A Psicologia de Tomar Melhores Decisões: Um Guia Prático
Como seres humanos, enfrentamos um universo de escolhas a cada dia.
Algumas são gigantescas, como decidir se casar ou ter filhos. Outras, triviais, como a cor da camiseta que vestiremos.
Mas como discernimos qual é a decisão certa para nós? Mergulhemos fundo em algumas dicas essenciais para garantir que você faça as escolhas mais acertadas em sua vida.
1. Encontre Sua Estrela Guia na Vida
O que isso significa? Encontrar sua Estrela Guia é definir o que você realmente quer da sua vida.
É como você a imagina e, acima de tudo, a que você quer dedicar sua existência. Uma vez que você cria essa Estrela Guia, todas as suas decisões devem ser filtradas através dela.
Pense bem: existem inúmeras maneiras de alcançar o sucesso financeiro.
Se seu único objetivo é ganhar dinheiro, você pode conseguir. Mas o caminho se torna muito mais claro e gratificante se o dinheiro for um subproduto de algo que está alinhado com sua Estrela Guia.
Um homem pode ter excelentes habilidades em vendas, entender pessoas e até ser apaixonado por relógios, a ponto de poder criar uma empresa de revenda.
Ele poderia ganhar muito dinheiro com isso e até gostar, mas talvez não fosse a atividade mais satisfatória para sua vida.
Da mesma forma, ele poderia criar um grande portal de esportes ou um podcast sobre o tema. Há dinheiro e sucesso em ambos, é claro, mas talvez isso não seja a Estrela Guia dele.
A verdadeira Estrela Guia de um homem pode ser, por exemplo, fazer o que for preciso para compartilhar seus conhecimentos sobre mentalidade com o mundo. É o que lhe dá mais energia.
Como em um evento recente, após horas de intensa interação e perguntas, as pessoas ainda se surpreendiam com a energia que ele mantinha. “Você não está exausto?”, perguntavam.
A resposta era sempre a mesma: “Não, isso é o que nasci para fazer. Recebo tanta energia ao fazer isso, é o que me deixa feliz e realizado. Eu poderia fazer isso o dia todo, todos os dias.”
Essa é a sua Estrela Guia. Tudo se filtra por ela.
Houve um momento em que, além de iniciar seu projeto de vida e seu negócio de coaching, um homem também tinha um negócio de vendas online que gerava um bom faturamento.
Mas ele notou uma desconexão: qual dos dois ele queria realmente seguir? Era impossível dedicar 100% de esforço a ambos.
Ele se perguntou: “Se eu avançar 10 anos no futuro, quero ser conhecido como o cara que tem um negócio de e-commerce bem-sucedido ou como o cara que orienta as pessoas em suas mentalidades e, esperançosamente, muda suas vidas?”
A resposta foi clara como o dia: ele queria ser conhecido como o mentor de mentalidades.
Naquele ponto, o lado do coaching não gerava receita alguma, ao contrário do negócio online.
Ele decidiu encerrar o negócio lucrativo para se dedicar à sua Estrela Guia.
Talvez sua Estrela Guia seja ser um pai exemplar. Se nada for mais importante do que se tornar o melhor pai possível, então todas as suas decisões devem ser filtradas por essa perspectiva.
Uma oferta de emprego tentadora, que dobra seu salário, pode surgir. Incrível, certo?
Mas e se ela exigir que você viaje metade do mês, afastando-o dos seus filhos nos anos cruciais de formação?
Você pode pensar: “Ganharia mais dinheiro, o que significa que poderia prover mais para minha família, talvez eles pudessem ir para faculdades melhores, ter uma vida mais confortável.”
Mas, por outro lado, você se pergunta: “Se eu estiver longe de meus filhos, não poderei transmitir-lhes o amor e a sabedoria que desejo.”
Você se pergunta: “Este trabalho, com mais dinheiro, se alinha com minha Estrela Guia de ser o melhor pai possível e criar os melhores filhos que posso?”
É uma escolha entre mais dinheiro ou mais tempo com seus filhos. Entende como a Estrela Guia funciona?
No fundo, sua Estrela Guia é aquilo que lhe dá energia, aquilo pelo qual você se sente atraído, que o deixa entusiasmado e o faz sentir-se vivo.
Se você persegue apenas o dinheiro, a motivação acabará. Mas quando persegue a energia e a paixão, você tem combustível ilimitado.
Além disso, ter uma Estrela Guia aumenta a confiança em suas decisões, evitando arrependimentos.
Não importa a decisão, se ela se alinha com sua Estrela Guia, é a escolha certa.
2. Aprimore-se em Escutar Sua Intuição
Você já deve ter ouvido a frase “confie no seu instinto”, certo? Aquele pressentimento sobre algo ou alguém.
Às vezes, você sente que algo não está certo, mesmo que logicamente faça sentido, e mais tarde, se arrepende de não ter escutado.
Ou, em outras ocasiões, você segue seu instinto, mesmo sem muita lógica, e ele se prova o caminho certo a longo prazo.
Para um homem que abriu mão de um emprego e um negócio lucrativo para seguir um projeto incipiente que não gerava receita, tudo parecia ilógico.
Mas algo dentro dele “parecia certo”, e ele seguiu esse sentimento. Anos depois, tudo fez sentido.
Confiar no instinto pode parecer uma abordagem mística e não científica para tomar decisões.
No entanto, a neurociência mostra que não é apenas uma teoria. Sua intuição pode ser a ferramenta mais poderosa para tomar decisões, especialmente ao avaliar pessoas ou situações futuras.
Nossa sociedade nos ensinou a valorizar apenas a lógica e o intelecto, como se emoções e instintos fossem apenas “sentimentos não confiáveis”.
Mas há um ditado que diz: “O coração sabe o que a mente não consegue entender.” E o coração e o instinto trabalham em equipe.
Às vezes, não conseguimos compreender por que sentimos algo sobre uma pessoa ou situação, mas o sentimento é crucial.
Pesquisas mostram que nosso pressentimento ou intuição está enraizado em nossos corpos físicos.
É o Sistema Nervoso Entérico (SNE), uma rede de neurônios localizada nas paredes do trato digestivo – seu “segundo cérebro”.
Ele contém mais de 500 milhões de neurônios e pode influenciar a função cognitiva e a memória.
A comunicação entre o SNE e o cérebro é bidirecional. Seu cérebro verifica seu intestino, e seu intestino verifica seu cérebro.
É por isso que você sente sensações físicas no estômago quando está nervoso, ansioso ou animado – as famosas “borboletas no estômago”.
Essa é uma comunicação interna do seu corpo.
O intestino também está conectado à amígdala, a parte do cérebro que processa o medo e as emoções, desempenhando um papel fundamental em sua resposta de “luta ou fuga”.
Isso significa que seu pressentimento não é apenas uma sensação vaga de mal-estar, mas uma resposta física a ameaças ou oportunidades percebidas ao seu redor.
Quando você tem um pressentimento sobre alguém ou algo, preste atenção.
Pode ser o seu corpo alertando sobre um perigo potencial ou uma oportunidade que sua mente consciente ainda não registrou.
Embora seja natural para pessoas muito cerebrais e analíticas focarem apenas na lógica, aprender a dar atenção aos sentimentos é um grande passo.
A dica é: depois de analisar logicamente uma decisão, faça uma pausa.
“Vou verificar com meu corpo, com meu instinto. Estamos na mesma página ou meu instinto tem um sentimento diferente sobre essa decisão?”
Estudos mostram que pessoas que confiam em seus instintos muitas vezes são melhores em prever resultados e fazer julgamentos precisos, mesmo sem ter todas as informações.
Não se trata de seguir cegamente, mas de integrar seu instinto com o pensamento crítico.
Sua mente muitas vezes tentará protegê-lo de sair da zona de conforto, mas seu instinto é sua bússola emocional, apontando o caminho certo.
Para grandes decisões, um homem pode fazer o seguinte:
- Respirar profundamente por 60 vezes (inspirando pelo nariz e expirando pela boca).
- Estudos mostram que 60 respirações podem mudar completamente a sensação do corpo, tirando você da mente e trazendo-o de volta ao corpo.
- Então, ele se pergunta: “Qual é a decisão certa?” A primeira resposta que vem à mente geralmente é o pressentimento.
- A mente então tenta reagir e nos dissuadir. Mas é essa primeira resposta que deve ser ouvida.
3. Abrace o Poder da Pausa
Muitos de nós somos tomadores de decisão rápidos. Mas uma habilidade valiosa é pausar por um momento e refletir.
Neurologicamente, dar um passo atrás permite que o cérebro mude de uma análise reativa (ligada ao medo na amígdala) para o córtex pré-frontal.
Este, por sua vez, está ligado ao raciocínio lógico e ao planejamento.
Como se diz: “Quando a emoção é alta, a lógica é baixa.”
Se você está tomando uma decisão emocional, ela geralmente vem do medo e não é a melhor.
Dar-se um momento de pausa — 30 minutos, por exemplo — antes de voltar à decisão pode fazer toda a diferença.
Pense em discussões: quantas vezes você disse algo no calor do momento e, 30 minutos depois, percebeu que não deveria ter dito? A pausa ajuda a pensar melhor.
4. Use a Regra 10/10/10
Desenvolvida por Susie Welsh, a Regra 10/10/10 é uma ferramenta poderosa para obter diferentes perspectivas.
Ela ajuda a superar a gratificação imediata, que muitas vezes nos impede de tomar as melhores decisões a longo prazo.
Pegue papel e caneta e faça a si mesmo estas três perguntas:
- Como me sentirei sobre essa decisão em 10 minutos?
- Como me sentirei sobre essa decisão em 10 meses?
- Como me sentirei sobre essa decisão em 10 anos?
Este método permite que você transforme uma reação emocional imediata em uma consideração das implicações de longo prazo de suas escolhas.
Por exemplo, imagine que seu parceiro ou sua esposa tem te irritado profundamente ultimamente.
Você está em um relacionamento de cinco anos e considera terminá-lo.
- Em 10 minutos: Você pode sentir um alívio imediato. “Não preciso mais lidar com tudo isso! Que bom me livrar disso!”
- Em 10 meses: Você pode pensar: “É chato ser solteiro de novo, mas também é legal redescobrir-me. No entanto, terei que usar aplicativos de namoro, e meus amigos dizem que é um saco.” Você pode até sentir falta do seu parceiro.
- Em 10 anos: Uma década depois, você sentiria que tomou a decisão certa? Essa separação o levaria a uma década mais feliz e realizada? Você se sentiria realizado por ter terminado, buscado sua própria felicidade e começado a namorar novamente? Ou sentiria arrependimento, pensando: “Sim, ele não fazia a maldita louça, mas sempre me fez sentir tão bem comigo mesmo?”
Ao avaliar as consequências a curto, médio e longo prazo, você toma uma decisão mais informada sobre o futuro do relacionamento.
Muitas vezes, as pessoas terminam e, seis meses depois, reatam, justamente porque percebem que a decisão de ficar com a pessoa talvez fosse a melhor.
No fim das contas, temos inúmeras decisões a tomar diariamente.
A chave é como garantir que fazemos menos escolhas impulsivas e mais escolhas importantes, alinhadas com nossa Estrela Guia.
Como nos asseguramos de considerar as implicações a curto e longo prazo de nossas ações? Como usamos a pausa estratégica e checamos nossa intuição?
Use essas ferramentas na próxima vez que se encontrar lutando para agir, para que possa tomar as ações e decisões certas rumo à vida que você deseja criar.


