A Armadilha da Felicidade: Descubra Por Que É Tão Difícil Ser Plenamente Feliz
É impressionante a quantidade de homens que vivem se sentindo infelizes, estressados, preocupados e até com raiva. O número de pessoas que relatam nervosismo, ansiedade, tristeza e preocupação cresce a cada dia.
Será que você é um dos que encontra dificuldade em se sentir feliz? Em alguns casos, pode surgir até mesmo um sentimento de culpa ao se permitir a felicidade, por achar que ela não é apropriada.
Muitos de nós não se autorizam a ter felicidade, acabando por se sabotar e agir para eliminar aquilo que, ironicamente, causa bem-estar.
Mas por que isso acontece? Por que agimos contra a nossa própria felicidade? Existem vários motivos.
O Medo da Felicidade: A Falácia da Regressão
Sentir felicidade pode, paradoxalmente, dar origem ao medo de que as coisas piorem. Pode parecer um tanto esquisito, mas algumas pessoas têm receio de se sentir feliz, com medo de que essa felicidade não dure.
É como se a sensação de euforia disparasse um gatilho que nos lembra que algo indesejado pode acontecer a qualquer momento.
Imagine, por exemplo, que você finalmente conquistou algo bom na vida: um emprego promissor, uma família unida ou aquele objeto que você tanto desejou.
Você se sente feliz com isso, mas sente medo de expressar, de falar em voz alta que está feliz. Existe um receio de que algo indesejado aconteça logo depois de você admitir e celebrar sua própria felicidade.
Você pode ser demitido, pode surgir uma briga familiar, ou aquele objeto que acabou de comprar pode quebrar ou ser roubado. Algumas pessoas até acreditam que falar sobre a felicidade pode atrair inveja ou “energia ruim” de outros que desejam acabar com sua alegria.
Nós não nos autorizamos a nossa própria felicidade quando sofremos desse medo de que as coisas piorem. Esse receio prejudica a capacidade de aproveitar plenamente as coisas boas que já estão acontecendo na vida.
Parece estranho, mas calma, não há nada de errado com você. Essa sensação é muito comum e tem até um nome: a Falácia da Regressão.
Compreendendo a Falácia da Regressão
A Falácia da Regressão é a tendência de não nos darmos conta de que alguns eventos são aleatórios, com menos probabilidades estatísticas.
Nela, acreditamos que elogios e comemorações causam uma piora no futuro, e que reclamar ou criticar causa uma melhora. Na verdade, as variações tendem a voltar para a média.
Vamos entender com um exemplo clássico, ensinado por pesquisadores como Daniel Kahneman, usando como parâmetro as aterrissagens de avião.
Antigamente, instrutores de voo costumavam elogiar os pilotos que faziam aterrissagens perfeitas e criticar os que faziam uma aterrissagem “feia”, ou seja, abaixo do ideal.
Os instrutores notaram um padrão: depois de receber um elogio, a próxima aterrissagem do piloto costumava ser pior.
Da mesma forma, um piloto que tinha acabado de levar uma bronca geralmente melhorava e fazia uma aterrissagem muito mais suave e precisa na próxima tentativa.
Que conclusão você tiraria com essa informação? O cérebro humano sofre de um viés cognitivo que é a dificuldade de atribuir intuitivamente as relações de causa e efeito.
Se você pensasse como aqueles instrutores de voo, sua conclusão seria: “Não posso elogiar, pois o elogio piora as coisas, deixando o piloto desleixado, confiante demais ou distraído, o que prejudica a performance.”
E você também seria muito severo, porque, aparentemente, o piloto só melhorava depois de levar muita bronca.
Mas esse é o modo errado de pensar, pois não leva em conta a estatística de probabilidades e se encaixa na falácia da regressão.
Desde que você esteja lidando com pilotos igualmente qualificados, estatisticamente, algumas vezes eles farão um pouso melhor, outras vezes farão um pouso pior. Isso é independente das suas críticas ou dos seus elogios.
Essa é a regressão à média. Se um piloto acabou de fazer um pouso perfeito, é provável que o próximo tenha algumas imperfeições.
E se ele fez um pouso bem feio, é bem provável que o próximo seja melhor. Um evento excepcional, muito para cima ou muito para baixo, geralmente é seguido por um outro evento mais normal. Essa variação tende a voltar para a média.
Para ficar bem claro, imagine que você entre em uma sorveteria com centenas de sabores e eu peço para você fechar os olhos.
Vou escolher um sabor ao acaso e entregá-lo para você experimentar. Se você me disser que esse é o melhor sorvete que já provou na vida, qual a probabilidade estatística de que, ao pegar outro sabor, ele seja menos gostoso?
Por causa das estatísticas! É normal que a variação tenda a voltar para a média.
Quando você está extremamente feliz, é normal que a próxima mudança na sua vida o deixe menos eufórico.
Se você estava no topo, no extremo máximo da felicidade, uma mudança dificilmente o levará a um patamar ainda maior.
O erro de interpretação da falácia é começar a acreditar que sua vida piorou porque você sentiu felicidade e a admitiu.
Por isso, algumas pessoas acham que até dá azar comemorar uma situação feliz. Essa falácia pode estar impedindo você de aproveitar plenamente os momentos de grande felicidade agora.
A Síndrome do Impostor
Outro motivo que impede muitos de se permitirem ser felizes é a Síndrome do Impostor. Ela se manifesta quando não nos sentimos dignos de nossas conquistas, como se fôssemos uma fraude.
É um fenômeno psicológico que atinge algumas pessoas que acreditam não serem boas o suficiente para explorar uma determinada habilidade ou área do conhecimento.
Quanto mais você avança no conhecimento de uma determinada área, mais ganha consciência de vários outros aspectos que ainda não domina.
Quando desperta interesse por um assunto, você começa a acompanhar o trabalho de outras pessoas que admira, que têm uma maestria muito superior à sua.
Isso pode trazer uma sensação de incompetência que vai reduzir sua felicidade naquela prática ou área de atuação.
Para superar a Síndrome do Impostor e ser mais feliz, é necessário ter a humildade de lembrar que sempre, sempre haverá muito a melhorar e aprender.
Também devemos ter cuidado para não fazer comparações injustas com os outros.
Procurando a Felicidade no Lugar Errado
Essa é a pergunta fundamental: o que você quer da vida? Talvez me diga que deseja um emprego com um salário melhor, um relacionamento amoroso, comprar uma casa, um carro, um telefone novo, ou talvez uma experiência, como viajar.
Agora, se eu perguntar novamente: por que você deseja tudo isso? Qual a resposta? Provavelmente, a resposta final é que, no fundo, você deseja ser feliz.
O problema é que a felicidade não é uma matéria ensinada na escola. Pelo menos não na educação básica.
Hoje, a felicidade é um assunto sério, tema de cursos de pós-graduação dentro do campo da Psicologia Positiva, uma área de pesquisa relativamente nova.
Como nunca fizemos um treinamento sobre como alcançar a felicidade, começamos a procurá-la nos lugares errados: no trabalho, nos relacionamentos, nos bens materiais e até mesmo em experiências.
Se você procurar no lugar errado, não vai encontrar e pode acabar ficando frustrado.
É por isso que muita gente diz que o dinheiro não traz felicidade. É claro que o dinheiro por si só não traz! Ele é inútil, são apenas folhas de papel.
O que importa é o que você faz com o dinheiro. Portanto, o dinheiro é apenas um meio, não o fim. O meio não tem valor intrínseco; o valor está naquilo que você faz ao utilizá-lo.
Pense nos programas de fidelidade, aqueles pontos ou milhas que você coleciona. Eles são inúteis até o momento em que você os troca por alguma recompensa.
Se você focar apenas em colecionar pontos e não os trocar por algo concreto, seu nível de satisfação será baixo.
Isso acontece com a maior parte dos programas de fidelidade que você deve ter por aí e não utiliza. Esses pontos podem até causar infelicidade quando expiram, ou quando você precisa se lembrar de números de membro e detalhes de login para consultar o saldo.
Isso é parecido com o esforço de acumular muito dinheiro e não saber utilizá-lo com sabedoria. Diferentemente dos pontos de fidelidade, o dinheiro tem um potencial de troca imediata.
Mas se seu foco de atenção estiver apenas na acumulação do meio (dinheiro), você pode acabar ignorando a finalidade que realmente busca.
Como não podemos ver ou tocar a felicidade, temos a tendência de focar no meio. Por isso, procuramos a felicidade no dinheiro, no carro, no objeto, no status.
A felicidade é um sentimento muito abstrato, enquanto o carro, o objeto ou o telefone são algo concreto.
Assim, procuramos a felicidade e valorizamos o meio (o dinheiro, o objeto de consumo) e acreditamos que esse meio é uma fonte de valor, uma fonte de felicidade. Mas não é bem assim.
Para o cérebro, a habituação é rápida. Ele se acostuma e queremos mais e mais.
Pense em quanto tempo você ficou feliz ao comprar algo novo que queria muito. Quanto tempo levou para você se acostumar e voltar ao seu nível anterior de felicidade?
Pessoas que se concentram excessivamente no meio correm o risco de exagerar nessa busca, exagerando no trabalho, por exemplo.
Não sacrifique áreas importantes da sua vida, sendo que você tem a possibilidade de felicidade já agora.
Para uma pessoa que já tem as necessidades básicas atendidas, mais dinheiro não significa ter mais felicidade.
Por isso, o melhor a fazer é não condicionar sua felicidade a dinheiro, trabalho, status ou bens materiais.
Foques em cultivar relacionamentos humanos, hábitos saudáveis, hobbies, e em se permitir viver o presente.
Vá direto ao ponto, lembrando que não existe um caminho para a felicidade; a felicidade é o caminho.
Se você está aqui, usando a internet para buscar conhecimento e desenvolvimento pessoal, suponho que já tem suas necessidades básicas mínimas de saúde, educação, moradia e alimentação atendidas.
Então, por que não se permite ser feliz? O problema talvez seja o medo de que as coisas piorem depois, ou a síndrome do impostor, ou então a busca pela felicidade no lugar errado, valorizando demais os meios e esquecendo a finalidade.
Sacrificar seu próprio bem-estar para conseguir outras metas ou meios que você acredita que talvez possam lhe fazer bem é um erro.
Existem outras maneiras muito mais eficazes de aumentar seus níveis de felicidade. A psicologia positiva mostra o caminho. Você pode começar agora mesmo a se permitir ser feliz.


