Desvendando os Pilares da Liderança de Verdade: Lições de “O Monge e o Executivo”
A vida de John, um executivo de sucesso, parecia perfeita. Um casamento sólido com Rachel, um filho adotado e a expectativa da chegada de mais uma menina na família. Um trabalho invejável, estabilidade financeira, casa… enfim, tudo o que se podia desejar.
Mas, como em toda jornada, desafios surgiram. Uma crise na empresa, embates intensos com o sindicato… A equipe de RH o orientou a uma reavaliação de seus conceitos de liderança. Foi nesse ponto de virada que ele encontrou um mosteiro, onde suas aulas sobre liderança se iniciariam.
O Que é Liderança, Afinal?
Para começar a desvendar esses princípios, proponho um pequeno desafio. Imagine a seguinte situação e decida qual dos perfis abaixo demonstra a maior liderança:
- Opção 1: Um profissional com sólida competência técnica, extremamente eficiente em suas tarefas, capaz de resolver qualquer problema em sua área. Um executivo visionário nos negócios e um gênio tático.
- Opção 2: Um profissional de bordo que, com calma e perspicácia, consegue transformar um voo atrasado e estressante em uma experiência mais tranquila para todos os passageiros.
Qual deles você acredita que exerce maior liderança?
O primeiro perfil, com toda a sua eficiência e visão, descreve um excelente gerente. Contudo, gerência não é sinônimo de liderança. Já o segundo perfil, muitas vezes confundido com líder, é o de um chefe – alguém que pode ter poder, mas não necessariamente autoridade real.
A escolha correta para liderança, neste cenário, recai sobre o profissional de bordo.
Mas, então, o que é liderança? Liderar é influenciar. É inspirar pessoas a contribuírem com entusiasmo, criatividade e excelência, incentivando-as a serem a melhor versão de si mesmas.
É fazer o que o profissional de bordo fez: transformar uma situação adversa através da influência positiva. Você consegue pensar em algum outro exemplo de liderança como o deste profissional?
Poder vs. Autoridade: A Verdadeira Influência
Para ilustrar a diferença crucial entre poder e autoridade, pensemos em uma situação comum. Quando éramos crianças, uma figura de autoridade (como um pai ou um adulto responsável) exercia poder sobre nós.
Lembro-me de ouvir coisas como: “Leve o lixo agora, ou vai ver só!”. E, em algumas ocasiões, a punição vinha rapidamente, com uma velocidade que minhas pernas não alcançavam. Era o poder em ação – a capacidade de obrigar devido à posição ou força.
No entanto, com o tempo, crescemos e amadurecemos. E essa figura de autoridade, em seu papel de educador, também evoluiu. Hoje, essa mesma pessoa pode me pedir qualquer coisa.
Mesmo não morando mais com ele há muito tempo, e mesmo eu sendo muito mais rápido que ele, faço o que ele pede com muito bom grado. Por quê? Porque o que ele tem sobre mim agora é autoridade. Hoje, faço por ele, por respeito, não por imposição. Entendeu a diferença?
Poder é a capacidade de obrigar por conta da sua posição ou sua força. Já a autoridade, que é muito diferente de poder, é a habilidade de levar outras pessoas a fazerem a sua vontade por escolha própria.
O problema de usar o poder de forma excessiva é que ele corrói as relações ao longo do tempo. A rebeldia na adolescência, por exemplo, muitas vezes é uma consequência do uso desequilibrado do poder durante a criação.
Uma das bases da liderança servidora é justamente reconhecer que uma ação feita por vontade própria é sempre superior a uma imposta por obrigação.
A Responsabilidade do Líder: Fazer o Necessário, Não Apenas o Popular
Imagine dois colaboradores em uma empresa: José e João.
José cumpre todos os prazos, entrega trabalhos bem-feitos e nunca gera atritos.
João, por outro lado, vive atrasado, quer sair mais cedo nas sextas-feiras, reclama constantemente da empresa, falta a treinamentos e seus trabalhos quase sempre precisam ser refeitos.
Se quiséssemos agradar a ambos, talvez aumentaríamos os salários de ambos. Mas o que realmente precisa ser feito?
Se apenas José entrega um trabalho de qualidade, a responsabilidade do líder é garantir que haja mais “Josés” na empresa. Do contrário, a organização corre o risco de perder lucros e, eventualmente, fechar as portas, impactando o emprego de muitos “Josés”.
Um líder precisa agradar a todos ou fazer o que precisa ser feito? Em muitas ocasiões, o líder precisa fazer o que é necessário, pois frequentemente desejamos algo, mas, na verdade, precisamos de outra coisa.
É assim que se define a responsabilidade da liderança: é o líder que, através de suas próprias atitudes, irá transmitir o que espera e o que é essencial para seus liderados.
Caráter, Liderança e Inteligência Emocional: Pilares Interligados
Três características fundamentais que andam juntas no universo da liderança são: caráter, liderança e inteligência emocional.
O livro “O Monge e o Executivo” traça um paralelo profundo entre caráter e liderança. O autor nos diz que caráter é a soma total de nossos hábitos, virtudes e vícios.
Ou seja, se temos o hábito de ser justos, seremos percebidos como justos. Se praticamos o autocontrole, nos tornamos pessoas controladas. E por aí vai.
Quando comportamentos são praticados sistematicamente ao longo do tempo, mudanças reais e permanentes podem ocorrer, e isso será chamado de nosso caráter. E o caráter é, sem dúvida, a base da liderança servidora.
No final das contas, em quem você confiaria para realizar as coisas? Em pessoas de caráter, que são os verdadeiros líderes.
Além disso, a Inteligência Emocional e a liderança caminham lado a lado. Daniel Goleman, um dos maiores nomes no estudo da Inteligência Emocional, afirma que a palavra que a define é justamente o caráter. Todas essas qualidades se entrelaçam e se aprimoram mutuamente.
A Força Inegável da Motivação (E do Elogio)
Muitos ainda acreditam que apenas o dinheiro é capaz de gerar a motivação necessária. No entanto, ignoram uma ferramenta muito mais poderosa e, inacreditavelmente, subutilizada: o elogio.
Como já foi dito: “Posso encontrar a pessoa mais forte do mundo, mas mesmo ela será vulnerável a um elogio”. Quem, afinal, não aprecia um elogio sincero?
Dar motivação significa, antes de tudo, compreender a importância de criar um ambiente saudável para que as pessoas possam crescer e ter sucesso. O elogio é apenas uma das muitas formas de fazer isso.
Pense nos trabalhos voluntários: como as organizações conseguem engajar pessoas a ajudar gratuitamente? Existem diversas estratégias de motivação, e saber motivar os outros é uma característica essencial que um líder servidor precisa possuir.
Foi uma das últimas e mais valiosas lições que o monge transmitiu ao executivo.
A verdadeira liderança vai muito além de um cargo ou de um título. Ela reside na capacidade de influenciar positivamente, na autoridade conquistada pelo respeito, na responsabilidade de fazer o que é certo – mesmo que difícil – e, sobretudo, em um caráter sólido e na habilidade de motivar.
Reflita sobre esses princípios. Como você pode aplicá-los em sua jornada de liderança, seja em sua equipe, em seu negócio ou em sua própria vida? O caminho para ser um líder melhor começa agora.


