Sapiens Humanidade: Desvendando o Passado para Entender o Presente

Tempo de leitura: 7 min

Escrito por Tiago Mattos
em fevereiro 7, 2025

Sapiens Humanidade: Desvendando o Passado para Entender o Presente

Sapiens: Desvendando o Passado da Humanidade para Entender o Presente

O livro Sapiens: Uma Breve História da Humanidade, do historiador Yuval Noah Harari, é um best-seller internacional e uma leitura fundamental para quem busca compreender a complexidade de nossa espécie.

Nesta jornada, vamos explorar algumas das ideias mais impactantes do livro, que nos convidam a refletir sobre quem somos, de onde viemos e para onde podemos ir.

A Imaginação Coletiva: Nossa Habilidade Única de Colaborar

Uma das características mais notáveis de nós, Homo sapiens, é a extraordinária capacidade de vivermos socialmente.

Enquanto outras espécies de mamíferos conseguem se unir em grupos de, no máximo, cerca de 50 indivíduos, nós vamos muito além.

Conseguimos conhecer intimamente um grupo de aproximadamente 150 pessoas, mas nossos grupos não se limitam a isso.

Pense em Napoleão Bonaparte, que partiu para a Rússia em 1812 com uma tropa de mais de 600 mil combatentes.

Ou como conseguimos manter minimamente organizado um país com mais de 200 milhões de pessoas. Como é possível controlar e coordenar tantos indivíduos ao mesmo tempo?

A forma como isso foi alcançado é o que o autor chama de imaginação coletiva.

Isso acontece quando, coletivamente, acreditamos em algo que não existe de forma objetiva, mas apenas em nossas mentes.

Quando fazemos isso, podemos nos unir de uma maneira que só nós, humanos, conseguimos. Uma tropa enorme permanece unida.

É impossível criar uma afinidade íntima com 600 mil combatentes, mas todos podem se unir na crença da hegemonia de seu país – mesmo que o país, em si, não exista de uma forma objetiva.

De repente, todos estarão dispostos a dar suas vidas e serão honrados pela história por isso.

O impressionante é que o mesmo ocorre com o dinheiro.

Conseguimos trocar pedaços de papel coloridos com a assinatura de algum ministro e uma frase religiosa por tudo aquilo que desejamos materialmente.

Acreditamos em números na tela de nosso celular que dizem o quanto guardamos em vida. Por que isso acontece?

Porque o dinheiro é o mais universal e eficiente sistema de confiança coletiva já inventado.

Podemos estender essa lista para todas as religiões, ideologias, leis e direitos humanos.

Nenhuma dessas coisas existe no mundo objetivo, mas é por causa delas que nos mantemos unidos.

A primeira grande ideia do livro é clara: a imaginação é a nossa melhor arma.

Não Estávamos Sozinhos: A Surpreendente Coexistência de Espécies Humanas

Agora, imagine como era a Terra 100 mil anos atrás. Os Homo sapiens já viviam aqui, caçando e coletando para sobreviver.

Costumamos nos imaginar como seres menos inteligentes que perambulavam, colhendo plantas ou caçando zebras.

Mas o que muitas vezes esquecemos, ou o que não nos é contado, é que, nesse mesmo período, habitavam a Terra pelo menos seis espécies humanas diferentes.

Você já parou para pensar nisso? Eram seis espécies distintas!

Para quem ainda não entendeu, é como hoje existem zebras, cavalos e burros, que são espécies diferentes do mesmo gênero.

Cem mil anos atrás, existiam pelo menos seis espécies distintas de humanos.

Isso, consequentemente, traz algumas reflexões importantes.

Sempre nos imaginamos como únicos na Terra, como se ela tivesse sido feita para nós e como se nunca tivesse existido outro grupo com tanta inteligência quanto a gente.

Mas as evidências comprovam que já tivemos várias espécies parceiras, principalmente os neandertais, que tinham capacidades intelectuais semelhantes e até chegaram a viver nos mesmos locais dos sapiens.

Se você consegue entender a implicação disso, percebe que, na verdade, nossa espécie passou mais tempo dividindo a Terra com outras espécies do que sendo a única.

Seguindo esse raciocínio, a próxima pergunta é: o que aconteceu com essas outras espécies de humanos?

Elas foram extintas, e é provável que nós, Homo sapiens, fomos os grandes culpados.

A Armadilha do Luxo: Como a Busca por Facilidade nos Trouxe Mais Dificuldades

Vamos avançar um pouco no tempo, para a Revolução Agrícola, que aconteceu cerca de 12 mil anos atrás.

Tendemos a imaginar que a transição da caça e coleta para a agricultura foi algo que melhorou muito a qualidade de vida da população.

A caça e a coleta eram atividades muito dispendiosas; era preciso procurar por bastante tempo o que caçar ou coletar, contar com um pouco de sorte, e passar fome por vários dias era algo bem comum.

A agricultura, com certeza, trouxe uma grande facilidade, pois agora era possível permanecer em um só local e, consequentemente, alimentar uma maior quantidade de pessoas.

Porém, há poréns. A agricultura também fez com que a população aumentasse exponencialmente, diminuiu a variedade de alimentos, trouxe falta de nutrientes e doenças, e atraiu ladrões e inimigos.

Ou seja, a busca por uma vida mais fácil resultou em mais dificuldades.

Isso aconteceu 12 mil anos atrás e continua acontecendo nos dias de hoje.

Quantos jovens aceitam empregos exigentes em empresas importantes, mas com salário baixo, com o intuito de crescer na vida e proporcionar um futuro melhor?

Mas, quando o futuro chega – e o salário começa a querer aumentar –, eles já têm uma casa para pagar, filhos para cuidar, um carro para o trabalho e a sensação de que a vida só vale a pena se comprarem produtos caros ou passarem as férias em algum lugar chique.

Como você acha que a maioria das pessoas responde a isso?

Elas redobram seus esforços, trabalhando ainda mais para terem ainda mais contas a pagar no futuro, perdendo suas vidas na procura pelo famoso “ouro de tolo”.

A terceira grande ideia do livro é que o luxo é uma armadilha. O desenvolvimento pessoal, entretanto, é uma das formas de não cair nela.

Igualdade? A Ilusão do Progresso Humano

Vivemos atualmente uma busca incessante pela igualdade. Há lutas em vários aspectos, e muita coisa já está sendo alcançada.

Quando olhamos o passado, um famoso Código de Hamurabi, por exemplo, pode nos levar a pensar que o que acontecia lá era um “olho por olho, dente por dente”.

Mas, na verdade, as leis de Hamurabi faziam distinções claras entre diferentes categorias sociais, incluindo homens e escravos, como se percebe em trechos daquelas leis.

E falando em escravidão, as leis mundiais já não a permitem.

Mas, em contrapartida, ainda hoje vemos resquícios, às vezes bem grandes, de racismo e outras formas de discriminação em nosso dia a dia.

Olhamos para trás e pensamos: como os seres humanos foram tão malvados e impiedosos? Como fizeram tanta maldade?

É assim que nos colocamos num pedestal, acreditando que já evoluímos e somos mais civilizados.

Tendemos a acreditar que nossa hierarquia social é justa, enquanto as de outras sociedades do passado ou de outro lugar do planeta foram ridículas.

Pensamos que não faz sentido qualquer tipo de hierarquia social.

Ficamos chocados ao pensar que, antigamente, existiam escolas para brancos, bairros para brancos e hospitais para brancos.

Mas o ponto onde se quer chegar é a seguinte pergunta: somos mesmo tão igualitários assim?

O que não percebemos é que vivemos algo muito parecido com aquilo do passado, como a relação entre crianças pobres e ricas.

Crianças ricas vivem em casas maiores, em locais melhores, estudam nas melhores escolas e recebem tratamento médico em locais distintos e bem equipados.

Enquanto isso, crianças pobres vivem apertadas em locais de má qualidade, estudam em escolas que não dão oportunidade de disputar vagas ou ter acesso a cuidados de saúde adequados.

Ainda estamos longe de poder ter a audácia de fazer qualquer comparação com um cenário de plena igualdade.

Longe de mim dizer que os pobres estão fadados a sempre serem pobres, ou que os que nascem ricos têm todas as facilidades do mundo.

O que quero dizer é que existem caminhos mais curtos e mais longos, e ter nossas conquistas não depende somente de nossos esforços.

Acreditar na meritocracia, de que é só se esforçar para conseguir, é acreditar que somos civilizados, justos e igualitários – coisas que definitivamente não somos.

Ou seja, olhamos para a escravidão do passado e vemos claramente a barbárie, mas não olhamos com os mesmos olhos para o presente, que não consegue dar as mesmas possibilidades nem mesmo para crianças.

A quarta grande ideia é a de que o homem, em sua espécie, não evoluiu em termos de igualdade.

O Nosso Poder de Escolha Individual

Imagino que muitos de vocês possam estar um pouco cabisbaixos com o que acabaram de ler neste texto.

Mas lembre-se: este é um post sobre um livro que explora a espécie Sapiens como um todo.

O que o livro não aborda são as questões individuais, aquelas sobre as quais tanto podemos agir.

E é justamente aqui que podemos alterar os rumos e tomar decisões melhores.

Mesmo que nossa espécie, no geral, não seja um ícone de bondade, com bastante esforço e dedicação, podemos, sim, ser pessoas melhores e contribuir para um futuro mais consciente e equitativo.

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