Desvendando a Motivação: Os 4 Tipos Essenciais para Conquistar Seus Objetivos
Todos nós já nos perguntamos por que lutamos para encontrar a motivação. Seja para ir à academia, estudar ou iniciar um novo projeto, a faísca inicial pode ser difícil de acender e manter.
Para entender verdadeiramente o que nos move e superar a falta de motivação, é preciso mergulhar nos quatro tipos de motivação que existem em um espectro, cada um com suas características e impactos em nossas ações.
Os Extremos do Espectro da Motivação: Intrínseca e Extrínseca
Em uma ponta desse espectro, temos a motivação intrínseca pura. É quando você se sente motivado a fazer algo puramente pela alegria de fazê-lo. Você o faz porque é divertido. Pense em jogar videogames, sair com amigos ou assistir a um filme.
Não estamos fazendo essas coisas para “avançar na vida”; estamos fazendo-as porque são inerentemente prazerosas.
Na outra ponta do espectro, reside a motivação extrínseca pura. Aqui, a razão para fazer algo é 100% para obter uma recompensa ou evitar alguma punição.
Por exemplo, pagar uma multa de estacionamento. Ninguém gosta de pagar multas; não é intrinsecamente motivador. É puramente extrínseco, pois você não quer receber cobranças ou enfrentar problemas maiores.
Além do Básico: Motivação Introjetada e Identificada
Mas o espectro da motivação vai além desses dois extremos. Existem outros dois tipos que são cruciais para compreender e manter a chama acesa: a motivação introjetada e a motivação identificada.
Entender onde cada um desses quatro tipos se encaixa no panorama da motivação é, sem dúvida, a chave para se manter mais motivado em qualquer coisa que você queira realizar.
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Motivação Introjetada: A motivação introjetada ocorre quando a razão pela qual você faz algo é porque você pessoalmente sentiria vergonha ou culpa se não o fizesse.
É o caso daquele que estuda para um exame porque, se não o fizer, sente culpa, sabendo que seus pais se sacrificaram muito por sua educação. Ele não necessariamente gosta do exame ou tem certeza se quer aquele diploma, mas o faz para não se sentir culpado.
Não há uma punição externa imediata, mas sim uma autocrítica interna.
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Motivação Identificada: Seguindo adiante no espectro, chegamos à motivação identificada, o segredo para se manter motivado em tarefas que você realmente não gosta.
Aqui, a razão para fazer algo não é porque é inerentemente prazeroso, mas porque você integrou em si mesmo a importância de realizar aquela tarefa.
A compreensão do que nos motiva faz parte de uma teoria em psicologia chamada Teoria da Autodeterminação. Desenvolvida na década de 1960, esta teoria tem sido o pilar para entender a motivação humana.
Dentro dela, existe uma mini-teoria que explica em profundidade o conceito de motivação identificada.
Para ilustrar, voltemos ao exemplo do exame: com a motivação identificada, o estudante diz: “Estou estudando para este exame, e não é intrinsecamente agradável, mas para mim, tornar-me médico ao final destes seis anos de faculdade é algo realmente importante.
Eu integrei essa identidade ao meu senso de ser. Não são forças externas me dizendo que devo ser médico, mas eu genuinamente desejo esse objetivo.”
Disciplina ou Motivação? A Verdadeira Força por Trás dos Seus Atos
Há uma corrente de pensamento que defende que motivação é um mito. O que realmente importa, dizem, é a disciplina e a força de vontade.
“Ninguém se importa com o que você fez ontem; faça hoje! Faça as coisas difíceis, mesmo quando não tiver vontade. Nunca fica mais fácil, você tem que ficar mais forte.” Essa abordagem, por vezes punitiva, funciona para muitas pessoas, mas falha miseravelmente para tantas outras.
Por isso, é tão importante compreender os princípios da Teoria da Autodeterminação e os tipos de motivação.
Se você, como muitos, luta com a ideia de disciplina pura e não quer apenas “sofrer” a vida, vale a pena entender de onde a motivação realmente vem, em vez de tentar forçar o caminho apenas com a força de vontade.
Embora a disciplina seja importante em certos momentos e para tarefas específicas, o objetivo principal para se manter motivado é gerar motivação identificada ou, no melhor dos cenários, motivação intrínseca. Em um mundo ideal, você realmente apreciaria o que faz.
Por exemplo, quando estava na faculdade de medicina, encontrei maneiras de tornar o estudo para exames mais prazeroso. Juntava amigos para estudar na mesma biblioteca, usava um calendário colorido para acompanhar meu progresso, ouvia trilhas sonoras épicas enquanto estudava e variava os locais, indo a diferentes cafeterias e bibliotecas, para transformar o estudo em uma aventura.
Tudo isso para tornar a tarefa mais intrinsecamente agradável e motivadora.
A Fragilidade da Motivação Intrínseca e o Poder da Autonomia
Mesmo o que começa como divertido pode não permanecer assim. Ser um criador de conteúdo, por exemplo, pode começar como uma brincadeira, mas eventualmente se torna uma exigência de consistência e crescimento.
Ir à academia, que pode ser divertido em alguns dias, também tem seus momentos em que a vontade simplesmente desaparece. Nesses pontos, a motivação intrínseca se esgotou.
É aí que você pode se apoiar na força de vontade e disciplina, ou pode tentar conectar a tarefa a um senso interno de si mesmo, para que você realmente se importe com o resultado.
A palavra-chave aqui é autonomia, que é o mesmo que ter propriedade ou controle sobre algo.
Para que nossa motivação se sinta mais intrínseca do que extrínseca, precisamos sentir que temos controle sobre o resultado, sobre o processo e sobre a mentalidade com a qual abordamos a tarefa.
Se, por exemplo, você está cursando uma faculdade porque seus pais o estão forçando, isso retira sua autonomia. Diversos estudos mostram que quando a autonomia é retirada, como pais que forçam seus filhos a tocar piano, o garoto perde a alegria e a motivação intrínsecas que tinha pela atividade.
Isso também é visível em questões culturais e religiosas; quanto mais se força alguém a seguir rituais, maior a chance de rebelião, pois a autonomia é percebida como sendo retirada.
Curiosamente, quando os pais apoiam a autonomia de um filho, este tem muito mais chances de gerar internamente a motivação identificada para se manter conectado à sua cultura ou religião por escolha própria.
5 Estratégias para Cultivar a Motivação Identificada e Sustentar Seus Objetivos
Compreendendo esses quatro tipos de motivação, como podemos, de fato, nos manter motivados? A chave é a motivação identificada.
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Estabeleça Metas Autoconcordantes: Ao definir um objetivo, pergunte-se: “Por que eu realmente quero fazer isso?”.
Quanto mais você puder conectar essa meta a um senso de autonomia – “Estou fazendo isso porque escolho fazer, porque eu pessoalmente quero o resultado, ninguém está me forçando, a sociedade não está me forçando, é o que eu quero” – mais provável será que você a integre ao seu senso de self, gerando motivação identificada.
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Lembre-se Consciente do Resultado Desejado: Quando sentir que sua motivação está diminuindo, pare por um momento e conscientemente lembre-se do porquê o resultado final é importante para você.
Por exemplo, quando não sinto vontade de ir à academia, passo alguns minutos “negociando” comigo mesmo, lembrando que cuidar da minha saúde e ficar em forma é algo que genuinamente me interessa.
Imagino-me com 50 ou 60 anos, querendo brincar com meus netos, com um corpo flexível e móvel. Isso me ajuda a lembrar cognitivamente e emocionalmente que me importo com a recompensa no final da jornada.
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Defina Metas Baseadas na Identidade: Em vez de focar apenas no resultado externo, concentre-se em quem você quer ser.
Usando o exemplo da academia, a meta não é “quero ir à academia para ter um abdômen definido” (o que é extrínseco), mas sim “quero ir à academia porque sou o tipo de pessoa que cuida da minha saúde.”
Recentemente, usei essa estratégia para cozinhar mais, estabelecendo a meta de me tornar um “aventureiro culinário“. É uma identidade que aspiro ter, alguém que vê o cozinhar como uma aventura e se diverte no processo, e isso me deixou muito mais motivado.
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Encontre Formas de Tornar a Tarefa Intrinsicamente Motivadora: Tente, de forma genuína, associar recompensa ao desafio da própria tarefa.
Em momentos de grande dificuldade, você pode dizer a si mesmo: “Isso é doloroso, e por ser doloroso, evocará um aumento na liberação de dopamina mais tarde. E o estou fazendo por escolha, porque o amo.”
Quando você consegue “enganar” seu cérebro para pensar que o esforço é divertido – seja levantar um peso pesado na academia ou o trabalho mental de estudar – com o tempo, ele realmente começa a ser divertido.
Você passa a ansiar pelo desafio em si, e não apenas pela recompensa final, gerando uma motivação intrínseca quase ilimitada.
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Assuma o Controle da Sua Mentalidade: Mesmo que você não tenha controle sobre o processo ou as circunstâncias, você sempre tem controle sobre sua mentalidade.
Sempre que você se pegar pensando “eu tenho que fazer algo”, substitua isso por “eu posso fazer isso” ou “eu escolho fazer isso”. No fundo, ninguém é obrigado a fazer nada.
Eu não tinha que ir ao trabalho todos os dias; bem, eu ia porque, se não fosse, perderia meu emprego. Mas se eu me convencesse de que estava escolhendo ir ao trabalho, ou melhor, que eu tinha a chance de ir ao hospital e salvar vidas, isso mudava tudo.
Mesmo que as circunstâncias externas permanecessem as mesmas, tomar controle da minha mentalidade me permitia gerar aquela mágica motivação identificada, em vez de depender apenas da motivação extrínseca ou introjetada, que geralmente nos deixa com uma sensação ruim.
Compreender e aplicar esses princípios pode transformar sua relação com a motivação, ajudando-o a perseguir seus objetivos com um propósito mais profundo e duradouro.


