Desvendando os Mitos: O Guia Definitivo para a Qualidade do Sono e Descanso Reparador

Tempo de leitura: 8 min

Escrito por Tiago Mattos
em julho 14, 2025

Desvendando os Mitos: O Guia Definitivo para a Qualidade do Sono e Descanso Reparador

Desvendando os Mitos do Sono: O Guia Definitivo para um Descanso de Qualidade

Cansado de estar cansado? Você não está sozinho!

Pesquisas mostram que, em média, adultos sentem fadiga por 3 dias da semana, e entre 30% a 48% têm dificuldades para dormir.

Mas, para muitos, o problema não é a quantidade de sono, e sim a ansiedade gerada em torno dele, alimentada por diversos mitos. É exatamente isso que vamos desmistificar aqui.

O universo do sono pode ser bastante complexo, e distinguir conselhos úteis de informações enganosas nem sempre é fácil.

Por exemplo, o livro ‘Por Que Nós Dormimos’, de Matthew Walker, é excelente, mas gerou uma certa obsessão pela ideia de que “preciso dormir 8 horas ou terei Alzheimer e problemas cardiovasculares”.

Tudo isso alimenta o que chamamos de ansiedade do sono – a preocupação excessiva com o próprio sono, que, ironicamente, dificulta ainda mais adormecer, criando um ciclo vicioso prejudicial.

Para trazer luz a esse tema, baseamo-nos nas valiosas informações de um especialista renomado: o Professor Russell Foster.

Ele é um expert em sono e dirige seu próprio laboratório na Universidade de Oxford.

A partir de suas análises, vamos desvendar sete mitos comuns sobre o sono que podem estar impedindo você de ter uma noite de descanso reparadora. Prepare-se para melhorar sua qualidade de vida!

Mito #1: Não importa quando você dorme, contanto que durma o suficiente.

A verdade: A hora em que dormimos é crucial devido ao nosso ritmo circadiano.

Esse “relógio interno” do corpo influencia quase todos os aspectos da nossa saúde e bem-estar, sinalizando o que precisamos em cada momento do dia.

Na década de 1990, a equipe do Professor Russell Foster descobriu células nos nossos olhos dedicadas exclusivamente a detectar luz, não a formar imagens.

Esse mecanismo informa ao cérebro a hora do dia e ajuda a regular nosso relógio interno.

Como somos sensíveis à luz, nosso corpo tende a querer estar acordado quando está claro e dormindo quando está escuro.

Quando o ritmo circadiano é afetado — por exemplo, por jet lag ou trabalho noturno —, as consequências são significativas.

Pesquisas mostram um aumento nos hormônios do estresse, maior risco de doenças cardíacas e maior propensão a problemas emocionais e cognitivos.

É alarmante que 97% dos trabalhadores noturnos não se adaptam às exigências de seu trabalho, agindo contra a própria biologia.

Entenda seu cronotipo:

Embora todos tenhamos um relógio interno, ele não funciona exatamente da mesma forma para todos.

É por isso que existem “pessoas matutinas” e “pessoas noturnas”, uma distinção relacionada ao nosso cronotipo.

O cronotipo é a sua inclinação natural para dormir e acordar em determinados horários.

Alguém que acorda cedo e é mais produtivo pela manhã provavelmente tem um cronotipo matutino. É possível descobrir seu cronotipo com questionários específicos.

Uma vez que você conhece o seu, tente organizar suas atividades para se alinhar a ele.

Se você é matutino, atividades criativas ou que exigem alta concentração podem ser melhores pela manhã.

Se você é noturno e tem flexibilidade, pode ser mais produtivo focar em tarefas importantes à noite.

Por exemplo, um indivíduo pode ter tentado se tornar uma pessoa matutina, acordando cedo para ir à academia, mas percebeu que isso era um pesadelo e preferiu se ajustar ao seu ritmo mais natural, que talvez seja acordar por volta das 7h ou 7h30, concentrando-se em tarefas complexas pela manhã e atividades mais leves à noite.

Mito #2: Todos precisam de 8 horas de sono.

A verdade: Há uma grande variação na quantidade de sono que cada pessoa realmente precisa.

Embora 8 horas seja uma média comum, não é um número mágico aplicável a todos.

O sono saudável pode variar de 6 horas (ou até menos) a 10 ou 11 horas. Em vez de se preocupar excessivamente com o número exato de horas dormidas, concentre-se em como você se sente.

Como saber se você dormiu o suficiente?

Considere estes pontos:

  • Despertar natural: Acordou espontaneamente pela manhã ou precisou de um despertador? Acordar naturalmente geralmente indica que você teve uma quantidade de sono razoável.
  • Facilidade para acordar: Levou muito tempo para se sentir completamente desperto? Sentiu a necessidade imediata de bebidas com cafeína para “funcionar”? Isso pode ser um sinal de que não dormiu o suficiente.
  • Comportamento: Você se pega cometendo erros bobos, sendo irritadiço, pouco empático ou chato com as pessoas ao seu redor? Pode ser um reflexo da privação de sono da noite anterior.

Mito #3: Devemos acordar no mesmo horário todos os dias.

A verdade: Não é um mito completo, mas a flexibilidade é importante.

Embora a consistência seja benéfica para estabilizar o sistema circadiano (comer e se expor à luz nos mesmos horários, por exemplo), não há necessidade de ser excessivamente rígido. O sono é dinâmico.

É claro que haverá ocasiões em que você terá um compromisso social e acabará indo dormir mais tarde ou acordando fora do horário habitual.

Isso é normal e faz parte da vida.

Além disso, nossos ritmos circadianos mudam ao longo da vida. É comum que adolescentes tenham um cronotipo mais noturno, o que explica a dificuldade de acordar cedo.

Com a idade, tendemos a nos tornar mais matutinos, chegando a um ponto na casa dos 50-60 anos em que nossos horários de sono e despertar se assemelham aos de quando tínhamos 10 anos.

Mito #4: Você deve evitar a luz azul antes de dormir.

A verdade: A luz azul possui um comprimento de onda curto e mais energia, o que levou à hipótese de que ela dificultaria o sono.

Muitos produtos, como óculos com filtro de luz azul, surgiram com essa premissa.

No entanto, estudos têm mostrado que o impacto real pode ser mínimo.

Um grupo de pesquisa de Harvard, por exemplo, observou participantes lendo em um Kindle com brilho máximo por 4 horas antes de dormir, durante cinco noites consecutivas.

O resultado foi um atraso estatisticamente significativo de apenas 10 minutos no início do sono.

Embora estatisticamente relevante, esse atraso é considerado biologicamente irrelevante.

Isso significa que você pode ler seu e-reader com iluminação de fundo ou usar outros dispositivos sem se preocupar excessivamente com a luz azul impactando sua capacidade de adormecer.

Mito #5: Aplicativos de sono ajudam você a dormir melhor.

A verdade: Acompanhar dados do sono pode ser interessante para quem busca otimização, mas é preciso ter cautela.

Muitos usuários relatam um efeito placebo negativo: acordam se sentindo bem, mas ao ver uma pontuação baixa de sono no aplicativo, começam a acreditar que deveriam se sentir mal, impactando negativamente seu dia.

É crucial entender que a maioria dos aplicativos de sono não é endossada por federações de sono nem aprovada por órgãos reguladores.

A validação desses aplicativos muitas vezes se baseia em estudos limitados, com amostras pequenas e específicas, como alguns universitários.

Isso é problemático porque o sono varia enormemente com a idade e entre indivíduos, tornando um único algoritmo inadequado para determinar a qualidade do sono de todos.

O que realmente importa:

As informações biológicas e psicológicas do seu próprio corpo são muito mais importantes do que a pontuação de um aplicativo. Pergunte-se:

  • Como você se sentiu ao acordar?
  • Você se sentiu bem descansado?
  • Precisou de despertador ou acordou naturalmente?
  • Como está se sentindo ao longo do dia?

Esses sinais internos são indicadores muito mais confiáveis da sua qualidade de sono do que qualquer pontuação de aplicativo.

Mito #6: Melatonina ajuda a dormir melhor.

A verdade: A melatonina é um suplemento popular, muitas vezes usado para combater o jet lag ou simplesmente para melhorar o sono.

No entanto, sua eficácia para o sono diário é frequentemente exagerada.

Os melhores estudos já realizados sobre melatonina mostram que ela pode reduzir o tempo necessário para adormecer em até 30 minutos.

É importante notar que muitos outros estudos não encontraram efeito algum.

Essa redução de 30 minutos, por exemplo, foi observada em um estudo de 2007 com crianças autistas, que tomaram pequenas doses regulares de melatonina por três meses.

Contudo, uma meta-análise de 2013, que avaliou a eficácia geral da melatonina para o sono, concluiu que, em média, o suplemento reduz o tempo para adormecer em apenas cerca de 7 minutos.

Essa é uma diferença pouco expressiva.

Informações mais recentes, provenientes de especialistas como o Professor Foster (que também é autor de um livro aprofundado sobre o tema), indicam que a melatonina não faz uma grande diferença no sono cotidiano, embora possa ter alguma utilidade para o jet lag.

Mito #7: O sono polifásico é bom para a produtividade.

A verdade: Programações de sono polifásico — a ideia de dormir em múltiplos períodos ao longo do dia, como 4 horas, um período acordado, e depois mais 4 horas, ou até padrões mais fragmentados com um total de 4 a 6 horas de sono (ex: 2 horas à noite e sestas durante o dia) — ganharam popularidade, especialmente em comunidades de biohacking.

No entanto, todos os dados disponíveis sugerem que essa é uma péssima ideia.

Embora o sono polifásico possa, teoricamente, oferecer mais horas acordado para ser produtivo, o Professor Foster e outros especialistas apontam que a qualidade do trabalho produzido nessas horas é geralmente inferior.

A pessoa tende a ficar mais exausta, menos produtiva e menos criativa.

Estudos com estudantes, por exemplo, mostram que aqueles em um regime de sono polifásico têm um desempenho pior em exames comparados aos que seguem um sono monofásico (o padrão tradicional de uma única noite de sono).

A evidência, portanto, sugere que dividir o sono em blocos polifásicos não melhora a produtividade como alguns blogs e artigos podem sugerir.

A consistência e a qualidade do sono contínuo são, de fato, mais benéficas para o bem-estar e o desempenho.

Conclusão:

Esperamos que esta desmistificação de mitos sobre o sono ajude você a ter uma compreensão mais clara sobre como otimizar seu descanso.

Priorizar o sono de qualidade é um investimento na sua saúde e produtividade gerais.

Preste atenção aos sinais do seu corpo e adapte seus hábitos para um estilo de vida mais equilibrado e reparador.

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