Como Desenvolver o Hábito da Leitura: Um Guia Para Quem Acha Que Não Gosta de Ler
A leitura é uma porta para inúmeras possibilidades, conhecimento e experiências.
No entanto, é impressionante a quantidade de pessoas que afirmam sentir aversão a ela. Como algo tão benéfico pode ser visto com pavor?
Por outro lado, é compreensível essa resistência. Muitos de nós fomos levados a não gostar dos estudos, e a leitura, em particular, foi associada a experiências não tão agradáveis.
A má qualidade de certos livros escolares, a escassez de bons títulos em bibliotecas e a cruel imposição de clássicos como Machado de Assis e José de Alencar, com sua linguagem rebuscada, podem afastar qualquer um que não esteja acostumado a ler, tornando a atividade algo maçante.
Se você se identifica com isso, mas entende a importância da leitura e quer dar uma segunda chance a essa grande atividade, este guia é para você.
A seguir, apresentamos seis dicas para começar a gostar de ler, mesmo que hoje você não se considere um leitor ávido.
Vamos pegar o exemplo de um amigo, que chamaremos de Pedro. Ele, que trabalha com engenharia, adorava assistir séries no tempo livre e sempre puxava assunto sobre finanças e investimentos.
Por influência de um antigo conteúdo, ele decidiu tentar ler “Os Sete Hábitos”, um livro bastante recomendado. Mas, para sua surpresa, não gostou tanto.
Naquele momento, ficou claro o que estava acontecendo. Sugeri a ele deixar “Os Sete Hábitos” de lado e ofereci uma nova lista de sugestões.
Como ele já havia assistido “Game of Thrones”, perguntei se teria interesse em ler os livros. E, por se interessar por investimentos, questionei se já havia lido algo na área, sugerindo “O Investidor Inteligente”.
A experiência de Pedro nos leva às nossas dicas.
Dica 1: Pense em seus interesses
Quem se interessa por filmes de romance, provavelmente vai querer ler livros de romance. Quem se interessa por finanças, vai querer ler sobre finanças.
Parece óbvio, mas é incrível como muitas pessoas não pensam nisso na hora de escolher um livro.
Voltando ao Pedro, digamos que ele tivesse escolhido ler algum livro de finanças, mas sem muito conhecimento prévio na área.
Se ele tentasse “O Investidor Inteligente” de cara, acharia estranho e sem sentido, já que o livro tem um vocabulário específico para quem já entende bastante do mercado financeiro.
Ele poderia acabar achando o livro ruim, quando na verdade, é um dos melhores na área.
O que acontece é que não achamos interessante aquilo que é muito difícil para nós; ficamos ansiosos lendo algo que não entendemos direito.
Por outro lado, também não nos interessamos por aquilo que é muito fácil, pois nos dá tédio.
Dica 2: Escolha um livro que case com sua habilidade no assunto
A chave é encontrar o equilíbrio certo. Um livro deve ser desafiador o suficiente para mantê-lo engajado, mas não tão complexo a ponto de se tornar frustrante.
Comece com obras que correspondam ao seu nível atual de conhecimento e vocabulário no tema escolhido.
Dica 3: Comece com algo menor
Vamos supor que Pedro, na verdade, não quisesse o livro técnico de finanças e também não quisesse “Game of Thrones”, já que são sete livros e ele não queria começar com uma série de mais de 5.000 páginas no total.
Este é um caso típico: livros grandes nos assustam.
Dentro da sua lista de livros de interesse, se você está começando, escolha o que tem menos páginas.
Dói o coração dar uma dica assim – eu mesmo penso que os livros grandes são ótimos –, mas essa dica mexe com algo psicológico.
Quando finalizamos algo, surge em nós um sentimento bom de conquista, que nos encoraja a pegar o próximo livro e, no futuro, um livro maior.
Um grande exemplo desse tipo de livro são os contos ou crônicas, narrativas curtas que podem ser acabadas em uma única sentada.
Dica 4: Escolha livros que viraram filmes
Se você acha que contos ou crônicas são muito pequenos, uma ótima escolha é optar por livros que foram adaptados para o cinema.
Muitos começam a ler usando essa tática. Livros como “O Homem Mais Rico da Babilônia” ou os de Dan Brown (como “O Código Da Vinci”) são escritos de forma simples, com o objetivo de cativar um grande número de leitores.
Eles têm um enredo claro e sua linguagem é extremamente fácil. São obras agradáveis para passar o tempo e excelentes para criar o hábito da leitura.
Tudo tem um começo. Não adianta querer construir o último andar de um prédio se o fundamento ainda não foi feito.
Comece simples, e busque sempre se aperfeiçoar.
Dica 5: Quando a leitura se torna um hábito, tudo fica mais fácil
O que buscamos com essas dicas é que você pegue interesse pela leitura, para que um novo hábito seja criado.
No começo da criação de um novo hábito, as coisas não são fáceis, mas depois de criado, a vontade de ler aparecerá naturalmente.
A dica prática aqui é: leia todos os dias, sem falhas, nem que seja apenas duas páginas por dia. Não deixe de ler.
Dica 6: Não cometa o erro de transformar a leitura em uma obrigação
Esta é a última, mas não menos importante dica: não transforme a leitura em uma obrigação.
Odiamos ser obrigados a fazer qualquer coisa, até mesmo aquelas que amamos.
A leitura é algo a mais na sua vida, algo que vai lhe dar experiências ótimas, que o fará poder “conversar” com gênios que viveram neste grande planeta.
Não torne isso uma obrigação.
Você já tem muitas: precisa trabalhar, pagar contas, comer e dormir. Ler, você não “precisa”. Você escolhe ler, e assim consegue seus benefícios.
Busque o real interesse por aquilo que está lendo. Esse é o caminho. Se tentar transformar isso em obrigação, você vai acabar atrapalhando tudo de bom que poderia conseguir.
Essas foram as seis dicas do que fazer se você não gosta de ler.
Com paciência e as estratégias certas, a leitura pode se tornar uma das atividades mais gratificantes da sua vida.


