Motivação: Descubra os Dois Caminhos que Moldam Sua Vida e Bem-Estar
Você já parou para pensar no que realmente te move? Na vida, a motivação pode ser dividida em duas grandes categorias, e entender a diferença entre elas pode ser o segredo para uma existência mais plena e feliz.
Imagine que você acorda cedo e decide tocar violão. Não porque alguém te pediu, nem porque precisa pagar uma conta, mas simplesmente porque ama o som, a melodia, a alegria que isso te traz. Essa é a motivação intrínseca. Você faz algo porque a própria atividade é a recompensa.
Muitos têm essa conexão com a leitura, a prática de esportes, ou qualquer hobby que traga satisfação apenas por ser realizado. Cada um de nós tem algo que nos preenche só de fazer.
Agora, pense em tocar violão não por paixão, mas porque seus pais estão pressionando, porque precisa da grana para o aluguel atrasado, ou apenas para buscar a aprovação de pessoas que, no fundo, nem se importam tanto assim com você.
Essa é a motivação extrínseca. Você não faz por gostar da atividade em si, mas para conseguir algo externo com ela.
É claro que, em nosso dia a dia, somos guiados por uma mistura desses dois tipos de motivação. O alerta, no entanto, é crucial: não caia na armadilha de abandonar sua motivação intrínseca e focar apenas na extrínseca.
Fazer isso aumenta consideravelmente a probabilidade de você se tornar um indivíduo mais ansioso e, em casos mais graves, depressivo.
O Alerta Crucial: Não Caia na Armadilha da Extrínseca!
O problema é que, como sociedade, estamos cada vez mais sendo guiados somente por valores extrínsecos.
Pegue, por exemplo, qualquer grande show nos dias de hoje. Observe e notará que muitos dos presentes estarão, em algum momento, com seus celulares apontados para o palco, sem sequer olhar diretamente para o espetáculo, mas sim através das telas.
Consegue entender por que fazem isso? Provavelmente, eles querem mostrar a outras pessoas que estão “curtindo a vida”.
Contudo, ao fazer isso, deixam de aproveitar o show de verdade. A intenção é exibir, dizer: “Tenham inveja!”.
Mas a verdade é que não se sentem bem passando o evento todo gravando e, pior, acabam não aproveitando seu próprio direito de vivenciar o momento.
Além disso, as outras pessoas podem se sentir mal, criando uma inveja vazia, já que ninguém vai querer assistir a um vídeo tremido de celular, quando existem dezenas de gravações com qualidade infinitamente superior disponíveis online.
Aliás, nem o próprio gravador costuma rever o que registrou.
Outro exemplo que presenciei: em uma viagem a Marrocos, sempre sonhei em conhecer o deserto. Além de explorar boa parte do país, meus amigos e eu iríamos passar uma noite no deserto.
Ao amanhecer, em um dos momentos mais belos da viagem — o nascer do sol no deserto — alguns dos meus amigos começaram a gravar uma “dancinha”, de costas para o sol, perdendo totalmente aquele grande momento.
Na tentativa de mostrar aos outros o quão “boa” suas vidas eram, eles simplesmente não aproveitaram um dos grandes momentos de suas próprias vidas.
Estes são apenas dois exemplos de um fenômeno muito maior: uma sociedade que nos empurra valores terríveis.
As Duas Saídas Para Uma Vida Mais Plena
Felizmente, existem soluções para essa armadilha.
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Distanciamento Estratégico: Menos Telas, Mais Vida Real
A primeira solução é simples: encare isso como poluição do ar e precisamos nos manter longe.
Vivemos em um momento no qual a última coisa a se fazer antes de dormir e a primeira ao acordar é olhar a vida alheia através de uma tela. Contudo, no final de nossas vidas, ninguém vai se importar com o que compramos ou quantos “likes” conseguimos em nossas publicações.
Vamos nos lembrar dos momentos felizes que passamos com quem amamos, dos abraços reais que demos. Mas não é isso que fazemos! Passamos boa parte de nossas vidas comprando, gastando e tentando ostentar para os outros.
Uma das saídas é literalmente se afastar de tudo isso: diminuindo as pessoas que você segue, assistindo apenas a bons vídeos e selecionando o que você vai consumir na TV.
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Resgate dos Valores Internos: O Que Realmente Te Faz Feliz?
A segunda solução é um pouco mais complexa. Imagine uma escola com alunos de realidades socioeconômicas diversas, enfrentando um problema comum: os jovens estavam obcecados por iPhones e roupas de marca.
Como a maioria dos pais não tinha condição para isso, eles estavam perdendo a cabeça.
Foi então que realizaram uma conversa com um grupo desses jovens. Pediram a um deles para escrever em um papel uma lista de todas as coisas que ele achava que o fariam feliz. O iPhone, claro, apareceu.
A segunda pergunta foi: “Então, como você se sentiria se conseguisse esse telefone?”.
Eles não precisavam realmente de um celular com aquelas funcionalidades. O que disseram foi, basicamente, que ter um iPhone os tornaria mais aceitos pelo grupo, que as pessoas sentiriam inveja, e que tinham medo de ser os únicos que não tinham.
“Mas por que esse seria um bom sentimento?”, foi a questão seguinte.
Quem colocou na cabeça deles a ideia de que precisam ter algo para serem aceitos pelo grupo?
Apenas dar a esses jovens a oportunidade de ver como seus próprios valores estavam distorcidos já ajudou.
Mas não parou por aí. Eles prosseguiram com mais uma pergunta: “Dado que o iPhone não o deixaria realmente feliz, quais os momentos da sua vida em que você se sentiu verdadeiramente feliz?
Aqueles em que as horas passaram voando e você gostaria de repetir, pois deram um significado à sua vida?”.
Eles disseram algo que é comum a todos: os melhores momentos eram quando estavam com os amigos, praticando algum esporte, tocando algum instrumento, desenhando, ou fazendo qualquer outra coisa que considerassem prazerosa.
Agora, fica uma pergunta para nós mesmos: Como ter mais dessas coisas intrínsecas em nossa vida e menos das outras, extrínsecas?
Como parar de ser guiado pelos valores externos e tomar o caminho dos valores internos? A resposta a essa pergunta realmente pode fazer com que você seja uma pessoa melhor e mais feliz.


