Como Superar a Sobrecarga Mental: Guia Prático de 5 Passos para Aliviar o Estresse

Tempo de leitura: 8 min

Escrito por Tiago Mattos
em julho 2, 2025

Como Superar a Sobrecarga Mental: Guia Prático de 5 Passos para Aliviar o Estresse

Como Superar a Sobrecarga Mental: Um Guia Prático de 5 Passos

Vivemos em um mundo onde a sobrecarga de informações e tarefas parece ser a nova normalidade. É fácil sentir-se oprimido diante de tudo que acontece no mundo e em nossas próprias vidas.

Mas e se eu te dissesse que essa sensação de sobrecarga não é um “defeito” no seu sistema? É, na verdade, uma resposta natural do seu cérebro, moldado para lidar com ameaças imediatas, não com listas de tarefas intermináveis.

Nossos cérebros evoluíram em um ambiente de ameaças urgentes — onde a prioridade era resolver algo imediatamente ou a sobrevivência estaria em risco. Somos programados para reagir a esses perigos de forma instantânea.

No entanto, hoje, tratamos uma caixa de entrada lotada ou uma lista de afazeres interminável como se fosse um ataque de leão. Essa é a “selva” em que vivemos atualmente.

Antes de mergulharmos em um processo de cinco passos para gerenciar a sobrecarga, é crucial entender o que ela realmente significa. Quer você perceba ou não, essa perspectiva pode trazer uma nova luz para o seu sentir.

Entendendo a Sobrecarga: Uma Criação Interna

A sobrecarga não é algo que existe fora de você. Ela não é real como um objeto físico que você possa tocar, fotografar ou pesar. Ela reside apenas dentro de você. É uma sensação que você mesmo cria.

A sobrecarga não está “lá fora”, ela está “aqui dentro”.

Tecnicamente, a sobrecarga é a reação do seu sistema nervoso a demandas percebidas que excedem sua capacidade percebida. Repare bem: não são demandas ou capacidades reais, mas sim a percepção delas.

Veja o que acontece em seu cérebro: quando você se sente sobrecarregado, sua amígdala – o sistema de alarme do seu cérebro – detecta uma “ameaça”, como muitas tarefas, decisões ou incertezas. Ela envia um sinal de perigo, e seu córtex pré-frontal, a parte do cérebro responsável pelo pensamento, planejamento e raciocínio, começa a falhar.

Você perde a capacidade de priorizar, de decidir e de agir com clareza. O resultado? A sobrecarga. Você se sente congelado, confuso, irritável, cansado e agitado ao mesmo tempo.

Essas sensações se manifestam em seu corpo: aperto no peito, respiração superficial, tensão muscular, dores de cabeça, problemas gastrointestinais, inquietação ou até mesmo um bloqueio total.

Embora seja um estado cerebral, todo o seu sistema é “sequestrado”. Seu cérebro não diferencia bem entre uma ameaça real (como um leão vindo em sua direção) e uma percebida (como um e-mail do chefe às 18h). Seu corpo reage da mesma forma: “Perigo! Precisamos resolver isso!”

Portanto, quando você pensa “tenho muito a fazer e nunca terminarei”, e essa história gera a sobrecarga, seu corpo interpreta: “Estamos sob ataque”. É como a neblina: você não pode tocá-la, mas com certeza pode senti-la intensamente.

A parte mais empoderadora da sobrecarga é que, já que ela é gerada internamente, isso significa que você também pode regulá-la, diminuí-la e até treinar seu cérebro para não entrar no modo de sobrecarga por padrão, como muitos de nós fazemos. É exatamente nisso que vamos nos aprofundar hoje, através de um processo de cinco passos.

Os 5 Passos Para Superar a Sobrecarga

  1. 1. Respire Fundo

    O primeiro passo é simples: apenas respire. Esta é a maneira mais rápida de mudar seu estado. Quando você se sente sobrecarregado ou ansioso, sua frequência cardíaca acelera, o peito aperta e a respiração se torna superficial. A respiração é sempre o primeiro sinal de mudança em um estado de estresse. Se você quer mudar seu estado, mude sua respiração primeiro. É a forma mais rápida de retomar o controle do seu sistema nervoso.

    Ao respirar, concentre-se em alguém ou algo pelo qual você seja grato. Pense em um ente querido, como seu parceiro ou filho, ou em um momento especial. Ao fazer isso, você está reassumindo o controle do seu corpo e, em seguida, do seu cérebro. Você está afirmando: “Eu estou no controle agora.”

    Isso não é misticismo; é neurociência. Seis respirações profundas, especificamente inspirando pelo nariz e expirando pela boca, podem reduzir significativamente seus níveis de cortisol, o hormônio do estresse. Pense na sua respiração como um “reinício” para o sistema antes de fazer qualquer outra coisa. É como quando você reinicia um computador para resolver um problema. Se você tem um problema com o “sistema” do seu corpo, reinicie-o. E você faz isso através da sua respiração.

  2. 2. Coloque Tudo no Papel

    A segunda recomendação é pegar uma caneta e um papel e escrever tudo o que está em sua mente. Tire tudo da sua cabeça. Toda essa bagunça que está saltitando dentro do seu cérebro precisa sair. Tudo o que te estressa, todos os seus pensamentos, sentimentos e sua lista de tarefas. Permita que sua mente libere tudo. Agora, não precisa mais ficar em sua mente, pois pode viver na página.

    Isso é mais do que apenas desabafar; é chamado de externalização da sua carga cognitiva. Quando seu cérebro tenta reter muitos “loops abertos” (tarefas inacabadas, ideias e preocupações), ele começa a se esgotar. Escrever converte esse caos mental em dados concretos e visíveis. Existe um fenômeno chamado Efeito Zeigarnik, que significa que nossos cérebros se fixam em assuntos inacabados até que sejam reconhecidos ou concluídos. O simples fato de reconhecê-los em papel permite que seu cérebro diga: “Ok, isso está na página, não preciso mais que fique martelando em minha cabeça pelas próximas horas.” Você dá um “fechamento” ao seu cérebro.

    Pense desta forma: se eu perguntasse “quanto é 342 multiplicado por 47?”, você provavelmente pegaria um papel e uma caneta para resolver. Se você não resolveria um problema de matemática complexo apenas em sua cabeça, por que tenta gerenciar toda a complexidade da sua vida — suas tarefas, sentimentos, relacionamentos — apenas na mente? Colocar tudo no papel torna tudo muito mais fácil.

  3. 3. Identifique a Próxima Melhor Ação

    O terceiro passo é se perguntar: “Qual é a próxima melhor ação a ser tomada?” Identifique a próxima melhor ação para você. Geralmente, quando você se sente sobrecarregado, não está pensando em uma única coisa, mas em dezenas de ações que precisam ser tomadas. Seu cérebro não foi feito para pensar sobre e executar tantas coisas como exigimos hoje.

    Um ser humano pode fazer apenas uma coisa por vez. Se você pensa que multitarefa é algo real, saiba que é um mito. Você está apenas alternando rapidamente entre tarefas. E você não consegue fazer isso bem.

    Parte do seu estresse vem do desejo de fazer todas as 75 coisas que estão em sua cabeça agora. É impossível. Você só pode fazer uma coisa de cada vez.

    Há um termo cognitivo para isso: sobrecarga de escolha. Quanto mais opções você tem, mais paralisada se torna sua tomada de decisão. Uma única decisão clara libera largura de banda para a execução. Uma boa pergunta a se fazer é: “Se eu tivesse apenas 10 minutos de energia sobrando hoje, no que eu os gastaria?” Essa pergunta aponta para o seu foco.

  4. 4. Mova Seu Corpo

    Em quarto lugar, vamos voltar ao corpo. Comece a movimentar seu corpo de alguma forma. Faça polichinelos, flexões, saia para uma caminhada. Muitas vezes, os sentimentos de sobrecarga surgem quando estamos pensando em tudo o que precisa ser feito, mas não fazemos nada.

    Geralmente, estamos sentados em uma cadeira ou no sofá, e é aí que a sobrecarga nos atinge. Raramente alguém correndo ou na academia se sente dominado por sua lista de afazeres. A sobrecarga costuma aparecer quando estamos estagnados.

    Você precisa de alguma forma de movimento físico e mental, de progresso. A ação gera mais ação; a inação gera mais inação. Se você está se sentindo sobrecarregado e sentado em sua cadeira no escritório, mova seu corpo de alguma forma, pois o movimento regula seu humor. Quando você se move, seu corpo libera endorfinas, que são hormônios do bem-estar, e também o Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro (BDNF), que impulsiona seu foco. É por isso que até uma caminhada rápida de cinco minutos pode ser tão boa e funcionar como um “reset” da mentalidade.

    Pense no movimento como uma “substituição manual” para sua ansiedade. Ele quebra essa resposta de “congelamento” na qual ficamos presos. O movimento sinaliza ao seu sistema nervoso: “Não estou preso. Estou seguro. Qual é a próxima coisa? Vamos lá!”

  5. 5. Aja na Primeira Coisa

    Por fim, o quinto passo é agir sobre aquela coisa que você escreveu e identificou como a mais importante. Agora que você tem algum movimento no corpo, algum impulso para frente e algum progresso, use esse ímpeto na ação mais importante para você neste momento. É uma coisa e uma coisa só. Pense como um franco-atirador (sniper) versus uma espingarda. A espingarda espalha os projéteis por todo o lugar, enquanto o franco-atirador foca em um único alvo, com uma única bala.

    É difícil se sentir sobrecarregado quando você está pensando em apenas uma coisa. Você escreveu tudo o que precisa fazer. Agora, pegue uma única coisa dessa lista e concentre-se nela.

    Se seu cérebro tentar desviar sua atenção, dizendo “mas eu também tenho isso para fazer”, responda: “Não, não, cérebro. Aquilo está no papel que escrevemos juntos. Voltarei a isso mais tarde. Agora, estou focado apenas nesta coisa.”

    Um conselho simples, mas poderoso, é: quando seu cérebro estiver acelerado, diga “Não agora“. É incrível como isso funciona. Se qualquer outra coisa surgir, diga: “Não agora.” O cérebro entenderá que o assunto está anotado e será tratado mais tarde.

    A ideia de focar em uma única coisa e fazer apenas essa coisa é o que psicólogos chamam de “intenção de implementação“. E o progresso, mesmo que pequeno, produz dopamina. A dopamina é o neurotransmissor da motivação. Ela cria impulso. Pequenas vitórias não são apenas agradáveis; elas, neurologicamente, fazem você querer continuar e realmente começar a fazer as coisas.

Lembre-se: você tem controle total sobre essa sobrecarga que tem sentido. Você a está criando. E se você a está criando, significa que você também é a pessoa que pode se livrar dela. Seguir esses cinco passos torna o processo muito mais fácil.

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