O Despertar do Tempo: Quantos Anos de Vida Você Realmente Tem?
Você já parou para pensar na quantidade real de tempo que temos para viver? A expectativa de vida pode parecer generosa: em média, um brasileiro vive 75 anos.
Se você estivesse no Japão, esse número saltaria para 85, mas cairia para apenas 61 na África do Sul.
Mas e se eu te disser que esses números são apenas o ponto de partida de uma realidade muito mais limitada?
Vamos desmistificar a vida e entender quanto tempo útil realmente nos resta.
A Ilusão do Calendário: Subtraindo o Inevitável
Comecemos pelo básico. Se você dorme oito horas por dia, estará dormindo cerca de um terço da sua vida.
Isso significa que, dos seus 75 anos de expectativa, sobram agora apenas 50.
E o tempo dedicado aos estudos? Do jardim de infância à faculdade, são mais de 17 mil horas dedicadas ao aprendizado.
Isso já nos deixa com aproximadamente 48 anos de vida “acordada” e livre de obrigações escolares.
O Custo do Trabalho e a Fragilidade da Velhice
Para a maioria dos homens, a fase adulta é marcada pelo trabalho.
Se você passa 35 anos da sua vida trabalhando 44 horas por semana, estamos falando de impressionantes 75.600 horas.
Isso equivale a menos oito anos da sua vida, trazendo nosso número para 40.
Considerando que muitos se aposentam por volta dos 65 anos, você teria, em média, mais 10 anos de vida para desfrutar.
No entanto, é um fato comprovado que uma grande parcela da população brasileira enfrenta algum tipo de doença crônica em seus últimos dez anos de vida, limitando a qualidade e a liberdade desse período.
Isso eleva o número de anos livres para cerca de 30.
O Cotidiano Que Consome Nosso Tempo
As atividades diárias, por mais simples que pareçam, também consomem uma fatia considerável do nosso tempo.
Digamos que gastamos apenas 10% da nossa vida comendo, cozinhando ou cuidando da casa. Isso nos leva para a marca de 22 anos.
E o tempo dedicado à família? Cuidar dos filhos, dos pais, ou simplesmente da dinâmica familiar, exige um pouco mais do nosso dia a dia, fazendo o número cair para cerca de 18 anos.
Todos os tempos contabilizados até aqui são, em grande parte, tempos “fixos”, dos quais não podemos abrir mão facilmente.
Isso significa que, em média, temos apenas 18 anos de tempo verdadeiramente útil e livre em nossas vidas.
18 anos para fazer o que viemos para fazer, certo?
O Roubo Silencioso: Celular, TV e a Rotina Inconsciente
Agora, prepare-se para o golpe final.
Se você for um homem brasileiro comum, que passa pelo menos três horas por dia entre o celular e a TV, isso equivale a surpreendentes 82.125 horas ao longo da vida, ou o equivalente a 9 anos.
Isso mesmo. Nove anos.
Seu tempo útil de vida para viver intensamente e realizar seus sonhos cai para apenas 9 anos.
E se você gastar esse pouco tempo:
Bebendo ou vivendo de forma inconsciente?
Passando horas e horas com pessoas que não agregam nada?
Brigando com quem você ama por coisas insignificantes?
Lamentando o passado, reclamando do presente e se preocupando excessivamente com o futuro?
Quanto tempo REALMENTE nos restará para fazer algo significativo, que faça a diferença no mundo?
Sua Reação é um Sinal: O Que os Dados Revelam Sobre Você?
Nesse momento, é preciso perguntar: como você se sente ao ler isso?
Ficou triste? Feliz? Chocado? Um pouco surpreso?
A sua reação a esses dados é um reflexo do que você sente em relação à sua própria vida.
É você mesmo dizendo o que é importante para si.
Pense bem: trabalhamos cerca de 75 mil horas em nossas vidas.
E se usarmos esse tempo em um trabalho que amamos, que nos preenche?
E se o tempo gasto cozinhando e limpando for usado para criar um ambiente familiar gostoso, alimentar-se melhor e ser mais higiênico?
Isso pode significar uma velhice muito mais saudável, onde não gastamos tempo nem dinheiro cuidando de doenças futuras.
Ou seja, mais dez anos de verdadeira liberdade e qualidade de vida!
E a alimentação? Usamos esse tempo apenas para matar a fome, a ansiedade ou o estresse?
Ou vivemos inteiramente o momento, curtindo cada sabor, nos alimentando para ter mais disposição?
Quando cuidamos da família, estamos ali de corpo e alma, criando ótimas lembranças para o futuro?
Ou estamos presos ao passado, remoendo como as pessoas agiram conosco, ou excessivamente preocupados com o que pode acontecer?
Será que estamos realmente aproveitando nosso tempo no celular, ou estamos apenas rolando a tela infinitamente em busca de algo que nem sabemos o que é, olhando para baixo em vez de aproveitar o que está bem à nossa frente?
Será que gostamos mesmo de assistir TV, ou é apenas algo que fazemos quando não temos mais nada para fazer?
Tempo vs. Dinheiro: A Prioridade Que Ignoramos
A precisão exata dos números apresentados pode variar um pouco de pessoa para pessoa, mas o que é realmente importante é o sentimento que essa informação traz.
Isso porque nos preocupamos demais com nosso dinheiro, mas não nos preocupamos nem um pouco com o nosso tempo, que é muitíssimo mais importante.
É impressionante o número de pessoas que afirmam não ter dinheiro para comprar um livro que gostariam de ler – um livro que poderia, literalmente, mudar a vida delas.
Ou que não têm dinheiro para apoiar causas em que acreditam.
Em contrapartida, perdem horas atrás da opinião de alguém famoso que nem é especialista no assunto, ou assistindo a vídeos com listas inúteis.
Ou seja, gastam todo o tempo do mundo assistindo a conteúdo sem sentido e ainda se sentem orgulhosos em propagar uma cultura inútil na sociedade, coisas que não acrescentam absolutamente nada em suas vidas.
Não se trata de dizer que você deve gastar todo o seu dinheiro e viver intensamente sem pensar no amanhã.
O que se quer dizer é que é uma loucura não ter controle algum sobre o tempo.
Em condições saudáveis, podemos sempre obter mais dinheiro, mas é impossível fazer algo que nos dê mais algumas horas no dia.
Nem a pessoa mais rica do planeta pode comprar tempo.
Podemos ser bilionários ou um simples plantador de arroz, mas todos temos as mesmas 24 horas por dia.
Uma pessoa rica pode até pagar para que outros façam trabalhos que ela não gostaria de fazer, mas nunca poderá comprar mais horas de vida.
Não importa se você tem dinheiro ou não, todos têm as mesmas 24 horas.
O Caminho à Frente: A Decisão é Sua
E agora, vamos direto ao ponto.
Precisamos tomar uma decisão em relação a essas informações:
Vamos usar nosso tempo nas coisas que realmente devemos fazer?
Ou vamos continuar gastando-o fazendo o que nossos pais, amigos ou a própria sociedade nos dizem para fazer?
Vamos deixar toda a nossa vida passar pensando que ainda temos muito tempo?
Vamos lamentar constantemente o passado e nos preocupar com o futuro, perdendo uma hora aqui, outra ali, e deixando as coisas sempre para amanhã?
É hora de entender verdadeiramente a brevidade da vida e começar a ter controle sobre ela.
Comece a valorizar cada momento pelo que é realmente importante.
Você já sabe disso, mas é preciso relembrar: nunca vamos ter de volta o momento que passou. Aproveite todos eles, sem exceção.
Não se trata de sair do emprego ou abandonar a escola. Não tem nada a ver com isso.
Ter autodisciplina, adiar um pouco suas recompensas e pensar no longo prazo são as ferramentas perfeitas para maximizar sua liberdade e, consequentemente, o prazer da sua vida.
A única coisa que se propõe aqui é que nos tornemos plenamente conscientes de como gastamos nosso tempo.
Vamos voltar um pouco e pegar aqueles nove anos de liberdade que temos. Isso são 70 mil horas livres.
Se assumirmos a “regra das 10 mil horas”, que diz que se gastarmos 10 mil horas bem dedicadas a algo, podemos nos tornar peritos em nível mundial naquele assunto – e há plena convicção de que essa suposição está correta – então, se usarmos todo esse tempo de liberdade perfeitamente, poderíamos nos tornar os melhores em nível internacional em sete coisas diferentes!
Isso é muita coisa!
Talvez, tirando um ou outro gênio, isso nunca aconteça.
Mas pense bem: ninguém precisa se tornar um dos melhores em sete coisas diferentes.
Precisamos de apenas uma única coisa.
Temos uma vida longa, mas o problema é que desperdiçamos uma boa parte dela.
Precisamos empregá-la bem, usá-la para a realização do nosso propósito de vida.
Se você tem pelo menos um grande sonho, a esperança é que esta reflexão o faça criar o caminho necessário para alcançá-lo.
Que você não se preocupe com o que as outras pessoas pensam sobre você, porque você, literalmente, não tem tempo para isso.
Que você tenha o foco necessário e viva intensamente cada passo dado rumo ao seu objetivo.
A vida é curta.
Nunca saberemos quando ela vai acabar.


