Comunicação Assertiva: O Poder de Dizer Não e Evitar o Ressentimento

Tempo de leitura: 4 min

Escrito por Tiago Mattos
em maio 22, 2025

Comunicação Assertiva: O Poder de Dizer Não e Evitar o Ressentimento

O Perigoso Hábito de Dizer Sim Quando Queremos Dizer Não: Aprenda a Evitar o Ressentimento

Você já se viu em situações onde cedeu à vontade dos outros, mesmo contra a sua própria, e depois se sentiu frustrado, azedo ou de mau humor?

Essa é uma experiência mais comum do que se imagina, e pode corroer nossos relacionamentos e nossa paz interior.

Vamos refletir sobre o caso de Cristiano. Aos 35 anos, ele sempre passou o Natal com os pais.

Desde a infância, a relação familiar sempre foi marcada por muito amor. Tanto amor que, por vezes, Cristiano se sentia um pouco sufocado.

Houve momentos, em alguns anos, em que ele gostaria de ter aproveitado os feriados para viajar com os amigos, uma viagem mais longa, talvez unindo Natal e Ano Novo.

A grande questão era que ele sentia que não havia jeito de dizer “não” aos pais.

Para ele, eles nunca entenderiam, nunca aceitariam a ideia de ele trocar a preciosa companhia familiar para ficar com os amigos.

A pergunta interna ecoava: “Por que não encontrar esses amigos em outra época do ano? Por que tem que ser no Natal?”.

Com o passar dos anos, um sentimento estranho começou a crescer dentro de Cristiano: um tipo de ressentimento.

Ele continuava indo todos os anos, passava o Natal junto com os pais, e aparentemente tudo estava bem.

Mas, de vez em quando, ele dava algumas patadas, ficava afetado ou de mau humor. Um certo azedume tomava conta dele.

O mais surpreendente é que esse não era um comportamento natural para ele. Cristiano nunca foi uma pessoa azeda.

Ele próprio ficou surpreso ao perceber esse comportamento passivo-agressivo. Por que estava agindo daquela maneira?

Então, a grande pergunta para você é: você muda de opinião para agradar os outros e depois fica de mau humor?

A Dor Necessária de Dizer a Verdade

Vamos raciocinar um pouco. Será que realmente faz sentido você fazer aquilo que não quer, ocultar suas verdadeiras preferências e intenções, e ainda por cima ficar emburrado ou azedo?

Não seria mais autêntico aprender a dizer o que você realmente pensa, o que gostaria de verdade?

Haverá desconforto quando você segue escolhas que os outros não gostam.

No entanto, esse desconforto também existe quando dizemos “sim” quando, na verdade, queríamos dizer “não”.

Pior ainda: a nossa dor interna, se for mantida guardada, se for oprimida, pode se transformar em rancor, em mágoa, em comportamento passivo-agressivo. Isso vai corroendo os relacionamentos.

Esteja preparado para enfrentar o desconforto inicial.

No caso de Cristiano, quando ele aprendeu a arte de saber dizer não, isso no começo pode causar um certo estranhamento para os pais.

Eles podem perguntar: “Poxa, mas está tudo bem com você? Está chateado com algo?”.

Esse estranhamento é natural porque é uma transição, uma mudança de algo que até então era tradicional e esperado.

Mais do que um estranhamento, eles até depois contaram que ficaram chateados, sentiram uma certa dor e tristeza porque estavam contando com a presença dele.

A mãe já tinha comprado ingredientes para fazer aquela sobremesa tradicional e especial que o Cristiano tanto gostava.

Comunicação Respeitosa e Empatia

É fundamental compartilhar nossas necessidades com respeito e honestidade.

Precisamos confrontar a verdade para poder crescer. Lógico, ninguém gosta de escutar “não”, mas no final das contas, isso é bom para relacionamentos autênticos e verdadeiros.

Nós aprendemos, crescemos e nos tornamos mais sábios. Às vezes, a dor pode ser a melhor coisa que pode acontecer em um certo relacionamento.

Use a empatia para se conectar.

Cristiano usou a empatia para conversar com os pais, entender como eles se sentiam, e ele também dedicou tempo suficiente para explicar:

“Olha, gente, está tudo bem. Eu sempre adorei a recepção de vocês, excelente em todos os anos anteriores. É que este ano estou com vontade de fazer algo diferente.”

Essa empatia de Cristiano não fez com que ele tivesse que mudar de opinião para agradar os pais.

Ele continuou tendo uma opinião própria e também aceitou o fato de que a decisão causou uma certa dor e frustração, e que isso gerou uma surpresa para eles.

Por isso, ele dedicou tempo para reforçar que gosta muito dos pais, que já está aguardando a próxima oportunidade de uma visita.

Repare que há muita sinceridade nesse modelo de comunicação.

Essa sinceridade permite que os pais também possam se abrir e admitir: “Olha, a gente claro que ficou um pouco triste, nós ficamos desapontados.”

Ao mesmo tempo, eles também expressaram que esperam que Cristiano se divirta muito na viagem, que ele merece, e que depois tire fotos e conte todas as histórias de como foi.

Veja, nessa família, apesar de existir um desejo dos pais de estarem juntos e eles admitirem que sentiram uma certa dor na ausência do filho querido, também existe um respeito na escolha.

Respeito é um conceito-chave que devemos sempre buscar.

Os Perigos da Repressão e a Força dos Limites

Sem essa sinceridade, sem essa comunicação genuína, pode acontecer o mesmo que com aquelas pessoas que passam anos e anos vivendo vidas passivas e complacentes, e de repente explodem, e ninguém entende o que aconteceu.

Aquela pessoa tão bonzinha, que sempre falava “sim” para tudo, de repente ficou rebelde, estourou, parece outra pessoa.

O que acontece é que ela estava simplesmente se repreendendo até que uma hora não aguentou mais.

Esse é o perigo dos extremos: ou não existe limite nenhum, ou de repente um limite surge de forma agressiva e surpreende a todos.

Os limites que aprendemos a estabelecer de forma eficaz são limites com respeito, com consistência, com naturalidade, e que vão ajudar a construir e nutrir melhores relacionamentos.

Vamos nos conectar com amor, com respeito, com empatia e, principalmente, sendo genuínos a nós mesmos e às nossas necessidades.

Isso é ser proativo: é saber o que queremos, qual é o nosso propósito.

É dizer sim para aquilo que é importante para nós.

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