Pensamento Crítico em Economia: Por Que Ignorar Outras Escolas Pode Custar Caro

Tempo de leitura: 8 min

Escrito por Tiago Mattos
em maio 5, 2025

Pensamento Crítico em Economia: Por Que Ignorar Outras Escolas Pode Custar Caro

Desvendando o Universo do Dinheiro: Por Que Ignorar Outras Escolas de Economia Pode Custar Caro

O universo do dinheiro e da economia é fascinante, repleto de teorias e respostas para questões cruciais que impactam diretamente a nossa vida e o nosso futuro.

Contudo, ao mergulhar nesse campo, é comum deparar-se com um comportamento que, no mínimo, pode ser classificado como imaturo.

Ao invés de debater ideias de forma lógica, muitos preferem desqualificar opositores com rótulos como “comunista”, “liberal”, “marxista”, “austríaco”, “keynesiano”, e a lista segue.

Este é um padrão de conduta que impede o verdadeiro aprendizado e o desenvolvimento intelectual.

O Comportamento “Infantil”: A Arte de Desqualificar sem Argumentar

A palavra “infantil”, de origem latina, significa “aquele que não fala”.

Embora seja comumente associada a bebês, podemos estender seu sentido àqueles que não conseguem apresentar argumentos lógicos em uma discussão.

Quando a única resposta a uma teoria econômica é “isso é pura ficção” ou “conversa de comunista”, estamos diante de um comportamento infantil.

A incapacidade de articular um raciocínio fundamentado, seja para concordar ou discordar, leva ao uso de rótulos para encerrar a conversa e “infantilizar” o discurso.

Esse extremismo é alimentado pela falta de interesse em buscar conhecimento.

Imagine desconsiderar um argumento apenas porque o economista que o propôs não é do seu agrado, ou porque ele segue uma escola de economia que você desaprova.

A ideia de que uma teoria é falha só porque uma pessoa de quem você não gosta a mencionou é um modo extremista e contraproducente de refutar ideias.

É crucial ter cautela com o extremismo.

O extremista se recusa a considerar alternativas, apegando-se a uma única escola de economia como se torcesse por um time de futebol, celebrando apenas as vitórias de seu lado e a derrota dos rivais.

Esse erro de comportamento leva ao empobrecimento intelectual e, consequentemente, ao financeiro.

A Economia Não É Uma Ciência Exata: Abra Sua Mente às Múltiplas Visões

Apesar de lidar com números, a economia não é uma ciência exata como a física ou a matemática.

Ao longo da história, diversas escolas de pensamento surgiram, cada uma com suas vantagens, desvantagens e abordagens distintas para os mesmos problemas.

Frequentemente, um conceito é interpretado de uma maneira por uma escola e de outra por uma diferente.

Isso não significa que um economista está completamente errado e o outro revela a verdade absoluta.

É fundamental compreender que existem múltiplas abordagens e continuar aprendendo para não ser doutrinado por uma única teoria.

O raciocínio crítico exige a compreensão do contexto em que cada escola busca entender o mundo.

Somente assim você pode formar sua própria opinião independente.

Um mesmo conceito pode ter diferentes significados de acordo com a escola de economia.

Por exemplo, a inflação é geralmente definida como o aumento dos preços de bens e serviços que resulta na diminuição do poder de compra, um conceito comum na escola keynesiana.

No entanto, para a escola austríaca, inflação é o aumento da quantidade de moeda em circulação em uma economia, e a consequência disso é o aumento generalizado dos preços.

Curiosamente, essa visão da escola austríaca influenciou muito os idealizadores das primeiras criptomoedas.

Compreender o funcionamento dos criptoativos a partir desses conceitos faz muito mais sentido.

Isso não quer dizer que uma escola está completamente certa e outra, completamente errada.

Tampouco significa que economistas mentem deliberadamente para validar suas teorias.

Por vezes, leva tempo até que uma teoria econômica se revele.

Economistas criam teorias com base nas informações disponíveis na época.

O erro é “vestir a camisa” de uma escola econômica como se fosse um torcedor de futebol, desmerecendo completamente outras abordagens.

Muitas vezes, o que hoje parece certo pode se mostrar errado amanhã, e vice-versa.

O Exemplo de Malthus: A Realidade Ultrapassa a Teoria

Considere Thomas Malthus, que no século XVIII desenvolveu uma teoria influente que previa um cenário catastrófico: a população cresceria em ritmo exponencial, enquanto a produção de alimentos em ritmo linear, resultando em fome global.

O tempo provou que a teoria de Malthus estava completamente equivocada.

Malthus não estava mentindo; ele fez suas previsões com base nas informações que tinha na época, no início da Revolução Industrial, e não pôde prever os avanços na produção de alimentos.

Este é apenas um exemplo claro de como as teorias econômicas mudam com o tempo e podem se tornar obsoletas.

O ideal é manter a mente aberta, conhecer diferentes pontos de vista para não se tornar ignorante ou doutrinado por uma única ideologia.

Teorias econômicas estão sempre sendo testadas.

O Risco de Seguir Cegamente: Evite o Prejuízo Financeiro

O problema prático de seguir cegamente uma única escola econômica é que, se ela estiver errada, você pode acabar perdendo muito dinheiro.

Busque compreender como o mundo de fato funciona e ajuste suas preferências sobre qual escola de economia oferece a estrutura mais adequada para essa compreensão.

O erro de raciocínio é ter um apego emocional tão forte a uma escola que você se torna extremista, recusando-se a aceitar a realidade porque o mundo não se encaixa na sua teoria econômica predileta.

É a teoria que deve se adequar à realidade, e não o contrário.

Diferente de uma ciência exata, a economia é fortemente influenciada pelo comportamento humano, e esse comportamento muda ao longo do tempo.

No século XVIII, o economista mais influente, Adam Smith, defendia que a “mão invisível” do mercado era capaz de se regular sem grandes intervenções estatais.

No século XIX, Marx, com seu Manifesto Comunista, propôs uma ideia oposta: o interesse individual não era o melhor para a economia, e o Estado deveria controlar os meios de produção para servir ao bem comum.

Esse conflito entre leis de mercado e uma economia totalmente controlada pelo Estado perdurou por muito tempo.

Podemos dizer que a noção de livre-mercado conquistou cada vez mais adeptos, e seus conceitos ficaram conhecidos como escola clássica, com grandes nomes como Marshall.

No entanto, com a Crise de 1929, muitos começaram a duvidar da eficiência das ideias do livre-mercado.

John Maynard Keynes defendeu que o livre-mercado não se corrige rapidamente, e, portanto, era necessária uma certa intervenção estatal para estimular a economia e combater o desemprego.

Keynes não defendia o comunismo de Marx, mas também não estava totalmente de acordo com o liberalismo de Smith.

Outras escolas importantes são a austríaca, com uma visão menos intervencionista, e a escola de Chicago, de Milton Friedman.

Essas duas são frequentemente utilizadas na nova “criptoeconomia” e também se baseiam na escola monetarista.

A Lição do Bitcoin: Por Que Alguns Economistas Ficaram Para Trás

Essa complexidade apenas reforça um ponto central: existem muitas visões sobre economia, e elas nem sempre estão completamente corretas ou erradas, mas estão em constante evolução e, muitas vezes, em choque.

Não se apegue aos detalhes; tenha clareza de que as escolas de economia mudam com o tempo.

Você não precisa entender em detalhes todas as teorias econômicas complexas inventadas séculos atrás.

Você só precisa ter clareza de duas coisas:

  • A economia não é uma ciência exata. Por isso, um mesmo conceito pode ter definições diferentes de acordo com cada escola.
  • As teorias de cada escola econômica são colocadas à prova ao longo do tempo. Uma teoria criada em um determinado contexto pode ter sido válida na época, mas pode se mostrar errada com o avanço da tecnologia, novas descobertas ou mudanças no comportamento humano.

Além disso, teorias são apenas teorias; a realidade é geralmente muito mais complexa do que qualquer modelo teórico que criamos.

Quem deseja refutar o argumento de uma escola de economia precisa primeiro buscar compreender suas diferentes perspectivas e, então, explicar os motivos lógicos para sua preferência por uma abordagem ou sua discordância de outras posições.

O modo infantil é apenas querer saber de sua escola de economia predileta e imediatamente rotular as escolas contrárias.

Essa rotulagem é um extremismo que se recusa a exercitar o raciocínio lógico.

Por isso, continue sempre aprendendo e ampliando seu conhecimento, lendo sobre ideias diferentes, inclusive aquelas com as quais você não concorda muito.

Isso ampliará sua capacidade de ação e lhe dará um domínio cada vez maior sobre seu próprio dinheiro, evitando que você seja doutrinado ou fique preso a uma ideia que, em breve, pode se mostrar completamente errada.

Não vista a camisa de uma ideologia como se fosse um torcedor de futebol.

Não desmereça completamente outras teorias, ideias ou escolas de economia.

Caso contrário, você corre o risco de ficar preso a um conceito que pode fazê-lo perder muito dinheiro ao longo do tempo.

Por exemplo, por mais de uma década, economistas tradicionais alertaram sobre os perigos e riscos de investir em Bitcoin, dizendo que não havia qualquer fundamento nessas criptomoedas.

Quem ouviu e acatou cegamente esses economistas, sem questionar e exercitar o raciocínio independente, acabou simplesmente deixando de colher os lucros do ativo que mais se valorizou em toda a história do planeta Terra, com ganhos de mais de 100 mil por cento.

O motivo pelo qual muitos economistas tradicionais não foram capazes de compreender o potencial do Bitcoin – e alguns deles ainda hoje não o compreendem – é o fato de estarem excessivamente presos a visões conservadoras e sem interesse em estudar o que é, de fato, o Bitcoin.

Mantenha a mente aberta para absorver o melhor de cada ideia e compreenda que o mundo financeiro está em constante evolução.

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