases neutras e outro, frases motivacionais, enquanto pedalavam uma bicicleta ergométrica até o limite do esforço.

O resultado? O grupo que ouviu frases motivacionais teve um rendimento muito superior. Imagine dois atletas igualmente preparados: um ouve áudios neutros e o outro, áudios motivacionais.

O que escutou as frases de motivação conseguirá se esforçar mais e terá um melhor desempenho!

Por isso, não faz sentido usar uma linguagem derrotista ou negativa, seja em voz alta ou apenas em pensamento.

Dizer coisas como “Eu sou um fracasso”, “Sou um idiota”, “Nunca consigo nada” só prejudica.

O Poder da Terceira Pessoa: Uma Nova Perspectiva

Para aumentar sua confiança, motivação e, principalmente, lidar com o estresse, é importante se referir a si mesmo na terceira pessoa (usando seu próprio nome).

Essa técnica proporciona uma nova perspectiva, um distanciamento que permite olhar para a situação de forma mais objetiva e com menos envolvimento emocional.

Muitos atletas de alto rendimento são conhecidos por se referirem a si mesmos na terceira pessoa. Pense no Pelé dizendo: “Agora o Pelé vai fazer o drible, ótimo! Agora o Pelé vai chutar para o gol!”.

O tênis, por exemplo, é um esporte onde é comum o atleta falar: “Vamos lá, agora atacar com força e precisão!”. Essa técnica funciona para qualquer um que busca motivação e aumento de performance.

Falar de si mesmo na terceira pessoa aumenta o autodistanciamento, ampliando sua capacidade de ver a situação sob diferentes ângulos e com menor impacto individual.

Você não precisa ser um atleta de alta performance nem uma pessoa narcisista para usar essa estratégia. Personalidades conhecidas já foram observadas usando a terceira pessoa em entrevistas, por exemplo, ao descrever como ele agiria em uma situação de perigo.

Experimente usar a terceira pessoa intencionalmente. Você pode ganhar um novo ponto de vista, questionar-se melhor e usar seu nome para se acalmar.

Superando Medos e Estresse com a Autofala

Imagine que você faz parte de um experimento científico e lhe é apresentada uma situação de perigo iminente.

Se o pesquisador pedir para você descrever como agiria na primeira pessoa, você provavelmente diria: “Eu tentaria desarmar… eu sairia correndo… eu choraria…”.

Nesses casos, o envolvimento emocional é altíssimo, e você permanece em um estado de grande estresse.

No entanto, se o pesquisador pedir para você falar tudo isso na terceira pessoa, usando seu nome (por exemplo, “Acho que [seu nome] usaria uma técnica de negociação…”), seu envolvimento emocional diminui drasticamente.

Sinais elétricos no cérebro mostram que a pessoa está muito mais tranquila quando conversa consigo mesma na terceira pessoa.

Essa descoberta indica que você pode superar fobias e situações de estresse ao adicionar seu nome à sua fala.

Por exemplo, em vez de pensar “Eu não preciso ter medo de avião”, pense: “[Seu nome], você não precisa ter medo de avião.”

Para melhorar ainda mais, reformule a frase de forma positiva, removendo a palavra “medo”: “[Seu nome], o avião é seguro, ele passa por várias inspeções, pode entrar tranquilo.”

Adotar a perspectiva de um observador ou “cinegrafista” filmando sua própria vida é uma técnica poderosa para ganhar o distanciamento necessário para uma melhor avaliação e tomada de decisões.

É normal, e não há motivo para vergonha ou susto, encontrar-se falando consigo mesmo na terceira pessoa em algumas situações. Isso é apenas um modo diferente de pensar que pode ajudar de diversas maneiras.

Diferentes formas de falar sozinho ativam diferentes caminhos do pensamento no seu cérebro, especialmente no córtex cerebral (que cuida das funções mais desenvolvidas, como a linguagem) e nas amígdalas cerebrais (que cuidam de funções mais primitivas, como o medo).

Quando você se refere a si mesmo na terceira pessoa, cria um distanciamento maior, o que propicia autocontrole, performance mais competente e um pensamento mais claro.

É como um jogo de videogame: você não é o personagem preso no meio do jogo, você é a pessoa com o controle na mão, comandando o personagem.

Como Praticar a Autofala Eficazmente:

Para conversar consigo mesmo de forma produtiva, siga estes três passos:

  1. Use seu nome: Para ganhar distanciamento e uma perspectiva nova, mais objetiva da situação.
  2. Seja específico: Qual é o tipo de ação que você quer potencializar?
  3. Use afirmações positivas: Para entender o contexto maior de quem você é naquela situação e como pode agir de forma presente.

Exemplo Prático:

Imagine que seu nome é William, e você vai fazer uma entrevista de emprego, sentindo-se nervoso. Ao se lembrar desses passos, você pode aplicar:

“William, calma. Não é a primeira entrevista de emprego, e não será a última. É uma excelente empresa, o salário é ótimo. Respire tranquilo. O melhor a fazer é ser calmo e profissional.

Você tem as habilidades técnicas necessárias para a vaga, William. Você é profissional, íntegro. Lembro também de como você gerenciou o projeto de internacionalização daquela outra empresa no ano passado.

E mesmo que escolham outra pessoa, você terá feito uma ótima apresentação. Vá em frente, William!”

Perceba que William usou o próprio nome para ter um distanciamento emocional e ficar mais calmo, um de seus principais objetivos. Ele também fez afirmações positivas sobre suas qualidades profissionais e foi específico ao destacar ações (como o gerenciamento do projeto de internacionalização).

Isso é apenas um exemplo que você pode adaptar a qualquer desafio em sua vida. Aprender a controlar seus pensamentos é fundamental para viver melhor, pois o foco nos ensina a assumir o controle de nosso próprio modelo cognitivo e a nos concentrar no que realmente importa.

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