Ser “Bonzinho” Demais Pode Estar te Impedindo de Vencer na Vida: A Força do Caráter Genuíno
Você é aquele cara que se esforça para ser sempre solícito, trata todos com respeito (especialmente as mulheres, valorizando o tempo e espaço delas), é um profissional exemplar, não entra em fofocas e não manipula ninguém no trabalho. Parece o perfil ideal, certo?
Ainda assim, o que você vê? Aquele sujeito que talvez nem seja tão virtuoso, mas consegue a parceira dos sonhos, uma promoção e o respeito de todos ao redor. Você sempre acreditou que gentileza e ser agradável seriam suas maiores qualidades, o que o destacaria e o levaria ao sucesso. Mas e se isso não for verdade?
A psicologia moderna, através de figuras como o renomado professor Jordan Peterson, autor de “12 Regras para a Vida”, sugere que buscar ser excessivamente agradável pode, na verdade, estar limitando seu potencial para uma vida mais gratificante.
Peterson descreve um espectro de “agradabilidade”. Em um extremo, temos o arquétipo do cuidador, que abdica da própria vida para atender às necessidades alheias. No outro, o “fora-da-lei”, que desdenha das regras e usa a força para manipular.
É claro que não se trata de se tornar um manipulador, pois esse caminho também traz suas próprias dificuldades. Mas, se você se encontra no lado mais “agradável” desse espectro, pode estar sendo explorado, e é justamente disso que precisamos estar cientes.
A Sombra Humana e a Verdadeira Força
Dentro de cada um de nós residem ambos os extremos. Como bem apontou Carl Jung, a linha que divide o bem do mal atravessa o coração de cada ser humano. Talvez por isso sejamos tão fascinados por personagens “vilões” no cinema e até simpatizemos com eles. Consciente, você pode não se identificar, mas segundo Jung, todos possuem uma “sombra humana”.
Essa sombra é o lado oculto da nossa personalidade, composta por emoções e impulsos primitivos que frequentemente são negados ou socialmente desaprovados. E é essa parte em nós que encontra ressonância nos vilões.
Nossa consciência nos diz que um ser de moral superior é alguém bondoso, incapaz de qualquer crueldade – beirando a ingenuidade. Mas, no fundo, sabemos que essa pureza é inviável na realidade.
Pessoas que são completamente “inofensivas” muitas vezes se tornam vítimas daqueles que não são.
Um gato inofensivo, por exemplo, não é um símbolo de força de caráter. Ele é incapaz de grandes maldades. Sua “bondade” não é uma escolha, mas sim uma ausência de outra opção. Ele só sabe ser “bonzinho”.
Agora, pense em um leão que protege sua família. Ele tem a capacidade de fugir, de abandonar, mas escolhe ficar e lutar. É na capacidade de escolher – mesmo podendo fazer o mal, optar pelo bem – que reside a verdadeira força de caráter.
Por Que Nos Tornamos “Gatinhos Inofensivos”?
Então, por que tantos de nós crescemos e, em vez de nos tornarmos leões, nos transformamos em gatinhos inofensivos? Desde a infância, quando nos esforçávamos e fazíamos o certo, nossos pais e professores garantiam que recebêssemos o que merecíamos. Se algo parecia injusto, eles corrigiam.
O problema é que, como adultos, continuamos a acreditar inconscientemente que haverá um poder superior para garantir que a vida seja boa conosco, se formos boas pessoas.
Mas o mundo real não funciona assim. Ele se importa apenas com o que pode obter de você.
Quando um problema surge, ser “bonzinho” não o resolverá magicamente. Você terá que agir. Não haverá mais pais ou terceiros para fazer isso por você.
Ou você resolve o conflito, ou o evita e espera que se resolva sozinho. A questão é que, no longo prazo, muitos problemas não se resolvem por si só. Haverá situações em que você precisará se impor.
Como Se Impor Sem Se Tornar um “Idiota”?
Como então se tornar uma pessoa mais desejável socialmente e ainda assim conquistar o que deseja? Como se impor sem se tornar o “idiota” que tanto detesta? Aqui estão três dicas essenciais:
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Expresse o Que Você Quer e Pensa
Diga ao mundo o que você pensa e o que deseja. Pessoas excessivamente “agradáveis” frequentemente escondem seus anseios, muitas vezes de si mesmos.
Esforce-se para saber sempre o que quer, independentemente da opinião alheia.
Em muitas situações, seus pensamentos podem ser “desagradáveis” para outros, mas há uma grande chance de que você também esteja dizendo a verdade. E é dizendo sempre a verdade que você fortalece seu caráter e, com isso, ganha o respeito dos outros.
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Aprenda a Negociar
Pessoas que colocam os outros em primeiro lugar quase sempre saem perdendo em negociações.
E aqui, negociar não se resume apenas a comprar ou vender; trata-se também de construir uma carreira sólida ou estabelecer um relacionamento significativo com alguém atraente.
Os “bonzinhos” estão acostumados a aceitar o que os outros querem em detrimento de si próprios. Isso pode parecer uma característica nobre, mas gera muito ressentimento quando o oportunista do outro lado consegue tudo às suas custas.
Aprenda a negociar buscando soluções onde ambos os lados saiam ganhando. Pare de ser explorado por malandros.
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Interesse-se por Pontos de Vista Diferentes
É incrivelmente útil se interessar pelas visões de mundo de pessoas que pensam de forma completamente diferente da sua. Primeiro, porque elas podem ter conhecimentos que você não possui.
Além disso, elas enxergam o mundo de maneiras que você nunca considerou e possuem habilidades que você pode desenvolver.
Por exemplo, se você é mais introvertido, observe como um extrovertido age. Você pode aprender novos comportamentos e formas de lidar com problemas que não são naturais para você, usando-os para aprimorar suas interações e o manejo das situações diárias.
O Jogo do Equilíbrio
Em suma, a vida é um eterno jogo de equilíbrio de forças. Pessoas que são naturalmente menos cooperativas podem ser socializadas para se tornarem indivíduos íntegros, capazes de lidar com o estresse.
Da mesma forma, aqueles naturalmente mais “passivos” ou “bonzinhos”, ao desenvolverem sua assertividade, podem se transformar em um modelo ideal de pessoa. Eles conseguirão usar o bem para fazer o bem, e não para serem marionetes de quem age de má-fé.
Trata-se de ser “mal” o suficiente para saber como cometer grandes crueldades, mas “bom” o bastante para escolher não fazê-las.
Não seja tão doce a ponto de ser engolido, mas também não tão amargo a ponto de ser cuspido.
Não seja o gatinho inofensivo que não tem escolha e precisa ser “bonzinho”. Prefira ser o leão que carrega em si o peso de poder decidir entre ser bom e ser “mau”, e mesmo assim, escolhe ser bom.


