Domine a Arte da Comunicação: O Segredo L.U.V. para Relacionamentos Sólidos
Quantas vezes você já pensou: “Ele não me escuta!” ou ouviu essa frustração de alguém próximo? A verdade é que, muitas vezes, nos comunicamos de formas diferentes.
Para construir relacionamentos duradouros e significativos, a comunicação eficaz é a chave. Seja com um parceiro, um familiar, um filho ou até mesmo com alguém que você acabou de conhecer, a capacidade de se comunicar profundamente é um superpoder.
Sempre ouvimos que a comunicação é o pilar de qualquer relacionamento. Quando você consegue se comunicar de forma eficaz com alguém, e essa pessoa com você, é possível superar praticamente qualquer desafio.
E é exatamente sobre isso que vamos falar hoje. Este guia se aplica a todo tipo de vínculo – amizades, relações familiares, com seus pais, irmãos, filhos, ou qualquer outro ser humano que respire.
Se ele consegue embaçar um espelho, essa estratégia pode aprofundar sua comunicação com ele.
E note que digo “habilidades de comunicação”, pois comunicação não é um talento inato. Talento é algo com que você nasce. A comunicação, como habilidade, é algo que se aprende, que se aprimora.
Pense no basquete: há jogadores talentosos, mas os mais eficazes são aqueles que treinam e melhoram. Da mesma forma, os comunicadores mais proficientes sabem que a comunicação é uma habilidade que se desenvolve.
Independentemente de você ser um extrovertido nato ou um introvertido, você pode aprimorar suas habilidades de comunicação usando uma estratégia simples, que exige prática e repetição.
A Estratégia L.U.V.: Escutar, Entender e Validar
Essa abordagem poderosa foi desenvolvida por uma pesquisadora que criou um acrônimo simples, mas revolucionário, para nos ajudar a aprimorar a comunicação.
O segredo está no L.U.V. – não “amor” (L-O-V-E), mas L-U-V-E:
- L de Escutar (Listen)
- U de Entender (Understand)
- V de Validar (Validate)
Vamos explorar cada um desses pilares.
1. Escutar (L)
Escute Duas Vezes Mais do que Fala
A escuta é, por si só, uma habilidade. E a primeira coisa que você precisa internalizar é esta: você nasce com uma boca e duas orelhas. Isso significa que você deveria escutar duas vezes mais do que fala. Leve isso para a vida.
Escute sem a necessidade imediata de responder. Apenas dê espaço, permita o silêncio. O maior valor que você pode oferecer a alguém em uma conversa é o silêncio.
Já estivemos todos em conversas com aqueles que falam sem parar, contando sobre suas vidas, seus problemas, e você mal consegue dizer meia dúzia de palavras. No final, o que eles dizem? “Que conversa maravilhosa! Muito obrigado!”
Se você quer criar uma conexão profunda, não precisa falar muito; apenas escute, entenda e valide.
Escute Sem Julgamento
Dar espaço é crucial. E aqui está a parte mais importante da escuta: escutar sem julgamento. Isso é difícil para muitos de nós, pois somos programados por nossas experiências, por nossa sociedade.
Temos crenças arraigadas, e inevitavelmente encontraremos pessoas com visões diferentes. O objetivo não é impor suas crenças, mas dar um passo atrás, escutar e permitir que o outro se expresse.
Precisamos de mais espaço para ouvir e entender a perspectiva alheia, mesmo que não se alinhe com a nossa – seja em religião, política ou qualquer outro assunto. Simplesmente escute sem julgar e sem tentar dizer ao outro o que fazer.
Como homem, e alguém que atua como mentor há muito tempo, percebo o quão desafiador é escutar sem a necessidade de “consertar” o outro. A resposta imediata de muitos homens, ao ouvir sobre um problema, é: “Eu sei a solução! Posso consertar isso! Deixe-me salvar o dia!”
Mas, na maioria das vezes, as pessoas não precisam de sua consultoria; não precisam que você diga o que fazer. Elas precisam de um “muro de ressonância”, alguém que as permita expressar o que precisam para seguir em frente, para processar seus pensamentos e emoções.
Muitas pessoas processam falando. Se você está constantemente dando sua opinião, não haverá espaço para que falem o quanto precisam, e, portanto, não processarão o suficiente. Então, escute sem julgamento.
A Regra dos Três Segundos
Uma das maiores dicas que posso dar sobre escuta, que aprendi com meu primeiro mentor, é esta: quando alguém parar de falar, não responda por três segundos.
Mentalize “um Mississippi, dois Mississippi, três Mississippi” antes de responder. A razão é simples: a maioria das pessoas só compartilha informações superficiais a menos que você lhes dê espaço para ir mais fundo.
É incrível como, ao esperar três segundos, muitas vezes o outro retoma a fala antes mesmo que você chegue ao “três Mississippi”. E quando retomam, geralmente estão compartilhando algo mais profundo sobre sua história, algo que talvez não contem a ninguém, pois raramente encontramos quem escute sem a pressa de opinar.
Isso significa ouvir sem se preocupar com o que você vai dizer em seguida. Apenas seja como uma parede – uma parede não responde, não dá conselhos, não opina. Ela apenas está ali, ouvindo.
O desafio para você hoje é praticar isso em suas conversas: quanto tempo você consegue ficar sem responder? Muitos de nós não se sentem confortáveis com o silêncio e tentamos preenchê-lo.
O desafio é tentar esperar pelo menos três segundos antes de responder. Se conseguir ir além, melhor ainda. E se necessário, use frases como: “Isso é muito interessante”, “Ah, e o que mais?” para encorajá-los a se aprofundar.
2. Entender (U)
Aprofundando o Entendimento: Verbal e Não Verbal
A segunda parte da habilidade é entender o outro. O entendimento se manifesta tanto verbalmente quanto não verbalmente. No lado verbal, são frases como “Ah, entendi”, “Certo”, “Uhum”, “Sim, e o que mais?”, “Ah, compreendo”.
Mas o maior impacto do entendimento e de mostrá-lo vem dos sinais não verbais.
Há uma diferença crucial na forma como as pessoas se comunicam, e isso pode levar a mal-entendidos. Lembro-me, em 2010, aos 24 anos, quando eu tinha minha primeira empresa e um gerente acima de mim, Jeff, que era um mestre em desenvolver líderes, capacitando especialmente aqueles que ascendiam a cargos de gerência.
Eu era muito eficaz em gerenciar homens, o que era natural para mim como homem, mas sentia que precisava aprimorar minha comunicação com outros perfis. Sentei-me com ele, e Jeff me recomendou estudar as nuances da comunicação interpessoal.
Passei a observar a comunicação entre as pessoas, não de forma invasiva, mas para entender suas dinâmicas. Estudos com crianças em sala de aula, por exemplo, revelaram padrões interessantes de comunicação.
Observou-se que alguns meninos tendiam a se comunicar ombro a ombro, na mesma direção. Acredita-se que isso remonte aos nossos tempos de caça e coleta, onde os homens precisavam ver na mesma direção para identificar ameaças ou presas, ou até se posicionar de costas para cobrir um ângulo de 360 graus. Eles se acostumaram a se comunicar sem depender tanto das pistas não verbais.
Já outros indivíduos, mesmo jovens, demonstravam uma tendência a girar o corpo para ficar de frente um para o outro, buscando alinhar os ombros e o contato visual.
É por isso que, às vezes, as pessoas sentem: “Ele não me escuta!”. Quantas vezes você já pensou ou ouviu essa frase, vinda talvez de um parceiro ou um amigo? A razão é que, efetivamente, comunicamos de maneiras diferentes.
Não é que você não esteja ouvindo, mas talvez não esteja fornecendo as pistas não verbais de que está atento: os acenos de cabeça, o alinhamento dos ombros, o contato visual direto, em vez de olhar para outro lugar.
Para escutar alguém eficazmente, seja homem ou mulher, alinhe seus ombros com a pessoa, acene com a cabeça, olhe nos olhos dela. Essas são as pistas não verbais essenciais.
As pistas verbais, como mencionei, são “Sim”, “Uhum”, “Nossa!”, “Conte-me mais sobre isso”, “Que interessante!”, “Como você se sente sobre isso?”. Basicamente, você está refletindo o que a pessoa disse, mostrando que compreendeu. Para refletir, você pode reformular o que o outro acabou de dizer.
3. Validar (V)
Valide a Pessoa, Não o Ato
A validação é o terceiro pilar, e significa retirar suas próprias crenças da equação. Valide quem a pessoa é, como ela se sente, as ações que tomou, mesmo que, no fundo, você não concorde 100% com ela.
Porque, no fim das contas, você não vai concordar com todo mundo. Seu trabalho não é tentar mudar alguém. É simplesmente validá-lo, fazê-lo se sentir compreendido.
Vou lhe dizer uma coisa: toda pessoa que você encontrar está fazendo o melhor que pode com as ferramentas e o conhecimento que possui no momento. Todo mundo.
Se pudessem ter feito melhor, teriam feito. Então, o que você precisa fazer é validar essa pessoa, reconhecendo-a como um ser que está dando o seu melhor.
Diga frases como: “Compreendo perfeitamente”, “Conte-me mais sobre isso”, “Entendo seu ponto de vista”. E o que mais? Faça perguntas para aprofundar.
Perguntas Que Empoderam, Não Respostas Que Controlam
Uma das maiores habilidades que ensino e que aprendi como mentor é que meu trabalho não é dar as respostas. Meu trabalho é fazer perguntas para que a pessoa chegue às suas próprias conclusões.
Se estou em uma sessão de mentoria e sei a resposta para a pergunta em 30 segundos, posso simplesmente dar a resposta. Ou posso fazer perguntas que permitam que a pessoa chegue ao mesmo ponto. E na maioria das vezes, elas chegam.
A razão é a seguinte: se eu faço uma pergunta e a pessoa precisa pensar para encontrar a resposta, ela está criando novas conexões neurológicas no cérebro. Isso significa que a taxa de retenção – a probabilidade de ela se lembrar do que estamos falando – é 10 vezes maior do que se eu simplesmente dissesse a ela a resposta.
Ou seja, a chance de alguém se lembrar da resposta de que precisa é 10 vezes maior se essa pessoa a descobrir através das suas perguntas, em vez de você simplesmente dá-la. Além disso, a pessoa é muito mais propensa a AGIR de acordo com a resposta que ela mesma encontrou, porque ela sente que foi a ideia dela.
Isso porque, bem, foi a ideia dela!
Pense na relação com um filho. Você pode sentir: “Preciso dizer a ele o que é certo ou errado. Ele fez isso errado, preciso dizer o que deveria ter feito.” Você pode fazer isso. Ou pode perceber que, no fundo, todos nós temos uma inteligência imensa, e seus filhos também têm a inteligência para saber o que é certo ou errado.
Você pode dizer: “Bem, você bateu naquele menino. Você nunca deveria ter batido nele. Entendeu? Não bata nele novamente.” Agora, eles estão sendo controlados.
Mas e se você sentasse e dissesse: “Você acha que bater no menino foi a coisa certa a fazer naquele momento?” “Não.” “Ok, entendo. Você estava com raiva, e tudo bem sentir raiva.
Então, você não acha que foi o certo a fazer. O que você acha que teria sido o certo a fazer naquela situação?” “Ah, ir falar com a professora em vez disso.”
“Você acha que teria tido menos problemas se tivesse falado com a professora, em vez de bater no menino?” “Sim.” “Então, da próxima vez, qual você acha que é a melhor coisa a fazer?” “Falar com a professora.” “Acho que é uma ótima ideia! Fico feliz que você tenha chegado a essa conclusão!”
Número um: essa criança terá muito mais chances de se lembrar. Número dois: ela terá muito mais chances de agir de acordo, porque sente que foi a ideia dela. E essa é a chave para a validação na comunicação.
O Poder da Compreensão e Validação
Com frequência, sentimos que precisamos “consertar” alguém ou dizer o que ele deve fazer. Mas, na realidade, a resposta é permitir que eles cheguem à própria resposta através das suas perguntas.
O ponto da compreensão e da validação é que todos nós queremos ser compreendidos. Todos nós queremos ser validados. Há tantos lugares no mundo onde não nos sentimos validados.
Vemos pessoas editadas e nos sentimos insuficientes, ou cometemos um erro e vemos outros que parecem não cometer erros, e nos sentimos novamente não validados.
Mas a maneira de realmente transformar alguém é fazê-lo sentir que foi ouvido, que foi compreendido e validado. Isso permite que ele mude.
Não queremos que alguém sofra, mas nosso trabalho não é tirar a dor de alguém; é ajudá-lo a sofrer menos. A dor acontecerá – é uma garantia da vida.
Mas se, anos depois, ainda estamos sofrendo por algo que aconteceu, isso é culpa nossa, pois estamos carregando essa dor conosco. Queremos sofrer menos com o que nos acontece, e queremos ajudar os outros a sofrer menos.
E a forma de fazer isso é ajudá-los a crescer.
A dor permite o crescimento. As coisas mais difíceis que enfrentei na vida não foram divertidas, mas não as mudaria por nada, pois me tornaram quem sou.
Cresci através do processo de sentir dor. As pessoas com quem você se relaciona vão passar por momentos difíceis, e seu trabalho não é tirar a dor delas, porque essa dor as ajudará a crescer.
Seu trabalho é ajudá-las a sofrer menos e a crescer através da situação.
Conclusão
Então, como você se comunica eficazmente com as pessoas? Com o L.U.V.:
- Você escuta (L) a elas.
- Você as entende (U), mostrando essa compreensão verbal e não verbalmente.
- E você as valida (V), ajudando-as a encontrar as respostas para seus próprios problemas e situações, sem dar as respostas prontas. Isso as torna mais propensas a mudar por conta própria.
Ninguém quer ser mandado, nem mesmo uma criança de dois anos. Todos queremos sentir que somos seres soberanos, no controle de nossas próprias vidas.
Se ajudarmos alguém a encontrar as respostas que ele pode usar para melhorar, ele terá muito mais chances de agir. E isso significa que ele terá muito mais chances de mudar e de crescer.


