Inflação: Entenda Por Que Os Preços Não Param De Subir E Como Isso Afeta Seu Bolso
A inflação é uma das coisas mais estranhas e impactantes da vida econômica. É quase uma lei que os preços das coisas estão sempre aumentando.
Nossos salários e o poder de compra do passado são surpreendentemente diferentes do que são hoje. Lembro quando era pequeno: com um real, conseguia comprar um bom sorvete. Hoje, mal dá para um picolé com o mesmo valor.
A mesma coisa aconteceu com o famoso Kinder Ovo, que já custou 50 centavos e hoje custa, no mínimo, doze vezes mais.
Quem não se lembra que o salário mínimo no ano 2000 era de R$ 151? E, para muitos, o mais impactante é olhar folhetos antigos, onde a unidade do pão já custou cinco centavos e 500 gramas de café, apenas R$ 2,60. Incrível, não é?
Mas por que a inflação acontece? Quais são as suas causas?
Existem, basicamente, quatro motivos principais.
As Quatro Principais Causas da Inflação
Entender o que impulsiona o aumento dos preços é crucial para compreender a dinâmica da economia.
1. Diminuição da Oferta e Aumento dos Custos de Produção
Quando a oferta de um produto diminui ou os custos para produzi-lo sobem, as empresas precisam repassar esses aumentos.
Isso acontece principalmente por alguns motivos:
- Matérias-primas e Combustíveis: Recursos básicos como o petróleo e outros insumos são finitos. Quanto mais pessoas os utilizam globalmente, mais caros eles se tornam.
- Dólar e Moeda Local: Como muitas commodities são atreladas ao dólar, se a nossa moeda se desvaloriza, os preços dos produtos importados ou que dependem de insumos externos ficam naturalmente mais caros.
- Aumento de Salários e Imóveis: O custo da mão de obra e dos aluguéis de espaços comerciais também elevam o custo de produção.
As empresas podem segurar esses aumentos por um tempo, mas chega um momento em que precisam repassá-los aos consumidores, que acabarão pagando um valor maior pelos mesmos bens.
2. Aumento da Demanda
Este motivo ocorre quando o número de pessoas querendo o mesmo produto aumenta, e quem o oferta não consegue elevar a produção rapidamente para suprir essa nova procura. O resultado é um aumento dos preços.
Um exemplo típico são os alimentos sazonais. Frutas, verduras e até o próprio leite têm sua produção variada ao longo do ano, geralmente diminuindo no inverno.
Se a demanda por esses produtos permanece a mesma ou até aumenta, é inevitável que os preços subam.
3. Queda da Taxa de Juros
Falando em aumentar a demanda, chegamos ao terceiro motivo: a queda da taxa de juros.
Quando as taxas de juros ficam muito baixas, fica mais barato pegar um empréstimo para comprar um carro novo ou a casa dos sonhos.
Se muitas pessoas começam a fazer a mesma coisa, e a produção não aumenta para acompanhar, voltamos ao nosso segundo motivo: o aumento da demanda, que eleva o preço desses bens.
A queda de impostos também teria essa consequência, mas como nunca vimos isso acontecer em nosso país, deixaremos essa discussão para as próximas décadas.
4. Injeção de Dinheiro na Economia pelo Governo
Por fim, o quarto motivo é a injeção de dinheiro na economia pelos governos.
Assim, as pessoas terão mais dinheiro para gastar. E quando há muita gente querendo comprar coisas, mas poucas pessoas vendendo, voltamos novamente ao nosso segundo motivo: aumenta a demanda por tais produtos ou serviços, o que, por sua vez, eleva os preços.
Governos ao redor do mundo muitas vezes buscam estimular a economia por meio dessa ferramenta, seja literalmente imprimindo mais notas e colocando-as em circulação, aumentando a dívida do governo, ou dando abertura aos bancos para que façam mais empréstimos.
Em todos esses casos, a quantidade de dinheiro em circulação aumenta. Mas se nada for feito para que a produtividade cresça na mesma proporção, com o tempo, o valor de cada nota diminui.
Teremos mais dinheiro para comprar a mesma quantidade de produtos, ou seja, os preços só serão puxados para cima no longo prazo.
Imprimir dinheiro não enriquece a população, já que não se cria mais do que já se criava. Para que toda a população realmente enriqueça, um aumento da produtividade também precisa acontecer.
A injeção de dinheiro na economia é uma medida arriscada, mas que tem sido adotada pelos governos no passado recente. Deu certo em algumas ocasiões, mas até quando isso continuará dando certo, ninguém sabe.
Por Que a Inflação Pode Se Tornar Um Problema?
Quando ouvimos falar sobre inflação, sempre mencionam um valor: “a inflação subiu”, “o IPCA foi de 3% neste ano”, “o IGPM foi de 5% este mês”.
Mas o que isso quer dizer é que, na média, o valor subiu essa porcentagem.
Algumas empresas tentam aumentar o salário de todos os funcionários baseados nessa informação e pensam que o problema foi resolvido.
Mas não, existe um grande problema aqui: nem tudo aumenta de preço na mesma velocidade e na mesma taxa de crescimento.
Desigualdade nos Aumentos de Preços
Isso cria uma instabilidade, já que alguns grupos podem ser muito prejudicados em detrimento de outros.
Voltemos ao pão: uma pessoa que no ano 2000, ganhando um salário mínimo, comprava um pão por dia, gastaria cerca de 50 centavos por mês (equivalente a 1% do seu salário na época).
Hoje, supondo que o pão custe 60 centavos, essa mesma quantidade de pães representa 1,7% do salário atual. Ou seja, o preço do pão subiu mais que o salário mínimo.
A mesma coisa acontece com outros produtos básicos como arroz, feijão e macarrão. Isso se torna extremamente complicado porque é a população mais carente que vai sofrer mais.
O Impacto Destrutivo nas Suas Economias
O outro grande problema da inflação é com o dinheiro que guardamos.
Se você mantiver todas as suas economias debaixo do colchão e esperar algumas décadas, aquele dinheiro que daria para comprar uma mansão só servirá para comprar um terreno, e olhe lá.
E o colchão não é o único lugar onde é péssimo deixar seu dinheiro. A poupança do seu banco também não agregará muito, já que a inflação pode ser maior do que o rendimento, fazendo com que o valor do seu dinheiro também caia.
Ou seja, inflação alta é ruim para quem economiza, é ruim para quem guarda dinheiro para o longo prazo.
Não é à toa que o brasileiro em geral tem enormes dificuldades para pensar no longo prazo, já que nossos pais passaram por períodos de inflação terríveis, que chegaram a 50% ao mês.
Conclusão: Buscando Estabilidade em Um Mundo Instável
No fim das contas, a inflação é o reflexo da instabilidade da vida.
Preços aumentam porque não conseguimos entender completamente toda a complexidade econômica e os imprevistos.
Sempre há algo que não foi previsto, algo dando errado ao redor do mundo. Pode ser uma pandemia global, um período de seca interminável ou qualquer outra coisa. Há sempre coisas fora do nosso controle que nos afetam.
Precisamos buscar ser profissionais cada vez melhores e também investir com consciência, fazendo a nossa parte para que a produtividade global aumente.
É ela, em última instância, a nossa maior arma contra a inflação. Seja uma pessoa melhor!


