Sejamos honestos: você também já perdeu muito tempo no seu celular com coisas inúteis e sem sentido.
Desde seus aplicativos de mídias sociais até todos aqueles jogos sem propósito.
A pergunta que fica é: até que ponto essa foi só uma distração momentânea ou se essa distração é recorrente e realmente está atrapalhando o seu dia a dia?
Neste artigo, vamos explorar dicas práticas e mudanças de mindset para acabar de vez com o vício em celular e, consequentemente, impulsionar sua produtividade e bem-estar.
1. Bloqueadores de Aplicativos: A Primeira Linha de Defesa
A primeira coisa que pode imediatamente ajudar, se você se sente incomodado com a quantidade de horas que passa com o celular na mão, são os aplicativos bloqueadores.
Ferramentas como o AppBlock, por exemplo, permitem que você bloqueie por um período de tempo tudo aquilo que te distrai e te torna improdutivo.
Eles funcionam travando seu acesso a esses apps que te roubam tanto tempo.
Podemos, por exemplo, travar todas as mídias sociais por duas horas. Durante esse período, você terá acesso total ao celular, menos às redes sociais.
É como quando alguém precisa emagrecer: a primeira atitude que esse indivíduo pode tomar é não deixar nenhuma tentação ao seu redor, ou seja, doar ou jogar fora tudo aquilo que é muito calórico.
Ficar longe das tentações é uma das melhores soluções de curto prazo, e é uma tática que se mostra eficaz para focar em tarefas importantes.
2. Silencie o Ruído: O Poder de Bloquear Notificações
Complementando a tática dos bloqueadores, há uma dica talvez ainda mais poderosa: bloquear diretamente todas as notificações dos aplicativos.
E não estamos falando de silenciar o celular ou alguns apps. A ideia é bloquear todas as notificações.
Pense bem: na época em que o celular servia apenas para ligações, ninguém ficava viciado nele.
O que acontece é que hoje, com a ajuda das notificações, um novo hábito se formou.
Quando aparece uma notificação no seu celular, seu cérebro aciona um sistema que o deixa com muita vontade de pegar o aparelho.
Você não resiste à tentação, o pega e é compensado por curtidas e comentários.
Isso acontece com praticamente qualquer aplicativo. É muito difícil não ceder à tentação de pegar o celular quando você vê ou ouve uma notificação chegando.
O hábito já está formado na sua cabeça, e os aplicativos e redes sociais sabem muito bem como funciona o ciclo de formação de um hábito, e o usam contra você.
Bloquear as notificações tem o papel de cortar esse ciclo e fazer com que esse hábito não tenha mais poder sobre você.
Com essas duas dicas sendo aplicadas na sua vida, é certo que sua dependência de olhar o celular a cada cinco minutos vai diminuir muito e, com o tempo, praticamente parar.
3. Âncora Mental: Treinando Seu Cérebro para o Foco
Mesmo assim, ainda existe outro hábito: a vontade de estar conectado com outras pessoas, usando o celular como fonte de fuga do tédio.
Voltando a falar sobre emagrecimento, podemos até ficar longe de doces e frituras por um tempo, mas a longo prazo só conseguimos continuar magros se mudarmos nossos hábitos alimentares.
Da mesma forma, funciona para as distrações no celular: precisamos alterar nossos hábitos.
Uma das formas de mudar seus hábitos no celular é treinar seu cérebro para a ancoragem.
O que é isso? Nesse caso, ancoragem é uma forma de treinar seu cérebro para que ele faça determinada ação em um único e determinado local.
Por exemplo: usar o sofá apenas para ler, a cama apenas para dormir e a mesa para o café.
Se você está estudando em sua escrivaninha, deixe seu celular em outro lado do cômodo, ou, melhor ainda, desligado.
Toda vez que precisar mexer, você se levanta da sua mesa e vai até ele.
Isso vai treinar seu cérebro para estudar em um local e se entreter em outro.
Se você trabalha, a mesma coisa: só mexa no celular depois de almoçar, em um local bem longe da sua mesa.
Aproveite e use essa tática em conjunto com o Ciclo Pomodoro, uma das melhores táticas para focar no trabalho.
4. A Arte de Substituir Hábitos: A Chave da Mudança Duradoura
Existe uma última dica, que é a mais eficiente a longo prazo: não é largar um hábito, e sim trocar esse hábito por outro.
Voltemos ao ciclo do hábito. É muito difícil parar de fazer algo porque ele já está instaurado no seu cérebro.
É por isso que é tão difícil parar de fumar, beber ou qualquer outro vício, porque para parar de fazer isso, você tem que trocar esse vício por uma outra coisa.
Na infância, muitos se dedicam intensamente a jogos de videogame e computador, chegando a passar noites inteiras acordados.
O que faz alguém parar 100% com isso é “acordar para a vida” e começar a fazer outras coisas, como estudar para o vestibular ou aprender um novo idioma.
Mesmo sem conhecer a fundo os princípios da formação de hábitos, o caminho correto é seguido.
A pergunta que surge é: como conseguir parar de fazer algo tão prazeroso como jogar para poder estudar, que muitas vezes é exaustivo?
Sabemos que muitas coisas que fazemos não são prazerosas, é inevitável.
Mas a tática é óbvia: sempre que se sentir assim, pare tudo que estiver fazendo e pense consigo mesmo: se você precisa fazer, faça o mais rápido que puder e faça pensando no seu sonho ou objetivo de longo prazo.
Pode ser passar em uma boa faculdade, viajar, crescer na empresa, ter tempo para curtir a vida.
É o seu objetivo, e você deve defini-lo. Tenho certeza que é algo prazeroso.
Mesmo com essas dicas, pode acontecer de você acabar se pegando distraído, percebendo que está deixando coisas para depois.
Se isso ocorrer, revise este texto e comece tudo de novo.
Ninguém disse que seria fácil, apenas que é possível.
O Celular Não É o Vilão: A Verdadeira Responsabilidade
Um último aviso: há muita gente que continua falando que o celular e as mídias sociais são os grandes vilões da produtividade, que as redes sociais estão fazendo mal para a sociedade, prejudicando o aprendizado dos jovens e o trabalho dos adultos.
Essa afirmação é um erro.
Todas as maiores invenções da história — desde o fogo, passando pela lâmpada, o avião, a energia nuclear e chegando na internet — todas elas podem ser usadas tanto para o bem quanto para o mal.
Quem decide isso é a pessoa que as usa, no caso, você.
O celular estava sem nada quando você o pegou pela primeira vez.
Nós escolhemos quais aplicativos vamos baixar, quais amigos e páginas vão aparecer em nosso feed.
Ou seja, tudo aquilo que procuramos, no que nos inscrevemos, curtimos, comentamos e compartilhamos é o que vai continuar aparecendo para nós.
Então, o problema não está no YouTube, Facebook, WhatsApp ou qualquer outro lugar.
O problema está nas pessoas que não conseguem usar essas redes sociais de uma forma saudável.
Se sua tela está abarrotada de bobagens e coisas inúteis, é seu dever mudar isso.
Todos os grandes apps e jogos funcionam a partir de algoritmos que indicam aquilo de que você mais gosta e que farão de tudo para você ficar viciado, pois o seu tempo na plataforma decide o quanto de dinheiro eles ganham.
Então, nada que aparece lá é por acaso.
Da mesma forma que você precisa cuidar da sua vida, comece a cuidar também da sua tela.
Pense conscientemente sobre cada aplicativo que você vai instalar, em cada página que vai curtir, compartilhar e comentar.
Tenha consciência das suas próprias ações.
Essa é, sem dúvida, a melhor dica que se pode dar.


