Como Começar a Investir: O Guia Definitivo para o Homem Moderno
Você tem um pouco de dinheiro guardado? Provavelmente não é o suficiente para comprar uma casa.
Mas talvez você pense: “Devo investir isso em algo”.
Talvez você tenha ouvido nas notícias sobre a Tesla, Netflix ou Amazon e como, se tivesse investido há 10 anos na Tesla, seria milionário agora.
Para quem é novo nesse universo, o mundo dos investimentos pode parecer uma caixa preta incrivelmente complicada.
Como se compra uma ação? O que é uma ação, afinal? Você simplesmente acessa tesla.com e compra algumas ações da Tesla? Como funciona?
Ao tentar entender, surgem inúmeros termos e siglas, como Roth IRAs e 401ks na América, ou ISAs e LISAs no Reino Unido.
E, além disso, há a ansiedade comum de que investir é arriscado e que ninguém quer perder todo o seu dinheiro.
Diante de tudo isso, este é o guia definitivo para começar a investir.
Abordaremos o investimento em 10 passos simples, começando com o básico de como o dinheiro se comporta ao longo do tempo.
1. O Inimigo Silencioso do Seu Dinheiro: A Inflação
Para começar, vamos esquecer os investimentos por um momento e pensar no que acontece com seu dinheiro por padrão.
Se você já estudou economia, sabe que o dinheiro perde valor ao longo do tempo graças a algo chamado inflação.
A inflação geralmente fica em torno de 2% a 2,5%.
Isso significa que, a cada ano, as coisas custam cerca de 2% a mais do que no ano anterior.
Por exemplo, em 1970, nos EUA, uma xícara de café custava 25 centavos, mas em 2019, a mesma xícara custava US$ 1,59.
Isso é a inflação em ação.
Imagine que você tem mil reais na mão agora.
Pelos próximos 10 anos, decide guardá-los debaixo do seu colchão, sem nunca mais olhar para eles.
Em 10 anos, seus mil reais não valerão mais mil reais, porque tudo terá aumentado cerca de 2% ao ano.
O valor do seu dinheiro terá caído, e você terá perdido poder de compra. Isso, obviamente, não é bom.
Mesmo se você colocar seu dinheiro em uma conta poupança, hoje em dia, uma poupança pode render cerca de 0,2% ao ano.
Mas como a inflação está em torno de 2%, você ainda está perdendo dinheiro ao longo do tempo. E, novamente, isso não é bom.
2. Como Proteger Seu Dinheiro da Perda de Valor?
Isso nos leva ao nosso segundo ponto essencial: como impedimos que nosso dinheiro perca valor ao longo do tempo?
A resposta é que, se tivéssemos uma conta poupança hipotética, com uma taxa de juros de, digamos, 2,5%, ela corresponderia aproximadamente à taxa de inflação.
Assim, enquanto os preços sobem 2,5%, seu dinheiro na poupança também subiria 2,5% a cada ano.
Tecnicamente, você não perderia dinheiro ao longo do tempo.
É importante notar que “investimento” não é o mesmo que “juros” de poupança, mas voltaremos a isso mais tarde.
Por enquanto, o ponto é que não queremos apenas evitar a perda de dinheiro (o que acontece com uma taxa de 2,5%), mas sim, queremos ganhar dinheiro.
3. A Arte de Fazer Seu Dinheiro Render (e por que a poupança não basta)
A terceira questão crucial é: como realmente ganhamos dinheiro?
Vamos voltar à nossa conta poupança hipotética.
Se pudéssemos ter uma conta poupança que nos desse uma taxa de juros de 10% – o que nunca aconteceria na realidade –, isso significaria que, a cada ano, estaríamos ganhando 10% do valor do dinheiro depositado.
Por exemplo, se você colocasse 100 reais em uma poupança agora, no ano seguinte teria 110.
No ano seguinte, seriam 121, e assim por diante.
Isso cresceria rapidamente, de modo que, em 10 anos, seus 100 reais se tornariam 259 reais.
Ajustando pela inflação, seu dinheiro ainda valeria 206 reais em 10 anos. Isso é muito bom!
Você mais que dobraria seu dinheiro apenas por guardá-lo nessa conta hipotética de 10%. Parece um pequeno valor, mas 10% ao longo de 10 anos realmente dobra seu dinheiro, o que é incrível.
Infelizmente, essas contas de poupança hipotéticas de 10% não existem. A vida real não é tão generosa.
Hoje em dia, a maioria das contas poupança oferece menos de 1% de rendimento, o que significa que você ainda está perdendo dinheiro ao longo do tempo.
Mas temos outras opções para tentar alcançar esse “nirvana” de 10% de rendimento, e é aí que os investimentos entram em cena.
4. O Que É um Investimento?
O quarto ponto é: o que é um investimento?
A resposta é que um investimento é algo que coloca dinheiro no seu bolso.
Por exemplo, digamos que você compre uma casa por 100 mil reais e queira alugá-la. Isso é um investimento de duas maneiras:
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Renda de aluguel: Você cobra o aluguel dos moradores, digamos, 830 reais por mês, o que totaliza 10 mil reais por ano.
A cada ano, você recebe 10 mil reais em aluguel, o que representa 10% do que você pagou pela casa.
Em 10 anos, você teria recuperado os 100 mil reais investidos e, a partir daí, estaria recebendo 10 mil reais de lucro puro anualmente.
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Valorização do imóvel (Ganho de Capital): O valor da casa provavelmente aumentará com o tempo.
Em geral, há uma tendência em países desenvolvidos de que os preços dos imóveis subam a longo prazo.
Assim, sua casa provavelmente valerá mais de 100 mil reais em 10 anos.
Esse aumento no valor de um ativo ao longo do tempo é o que chamamos de ganho de capital.
O problema de comprar uma casa, no entanto, é que é um pouco complicado.
Você precisa de um grande valor para o sinal, conseguir uma hipoteca, gerenciar o imóvel, alugar para pessoas, etc.
Seria ideal se houvesse uma forma de investir sem precisar de uma grande quantia inicial e sem ter que dedicar tanto esforço na gestão do ativo.
E é isso que nos leva ao investimento em ações.
5. O Que São Ações e Como Funcionam?
O quinto ponto é: o que são ações e como elas funcionam?
Comprar ações é o mais próximo que podemos chegar daquela conta poupança mágica que retorna um certo valor a cada ano.
A ideia é que, ao comprar uma ação, você está adquirindo uma parte da propriedade da empresa.
Por exemplo, digamos que a Apple tenha um ano particularmente lucrativo.
A empresa decide pagar um dividendo aos seus acionistas.
Ela pode anunciar um dividendo de um milhão de reais, que será dividido proporcionalmente entre todos os que possuem ações da Apple, com base no número de ações que cada um tem.
Se você possui 1% da Apple, você receberia 1% desse dividendo, ou seja, 10 mil reais.
(Obviamente, pouquíssimos investidores individuais possuem 1% da Apple, pois a empresa é extremamente valiosa).
Basicamente, é assim que funciona o dividendo: uma empresa decide distribuir parte de seu lucro de volta aos investidores que apostaram nela.
Assim, você ganha dinheiro através dos dividendos.
A segunda forma de ganhar dinheiro com ações é semelhante à valorização dos imóveis: você obtém ganhos de capital ao longo do tempo.
Por exemplo, digamos que você comprou 10 ações da Apple em 2010.
Naquela época, cada ação custava 9 dólares, então você gastou 90 dólares.
Em outubro de 2020, as ações da Apple valiam 115 dólares, então suas 10 ações valeriam 1.150 dólares, mesmo tendo pago apenas 90 dólares por elas 10 anos antes.
Agora que já falamos sobre o que é uma ação e como se ganha dinheiro com elas, você provavelmente tem algumas perguntas, como “quanto dinheiro preciso para começar?” ou “qual o risco de comprar ações de uma empresa?”.
Prometo que chegaremos a isso.
6. Como Comprar uma Ação?
A sexta pergunta é: como, afinal, se compra uma ação?
É aqui que pode ficar um pouco complicado, pois não é tão simples quanto ir em apple.com/comprar e adquirir uma ação. Não funciona bem assim.
Em vez disso, você precisa usar um intermediário, chamado de corretora.
Antigamente, um corretor de ações era uma pessoa física, geralmente um homem, para quem você ligava e dizia: “Quero fazer um pedido de algumas ações da Apple.”
Ele digitava algumas coisas no computador ou fazia um pedido em papel, e então você seria o proprietário das ações.
Felizmente, hoje em dia, não precisamos mais disso, pois existem inúmeras corretoras online.
Você cria uma conta em uma corretora online e, por meio dela, pode comprar ações de uma empresa.
Curiosamente, cada país tem suas próprias corretoras que operam localmente.
Para ser uma corretora online em um país, é preciso seguir inúmeras leis e regulamentações.
Por exemplo, no Brasil, o sistema é diferente dos EUA, do Canadá ou da Alemanha.
No Brasil, muitos bancos oferecem suas próprias plataformas de investimento, onde você pode abrir uma conta de investimento e investir online.
No entanto, muitas vezes a interface é um pouco antiquada. Geralmente, é melhor optar por uma corretora online especializada.
Mas antes de nos adiantarmos e abrir uma conta em qualquer lugar, precisamos entender mais algumas coisas.
7. Como Escolher Quais Ações Comprar? (A Resposta Surpreendente)
A sétima questão crucial é: como diabos decido quais ações comprar?
A resposta simples é que você, na verdade, não deve tentar descobrir quais ações individuais comprar.
Você não deve comprar ações individuais.
O problema de investir em ações individuais é que é arriscado.
Sim, se você investir em algo como a Apple, as chances são de que ela ainda estará por aí daqui a 10 anos.
Mas, historicamente, muitas empresas que as pessoas consideravam “incríveis” e “o melhor investimento” acabaram falindo.
Ao investir em algo individual, você se expõe a um risco maior.
Além disso, é fácil dizer: “A Amazon cresceu 10 vezes nos últimos 10 anos, então continuará fazendo o mesmo nos próximos 10.”
Mas isso é tentar prever o futuro, e o passado não é uma indicação real do desempenho futuro.
Portanto, o conselho que a maioria dos especialistas daria para iniciantes é: não invista em ações individuais.
Você deve investir em fundos de índice.
Como muitos especialistas em finanças afirmam, os fundos de índice são a estratégia de investimento de longo prazo mais segura, fácil e eficaz para a maioria das pessoas.
O que nos leva ao oitavo ponto.
8. O Que São Fundos de Índice?
Oitavo ponto: o que é um fundo de índice?
Existem basicamente duas partes para entender aqui: “índice” e “fundo”.
A parte do Fundo:
Um fundo é onde os investidores reúnem seu dinheiro.
Vários investidores aplicam no mesmo fundo, que então tem um gestor.
O gestor do fundo decide em quais empresas o fundo vai investir.
Por exemplo, se um gestor administrasse um fundo, e 100 pessoas decidissem investir nele, o gestor, com o dinheiro desses investidores (digamos, 100 milhões de reais), decidiria alocar em várias empresas.
Ele poderia colocar 20% na Apple, 10% no Facebook, 10% na Amazon, 10% na Tesla, 10% na Netflix, 10% na Johnson & Johnson, etc.
Assim, você, o investidor, não precisa se preocupar em escolher as ações. Você confia no gestor para fazer isso por você.
À medida que o fundo tem bom desempenho porque os preços das ações aumentam, você obtém os retornos, e o gestor recebe uma taxa de administração.
A parte do Índice:
A parte do índice refere-se a um índice do mercado de ações.
Um índice do mercado de ações seria, por exemplo, o S&P 500, que agrupa as 500 maiores empresas dos EUA.
Outros exemplos são o Ibovespa no Brasil, o FTSE 100 no Reino Unido, o Nasdaq ou o Dow Jones.
Estes são todos diferentes índices do mercado de ações.
Se usarmos o S&P 500 como exemplo, ele inclui empresas como Apple (que representa cerca de 6,5% do índice), Microsoft (5,5%), Amazon (4,7%), Facebook (2,2%), Alphabet (Google) (cerca de 3% no total), e assim por diante, até as 500 maiores.
Você provavelmente já ouviu falar da maioria das empresas no topo da lista, mas talvez não das que estão na parte inferior.
O S&P 500 é um índice do mercado de ações dos EUA e, ao observar seu desempenho geral, você tem uma ideia de como a economia dos EUA está se saindo.
A performance do S&P 500 ao longo do tempo geralmente mostra uma tendência de alta.
Isso ocorre embora com quedas em momentos de crise, como em 2000, 2008 ou no início de 2020 com a pandemia.
No entanto, o mercado tende a se recuperar.
Quando você combina um fundo com um índice, você obtém um fundo de índice.
Um fundo de índice é um fundo que investe automaticamente em todas as empresas de um determinado índice.
Para muitos investidores, a maior parte de seus investimentos está no S&P 500.
Isso significa que uma porcentagem de seus investimentos está na Apple, Microsoft, Amazon, Facebook, Google, Berkshire Hathaway e assim por diante.
Por que isso é bom? Por várias razões:
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Facilidade: Fundos de índice são muito fáceis de investir para iniciantes.
Você não precisa se preocupar em escolher qual empresa investir, ler balanços, etc.
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Diversificação: Fundos de índice oferecem uma boa diversificação.
No S&P 500, há empresas de todos os tipos, então você não depende apenas do setor de tecnologia, petróleo ou vestuário para a maior parte de seus ganhos.
Você está muito bem diversificado em várias empresas.
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Taxas Baixas: Fundos de índice têm taxas muito baixas.
Como não é uma pessoa real que está decidindo o que investir, mas sim um algoritmo de computador, as taxas são muito baixas.
Mesmo um pequeno aumento nas taxas pode impactar drasticamente seus ganhos financeiros no longo prazo.
Um fundo de índice com uma taxa de 0,1% é muito melhor do que um fundo ativamente gerenciado onde o gestor cobra até 1%.
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Desempenho Histórico: Historicamente, poucos fundos conseguem consistentemente superar o mercado (o desempenho passado não é garantia de desempenho futuro).
Warren Buffett, um dos maiores investidores, afirmou que investiria em um fundo de índice como o S&P 500.
Ele até venceu uma aposta de 10 anos contra um fundo de hedge, mostrando como é difícil superar o mercado.
Basicamente, ninguém pode prever o que o mercado fará no futuro.
Ao se atrelar a um índice, você está apostando no mercado como um todo, o que é mais vantajoso do que com ações individuais.
Com isso, resolvemos o problema de quais ações investir, contornando a questão e investindo em fundos de índice.
A próxima grande pergunta que as pessoas geralmente têm sobre investir em ações é o nível de risco.
9. O Risco nos Investimentos: Desmistificando a Perda Total
O nono ponto é sobre o risco.
O argumento geralmente é: “Investir em ações parece interessante, mas meu tio perdeu muito dinheiro na bolsa de valores, e meus pais me disseram que é muito arriscado.”
“Devo investir em imóveis porque é mais seguro.” Essa é a ideia comum que as pessoas têm sobre investimentos em ações.
E, naturalmente, existe a ansiedade de “e se eu perder todo o meu dinheiro?”. Vamos falar sobre isso agora.
Para entender, a única forma de perder dinheiro em qualquer coisa é comprar algo e depois vendê-lo por um valor menor do que o preço de compra.
Digamos que você comprou uma casa por 300 mil reais.
Se, no dia seguinte, os preços dos imóveis caem e sua casa agora vale apenas 250 mil reais, e você decide vender a casa nesse momento, sim, você está perdendo dinheiro e perdeu 50 mil reais.
Da mesma forma, a única maneira de realmente perder dinheiro em ações é se você comprar uma ação por um determinado preço e depois vendê-la por um preço menor.
Por exemplo, imagine que você comprou ações da Apple em 18 de fevereiro de 2020. Uma ação valia US$ 79,75.
Como é sua primeira vez investindo, você verifica o preço diariamente, pensando se está ganhando ou perdendo dinheiro.
Para sua frustração, você vê que, ao longo das próximas semanas, o preço da ação da Apple está caindo.
Em 18 de março de 2020, você decide: “Chega! Vou vender minha ação da Apple, não quero perder tudo.”
E você a vende por um preço baixo de US$ 61,67.
Tecnicamente, você perdeu US$ 18, porque comprou por US$ 79 em fevereiro e vendeu por US$ 61 em março.
Você pensa: “Droga, perdi 20% do meu investimento. Esse negócio de bolsa de valores é uma besteira. Nunca mais vou investir nisso.” E você desiste.
Essa seria uma péssima decisão.
Se você tivesse simplesmente mantido sua ação da Apple, em 8 de outubro (do mesmo ano), ela estaria sendo negociada a US$ 114,96.
Ou seja, se você tivesse segurado por alguns meses, teria realmente ganho muito dinheiro.
Você teria comprado por US$ 79 e, em cerca de oito meses, ela valeria US$ 115. Um bom ganho.
A lição real aqui é que investir em ações, e também em imóveis, são investimentos de longo prazo.
Idealmente, você não deve colocar dinheiro em ações que precisará usar nos próximos cinco anos, e muitos especialistas estendem esse prazo para 10 anos.
É exatamente como com os preços das casas: se você compra uma casa como investimento e os preços caem, seria completamente estúpido vendê-la, a menos que você esteja desesperado pelo dinheiro.
Se você apenas a mantiver, terá ganhado mais dinheiro a longo prazo, porque, a longo prazo, os preços dos imóveis sempre sobem.
E, a longo prazo, o mercado de ações basicamente sempre sobe.
Esta pode ser uma afirmação controversa, mas a história nos mostra que é verdadeira. No longo prazo, o mercado de ações sempre sobe.
Dito isso, novamente, é uma questão de longo prazo.
Se olharmos para o S&P 500 e como estava em 2008, durante a crise financeira: em 2007, estava em 1500 pontos.
A crise acontece e, em janeiro-fevereiro de 2009, cai para 735 pontos, ou seja, cerca de 50% do valor foi eliminado.
Se você tivesse comprado em 2007, visto a queda e vendido em 800 pontos, teria perdido muito dinheiro porque comprou na alta e vendeu na baixa.
Mas se você tivesse apenas segurado, levaria cerca de cinco anos (até 2013) para o índice voltar ao seu nível normal.
E mesmo que você tivesse investido logo antes da crise, e seu investimento despencasse 50%, se você tivesse apenas segurado, teria comprado o S&P 500 em 1500 pontos e, hoje, ele estaria em 3445.
Desde 2007/2008, seu dinheiro teria mais que dobrado, desde que você não vendesse em pânico durante a queda do mercado.
Hipoteicamente, o mercado poderia cair para zero e você perder todo o seu dinheiro? Sim, poderia.
Mas se o mercado de ações dos EUA caísse literalmente para zero – ou seja, todas as 500 maiores empresas, incluindo Apple, Google, Microsoft, Facebook, fossem destruídas da noite para o dia e o mercado caísse a zero –, o mundo estaria em algum tipo de mega apocalipse.
Nesse cenário, você teria problemas muito mais sérios para se preocupar do que o valor do seu portfólio de ações.
O dinheiro não significaria nada. É basicamente impensável que a economia global pudesse ser tão completamente destruída a ponto de cada empresa cair para zero.
Em nossa visão, é irrealista pensar que, ao colocar dinheiro em ações, você poderia perder tudo.
É praticamente impossível perder todo o dinheiro, desde que você esteja diversificado.
Se você tivesse investido em uma única empresa que faliu, sim, você poderia ter perdido tudo nela.
Mas se você investe nas 500 maiores empresas dos EUA, ou nas 100 maiores empresas do Reino Unido, ou nas 500 maiores empresas do mundo, é tão improvável que você perderá seu dinheiro que nem deveríamos considerar isso um risco.
Então, o cenário de pior caso realista é: sim, investir no mercado de ações é arriscado no curto prazo.
Mas se você investe no longo prazo, o mercado sempre subirá, e você sempre acabará ganhando mais dinheiro, desde que não precise retirar o dinheiro em momentos inoportunos.
10. Quando Começar a Investir?
Neste ponto, já estabelecemos que investir em ações é muito bom, e que investir em fundos de índice é uma forma relativamente segura de fazer isso.
A próxima pergunta é: quando você deve começar? Qual a idade certa? É cedo ou tarde demais para começar?
A resposta aqui é bastante simples, e basicamente todos os conselhos de investimento concordam: você deve começar a investir o mais cedo possível.
Não importa sua idade, o quanto antes você começar a investir, melhor.
Existem três ressalvas para um conselho financeiro sensato:
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Dívidas de Alto Juro: Certifique-se de que todas as suas dívidas de alto juro (como as de cartão de crédito) estejam pagas.
No mundo dos juros compostos, assim como os ganhos se multiplicam, as perdas também se multiplicam.
Se você tem uma dívida de cartão de crédito de 6% ao mês corroendo seus resultados, você quer pagá-la o mais rápido possível.
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Fundo de Emergência: Você deve ter um fundo de emergência.
Especialistas geralmente recomendam ter em dinheiro o equivalente a três a seis meses de despesas de vida.
Assim, se você perder o emprego, ou enfrentar uma emergência médica, terá dinheiro para lidar com isso e não precisará sacar de seus investimentos.
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Dinheiro de Curto Prazo: Não coloque em ações dinheiro que você pode precisar usar nos próximos três a cinco anos.
Por exemplo, se você tem 24 anos, acabou de conseguir seu primeiro emprego e está pensando em comprar uma casa, precisando de dinheiro para o sinal, não coloque esse dinheiro no S&P 500 ou em qualquer tipo de ação.
Ninguém pode prever o mercado, e ninguém sabe se pode haver uma queda amanhã.
O que sabemos é que, a longo prazo, o mercado de ações sobe, mas se você precisa comprar uma casa no próximo ano, não há garantia alguma de que esse dinheiro valerá o mesmo ou mais neste período.
Desde que essas três condições sejam atendidas (sem dívidas de alto juro, fundo de emergência estabelecido e sem grandes despesas planejadas para os próximos anos), todos deveriam estar investindo algo no mercado de ações.
Seja você um jovem de 12, 20, 21, 22 ou um adulto de 50 anos. Não importa.
Como dizem os especialistas, é quase impossível que seu eu futuro se arrependa da decisão de investir.
Isso se deve aos juros compostos: quanto mais tempo você deixa seu dinheiro no mercado de ações, mais ele se multiplica.
Há muitos dados interessantes na internet que mostram a enorme diferença nos seus resultados financeiros se você começar a investir aos 20 anos em vez de 25 ou 30.
Basicamente, assim que você aprender sobre investimentos, você deveria começar a investir, desde que as três condições mencionadas sejam atendidas.
11. Quanto Dinheiro É Preciso Para Começar?
O décimo primeiro ponto é: quanto dinheiro eu preciso para começar a investir?
Muitas pessoas perguntam: “Tenho 14 anos e não tenho dinheiro, como começo a investir?”.
A resposta é bastante simples: comece com o que você puder.
Alguns sites e aplicativos que você pode usar para investir em fundos de índice permitem começar com valores tão baixos quanto cinco ou dez dólares/reais, dependendo da plataforma.
Outros podem exigir um mínimo de cem ou mil reais. Você pode pesquisar isso, e varia de acordo com o país.
O importante é começar a investir o mais rápido possível, mesmo que seja uma pequena quantia.
Em primeiro lugar, investir pequenas quantias é útil porque os juros compostos sempre são benéficos.
Em segundo lugar, e mais importante, quanto antes você começar a investir, mais rápido isso se torna um hábito.
Não importa se tudo o que você tem é uma pequena quantia para investir, mesmo que seja um real ou 10 centavos.
O processo de criar a conta, pesquisar corretoras online em seu país e descobrir como realmente fazer isso é a coisa mais valiosa que você pode fazer com seu tempo imediatamente após ler este artigo.
12. Os Próximos Passos: Abrindo Sua Conta de Investimento
E, finalmente, o décimo segundo e último ponto:
“Ok, estou convencido! Tenho 100 reais aqui e quero colocá-los em um fundo de índice da bolsa de valores. Como faço isso?”
A resposta é que você precisa encontrar uma corretora online.
Isso varia muito dependendo do seu país, pois as corretoras online precisam cumprir inúmeras leis e regulamentações financeiras.
Nos EUA, muitas pessoas utilizam plataformas como a Vanguard ou Betterment.
Para encontrar a melhor opção para você, basta pesquisar no Google por “melhor corretora online Brasil” (ou o nome do seu país).
Leia algumas avaliações.
Basicamente, o que você procura é uma corretora que permita investir em fundos de índice e que tenha as taxas mais baixas possíveis.
As taxas devem ser uma fração muito, muito pequena de uma porcentagem.
Depois de criar sua conta, verificar sua identidade e passar por todos os trâmites (que às vezes levam alguns dias e podem envolver o envio de uma carta para verificar seu endereço, dependendo das regulamentações), você pode começar a colocar dinheiro.
No início, muitos investidores verificam seus celulares compulsivamente para ver o que o mercado de ações está fazendo.
Mas rapidamente se percebe que, ao investir para o longo prazo, o que o mercado faz no curto prazo não importa.
É uma estratégia de “configurar e esquecer”.
Você investe para o longo prazo, e seu dinheiro crescerá magicamente ao longo do tempo, desde que você não o retire em pânico ao ver uma queda temporária.
Há muito mais a ser dito sobre investimentos e finanças, mas esperamos que esta seja uma introdução razoável sobre como começar a investir em fundos de índice.
Para o investidor no Brasil, um bom caminho é procurar corretoras com baixas taxas para fundos de índice, como os que replicam o S&P 500 ou o Ibovespa.
Lembre-se: o sucesso nos investimentos de longo prazo vem da paciência e da disciplina.
Boa sorte em sua jornada de investimentos!


