Dinheiro Traz Felicidade? A Complexidade Por Trás da Moeda
Ainda me lembro da minha primeira foto no Instagram, onde recebi poucas curtidas. Fiquei muito feliz com aquilo. Na segunda, terceira foto, esse número até aumentou para umas 20 ou 30. É bem legal ver as pessoas curtindo sua foto, não é?
Saltando rapidamente para o presente, na minha última foto recebi mais de duas mil curtidas. O que, surpreendentemente, me deixou com uma sensação de vazio.
Afinal, tendemos a pensar que quanto mais curtidas, melhor. Se fiquei feliz com 20, não deveria ter ficado infinitamente mais feliz por ter duas mil?
É engraçado ver a cara de espanto de alguns amigos que “brigam” por curtidas quando veem um perfil com muito mais engajamento que os deles. Eles juram que seriam muito mais felizes se tivessem aquele monte de curtidas. Mas a verdade é que não.
Usei o exemplo do Instagram para falar sobre dinheiro, pois ambos nos dão a mesma falsa impressão: a de que “quanto mais, melhor”.
O problema desse tipo de pensamento é que ele simplifica demais a questão, levando a conclusões totalmente equivocadas.
A Lição da Pizza: Prazer Cresce, Mas Até Um Limite
Pense por um momento na pizza que você mais gosta. O primeiro pedaço é delicioso porque, além da pizza ser saborosa, você está com fome.
Mas se você continuar a comer e chegar ao sétimo pedaço, por exemplo, a pizza ainda será gostosa, mas como você já não está com fome, seu prazer em comê-la não será nem de perto o mesmo.
A mesma lógica se aplica ao dinheiro. Para aqueles que estão financeiramente desamparados, o dinheiro, sem dúvida, resolverá uma vasta gama de problemas.
Imagine os desafios de quem não tem como pagar moradia, comida. Se tiver filhos, a situação é ainda mais complicada, pois há outras bocas para alimentar e pessoas para cuidar, além de despesas com vestuário e transporte.
Todos esses problemas, note bem, são resolvidos por aqueles pedaços de papel que tanto batalhamos para conquistar.
O Limite do Dinheiro na Busca pela Felicidade
A grande confusão que se cria em torno da ideia de que dinheiro traz felicidade é idêntica à da pizza.
Com a pizza, ter os primeiros pedaços quando você está com fome resolve seu problema. Mas não pense que ter os oito pedaços completos de uma vez trará a mesma satisfação.
A mesmíssima coisa acontece com o dinheiro: ele, por si só, não traz felicidade. Isso porque, a partir do momento em que você resolve seus problemas mais essenciais, outros começam a surgir, que estavam à espreita.
Não são problemas maiores, mas diferentes: problemas de relacionamento, a busca por sentido na vida, não saber seu propósito, a falta de realização pessoal.
Todos esses jamais serão resolvidos com o nosso tão amado e querido dinheiro.
É como no Instagram: conseguir as curtidas que você quer pode ser seu objetivo inicial. Mas, a partir do momento em que você alcança um patamar confortável, você busca outras coisas: comentários, marcações em fotos, mensagens diretas, e nem sei que mais.
O dinheiro é exatamente assim: ele resolve seus problemas iniciais, mas é totalmente ineficaz contra os grandes desafios da nossa vida.
O Desprezo pela Dor Alheia: Além da Empatia
Aí, nesse ponto, imagine um jovem bem-sucedido e influente, que parece ter tudo, mas que está lutando contra a depressão. Qual a opinião geral das pessoas?
“Como assim? Ele tem tudo na vida e está reclamando! Se eu tivesse metade do que ele tem, estaria de pernas para o ar e de bem com a vida! Dê uma enxada na mão dele para ver se continua com depressão!”.
E sabe qual o nome dessa reação? Repulsa e desprezo. Algo completamente diferente da empatia que estou tentando transmitir a vocês.
Algumas pessoas repudiam e desprezam os outros porque não entendem que, depois dos problemas relacionados ao dinheiro, existem inúmeros outros problemas que não são resolvidos com dinheiro.
Na verdade, um problema comum acontece: quem tem ou consegue ter muito dinheiro tende a resolver todos os seus problemas financeiros.
Então, quando surgem os problemas que não podem ser solucionados com a ajuda do dinheiro, essas pessoas não percebem e continuam tentando resolvê-los usando dinheiro. Mas isso simplesmente não funciona.
De que adianta ter um relacionamento saudável se a única coisa que você faz é pagar tudo para a outra pessoa?
Como buscar o sentido da vida se você recebeu uma herança enorme e precisa tocar um negócio que detesta?
Ou se você ganhou dinheiro à custa da inocência de outras pessoas? Quando a consciência bate à porta, não há dinheiro que compre o seu silêncio.
E quando a consciência nos revela aquelas verdades que tentamos esconder de nós mesmos… aí, prepare-se, porque o peso é grande.
Depressão, crise existencial, ou como quiser chamar, mas quando esse momento chega, não há dinheiro no mundo que consiga resolver.
Dinheiro Compra Felicidade?
Então, voltando à pergunta inicial: o dinheiro compra felicidade? E você, o que pensa?
O ideal seria todos encontrarmos algo que nos faça sentir realizados e que nos pague bem.
Se isso é utopia demais, eu me contentaria, pelo menos, que todos pudéssemos encontrar algo que nos remunere bem e nos dê algumas horas vagas para buscar aquilo que realmente faça sentido em nossas vidas.
É o bom e velho clichê: “faça aquilo que você ama e que também te pague bem”.
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