Chega de Dar Chilique: O Guia Prático Para Dominar Suas Emoções e Ter Controle Emocional

Tempo de leitura: 13 min

Escrito por Tiago Mattos
em abril 24, 2025

Chega de Dar Chilique: O Guia Prático Para Dominar Suas Emoções e Ter Controle Emocional

Chega de Dar Chilique: O Guia Prático Para Dominar Suas Emoções

E aí, você tem dado chilique facilmente? Vamos falar sério sobre isso.

Pense nos últimos dias: você andou levantando a voz, talvez até gritando com alguém próximo? Talvez tenha ficado nas redes sociais, escrevendo aquele textão gigantesco em um grupo, apenas para provar que está certo e os outros completamente errados.

Se você se identificou com alguma dessas situações, então precisamos ter uma conversa séria.

Você está fora de controle, e é fundamental admitir isso. A primeira coisa a entender é que dar chilique não se resume apenas à raiva; é sobre perder o controle.

Você perde o controle nesses momentos em que suas emoções tomam conta, e sente que não consegue mais gerenciar a situação.

O que pode causar esse descontrole? Pode ser um simples comentário, um conselho não solicitado, algo que você leu online que o incomodou.

De repente, você se vê preso em uma prisão emocional, reagindo sem pensar, como se estivesse no piloto automático.

E quando isso acontece, você não está mais no comando de suas emoções; são elas que estão comandando você e a situação. Muitas vezes, isso leva ao arrependimento, à frustração e pode até piorar o conflito.

Não estou aqui para te dar aquelas teorias de autoajuda vazias, ideias bonitinhas ou jargões como “pense mais positivo” ou “cultive pensamentos fofinhos”.

Isso não vai te ajudar em uma situação real, quando a emoção está à flor da pele.

Você precisa de algo diferente, algo prático e útil para parar de dar chilique e começar a gerenciar esses momentos em que as emoções parecem dominá-lo.

A Verdade por Trás da Reação Emocional

Vamos lá.

1. Tenha Clareza do Que Você Quer

Primeiro de tudo, você precisa ter clareza sobre o que realmente quer. Sem isso, não há como avançar.

Vamos começar com algo simples, mas com um poder enorme: você deve entender o que busca naquele momento.

Quando você está chateado, emocional, a pergunta fundamental é: o que você quer? Você quer que alguém o entenda, o escute? Busca uma solução ou um conselho?

Se você não souber o que quer de uma interação ou conversa, como a outra pessoa vai saber? É lógico que não.

Essa é uma das principais razões pelas quais as pessoas se frustram e desencadeiam uma reação emocional.

Talvez você precise de empatia, mas a outra pessoa começa a dar opiniões e conselhos. Aí você fica com raiva, se sente incompreendido.

Isso gera frustração e irritação, porque sua expectativa não foi atendida, e de repente você está reagindo emocionalmente.

A primeira coisa, antes de ter uma interação ou começar a falar, é perguntar a si mesmo: “Opa, calma aí, pare. O que eu realmente quero? O que estou precisando aqui?”

Você precisa de alguém que o escute, que esteja ali como um amigo de verdade? Ou quer uma solução e está aberto a escutar ideias?

É crucial ajustar essas expectativas para ter uma conversa produtiva. Isso o ajudará a não perder o controle, a não dar chilique, porque você explicou o que espera daquela interação.

Você pode comunicar com clareza: “Olha, estou passando por um momento complicado, estou sobrecarregado agora. Não preciso de dicas, apenas quero que você escute.”

Fazer isso muda completamente a forma como a conversa se desenrola e evita uma explosão emocional causada por confusão sobre o que você espera ou precisa.

2. Cultive a Atenção Plena

Outra ideia: se você não está no momento presente, as chances de dar chilique são muito maiores.

Você precisa desenvolver a prática da atenção plena, de estar presente. Repito muito isso: cedo ou tarde, em sua vida, você receberá críticas, palpites e ideias não solicitadas que o deixarão chateado. Vai acontecer.

E as pessoas costumam dar chilique quando reagem sem pensar.

Em vez de sair reagindo, você precisa estar no momento presente. Isso é uma ideia muito mal compreendida.

Estar atento ao que está acontecendo em sua mente e em seu corpo agora. Tendo essa clareza, você não deixa as emoções tomarem conta e o fazerem reagir impulsivamente.

Então, se alguém deu um palpite ou conselho que você não pediu, em vez de já sair irritado ou chateado, faça uma pausa. Respire fundo.

Isso o ajudará a manter a calma e evitar conclusões precipitadas causadas pela emoção.

Existem algumas técnicas muito simples de atenção plena: você pode prestar atenção na sua respiração, ou apenas sentir o chão sob seus pés.

Isso o mantém ancorado no momento presente e impede que a emoção o domine. Quando você permanece atento, controla sua reação e evita que a conversa perca o controle, tornando-la mais produtiva.

Essa capacidade de estar presente e atento é o que o impedirá de perder o controle e dar chilique em uma situação que, de outra forma, permitiria uma resposta civilizada e tranquila.

De Onde Vem a Raiva? A Lição do Barco Vazio

Vou te contar uma história para ajudar a reconhecer de onde vêm suas emoções e sua raiva: elas vêm de dentro.

Era uma vez, um monge tentando meditar tranquilamente em um barco no meio de um lago. De repente, *pum*! Ele sentiu um outro barco batendo no seu.

Imediatamente, ele ficou com raiva: “Que idiota sem noção! Não vê que estou aqui? Quem foi que bateu em mim?”

Quando ele abriu os olhos, viu que o outro barco estava vazio, flutuando no lago.

Como ele poderia sentir raiva de uma pessoa que nem existia? Nesse momento, ele percebeu: a raiva não veio do outro barco, do outro “cara”. A raiva veio de dentro dele.

Não havia ninguém para culpar, mas mesmo assim ele sentiu raiva. De onde veio essa raiva?

Essa história mostra que a raiva que sentimos não vem da situação, não vem de outra pessoa.

Vem de como nós reagimos à situação. Pense bem: quando você dá um chilique por causa de algo que alguém fez ou deixou de fazer, um conselho, um palpite que não pediu, lembre-se dessa história.

Frustração e raiva têm muito mais a ver com as coisas que estão acontecendo dentro de você, muito mais do que com o que Fulano fez ou deixou de fazer, ou o que a pessoa disse.

Quando você reconhece que as emoções vêm de dentro, você recupera o controle.

Aí você para de dar chilique em situações que normalmente o irritavam muito.

Ao perceber que a reação é unicamente sua, você evitará essas explosões emocionais. Por isso, insisto: você deve aumentar sua autoconsciência.

A chave para não dar chilique é entender que a resposta emocional é algo que você pode controlar.

Quando alguém faz algo que você não gosta, um conselho ou crítica que parece um ataque, a primeira coisa é fazer uma pausa.

Tire um momento para perceber como você está se sentindo. No momento presente, você está querendo ficar na defensiva? Proteger seu ego? Está sentindo a raiva subindo?

Quando você presta atenção e reconhece as emoções, pode tomar uma decisão consciente de como vai responder.

Essa autoconsciência lhe dará o poder de escolher como reagir, em vez de deixar suas emoções tomarem conta. Você manterá o controle.

Você pode decidir explicar, com clareza e respeito, o que pensa. Ou pode decidir responder mais tarde, quando estiver mais centrado, dizendo “agora não é um bom momento”.

Não precisa deixar as emoções ditarem suas ações. Quando você se torna mais consciente de seus gatilhos emocionais, impede que isso se torne uma reação da qual, mais tarde, possa se arrepender.

3. Pratique a Empatia

Use a empatia. Pense nos aborrecimentos como se fossem um presente para você. Essa é uma técnica mais avançada, mais complexa.

É uma ideia mais elaborada reformular, reinterpretar aquele conselho indesejado como se fosse um presente.

Pode parecer difícil, mas quando alguém se intromete e dá um palpite que você não pediu, use esta estratégia para evitar dar um chilique: normalmente (não sempre, mas muitas vezes) a pessoa não está tentando chateá-lo.

Em vez de ver aquele conselho como uma crítica ou um julgamento, veja a possibilidade de que ela queria ajudar.

Talvez o palpite não tenha nada a ver, uma ideia que não funciona ou não é útil para você naquele momento, mas talvez haja uma intenção positiva por trás.

Quando você entende isso, fica menos frustrado e reduz seu gatilho emocional.

O objetivo não é discutir se a ideia ou o comentário foram bons ou ruins. O objetivo aqui é você lidar melhor com a situação, sem se aborrecer, sem perder totalmente o controle emocional.

Ao fazer isso, você pode até dizer algo como: “Olha, obrigado por se importar. Sei que você quer ajudar, mas neste momento preciso de algo diferente. Preciso que alguém me escute ou me dê um espaço.”

Assim, você reconhece a intenção positiva da pessoa, mas ao mesmo tempo estabelece um limite para evitar criar uma discussão.

É muito importante reconhecer que há um esforço, um carinho do lado da pessoa, mas ao mesmo tempo você mantém o controle para não deixar a situação escalar e se tornar problemática.

Evitar dar chilique por causa de uma intromissão ou um palpite não solicitado permite manter a carga emocional sob controle.

Uma das ferramentas mais poderosas para evitar esse gatilho emocional é a empatia. Você precisa entender a outra pessoa.

Veja a situação pela perspectiva dela. Coloque-se no lugar do outro, tente entender o mundo dele, de onde ele está vindo.

Muitas vezes, a pessoa quer participar, quer ajudar, mesmo que a ideia dela seja completamente sem sentido.

Mas quando você pratica a empatia, consegue entender como a outra pessoa se sente, e então percebe: “Poxa, não faz sentido eu me sentir atacado, porque isso está vindo de uma pessoa que tem um carinho.”

Você pode discordar totalmente, pensar “nossa, nada a ver, a perspectiva dela está completamente errada”, mas quando você entende que há uma boa intenção, não entra em uma reação emocional.

Algumas pessoas pensam que empatia significa dar razão a todo mundo, que é preciso acatar e aceitar tudo o que a outra pessoa faz ou diz. Não, isso está errado.

Não é isso que significa empatia. É preciso entender o que é empatia.

Empatia é compreender a perspectiva do outro, não concordar com ele. Você pode ter empatia e, ao mesmo tempo, dizer: “Olha, discordo, mas eu entendo.

Entendo a sua intenção, e pelo fato de entender a sua intenção, não estou me sentindo atacado, não estou nervoso. Tenho minhas emoções sob controle, mas mesmo assim, tenho uma opinião diferente.”

Ao demonstrar empatia, você evita dar chilique. Não precisa concordar com tudo o que a outra pessoa está falando ou fazendo, mas isso o ajuda a responder de uma maneira mais calma, mais ponderada e mais respeitosa, sem ter que concordar com tudo o que está sendo dito.

Mitos e Verdades Sobre o Autocontrole Emocional

Por que estou falando isso? Preciso esclarecer as coisas. Sei que muita gente interpreta tudo errado.

Leio os comentários e é muito fácil que eu fale algo e as pessoas entendam exatamente o oposto. Então, tenho que deixar tudo claro.

Atenção Plena Não é Fraqueza

Atenção plena não é ser fraco, submisso ou se recusar a ver os problemas.

Se você pensa que atenção plena é uma forma de evitar o problema, está enganado. Tem gente que, ao ouvir sobre atenção plena ou “o conselho como presente”, pensa: “Ah, então é para colocar o rabo entre as pernas, ignorar o problema, ser conivente, aceitar qualquer coisa?” Não é nada disso.

Essa interpretação está errada. Você precisa entender a questão maior: você precisa colocar limites e enfrentar os comportamentos indesejados.

Atenção plena significa ter clareza e conhecer o que está acontecendo fora e dentro de você. Com essa clareza, você terá um controle maior.

Não estou dizendo: “Ah, atenção plena, finja que está tudo bem, ignore suas emoções para não deixar a raiva tomar conta.” Não, não é isso.

Você tem que estar calmo para poder pensar com clareza. Aí sim, você vai conseguir lidar bem com a situação.

E para isso, você tem que colocar limites, tem que saber dizer “não” com respeito, entender quando um conselho não é útil.

Quando você está calmo e centrado, está em uma posição muito melhor para enfrentar qualquer tipo de problema sem deixar a emoção tomar conta, sem prejudicar a conversa.

Então, quando falo aqui em atenção plena, não é para você fugir do problema. Atenção plena lhe dará o poder para lidar com aquela situação com clareza.

Lidando com Hierarquias e Desequilíbrio de Poder

Outra interpretação equivocada: “Tá bom, entendi a questão da atenção plena, mas no meu caso não dá para aplicar, porque estou recebendo intromissões e palpites de alguém que está em uma posição de autoridade maior.

É meu chefe no trabalho, ou são meus pais em casa. Como há essa diferença de hierarquia e um desequilíbrio de poder na relação, o problema é que estou sendo controlado, não tenho um lugar de fala, estou sendo manipulado.”

São coisas diferentes. A atenção plena, mesmo assim, vai te ajudar.

A atenção plena não vai mudar o desequilíbrio de poder, mas te ajuda a estar equilibrado nessas situações, porque o problema é você perder a calma e dar chilique.

Você precisa ter clareza sobre o que está acontecendo: “Será que a intromissão dessa pessoa está me ajudando ou me atrapalhando?”

Você tem que ter clareza de como vai responder e falar com calma, sem escalar o problema. Tem que estabelecer limites de maneira calma, assertiva e com respeito.

A única maneira de fazer isso é não permitir que a emoção tome conta de você. A atenção plena é sobre você controlar a si mesmo, mesmo em situações com uma dinâmica de poder complicada.

Infelizmente, o mundo é assim, mas você não pode deixar que essa diferença prejudique sua capacidade de tomar uma decisão inteligente naquela situação.

Atenção Plena Não é Passividade

Há um outro problema de interpretação: tem gente que entende completamente errado e diz: “Atenção plena é coisa de quem fica sentado meditando, não faz nada.

A pessoa fica meio alienada, fica ‘zen’, não é ativa. É passivo, a pessoa fica lá despejando tudo em sua orelha e você não faz nada.”

Isso é um mal-entendido completo. Atenção plena não é não fazer nada; é apenas fazer uma pausa, ter um momento para entender o que está acontecendo, ter clareza.

E aí você pode escolher como vai responder. É o oposto da passividade.

Quando você reage emocionalmente, dizendo “comigo não é assim!”, você está sendo passivo.

Mas quando alguém lhe dá um conselho inadequado e você para, pensa e escolhe como reagir, isso sim é ser o oposto do passivo.

Você não está permitindo que as emoções o controlem; está assumindo um controle maior.

Aí você pode responder àquele conselho de maneira educada, com assertividade, dizer “não” dentro dos seus próprios termos, sem deixar a emoção tomar conta e bagunçar tudo.

A Raiva Vem de Dentro: Entenda a Metáfora do Barco

Mais um esclarecimento sobre a historinha dos barcos: entenda que o chilique vem por causa do seu cérebro, não por causa do que as outras pessoas fazem ou dizem.

Essa é outra crítica muito comum que já vi quando conto essa história do barco: tem gente que está meio distraída e não entende qual é o ponto da história, e a mensagem acaba se perdendo.

A mensagem é que as emoções vêm de dentro de nós, não vêm por causa de outra pessoa ou por causa da situação.

A metáfora do monge que fica com raiva porque imaginou que havia outra pessoa descuidada causando o problema… ele ficou com raiva da pessoa, mas só quando vê que o barco está vazio, flutuando no lago, ele percebe: “Ah, de onde está vindo essa raiva? Do outro? Não, porque não há outro. A raiva vem de dentro de mim.”

É isso que está causando a raiva; é uma reação. Essa é a lição importante para você lembrar: quando damos chilique, não é por causa do que a outra pessoa fez ou falou, ou do jeito que ela falou.

Vem por causa do que está em nossa cabeça: nossas suposições, nossa imaginação, nossa expectativa. Isso nos ajuda a entender que a emoção vem de dentro, a emoção não vem de fora, da situação externa.

Quando você finalmente entende isso, transforma completamente como lida com a situação, como consegue gerenciar sua própria resposta.

Isso o ajuda a manter a calma, a não ser “chilequento” e a tomar decisões melhores.

Agora, para aprofundar seu conhecimento sobre o assunto e aprender exercícios práticos para gerenciar melhor as suas emoções e parar de dar chilique, busque por materiais que te ensinem a estabelecer limites saudáveis com clareza, sem perder a calma.

O autoconhecimento é o primeiro passo para o autocontrole.

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