A Verdade Escondida Sobre a Produtividade: Não é o que Você Pensa
Muitos buscam a produtividade em aplicativos sofisticados, sistemas impecáveis, ou em uma dose extra de disciplina e motivação.
Embora esses elementos ajudem, a verdadeira chave para a produtividade e a satisfação reside em um segredo pouco explorado. Pegue uma xícara de café, pois vamos mergulhar nisso.
Nos últimos meses, enquanto pensava em profundidade sobre o que a produtividade realmente significa, cheguei a uma conclusão surpreendente.
Honestamente, produtividade não é apenas sobre fazer mais coisas. É, acima de tudo, sobre aprender a aproveitar a jornada.
Quando nos divertimos com o que estamos fazendo, a produtividade, de alguma forma, simplesmente se encarrega de si mesma.
Parece óbvio, não é? Pense bem: quando estamos nos divertindo com amigos, assistindo a uma série, ou jogando videogame, raramente nos preocupamos com nossa produtividade ou motivação.
Nunca dizemos: “Preciso de motivação para assistir ao próximo episódio” ou “para jogar com a turma”.
A motivação, na verdade, só se faz necessária para aquelas tarefas que são dolorosas no curto prazo, mas prometem ganhos a longo prazo.
E nós, humanos, somos péssimos em nos motivar para fazer coisas em prol do nosso “eu” futuro, pois somos obcecados pela gratificação instantânea.
O grande dilema, então, é: como nos fazemos fazer aquilo que é um fardo no presente, mas essencial para o nosso futuro?
Como nos motivamos a aprender a programar, a fazer o trabalho de casa, ou a tocar aquele projeto paralelo depois de um dia exaustivo, sabendo que almejamos ser empreendedores?
Existem duas abordagens principais para essa questão.
Método 1: A Abordagem “Muhammad Ali”
Essa abordagem leva o nome do famoso boxeador Muhammad Ali, que disse algo como: “Eu odiei cada minuto de treinamento, mas eu disse: ‘Não desista. Sofra agora e viva o resto da sua vida como um campeão.'”
Muhammad Ali é um ícone, mas a ideia de que “trabalho é sofrimento” não é algo com que eu me identifique.
Talvez seja o que se precisa para ser um campeão mundial de boxe ou ganhar uma medalha de ouro olímpica.
No entanto, se pensarmos no que a maioria de nós realmente quer da vida, não é ser o melhor do mundo em algo, nem ganhar um Nobel.
A maioria de nós deseja uma vida equilibrada, com diversão, trabalhando em coisas que gostamos, contribuindo um pouco para o mundo, sem a obsessão de ser o melhor ou competir.
O problema com essa mentalidade “trabalho é sofrimento” é que ela glorifica a “correria” e a “luta”.
Sugere que é preciso sofrer, que a dor é um sinal de que você está no caminho certo. E se você não está sofrendo, é porque não está fazendo direito.
Embora essa seja uma simplificação, na minha própria jornada, com estudos e projetos, nunca senti que era um sofrimento, uma luta ou um fardo. Na verdade, é divertido.
Isso nos leva a uma pergunta fundamental: como, então, podemos gostar do que fazemos?
Método 2: Aprender a Gostar do que Se Faz
A primeira resposta que muitos livros dão é: “encontre sua paixão e faça o que você ama.”
O problema é que:
- Muitos não sabem qual é sua paixão. O que te apaixona? Quem sabe!
- Nem sempre as paixões são viáveis. Jogar videogame ou tocar guitarra podem ser paixões, mas para a maioria, não se transformam em uma carreira. As chances de sucesso nesse caminho são mínimas.
- A vida exige o que não queremos fazer. A menos que você tenha nascido com uma vida de privilégios, você provavelmente não tem a liberdade de largar tudo e seguir sua paixão. A maioria de nós precisa fazer coisas que não ama para pagar as contas.
Portanto, essa abordagem de “escolher só coisas divertidas” não funciona para a maioria.
Acredito que há uma segunda abordagem, e essa é a que usei na maior parte da minha vida: em vez de fazer as coisas que você gosta, aprenda a gostar das coisas que você faz.
Essa abordagem é poderosa porque não depende de privilégios ou circunstâncias externas.
Tudo o que ela exige são algumas mudanças de mentalidade, truques ambientais e técnicas para nos encorajar a gostar mais do que fazemos.
Esse é o verdadeiro segredo da produtividade: se você aprender a aproveitar a jornada, a ter divertido durante o processo, a produtividade se resolve por si mesma.
A seguir, compartilharei cinco técnicas que me foram muito úteis para aproveitar mais a jornada.
5 Dicas para Transformar o Trabalho em Diversão e Turbinar Sua Produtividade
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Mudança de Mentalidade: “Isso Vai Ser Divertido!”
Sempre que me sinto estressado, desmotivado ou improdutivo, geralmente é porque esqueci de me divertir.
Há uma frase que diz para abordarmos as coisas com sinceridade, não com seriedade. É como jogar: ninguém se diverte com alguém que leva o jogo a sério demais.
Quando me lembro de me divertir, mudo para a abordagem sincera. Ainda darei o meu melhor, mas reconheço que é um jogo e tento me divertir.
Tenho até um bilhete adesivo no meu monitor que diz: “Isso vai ser divertido!” É um lembrete constante de que posso tratar o trabalho como um jogo e me divertir no processo.
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Transforme em um Jogo (Gamificação)
A gamificação, embora tenha sido uma palavra da moda corporativa, é uma ferramenta poderosa.
Nos meus estudos, por exemplo, eu transformava as revisões em um jogo. Anotava as matérias e as coloria: vermelho para o que eu mal sabia, amarelo para o que estava melhorando, e verde para o que eu dominava.
Ver a caixinha ficar verde era uma recompensa e tornava o estudo muito mais divertido e eficaz.
Buscar essa “vitória” no jogo do aprendizado me ajudou a ter um desempenho excelente.
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Traga Outros para a Bordo: Faça as Coisas com Amigos
Certa vez, tive um projeto de faculdade que envolvia analisar dados de 2.000 prontuários médicos – um trabalho incrivelmente chato e repetitivo.
Tentei fazer sozinho e percebi que era impossível. Então, recrutei alguns amigos.
Dividimos a carga, pedimos pizza, ouvimos música e, em uma única noite, concluímos tudo.
Não só foi divertido, como o trabalho foi publicado e até me levou a uma conferência em Singapura!
Fazer as coisas com outras pessoas, sejam estudos ou projetos, torna tudo mais leve e prazeroso.
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Prepare o Cenário: Crie um Ambiente Agradável
Pense nos seus materiais e no seu ambiente. Ter uma caneca bonita, um bom computador, ou mesmo um arranjo estético de livros e uma planta na sua mesa, tudo isso contribui para um espaço que te faz sentir bem.
Quando o ambiente apela aos seus sentidos, o que você faz nele automaticamente se torna mais agradável.
Adoro trabalhar com uma playlist de músicas instrumentais de filmes épicos. Embora a ciência diga que música pode reduzir um pouco o foco, a diversão extra que ela proporciona compensa qualquer pequena perda de produtividade.
Um ambiente agradável e divertido te deixará mais produtivo “magicamente”.
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Pergunte a Si Mesmo: Estou Trabalhando nas Coisas Certas?
Por mais que nos esforcemos para tornar as tarefas divertidas, precisamos nos perguntar: estamos realmente trabalhando nas coisas certas?
Se o seu trabalho parecer ultimamente sem sentido, por mais que você tente hackear a diversão, a falta de propósito acabará te corroendo.
Não faz sentido dirigir a 160 km/h se você está na direção errada. Não adianta subir uma escada se ela está apoiada na parede errada.
Encontrar o que é significativo para você é crucial para a produtividade e a satisfação a longo prazo.
Encontrar o que é significativo não é fácil, e não há uma resposta única.
Contudo, há muitos exercícios de reflexão que podem ajudar a descobrir o que te impulsiona e dá propósito ao seu trabalho.
Fazer com que o que você faz tenha um propósito é um dos maiores contribuidores para a produtividade e o prazer na vida.


