Como Superar o Medo e Tomar as Decisões Mais Difíceis da Vida (Um Guia Prático)
Na jornada da vida, uma certeza nos acompanha: a constante necessidade de tomar decisões.
Desde escolhas pequenas e cotidianas até aquelas monumentais que redefinem nosso caminho – mudar de emprego, iniciar uma nova carreira, sair da casa dos pais, encerrar um relacionamento que já não faz sentido, ou até mesmo largar tudo para fazer um intercâmbio.
Verdade seja dita, essas são encruzilhadas complexas.
O grande desafio, no entanto, surge quando perdemos o controle da nossa mente e permitimos que o medo nos domine.
Nossa imaginação entra em cena, pintando cenários catastróficos, e ficamos paralisados diante das incertezas e das mudanças iminentes.
Infelizmente, assim, muitos de nós deixamos de viver a vida que tanto almejamos.
Mas existe uma forma de enfrentar isso.
Um empreendedor que admiro muito, Tim Ferriss, autor de bestsellers aclamados, compartilha uma ferramenta simples, porém incrivelmente poderosa, para superar o medo e tomar as decisões mais difíceis e importantes da vida.
É exatamente isso que vamos explorar a seguir, um método que certamente trará grande valor para você.
Etapa 1: Defina o Pior Cenário e Prepare-se
A primeira etapa deste exercício poderoso consiste em confrontar diretamente o medo.
Pegue uma folha de papel e, no topo, transforme a decisão difícil que você enfrenta – aquela que gera medo e ansiedade – em uma pergunta clara.
Por exemplo: “E se eu largar tudo e fizer um intercâmbio?”
Em seguida, divida a página em três colunas.
1. Definir:
Nesta primeira coluna, escreva o máximo possível de coisas ruins que você consegue imaginar que possam acontecer caso tome essa decisão.
Seja exaustivo; quanto mais itens, melhor.
No nosso exemplo do intercâmbio, isso poderia incluir: dificuldade de adaptação a uma nova cultura, sentir saudades intensas de pessoas queridas, ficar sem dinheiro durante a viagem, ou o fato de perder o emprego atual.
Escreva item por item, sem censura.
2. Evitar:
Agora, na segunda coluna, pense em tudo o que você pode fazer para impedir que essas coisas ruins aconteçam, ou pelo menos para diminuir drasticamente as chances delas se concretizarem.
Preencha cada item da coluna “Definir” com uma ou mais ações de prevenção.
Para o intercâmbio, isso poderia ser: pesquisar intensivamente sobre a cultura local antes de viajar, ou pedir a opinião de pessoas que moram ou já visitaram o país.
Outras ações incluem: fazer ligações frequentes para os entes queridos, ter uma reserva financeira maior antes de embarcar, ou tentar negociar um retorno ao emprego atual para quando você estiver de volta.
3. Reparar:
A terceira e última coluna é dedicada à recuperação.
Aqui, você deve escrever o que pode fazer caso o problema aconteça, ou a quem pode pedir ajuda se tudo der errado.
Talvez você precise apenas comprar uma passagem e voltar para casa.
Para a saudade, marcar mais conversas por vídeo com sua família e amigos pode ajudar.
Quanto ao dinheiro, você pode procurar um emprego por lá ou pedir ajuda a um familiar.
E se o pior acontecer, sempre há a possibilidade de procurar um novo emprego quando retornar.
É incrível como o simples ato de escrever tudo isso já torna a situação muito mais clara.
Não pense que você está sozinho nestes dilemas ou que não existe saída.
Certamente, alguém ao longo da história – talvez até menos inteligente que você – já enfrentou algo parecido e sabe o que pode ser feito.
No exemplo do intercâmbio, você poderia buscar a ajuda de outros que estão ou já fizeram o mesmo e aprender como eles lidaram com esses problemas.
Etapa 2: Visualize os Benefícios Potenciais de Agir
Na segunda parte do exercício, mude o foco e pergunte a si mesmo: “Quais serão os possíveis benefícios de tomar esta decisão, mesmo que seja apenas uma tentativa ou que eu tenha apenas um sucesso parcial?”
Pense em tudo o que você pode ganhar com essa nova experiência.
Os benefícios podem ser de diversas naturezas: emocionais, físicos, mentais, espirituais, financeiros, profissionais.
No caso do intercâmbio, por exemplo, os ganhos podem incluir: fluência em uma nova língua, enriquecimento mental com os costumes de outra cultura, e o desenvolvimento de mais confiança e independência ao morar sozinho.
Você também terá a oportunidade de conhecer lugares lindos e inspiradores, viver experiências únicas que o acompanharão para sempre, e fazer amigos do outro lado do mundo.
Talvez seja conseguir aquele emprego dos seus sonhos, ou até começar uma nova vida nesse outro país.
Dedique alguns bons minutos a esta etapa e escreva o máximo de benefícios que você poderá ter ao tomar sua decisão.
Permita-se sonhar e visualizar as recompensas.
Etapa 3: Calcule o Custo da Inação
Esta etapa é crucial e frequentemente negligenciada.
Muitas vezes, pensamos apenas no que pode dar errado se agirmos, mas esquecemos de considerar o outro lado da moeda: o que acontecerá se não tomarmos a decisão?
Pergunte a si mesmo: “Se eu não tomar essa decisão, o que irá acontecer em minha vida?”
Divida uma nova folha (ou uma nova seção) em três períodos de tempo e preencha as colunas: “Até 6 meses”, “1 ano” e “3 anos”.
Períodos muito mais longos que isso tendem a se tornar intangíveis.
Pense em todas as consequências – físicas, emocionais, financeiras, profissionais, etc. – que você terá se ficar parado e não agir.
No caso da viagem de intercâmbio, as consequências de não ir podem ser: um grande arrependimento por uma oportunidade perdida, não se tornar fluente em uma segunda língua, e não ter a experiência de morar sozinho em outro país.
Outras consequências incluem: não conseguir aquele emprego que tanto sonha, ou ficar estagnado e ter que viver a mesma vida, sem as mudanças desejadas.
Pense no máximo possível de coisas negativas que a inação traria.
Conclusão: Encarando a Realidade e Agindo com Coragem
Assim que você terminar este exercício, reserve um tempo para ler tudo novamente.
Revise os possíveis problemas e suas soluções, os grandes benefícios de agir e, claro, as consequências de permanecer parado.
Reflita profundamente sobre todas essas informações.
Em seguida, faça duas escalas de 0 a 10 para medir os impactos negativos e positivos da decisão:
-
Impacto Negativo (se você agir): Que nota você daria para o impacto negativo em sua vida, considerando que você pode evitar e reparar os problemas listados?
-
Impacto Positivo (se você tomar a decisão): Que nota você daria para o impacto positivo em sua vida, considerando todos os benefícios que pode colher?
É incrível como, ao fazer isso, você provavelmente perceberá que o impacto negativo real é apenas uma nota 2 ou 3, enquanto o impacto positivo pode ser um 9 ou até 10.
Ou seja, você tem muito mais a ganhar ao tomar essa decisão.
Seus medos e preocupações podem até ser válidos e ter algum sentido, mas ao aplicar este simples exercício, você irá perceber que, na maioria das vezes, as coisas não são tão ruins quanto parecem, e que sempre há uma saída.
Sempre haverá uma lição valiosa a ser aprendida, independentemente do resultado.
Pode ser até que você já esteja decidido sobre o que deve fazer, mas estava paralisado.
Normalmente, as decisões mais difíceis são justamente aquelas que realmente deveríamos tomar.
Elas nos impulsionam a crescer, nos desafiam e nos levam em direção aos nossos sonhos mais profundos.
Não deixe que o medo paralise você.
O sábio Sêneca já dizia: “Nós sofremos mais em nossa imaginação do que na realidade.”
Sua vida é única, e você está aqui para vivê-la plenamente.


