O Paradoxo Humano: Primitivismo em Plena Era Digital?
Apesar de toda a velocidade e inovação que marcam a era digital, uma reflexão incômoda persiste: será que, no fundo, ainda somos movidos por instintos primitivos?
Observamos o homem que, com o olhar, persegue o corpo alheio na rua; as brigas por motivos banais que eclodem em qualquer esquina; a busca desenfreada por status material que eleva uns e rebaixa outros.
Sexo, violência, disputa por hierarquia – esses traços, tão presentes em nossa sociedade, não seriam as mesmas características que definem qualquer espécie animal na natureza?
Em pleno século XXI, com avanços tecnológicos que mal conseguimos acompanhar, o que realmente nos define como sociedade?
Se olharmos para dentro, somos forçados a admitir: agimos, muitas vezes, como um bando de animais. Brigamos por território, por parceiros, por posição na matilha.
Pensamos ser seres evoluídos, uma raça excepcional e única, mas parece que ainda estamos presos às características mais intrínsecas do reino animal.
Naturalmente, alguns estudiosos apontarão para os gânglios basais – estruturas cerebrais primitivas, presentes em nós e em nossos ancestrais animais, que influenciam boa parte de nossos comportamentos.
Outros, menos acadêmicos, podem até argumentar que somos, sim, animais e que não há problema em seguir esses impulsos.
Contudo, ignoramos uma verdade fundamental: nosso cérebro desenvolveu uma camada superior, que nos oferece a capacidade de escolher se vamos ou não ceder a esses instintos primários.
Diante de um mundo repleto de possibilidades, expandido exponencialmente pela internet, o que nos consome?
Ainda nos vemos presos à pornografia, à violência gratuita e à ostentação vazia. Não temos algo mais relevante a fazer?
Passamos tempo discutindo se o homem deve ou não lavar a louça, se duas pessoas do mesmo sexo, que nem conhecemos, podem se casar, ou se a artista do clipe agiu bem ou mal ao se beijar com várias pessoas.
Essas são apenas as discussões que vêm à tona; mal podemos imaginar o que mais drena a atenção coletiva.
É um paradoxo: pela primeira vez na história, possuímos computadores capazes de oferecer diagnósticos médicos mais precisos que os próprios profissionais.
Pela primeira vez, produzimos alimento em quantidade suficiente para nutrir cada ser humano no planeta. Pela primeira vez, temos tecnologia avançada para garantir luz e água para todos.
E o que fazemos com isso? O homem comum, muitas vezes, gasta seu precioso tempo e recursos com bebidas caras, endividando-se, enquanto as maiores fortunas do país vêm da indústria de bebidas ou do setor financeiro.
Ou nos perdemos em maratonas de séries e discussões sobre qual é a melhor. Não se trata de negar o entretenimento, mas de questionar: será que estamos direcionando toda a nossa vida para isso?
Que tipo de ser humano somos? Ainda somos seres que consomem tempo e energia com futilidades?
Será que, independentemente das oportunidades de aprimoramento para nós e para o nosso planeta, continuaremos a agir como animais?
Será que uma vida de 60 anos não nos oferece sabedoria suficiente para transcender nosso lado primitivo e buscar prazer em algo além de um corpo alheio? Manteremos discussões banais em vez de perseguir nossa evolução?
Tenho convicção de que o caminho para essa evolução não reside em mais penas ou leis rígidas, mas sim em algo que vale a pena lutar incessantemente: a expansão da consciência.
Sociedades corruptas podem criar todas as leis e punições imagináveis e ainda assim permanecerão corruptas. Uma sociedade com indivíduos de consciência expandida sequer necessitaria de tais amarras.
Quando nós, como indivíduos, buscarmos fielmente a expansão da consciência; quando iniciarmos a jornada do autoconhecimento e compreendermos nosso funcionamento interno;
Quando tivermos uma noção clara do nosso potencial ilimitado e entendermos que sempre possuímos a capacidade de escolher como agir; quando assimilarmos nosso lado animal e percebermos que podemos, sim, evoluir – só então elevaremos nossa sociedade a um patamar superior de consciência.
Enquanto isso não acontece, a busca por essa expansão deve ser individual, e conto com você para somar a esse movimento.
Que possamos ser, cada um de nós, uma pessoa melhor.


