Você Vive no Piloto Automático? Descubra Como a Atenção Plena Pode Mudar Sua Vida
Acordar e já pegar o celular. Enfrentar o trânsito, trabalhar, pegar trânsito de novo, chegar em casa, pegar o celular, dormir e acordar para fazer tudo de novo. Parece familiar?
Essa rotina, muitas vezes, nos coloca em um modo “piloto automático”, onde vivemos sem plena consciência das nossas ações.
O Que é Viver no Piloto Automático?
Viver no piloto automático significa realizar ações com baixos níveis de consciência. É como se você estivesse no controle, mas sua mente estivesse distante.
Quando você opera nesse modo, suas escolhas podem ser de baixa qualidade, e você pode acabar se arrependendo mais tarde. O problema do baixo nível de consciência é que nem nos damos conta de que estamos fazendo escolhas desatentas.
Viver de forma “desatenta” é como estar inconsciente do que realmente importa. Para ilustrar, vamos a três exemplos:
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Maratonando séries sem limites:
Você está assistindo à sua série favorita até tarde da noite e, de repente, percebe que a hora de dormir já passou.
Você estava inconsciente a respeito desse horário, assistindo um episódio após o outro no piloto automático, e deixou de ficar atento a algo importante: o seu descanso.
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Momentos perdidos com quem ama:
Você está brincando com seus filhos, mas ao mesmo tempo pensando em algum problema do trabalho. Você está no piloto automático, não totalmente presente.
Essa falta de atenção o faz deixar de experimentar plenamente aquele mundo ao seu redor. Quando menos percebe, seus filhos já cresceram, e você lamenta que a infância passou tão rápido, sem que você percebesse.
Nesse caso, a convivência importante se perdeu porque você estava no piloto automático.
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Reagindo sem pensar:
Sabe aquela ligação indesejada de uma empresa de telemarketing? Logo que você percebe que é uma oferta sem interesse, tenta inicialmente desligar educadamente. Mas o atendente insiste.
Nesse momento, o piloto automático pode iniciar uma reação de raiva, conduzindo você a um estado emocional realmente nervoso.
Você pode mudar seu tom de voz, desligar o telefone abruptamente, ficar irritado por vários minutos e, talvez, até ser rude com algum colega ou amigo que não tem nada a ver com a história.
Depois, você terá que se desculpar: “Desculpa, eu estava nervoso por uma ligação de telemarketing, fui grosso com você, foi mal.”
Nesse caso, o piloto automático prejudicou seu bem-estar emocional e causou estresse em seus relacionamentos.
Viver no piloto automático significa reagir sem pensar, o que aumenta nosso sofrimento e diminui nossa liberdade.
Reagimos imediatamente diante dos estímulos, sem controle consciente.
A Solução: Atenção Plena (Mindfulness)
A boa notícia é que existe uma solução para sair do piloto automático: a atenção plena.
Estar plenamente atento significa ter a habilidade de saber o que está acontecendo na sua cabeça em um determinado momento, sem deixar que seus pensamentos automáticos o controlem. Quando você cultiva a atenção plena, tudo ao seu redor parece mais gerenciável.
A vida é como um rio no qual você pode navegar. Com atenção plena, você reduz o automatismo e diminui o sofrimento.
Se você “cai” no rio, precisa primeiramente entender a força da correnteza. Talvez você tenha força suficiente para ir contra uma correnteza fraquinha e sair do rio no mesmo lugar onde você caiu, tranquilo. Mas pode haver momentos em que você não conseguirá nadar contra a correnteza. Lutar apenas fará você esgotar o fôlego e suas forças.
Existem momentos na vida em que é preciso saber nadar junto com a correnteza, com paciência, sabendo identificar qual é o próximo lugar, a oportunidade de se agarrar a um galho de uma árvore ou pedir socorro a uma pessoa que está por perto.
Assim, você pode se salvar, se recuperar temporariamente e retomar suas forças. Alguns chamam isso de resiliência, outros de sabedoria, mas muitos simplesmente chamam de atenção plena.
Ela permite que você viva com menor atrito e sofrimento possível, tornando-o mais livre mentalmente a cada dia.
A atenção plena é um método para ajudar a aliviar o sofrimento que é causado pelo automatismo e pelo condicionamento da mente.
Isso é importante porque existe uma forte conexão entre a nossa mente e a nossa saúde. Grande parte das doenças que enfrentamos hoje são agravadas pelo estresse, pela irritabilidade e pela ansiedade. Você pode escolher viver com menor estresse usando essas ferramentas da atenção plena para superar seu sofrimento mental.
Como Ter Mais Atenção Plena no Dia a Dia?
Quando falamos em atenção plena, muitas pessoas logo pensam em meditação, com pernas cruzadas, em silêncio absoluto.
Isso é apenas parte de uma prática específica, um treino. O verdadeiro desafio é manter esse estado de atenção no seu dia a dia.
Para manter esse estado de atenção plena, primeiro temos que nos dar conta: “Estou fisicamente em um lugar, mas minha atenção está em outro. Estou dividido.”
Frequentemente, não nos damos conta do que estamos fazendo, e nossa presença é de baixa qualidade. Por exemplo, você pode estar lavando pratos e pensando no trabalho, ou caminhando para o trabalho e pensando em algo completamente diferente. Raramente estamos realmente presentes no momento.
A meditação é um treino da atenção. Ela tem vários benefícios para você sair do piloto automático.
Quando estamos meditando, estamos treinando nossa mente para prestar atenção no momento presente. Assumimos uma posição confortável em um ambiente tranquilo e começamos a prestar atenção em um ponto específico, geralmente na nossa própria respiração.
É normal que, segundos depois, a mente já comece a pensar em outra coisa. Quando nos damos conta disso, gentilmente trazemos a mente de volta para aquele foco.
Esse ciclo se repete. Com paciência, conseguimos cada vez mais ter essa atenção focada por um pouco mais de tempo.
Isso nos leva para o mundo real: conseguimos prestar mais atenção naquilo que estamos fazendo, no que as pessoas falam, nos nossos próprios sentimentos. Assim, saímos do piloto automático.
A atenção plena é ativar sua atenção sem emitir juízos ou fazer comentários mentais, sem sofrer porque nossa mente está em outro lugar.
Exercícios Práticos para Cultivar a Atenção Plena:
1. Observe Mais, Julgue Menos
Observe um objeto sem julgá-lo. Olhe para uma flor, por exemplo. Você pode simplesmente observar a flor, perceber todos os detalhes: algumas pétalas um pouquinho mais abertas, outras fechadas.
Você pode perceber algumas folhas mais lisinhas, outras com marcas que foram mordidas por insetos. Você pode observar, mas não julgar, não pensar “que feia”, “está morrendo”, “malditos insetos estragaram a flor perfeita”. Isso é quando você está observando e faz um julgamento.
Na atenção plena, você não quer fazer julgamentos, apenas observar. Não é preciso dizer “ai, que flor bonita”, ou “que pena que o inseto mordeu um pedacinho da folha, que triste”.
Tudo isso são julgamentos que não faremos neste exercício de atenção plena. Você até pode fazer esse tipo de julgamento em outra hora, conscientemente, mas primeiro, treinamos apenas observar.
Faça uma pausa agora, escolha um objeto e apenas observe. Você vai vivenciar como é apenas observar, sem comentar.
Dependendo da intensidade do fluxo de pensamentos que você tem, talvez essa seja a primeira vez, depois de muito tempo, que sua mente apenas observa, sem julgar ou comentar.
2. Observe Seus Pensamentos
Depois de praticar observar objetos sem fazer julgamentos, você pode ir para o próximo nível: sua própria vida e seus pensamentos.
Observe que você concluiu seus estudos em tal lugar, trabalhou em tal empresa, conheceu outra pessoa, comeu tais alimentos em tal horário, faz atividades físicas em geral. Apenas observe.
E quando aparecer um comentário ou pensamento tipo “pô, estou gordo, preciso parar de comer doce” — isso é um julgamento. Em nossas atividades de atenção plena, estamos apenas observando, sem julgar.
Contemple como grande parte desses pensamentos não chega a lugar algum, como vozes de fundo que estão sempre ligadas. Deixe esse julgamento ir embora, apenas observe.
Observe por um momento esse movimento na sua cabeça sem julgamento. Não diga se o que você está pensando é bom ou ruim, apenas perceba.
Essa é a definição mais clara e prática de atenção plena: o momento em que você observa aquele fluxo de pensamentos automáticos e, ao observar, você “sai” do rio.
Isso não é apatia ou submissão àquilo que não gostamos. Claro que você pode fazer seus planos para melhorar sua vida, melhorar sua alimentação; você pode e deve agir de modo a buscar seus objetivos.
Porém, nesta atividade de observação e presença plena, estamos apenas nos dando conta do processamento do piloto automático, sem julgamento. Por favor, faça uma pausa e experimente agora.
3. Lavar a Louça com Consciência
Existe um antigo texto oriental que diz: “Quando você lava a louça, você deve lavar somente a louça.”
A princípio, parece uma coisa meio “doida”, até besteira, dar tanta importância para algo tão simples. O problema é que, ao lavarmos a louça, estamos pensando em algo que faremos depois, na xicrinha de café que vamos tomar mais tarde.
A tarefa de lavar a louça se torna um fardo. Tentamos automaticamente limpar a louça na pressa para nos livrar dessa “chateação”.
Assim, estaremos vivos durante o tempo que estamos ali, lavando a louça, mas seremos incapazes de reconhecer o milagre de estarmos presentes.
Se não somos capazes de lavar a louça apenas por lavar a louça, é bastante provável que mais tarde não seremos capazes de saborear a xícara de café ao tomar café, porque ali já estamos pensando em outra coisa que vamos fazer mais tarde.
Inconscientes do fato de que temos uma xícara nas mãos, estamos continuamente sendo sugados para fora da realidade presente, incapazes de viver em totalidade um único minuto sequer, sempre pensando no que vamos fazer mais tarde, no que fazer a seguir.
Viver o momento presente é a forma mais prática, rápida e fácil de sair do piloto automático, sofrer menos e ter mais felicidade.
Este pode ser nosso primeiro exercício: basta observar, perceber que na nossa cabeça há um “rádio ligado” o dia inteiro, que não para de ficar transmitindo.
Por mais que a gente tente mudar de estação, sempre se escuta essa voz: a nossa mente, levando-nos para outro lugar que não o momento presente.
Não estamos procurando nada de especial para acontecer, não estamos tentando parar os pensamentos, nem mesmo querendo ser feliz. Apenas estamos nos observando pela primeira vez.
Existe um rio inteiro de pensamentos que não para na nossa cabeça, e nós podemos por um momento apenas observar. E ao observar, nós saímos do rio.
Você pode ser mais feliz quando aprende a sair desse rio de pensamentos fora do seu controle.
Conclusão
Parabéns! Estamos juntos neste processo de aprendizado, trabalhando uma habilidade muito útil: a de observar sem comentar, tornando sua mente mais calma e em maior harmonia com seus próprios pensamentos.
Não deixe que seus pensamentos o dominem e causem ansiedade. Continue praticando a atenção plena e colha os frutos de uma vida mais consciente e feliz.


