Maestria e Aprendizado Profundo: Superando Desafios e Dominando o Impossível

Tempo de leitura: 31 min

Escrito por Tiago Mattos
em julho 1, 2025

Maestria e Aprendizado Profundo: Superando Desafios e Dominando o Impossível

Desvendando a Maestria: Como Superar Desafios e Dominar o que Parece Impossível

Você já se pegou diante de um desafio complexo, sentindo que aprender algo difícil é uma jornada árdua e cheia de obstáculos?

Se a resposta é sim, este texto é para você.

Nosso objetivo é ajudar a aprimorar seu aprendizado, e a pergunta inicial é simples: o que você pode fazer para aprender melhor?

Uma dica valiosa vem do próprio Thomas Edison, que dizia que para alcançar qualquer coisa que realmente valha a pena na vida, são necessários três itens: trabalho duro, persistência e bom senso.

Como aplicar essa sabedoria à nossa metodologia de aprendizado?

Muitos buscam aprimorar uma habilidade, seja manual ou intelectual.

Talvez você queira tocar um instrumento musical, aprender um novo idioma, melhorar sua eloquência, crescer na carreira profissional, montar sua própria empresa, ou simplesmente encontrar o caminho para finalizar o que começou e ainda não obteve o resultado desejado.

Para aprender algo de natureza difícil, perceba que não basta ser talentoso, ou ser considerado um gênio por familiares.

O mundo está repleto de pessoas talentosas, até geniais, que desperdiçam seu potencial, desistem rapidamente dos objetivos e, depois, ficam frustrados por não alcançar os resultados esperados.

De que adianta ter todo esse potencial e genialidade se não temos a dedicação e a persistência, que são indispensáveis para alcançar a maestria?

Por favor, anote isso: maestria.

Esta conversa não é para aprender as coisas apenas na superfície. Repito: é para quem tem interesse em aprofundar seu aprendizado.

É muito simples aprender as coisas rapidamente para ter, por exemplo, as habilidades mínimas para se comunicar em um idioma estrangeiro quando você faz uma viagem.

É fácil revisar um conteúdo para ter uma boa nota em uma prova.

Mas se você quer aumentar a profundidade do seu aprendizado, o caminho é diferente. É isso que chamamos de maestria.

Por isso, com responsabilidade, pare um pouco, reflita e faça uma escolha: qual é a sua prioridade?

Aprender mais rápido ou tornar-se um mestre naquele assunto, naquela área específica?

E quando falamos “mestre”, não nos referimos a um diploma ou a um personagem místico, mas sim a alguém que possui um conhecimento e uma habilidade profunda e notável em uma área específica.

Se seu objetivo é mais velocidade, se você quer aprender algo mais rápido por ter um prazo curto, então o caminho é outro.

Mas, reforçamos mais uma vez, o caminho da maestria é diferente.

Ele exigirá mais tempo.

A profundidade no processo, no caminho da maestria, é resultado da paciência para enfrentar um preparo de longo prazo, de anos, talvez décadas.

Não podemos falar de maestria sem fazer referência ao importante trabalho de George Leonard.

Ele acredita que podemos alcançar um grau de maestria – esse nível de habilidade e excelência – enquanto temos muita satisfação percorrendo este caminho muito longo.

O Que é Maestria?

Maestria é um processo misterioso, onde aquilo que no começo era difícil acaba se tornando cada vez mais fácil e mais prazeroso conforme praticamos.

É o oposto daquela mentalidade de busca por soluções rápidas.

As grandes jornadas possuem muitos obstáculos no meio do caminho. Esses obstáculos podem assustar a pessoa que apenas quer resultados imediatos; é o tipo de pessoa que geralmente desiste logo no começo.

Imagine, por exemplo, as primeiras aulas de tênis. Você é apresentado a exercícios que parecem não ter nenhum sentido: em vez de já começar a jogar, você aprende a segurar a raquete, bate a bolinha no chão, na parede, corrige o ângulo da inclinação da raquete.

Não faz muito sentido imediato.

Para alcançarmos maestria, é necessário continuar praticando, mesmo sem, no começo, encontrar algum progresso visível.

Você precisa aprender a segurar a raquete antes mesmo de ter outra pessoa do seu lado jogando uma disputa com você.

Isso é o que chamamos de praticar pelo prazer da prática.

Você precisará controlar suas expectativas para não passar por frustrações.

O processo de aprendizado exige o uso do nosso sistema cognitivo. A prática deliberada é fundamental.

Essa prática é difícil, cansativa, porque se está muito fácil, você não está se esforçando o suficiente.

O motivo dessa canseira toda é que não é fácil mudarmos nossos hábitos automáticos.

Na prática deliberada, você está, de certa maneira, remando contra a corrente. Isso é o que chamamos de prática para a competência consciente.

Você está usando sua consciência para alcançar aquele nível de performance. Você atinge o resultado, porém usando muito do seu esforço mental e cognitivo.

Uma competência consciente é quando você se dedica a fazer uma mudança nos seus hábitos para ter um verdadeiro aprendizado que acontece naturalmente.

As coisas vão se tornando mais fáceis no momento em que você consegue mudar o comportamento sem realizar o mesmo tipo de esforço anterior.

Significa que você já não está mais usando todo aquele potencial enorme de cognição e esforço, e você pode se parabenizar, porque está alcançando a competência inconsciente.

No aprendizado, existem picos de grande avanço e uma pequena retração para a internalização.

Depois, chega um longo platô, sem nenhuma mudança significativa, até que vem um novo pico de aprendizado.

Os platôs fazem parte do caminho. Não existe nenhum aprendizado que é apenas um pico constante.

O segredo é ter a consciência para entender o que está acontecendo e ficar no platô o tempo suficiente para chegar ao próximo pico de aprendizado, sem desistir no meio do caminho.

É justamente pela dificuldade de manter essa consistência durante o platô, especialmente, que pouquíssimas pessoas realmente avançam neste caminho da maestria.

Vamos explicar juntos os diferentes tipos de comportamentos padrão das pessoas que têm dificuldade com esse caminho de superação do platô para chegar até o próximo pico de aprendizado.

Os Desafios do Platô: Conheça os Perfis que o Impedem de Avançar

Essas são caricaturas para ajudar seu entendimento, pois na vida, as coisas são muito mais complexas.

Você pode ser acomodado no trabalho, mas obsessivo no amor.

Contudo, como regra geral, as pessoas que não alcançam a maestria geralmente se identificam mais com um desses perfis.

  1. O Fogo de Palha: É aquele que adora novidades.

    Seu entusiasmo é enorme ao se matricular em um curso novo, comprando materiais e fantasiando sobre como será a vida com as habilidades desejadas.

    Apesar de toda essa euforia, ou até mesmo por causa dela, quando a primeira emoção do pico de aprendizado acaba – pois no início, não se sabe nada, e a primeira lição naturalmente abre muitas portas, gerando uma sensação de crescimento –, vem o primeiro platô.

    A pessoa se decepciona, fica indignada, achando que não era para aquilo que se inscreveu, que esperava algo diferente.

    O entusiasmo evapora.

    O fogo de palha, que queima rápido e desaparece, deixa de assistir às aulas, abandona tudo e, pior, começa a inventar desculpas para justificar a falta de dedicação.

    Essa mentalidade de fogo de palha pode surgir em qualquer dimensão da vida: na carreira (a pessoa que vive trocando de emprego, animada no começo, mas em semanas já está buscando outra coisa), nos relacionamentos (o fogo inicial se apaga, e ele busca novas oportunidades), na faculdade (começa entusiasmado, mas desiste ao ver que não é tão simples).

    A fraqueza desse perfil é que ele se empolga muito rápido, mas simplesmente não consegue aceitar os platôs de aprendizado, desistindo rapidamente das coisas.

    Carl Jung diria que este é o “puer aeternus”, a criança eterna, o adulto que ainda não alcançou o estado de maturidade.

  2. O Obsessivo: Este perfil não aceita segundas opções ou o segundo lugar.

    Como o próprio nome diz, ele deseja resultados perfeitos, quer fazer tudo certinho logo na primeira lição.

    É aquele que, após a aula, incomoda o professor pedindo mais dicas para melhorar. De um lado, isso é muito bom, mas ele demonstra um aspecto de ansiedade.

    O pico de aprendizado é normal para ele, afinal, ele se esforça muito.

    Mas quando entra no primeiro platô, ele acha isso inaceitável.

    Ele pensa que está fazendo algo errado, duplica e triplica os esforços, passa noites em claro procurando maneiras de acelerar, de encontrar atalhos.

    No trabalho, é o diretor que um momento está contente, elogia a equipe, e no outro, está de mau humor.

    Nos relacionamentos, ele quer levar a pessoa amada às estrelas, fazer algo de filme, e não consegue tolerar momentos mais normais.

    Na busca por boa forma, ele faz a dieta perfeita, não come nada, quase desmaia na academia.

    Tem resultados rápidos, perde quilos, mas na semana seguinte não aguenta mais, está destruído, e aí começa a ter raiva, desiste da dieta e dos exercícios, e acaba engordando mais do que antes.

    A fraqueza do perfil obsessivo é que, embora tenha vontade, não aceita os platôs de aprendizado.

    Ele quer inflar as coisas, acelerar artificialmente.

    A vida para ele é uma montanha-russa, com picos intensos de crescimento e fortes quedas, às vezes ficando pior do que no começo.

    Ele frustra muito a si próprio e as pessoas ao redor.

  3. O Acomodado: Ele possui um grande potencial, mas não aplica os esforços necessários para continuar na jornada da maestria.

    O acomodado sobe um pouco, vê o primeiro pico de aprendizado, chega no platô e pensa: “Aqui está bom”.

    Ele não continua se esforçando, faz o mínimo necessário.

    No trabalho, sempre busca conforto e estabilidade.

    Nos relacionamentos, no momento em que consegue o casamento, pensa: “Agora vou ficar sossegado, não preciso fazer mais nada”.

    Não vê o casamento como uma oportunidade de crescer junto com a pessoa, mas sim como o momento de não se preocupar mais em ficar sozinho.

    No aprendizado, o acomodado faz o mínimo necessário.

    Sua mentalidade é: “Quanto preciso tirar para não ser reprovado?”.

    Se tira uma nota maior do que o necessário, pensa: “Poxa, acabei estudando mais do que precisava”.

    Ele não mobiliza os recursos necessários para uma vida adulta em que, fora da escola, não há mais a questão de tirar a nota mínima para a professora não ficar brava.

    É uma pessoa que, infelizmente, tem uma tendência a viver uma vida estagnada.

    A fraqueza desse perfil é que ele sofre com um exagero no conformismo do platô.

    Enquanto o fogo de palha e o obsessivo ficam inquietos com o platô, o acomodado se sente confortável e não possui os recursos para continuar progredindo para o próximo pico de crescimento.

Seus Comportamentos Podem Ser Modificados: O Segredo Está na Escolha

Em quais momentos da sua vida você se comporta como um fogo de palha, um obsessivo ou um acomodado?

É muito importante realizar anotações no seu caderno. Fazer de cabeça é um pouco caótico; é mais interessante organizar a estrutura dos seus pensamentos colocando-os por escrito.

Você precisa pensar, participar ativamente, caso contrário, este material não mudará nada na sua vida.

Comportamentos podem ser modificados. Comportamentos são escolhas.

Podemos mudar o comportamento a qualquer instante, basta querer de verdade.

Existem processos que facilitam a mudança.

É uma boa prática reservar parte do seu orçamento anual para desenvolver sua pessoa, investir no seu desenvolvimento realizando treinamentos, comprando livros, fazendo cursos, participando de eventos que estimulem seu autoconhecimento e seu crescimento.

Dessa maneira, você se protegerá contra um grande problema que temos hoje: a sociedade do imediatismo.

Este é um ambiente que prejudica cada vez mais a possibilidade de qualquer indivíduo atingir o nível de maestria.

Veja, não é culpa nossa sentir toda essa dificuldade para lidar com os platôs.

No entanto, é nossa responsabilidade assumir o controle.

Para isso, temos que entender quais são as forças que nos afastam do caminho da maestria.

A Batalha Contra a Maestria: O Impacto da Sociedade do Imediatismo

Vivemos hoje em uma sociedade consumista.

Nossos valores são diferentes de modelos antigos de sociedade que valorizavam mais a sabedoria dos membros mais velhos da família, da tribo, do vilarejo.

Com isso, perdemos muito da antiga noção de relação entre mestre e aprendiz, do valor da sabedoria e do conhecimento.

O modelo capitalista que gira a economia mundial possibilitou grandes progressos e invenções notáveis.

Ao mesmo tempo, precisamos entender que o modelo de hoje é estruturado e fundamentado no consumo de massa.

É muito fácil, hoje, abrir uma conta em um banco, ter cheque especial, cartão de crédito, muito mais simples do que décadas atrás.

Ir ao shopping para fazer compras no fim de semana era impensável antigamente. Veja como a sociedade está cada vez mais modelada para fazer você gastar dinheiro.

O marketing que promove o consumo é baseado em nossos desejos de resultados imediatos.

É natural querer acompanhar a última moda, fazer parte de grupos bacanas e exclusivos, estar dentro das tendências, ter o último brinquedinho eletrônico, roupa, ou experimentar o restaurante novo.

Tudo isso nos leva ao caminho do consumo ilimitado, que não tem fim.

Nesse modelo, as agências de publicidade, pagas pelas empresas para aumentar as vendas e o lucro, têm um poder de influência muito grande nos nossos valores atuais.

A mídia propaga o medo, mostra vantagens de produtos de consumo, falando diretamente às nossas emoções.

Promovem o hedonismo, o “oba-oba”, a sensação de bem-estar através de objetos. “Está triste? Compre isso, você ficará super feliz”.

Até o programa mais simples da televisão é financiado por comerciais. Tudo hoje é estruturado para incentivar o gasto de dinheiro.

Filmes de Hollywood, jornais televisivos (principalmente os banalizados), reality shows – o objetivo não é necessariamente te orientar ou informar.

O objetivo é vender, e para vender, precisam de notícias que chamem a atenção.

O objetivo é conseguir sua atenção para oferecer coisas para você comprar.

O papel desses canais de comunicação é conseguir a atenção das pessoas.

Claro, podemos encontrar na mídia ótimos exemplos de programas e atrações que promovem cultura e aprendizado.

A crítica é ao lado indesejado de “besteirol”, do “faz de conta”, da coisa exagerada, da narrativa do “vale tudo para ter prazer”, da vitória fácil a qualquer custo, do aprendizado sem esforço.

Essa cultura de solução rápida se espalha por todo lugar, como uma epidemia.

Você vai encontrar tudo que é para resolver problemas de maneira instantânea, que não tratam a causa da doença, mas apenas os sintomas.

“Está com problema de dinheiro? Venha para cá, temos um esquema maravilhoso.” “Está com sobrepeso? Temos um shake milagroso, em uma semana você perderá 50 quilos.”

Alguém pode perguntar: “Qual o problema se a pessoa toma o shake e perde peso?”.

O problema é que a base do problema não está sendo enfrentada – no caso, a falta de informação sobre boas escolhas alimentares.

A pessoa toma o shake, perde peso e, logo em seguida, como não modificou os hábitos alimentares, rapidamente volta tudo com consequências desastrosas.

O efeito rebote piora ainda mais, alimentando o platô.

Amando o Platô: A Verdadeira Essência da Jornada

O que precisamos fazer para sobreviver em um ambiente desses?

Temos que aproveitar o caminho, não ficar apenas esperando o destino final.

Queremos viver a vida como um processo interessante a cada momento, não apenas como um meio, uma inconveniência para atingir algo.

Existem crianças que entram na escola com o objetivo de serem as melhores da sala, do colégio, para abrir portas para a faculdade, e depois trabalhar bem para ganhar dinheiro, e finalmente comprar casa, carro importado.

Tudo está em algum dia no futuro, na promessa de felicidade.

Isso significa que todo o caminho é uma grande agonia, uma grande tristeza; é tudo um meio para chegar até o fim.

O fim está sempre 5 metros à frente, e você tem que continuar, e nunca chega.

O momento presente, nesse tipo de filosofia, não tem valor por si mesmo.

Vamos pensar de maneira diferente: a boa vida, a vida da maestria, é a vida fundamentalmente vivida no platô.

Repare como este novo conceito traz uma realização muito maior.

É importante ter um objetivo, claro que sim, mas ao mesmo tempo em que aproveito a vida do platô, também tenho um olhar adiante.

Tenho meus planos, meus objetivos, vontade de fazer acontecer. O lema é “melhorando sempre”.

Ao mesmo tempo, também temos a consciência de que o objetivo não existe no aqui e agora.

O objetivo é uma ilusão, faz parte de um futuro possível, um futuro imaginado, um futuro idealizado.

O futuro não existe. O futuro é uma ilusão, uma expectativa, uma história que eu criei.

A única coisa que existe, que é real, é o agora, o agora eterno. A prática, o caminho da maestria, apenas existe no presente.

Você pode ver, pode sentir, pode cheirar. Amar o platô é amar o agora.

Você pode continuar gostando de experimentar um novo pico de crescimento, e então comemora: “Finalmente consegui aquilo que eu queria! Veja a nova habilidade que desenvolvi, os frutos dessa realização!”.

Ao mesmo tempo que temos esses momentos de comemoração com os picos de crescimento e as novas conquistas, também teremos o equilíbrio com a serenidade para aceitar o próximo platô que aguarda, naturalmente, depois desse pico.

Este é um ensinamento muito importante.

Guardar todo este questionamento com muito carinho e, de tempos em tempos, fazer uma revisão das suas anotações é crucial.

Quando você notar que está aborrecido com alguma coisa que não deu certo, tire a “cara de bravo”, perceba que é apenas um platô.

Muito bem, tranquilo, bola para frente! E aí, continuamos nossa programação normal, aproveitando o caminho.

O que não podemos fazer é parar. Temos que ter a consciência do que está acontecendo e que o risco é desistir.

As 5 Chaves Essenciais para a Maestria

Entrego agora cinco chaves essenciais para a maestria: número um, instrução; número dois, prática; número três, entrega; número quatro, visualização; e número cinco, limite.

  1. Instrução

    É necessário ter em mente que encontrar um bom instrutor é uma das maneiras de atingir a maestria.

    Claro que habilidades podem ser alcançadas com um processo autodidata, e é muito bom. Hoje temos várias ferramentas que nos entregam os recursos para isso.

    Existem muitas vantagens em ser autodidata, mas há momentos em que o autodidata “reinventa a roda”, trabalhando muito tempo em um conceito que, se houvesse um mestre, um tutor, um colega compartilhando informações, poderia acelerar o processo.

    A instrução pode vir de diferentes caminhos: livros, documentários, programas de computador, colegas, talvez até uma música que inspire.

    Mas, de todas essas fontes, a figura do professor, o mestre, continua sendo uma opção extremamente vantajosa, prática e efetiva que acelera seus resultados.

    Como tudo na vida, há bons professores e aqueles que não são tão bons.

    O professor menos adequado geralmente tem uma cabeça já formada, uma teoria pronta, é aquele profissional que se “isolou na torre de marfim” com outros acadêmicos, achando que sabem a resposta para tudo e que todos precisam fazer exatamente do jeito que eles mandam.

    Na verdade, é até uma questão de ego, ele quer defender sua escola, fazer com que outros sigam necessariamente o mesmo caminho, a fórmula que ele diz que funciona muito bem para ele.

    O problema é que ele ignora que cada pessoa é única.

    Aqui entra o bom professor: aquele que respeita a individualidade de cada pessoa, que leva em conta o contexto, os valores, as prioridades e as preferências de cada um.

    Este é um dos motivos pelos quais sempre incluímos materiais de reflexão e autoconhecimento.

    Como encontrar esse bom professor? Uma dica simples, mas não completa, é analisar a linhagem: qual é o instrutor do seu instrutor, quais instituições de ensino ele frequentou, quais são suas credenciais.

    Veja também o que está acontecendo com os estudantes desse instrutor, pois os alunos são a prova de um trabalho bem feito.

    Contudo, isso é uma heurística, um atalho para chegar a uma conclusão, e pode enganar. Mesmo na melhor instituição, existem péssimos profissionais.

    Uma segunda dica, que consideramos superior, é usar seu próprio cérebro: você precisa experimentar, assistir a uma aula e fazer seu próprio julgamento.

    Sua avaliação é a mais importante de todas. Use essa aula teste, essa amostra, para ver se vale a pena.

    As ideias precisam ser claras, fazer sentido para você, para que possa implementar.

    Não importa se o professor fala bonito, ou tem sotaque, ou fala rápido ou devagar. O importante são as ideias.

    Elas devem ser apresentadas de maneira que você possa absorver e, não apenas passivamente, mas implementar.

    Um bom professor lhe dará informações e também apresentará perguntas, estimulando-o a raciocinar por conta própria, ajudando-o em sua própria construção.

    Se você fica apenas no modo passivo, não há aprendizado. Você pode assistir à aula mais eloquente de todas, mas se ela não o inspira a agir, não tem valor.

    Você precisa colocar a informação em prática no seu contexto para resolver seus problemas.

    Você deve ver seus problemas sendo resolvidos, colocar o que está recebendo em situações que possa pensar de maneira diferente, raciocinar com maior qualidade e encontrar melhores soluções.

    Observe como o instrutor se comporta também na sala de aula, interagindo com os estudantes.

    É importante que você tenha um professor, um mestre, que possua uma metodologia adequada.

    Geralmente, um bom instrutor mantém uma relação de 50% de críticas (para melhorar) e 50% de reconhecimento dos acertos.

    Em vez de apenas dizer “você errou aqui”, ele também aponta: “Isso que você fez está bom, isso aqui está excelente. Parabéns, isso é muito valioso, repita sempre que possível”.

    O bom professor equilibra apontar erros e acertos.

    Observe também a dinâmica e a interação entre os estudantes na sala de aula.

    Você quer ser um aluno que faz parte de uma sala de um professor que consegue criar uma boa dinâmica.

    Alguns professores têm um conhecimento maravilhoso, mas se distraem e deixam que poucos alunos sejam os “queridinhos” da sala.

    O bom professor sabe dizer: “Fulano, queria saber a sua opinião”, conseguindo acender a luz de todos os alunos.

    Isso é muito importante, um cuidado especial do instrutor.

    Mais um conselho: principalmente se você recebe elogios das pessoas ao redor dizendo que tem muito talento, que é genial, cuidado.

    O aluno talentoso aprende muito rápido, mas se não percebe pequenos detalhes iniciais, pode ignorar alguns princípios básicos.

    Ele até pode acertar seguindo algumas heurísticas, mas se sua base não estiver forte, o estudante mais lento, que revisa os princípios da teoria, é o que progredirá mais.

    Nem sempre o mais talentoso ou o melhor aluno tem o melhor resultado final. É como a história da lebre e da tartaruga.

    Muitas vezes, aqueles que demonstram talento excepcional sentem dificuldades em prosseguir na maestria.

    Nem sempre o estressado obsessivo, que quer ver resultados de uma hora para outra, é o que terá o melhor resultado no final das contas.

    Isso nos lembra uma parábola interessante do mestre Zen Shunryu Suzuki: Existem diferentes tipos de cavalo: os excelentes, os bons, os fracos e os ruins.

    Dizem que o cavalo excelente é aquele em que o cavaleiro nem precisa chicotear, o cavalo já sai correndo automaticamente.

    O cavalo bom corre um pouquinho antes do chicote acertar, para se motivar.

    O cavalo fraco corre só depois de sentir a dor acertando a pele.

    E o cavalo ruim só corre depois de apanhar muito, de sentir a dor nos ossos.

    Seguindo essa classificação, podemos olhar e falar: “Poxa, nessa analogia, eu quero ser o cavalo excelente, quero avançar muito rápido sem passar por um processo doloroso”.

    Mas essa é uma ilusão, porque quando temos todas essas vantagens sem esse processo, não estamos vivendo o que é a prática do esforço.

    Repare no paradoxo: o melhor cavalo de todos pode ser o pior, e o pior pode ser o melhor. O que diferencia um do outro é a experiência da dor.

    O melhor cavalo nunca sentiu o processo doloroso e, portanto, está faltando algo para ele.

    Continuando, falando de fontes de conhecimento e aprendizado, vídeos e audiolivros têm um poder transformador importante.

    Mantenha sua autoaprendizagem, principalmente sem um tutor presencial. Explore os materiais de forma autodidata com um olhar muito crítico.

    É fundamental que você pare e faça sua reflexão. Não é bom consumir conteúdo diretamente sem ter um olhar crítico.

    Em conteúdos exclusivos que oferecemos, buscamos muita interação, com perguntas para que você reflita e realize a atividade, pois o segredo está aí: na transformação.

    Se não existe transformação, não existe aprendizado. Transformação de vida é superior à teoria entendida.

    Muitas vezes, você pensa: “Ah, tá bom, isso eu já sei”, mas saber não significa que está colocando em prática.

    O que você precisa é um caminho, um facilitador para colocar em prática aquilo que já sabe. Apenas a teoria entendida tem pouquíssimo valor.

    Além dos livros, vídeos e áudios, vamos valorizar a figura do professor.

    Se você tem acesso a um professor qualificado, possui um grande diferencial e deve ter muita gratidão.

    Se não tem um professor adequado, o que pode fazer? Reflita: talvez precise procurar o professor ideal para você, muitas vezes em outra escola, até encontrar a maneira ideal de lidar com aquele professor.

    É necessário que exista uma proximidade com seu professor para que ocorra um processo chamado de entrega, que faz parte da jornada da maestria.

    Falaremos sobre isso em breve.

    No entanto, ao mesmo tempo que é fundamental essa conexão com o professor, é essencial também ter um distanciamento respeitoso.

    Se você não tem isso, cuidado, pois pode perder a visão crítica e, em vez de aluno, acabar se tornando um discípulo.

    Recomenda-se muita cautela quando você encontra um professor que tem discípulos.

    Isso começa a entrar na área cinzenta da manipulação, da pessoa que quer fazer uma “lavagem cerebral” e converter você e outros em autômatos, zumbis que repetem sem ter uma visão crítica.

    Isso é muito perigoso e existe muito por aí.

    De repente, você está em um evento com pessoas berrando, luzes piscando, tudo obviamente arquitetado para manipular.

    Eles têm uma agenda muito clara de converter discípulos para que a agenda deles seja concluída.

    Então, cuidado, não seja um discípulo. Pense por conta própria.

    É a causa da perdição de muitas pessoas. Você deve conhecer quem perdeu não apenas bens pessoais, mas também os da família, porque se tornou discípulo de algum golpe, de alguém que veio com uma conversa mole…

    …e de repente se aventurou em negócios que não entendia, realizou dietas milagrosas e teve problemas de saúde.

    São alunos que se tornaram obsessivos, discípulos de uma única escola de pensamento, perderam a visão crítica.

    É muito importante manter sua visão crítica hoje, ser capaz de separar as coisas.

    É importante ter a capacidade de entender uma filosofia ao mesmo tempo que entende outras filosofias. Não queremos ser radicais, dizendo “essa é a única verdade”.

    Cuidado com isso. Queremos ter a capacidade de entender diferentes perspectivas e buscar nossas decisões independentes e conscientes.

  2. Prática

    Nos esportes, vemos inúmeros exemplos de campeões que treinaram incansavelmente para alcançar a maestria.

    A prática não é uma atividade restrita aos esportes; é qualquer coisa que realizamos todo dia em nossas vidas.

    O médico pratica medicina, o advogado pratica direito. O que você pratica?

    O que você está buscando aprender que é tão difícil?

    A prática do mestre reconhece as recompensas encontradas durante o caminho, mas elas não são o único motivo da jornada.

    Lembramos que amamos o platô; não o vemos como um obstáculo indesejado para chegar naquele futuro, que é uma ilusão onde finalmente estará o “pote dourado da felicidade”.

    Imagine um caminho mágico onde a cada metro que você percorre, um metro a mais, ou dois metros a mais, aparecem à sua frente.

    É uma imagem que captura muito bem o conceito de maestria: quanto mais você avança, mais você percebe que há muito chão adiante.

    Para a maioria de nós, esse conceito é estranho, pois podemos nos perguntar: “Por que vou iniciar uma jornada sabendo que o destino ficará cada vez mais longe conforme eu percorro?”.

    Não faz sentido para quem está vivendo pelo prisma da sociedade direcionada pelo consumismo, pela busca imediata de objetivos.

    Só que os verdadeiros mestres não treinam com o único objetivo de alcançar um determinado ponto ou objetivo. Eles amam a prática.

    Portanto, temos que amar o platô. E daí acontece outro paradoxo: por amar a prática, os mestres se tornam cada vez melhores.

    Quanto melhores ficam, mais amam a prática, e praticam cada vez mais. É uma espiral positiva.

    O “tatame” nas artes marciais é o colchão onde praticam. A dica é: fique no tatame.

    O mestre, como diz o ditado, é aquele que fica no tatame 5 minutos a mais do que qualquer outra pessoa. Isso não é apenas para as artes marciais.

    Maestria é a prática, é manter-se na jornada, é não sentir pena de si mesmo, não ter preguiça, não ficar acomodado, não se fazer de vítima.

    Para tudo isso, temos que gostar daquilo que estamos fazendo. Somente assim teremos a capacidade de ter a paciência para continuar com consistência por muito tempo.

  3. Entrega

    Entrega é a habilidade do mestre em medir sua coragem.

    Quando falamos de entrega, estamos falando que buscaremos apresentar nossa disciplina, atender às exigências do nosso professor nos primeiros estágios do aprendizado.

    É muito comum sentir-se incapaz, desajeitado nas primeiras aulas de um idioma estrangeiro, balbuciar as palavras, não conseguir entender nada.

    A pessoa que não tem vergonha, que não tem aquela timidez de “nossa, estou pagando um mico aqui, estou falando tudo errado”, aquela que vai e fala tudo errado, acaba tendo maior desenvoltura.

    Já a outra pessoa, cheia de medos, protegendo-se atrás do escudo, com medo de falar errado ou com sotaque, muitas vezes acaba tendo maior dificuldade em alcançar a maestria.

    Mais do que apenas estar aberto para a prática, que é algo que já vimos, essa terceira chave da maestria, a entrega, é confiança no mestre.

    Quando o instrutor pede que a gente faça um exercício que aparentemente não tem nexo, não tem sentido, devemos confiar.

    Lembra do filme “Karatê Kid”, clássico dos anos 80? O professor Miyagi pedia ao aluno Daniel San para pintar a cerca, polir o chão, polir os carros, várias atividades que não tinham sentido.

    Daniel San, uma hora, ficava nervoso: “Eu pedi para você me ensinar karatê e você fica me pedindo para limpar seu quintal! Que história é essa?”.

    Nossa sociedade hoje vive um paradigma oposto. Antes, víamos a imagem do aluno como aquele que tinha que insistir muito até ser aceito para um treinamento, e o treinamento era duro.

    Tudo isso era necessário para provar que o aluno estava pronto para receber o caminho da maestria.

    Hoje, a mídia nos empurra a ideia de que existem soluções instantâneas, a pílula mágica, o imediatismo.

    Para o verdadeiro mestre, essa entrega significa que estamos sempre aprendendo.

    George Leonard, autor de um livro importante sobre maestria e mestre faixa preta em Aikidô, conta a história de dois alunos, ambos faixas pretas de karatê, que foram até ele para aprender Aikidô.

    O bom aluno chegava aberto para aprender, sem pré-conceitos, com a cabeça limpa, e aprendeu corretamente as aulas.

    O outro aluno, que não era tão bom, teve dificuldades no aprendizado do Aikidô porque queria aplicar conceitos do karatê no Aikidô, e obviamente isso não funcionava muito bem.

    Às vezes, ao estudar um novo idioma, ficamos pensando em palavras parecidas em outras línguas, o que pode prejudicar o aprendizado.

    É preciso liberar a mente para ficar aberto aos novos aprendizados.

    Veja que todo esse conceito de entrega parece oposto à ideia que enfatizamos: “Cuidado para você não virar um discípulo”.

    Não necessariamente é conflitante, é complementar. Você sempre usará seu bom senso.

    Seu bom senso é o que o orientará quando você está no meio de um processo em que há uma manipulação acontecendo, ou quando você está simplesmente sendo orientado por um bom treinamento.

    Então, você mergulha de cabeça, sabe que dá para confiar no processo, colocou o dedinho na água e agora já sabe que pode mergulhar.

  4. Visualização

    Para George Leonard, as melhores aplicações de alguns golpes em artes marciais acontecem quando o estudante visualiza o resultado final.

    Ele ensina o aluno a imaginar que o dedo fica um pouco mais comprido do que é, e quando aplica o golpe, é como se o dedo estivesse atravessando o adversário.

    Lógico, o dedo não ficará comprido. É uma técnica de visualização para ajudar o direcionamento do golpe.

    Como essa analogia se aplica à nossa vida? Tudo que queremos fazer é imaginar a realidade que estamos construindo.

    Isso é o poder de visualização. Não tem nada de místico, de pedir ao universo ou às fadas.

    Você vai visualizar seu objetivo, fortalecer seu foco, e então fará tudo que é possível para chegar até lá.

    Todo mestre tem um poder de visão muito forte porque praticou o poder da mente para atingir os objetivos, e eles fazem isso visualizando.

    Em materiais dedicados a este processo, é possível encontrar orientações sobre como treinar sua visão em direção aos seus objetivos.

    O contrário também é verdadeiro: não queremos fazer as coisas de qualquer jeito, sem uma intenção específica, sem a visualização dos detalhes.

  5. Limite

    Aqui temos outro conceito paradoxal que parece ir no oposto do que falamos até aqui.

    O mestre que você talvez esteja imaginando parece uma pessoa muito tranquila, serena, que está lá aproveitando cada momento do platô, aquela eterna jornada.

    Só que, ao mesmo tempo, o mestre é aquele que se desafia além do limite, aquele que assume riscos para encontrar uma performance cada vez maior.

    Nesses momentos, você vê o mestre até de certa maneira obcecado nessa busca.

    Ele começa a caminhar no limite, e caminhar no limite é um ato perigoso, um ato que exige equilíbrio, porque temos que entender quando os limites mínimos de segurança estão sendo rompidos.

    Em alguns casos, aquele que deseja chegar realmente na maestria, ele conscientemente cruza esse limite.

    Há um momento em uma competição de triatlo em que Julie Moss, uma atleta, entrou para a história.

    Aos 23 anos, ela estava liderando uma prova muito importante, o Hawaii Ironman Triathlon World Championship, e alguns metros antes de chegar na linha final, ela ficou fraca e caiu.

    Ela levantou, continuou caminhando e, exausta, caiu novamente.

    Seu corpo já não aguentava mais, mas mesmo assim, com determinação, ela levantou de novo, cambaleando, rastejando.

    O corpo desidratado, outra competidora que estava em segundo lugar passou por ela.

    Pessoas a ajudaram, mas ela caiu de novo, e foi engatinhando até a linha de chegada, mostrando sua determinação.

    Esse momento, registrado em 1982, causou uma polêmica enorme.

    Para alguns, Julie era uma heroína, mostrou garra e determinação.

    Para outros, foi uma pessoa irresponsável que piorou a imagem do esporte, mostrando estupidez ao não valorizar a própria saúde e integridade pessoal.

    O que você acha disso? Novamente, temos uma situação em que ambos os pontos de vista têm seu valor.

    De um lado, ninguém deve praticar um esporte de maneira que possa causar dano.

    Só que, por outro lado, a história nos mostra que os heróis são aqueles que cruzam, desafiam os limites.

    Nossos ancestrais enfrentaram situações extremas para que a tribo continuasse, para defender a própria família.

    Podemos dizer que pessoas como Julie Moss são pessoas que afirmam nossa humanidade, nossa própria existência.

    Muitos mestres têm esse desejo quase estúpido e, ao mesmo tempo, heroico de passar os limites, de terminar a qualquer custo, de conseguir aquilo que todo mundo considera impossível.

    Novamente, precisamos ter bom senso e equilíbrio, porque essa determinação pode causar danos.

Esperamos que este material tenha lhe proporcionado uma reflexão valiosa.

Ele compilou ideias sobre a maestria, um conceito fundamental para enfrentar grandes desafios e aprender assuntos difíceis que a maioria das pessoas acaba desistindo no meio do caminho.

Ao levar esses conceitos para sua vida, você pode refletir e alcançar grandes resultados em sua jornada.

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