Superando a Ansiedade e o Medo do Arrependimento: O Poder da Inteligência Emocional

Tempo de leitura: 7 min

Escrito por Tiago Mattos
em maio 9, 2025

Superando a Ansiedade e o Medo do Arrependimento: O Poder da Inteligência Emocional

Superando o Medo de Arrependimento: Como a Ansiedade Afasta Você do Agora

A ansiedade é, sem dúvida, um dos maiores desafios da vida moderna. E dentro desse universo complexo, existe um tipo específico que muitas vezes passa despercebido: o medo do arrependimento.

Essa sensação sutil nos leva a tomar decisões que não gostaríamos, apenas para evitar a dor de pensar “e se eu não tivesse feito?”.

A Armadilha do Medo de Ficar de Fora (FOMO)

Imagine a seguinte situação: aquela turma, seja da escola, da faculdade ou da família, insiste em te adicionar em um grupo de mensagens.

Você sabe que, se aceitar, passará um tempo enorme lendo notificações, piadinhas e mensagens aleatórias. A “vantagem”, se é que podemos chamar assim, é a consciência tranquila de que você não está perdendo nada, está sempre atualizado.

O outro caminho seria não aceitar o convite, ou se for adicionado sem sua permissão, simplesmente ignorar as conversas. É nesse momento que a ansiedade surge, alimentada pelo medo de perder algo importante que possa estar acontecendo ali.

Pense em outro exemplo comum: você está cansado, preferiria mil vezes ficar em casa se dedicando a um projeto importante, mas seus amigos o convidam para um encontro. Você se arruma, pega o carro e vai.

Por quê? Porque o receio de se arrepender de não ter ido é maior. Afinal, você se lembra de outras vezes em que não compareceu e depois seus amigos compartilharam fotos e histórias engraçadas, dizendo o quanto você perdeu.

Essa ansiedade nos persegue e, ironicamente, nos afasta da felicidade do momento presente.

Vamos ao evento, começamos a interagir, e aos poucos percebemos onde nos metemos. Aí surge outro tipo de arrependimento: o de não ter ficado em casa.

É um ciclo vicioso: nunca estamos satisfeitos onde estamos, sempre desejamos estar em outro lugar, fazendo outra coisa. Vivemos ansiosos, com medo de fazer a escolha errada.

Esse é o famoso Medo de Ficar de Fora, conhecido internacionalmente como FOMO (Fear of Missing Out).

Encontre o Equilíbrio: Viva o Agora com Olhar no Futuro

Minha sugestão é que você experimente desacelerar um pouco. Preste mais atenção no que está acontecendo agora, no momento presente.

Perceba que qualquer objetivo com foco intenso no futuro sempre nos fará buscar por mais e mais, novos horizontes, num ciclo sem fim.

Quem não sabe aproveitar o momento presente está sempre correndo atrás de algo que nunca alcançará; quanto mais corre, mais longe fica.

O que você busca é um ponto de equilíbrio entre a apreciação do passado, a contemplação e o contentamento no presente, e um planejamento racional e consciente do futuro.

Essa harmonia entre os diferentes espaços de tempo é essencial para o bem-estar.

Entendendo Seus Gatilhos e Fortalecendo a Inteligência Emocional

É fundamental descobrir quais são os gatilhos que iniciam a sua ansiedade. Quando você entende como costuma reagir, tudo se torna muito mais fácil.

Essa é a base para o fortalecimento da sua inteligência emocional, um processo de autoconhecimento e desenvolvimento pessoal que permite identificar suas escolhas e rotinas padrão para, então, aprimorá-las e construir um futuro melhor.

Compreender a dinâmica dos seus hábitos — o que te inicia em uma atividade, o que você busca como recompensa e a ação em si — é um passo poderoso nessa jornada.

Vamos a um exemplo prático. Sabe quando você está fora de casa, a bateria do seu smartphone está nos últimos 5% e alguém te liga?

Você olha o contato e, se for um parente próximo ou um amigo íntimo, decide atender de forma apressada, mal-educada, para que a bateria não morra: “Oi, estou sem bateria, não dá para falar, tchau!”.

Essa atitude, quase irracional, te faz sentir que foi ignorante ou rude. Por que agimos assim?

Porque a ansiedade em relação ao momento futuro (a bateria acabando) atuou como gatilho, alterando seu estado mental e emocional, resultando numa comunicação de baixa qualidade. Você mesmo reconhece que não foi uma interação ideal.

Aceitar ou Mudar: A Escolha Consciente

Diante de uma realidade insatisfatória, temos duas opções: aceitá-la ou mudá-la.

Continuando com o exemplo do celular com pouca bateria, uma situação pela qual todos já passamos: o que podemos fazer para lidar com essa ansiedade?

Podemos aceitar a realidade de que a bateria está acabando e que, em breve, não estaremos disponíveis para receber ligações até recarregá-lo. É normal, a bateria acaba, você recarrega.

Aceitamos que essa ligação, seja de negócios, de um parente ou de um amigo para bater papo, provavelmente não será finalizada e que a bateria pode acabar no meio da conversa. Isso não é o fim do mundo.

Você pode falar com a pessoa mais tarde e explicar que a bateria acabou.

A aceitação da realidade é o que traz calma e permite lidar com a ansiedade.

No entanto, pode ser que, para você, ficar sem bateria seja um problema profissional grave, que pode te fazer perder oportunidades, ou talvez você precise estar sempre disponível para uma emergência familiar. Ok. Nesse caso, use sua inteligência emocional.

Com lucidez, você entende que deve mudar essa realidade porque ela é inadequada aos seus objetivos.

Se você realmente não pode ficar sem bateria no telefone, por que não ter uma bateria adicional, um carregador portátil, cabos extras?

Por que não ter um carregador no carro, na sua mala, na gaveta do escritório ou perto da sua cama?

Quando você faz um planejamento estratégico, torna praticamente impossível se encontrar em uma situação indesejada, como ficar sem energia no seu telefone.

Ah, mas “ter carregador em todo canto, carregar bateria adicional me dá um trabalhão, custa dinheiro, tenho que carregar um monte de coisa pesada”?

Esse é o preço. Você precisa dedicar seu tempo, dinheiro e esforço para manter a situação sob controle, com suas baterias sempre carregadas e prontas, porque foi você mesmo quem disse que isso é algo que você precisa.

Redirecionando o Foco e a Arte de Dizer Não

A ansiedade acontece quando o foco está direcionado para aquilo que ainda não temos, numa frustração. Usando a mente racional, podemos redirecionar nossos pensamentos e nos concentrar em aspectos que trazem, ou podem trazer, alegria.

Imagine uma confraternização com amigos. Você está lá, buscando se divertir, mas percebe que a festa está “uma droga”, você está odiando o evento.

Será que isso é inevitável? Será que você vai ser tomado pela ansiedade, pensando “devia ter ficado em casa, e agora?”

Eu pergunto: qual mudança de foco é possível nessa situação? Será que você não pode fazer algo a respeito? Mudar o rumo da conversa?

Se as pessoas estão falando de um assunto chato por horas, por que não contribuir com um tema novo? Talvez, em vez de ficar na rodinha animada com o mesmo tema, você pode chamar alguém de lado, uma pessoa que não conhece tão bem, e tentar estreitar o relacionamento, tendo um pouco de curiosidade sobre ela.

Agora, imagine o contrário. Você estava planejando a viagem da sua vida com amigos, muito empolgado, mas ficou doente e precisa ficar em casa repousando.

Uma maneira de escolher o seu foco é remoer infinitamente o quão infeliz e azarado você é, como as coisas dão errado, e como todos estão se divertindo enquanto você está na miséria. Essa é uma escolha.

Outra maneira de escolher seu foco é pensar: “A realidade é essa, não posso viajar. O que posso fazer aqui? Posso ler algo? Telefonar para alguém? Que mudanças posso fazer para que minha própria companhia seja agradável para mim mesmo?”

Você se conhece bem? O que é natural e saudável para você?

Quanto tempo offline é necessário para que você comece a ficar ansioso e irritado, querendo que a internet funcione?

Um certo grau de ansiedade, insegurança e expectativa é normal para todos nós. O problema é quando isso se torna patológico, criando problemas em nossa vida.

Quando sua escolha é sempre baseada no medo de ficar de fora, você entra em situações sem saber bem para onde está indo, apenas para não se arrepender profundamente depois. Essa é uma maneira um tanto imatura de tomar decisões.

Se você decide sempre com base no medo de ficar de fora, cuidado: há uma grande tendência de que crises ocorram depois, levando a rancor, ressentimento, ódio de si mesmo ou das pessoas (ainda que a decisão tenha sido sua), prejudicando seus relacionamentos.

É aí que entra a importante capacidade de dizer NÃO.

A falta dessa habilidade faz com que você se envolva em situações que não têm nada a ver com você, gastando seu tempo e dinheiro de forma imprudente, tudo por medo de se arrepender mais tarde ou de ficar de fora.

Uma das melhores maneiras de lidar com todos esses sentimentos é fortalecer sua inteligência emocional. Para aprofundar-se nesta capacidade essencial, explore mais sobre o tema da assertividade e o fortalecimento da sua inteligência emocional.

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