Como Lidar com o Bullying: Um Guia Completo para Superar e Se Fortalecer
O termo “bullying” tem ganhado destaque em nossas conversas, mas o fenômeno em si é objeto de estudo da antropologia e sociologia há muito tempo. Existem diversas definições, mas para nosso propósito, vamos considerá-lo um tipo de comportamento onde uma pessoa tenta dominar a outra, geralmente envolvendo humilhação pública.
Esse comportamento pode ser observado em crianças nas escolas, mas também em adultos nas empresas, nas redes sociais e em praticamente qualquer ambiente onde seres humanos convivem. O bullying é um desequilíbrio de poder: uma pessoa tenta tomar o controle para fazer com que o outro se sinta diminuído, enquanto ela se posiciona “por cima”.
Quanto mais você demonstra agonia, mais sofre, mais se irrita ou tenta lutar sem sucesso, mais o agressor se diverte. Se você sofre ou já sofreu com bullying, entender esse comportamento como um tipo de disputa de poder é um caminho valioso para encontrar soluções eficazes para interrompê-lo ou superá-lo.
Você Não Está Sozinho: O Bullying É Mais Comum do Que Você Imagina
Primeiramente, é fundamental compreender que você não é especial por ser alvo de bullying. Ele é comum e acontece em praticamente todas as culturas, com muito mais pessoas do que você imagina. É provável que muitos ao seu redor já tenham passado por isso.
Não se engane pensando que o bullying afeta apenas você. Essa crença pode levar a uma perigosa conclusão: a de que há algo de errado em você, e que, de alguma forma, você merecedor daquela humilhação ou “zueira”.
Quando você entende que o bullying está presente em diversos lugares e que é uma disputa de poder, percebe que é sua responsabilidade agir a respeito para não continuar sendo alvo de abusos. Uma vez que você compreende que não é único em sua experiência, o próximo passo é buscar soluções para evitar ou superar o problema.
Estratégia 1: O Poder de Ignorar (E Por Que É Tão Difícil)
A primeira solução para o bullying é ignorar. Quando alguém tenta nos humilhar, nossa reação instintiva é querer revidar, humilhar de volta, partir para a agressão física ou verbal, ou até mesmo fingir que não nos importamos. No entanto, é difícil esconder os sentimentos.
Essa reação instintiva é exatamente o que o agressor busca. Ele quer tirar você do seu estado normal para que a humilhação ganhe mais força, fazendo-o se sentir mais poderoso e dominante. A primeira saída, portanto, é ignorar completamente. Não basta fingir que está ignorando; é preciso realmente não se importar.
Isso é muito mais fácil de falar do que fazer. Para ignorar o bullying a ponto de a palavra ou atitude da outra pessoa não o atingir, é necessário ter muita autoconfiança e um grande senso de valor interno.
Pense na história de um samurai. Certa vez, ele perguntou aos seus alunos: “Se alguém lhe entrega um presente e você não o aceita, a quem pertence o presente?”. Os alunos pensaram e responderam: “O presente ainda pertence à pessoa que tentou entregá-lo.”
O samurai, então, ensinou: “O mesmo vale para a inveja, a raiva, os insultos. Quando eles não são aceitos, continuam pertencendo a quem os carregava.”
Você pode entender o bullying como um jogo. Uma forma de “ganhar” é não se importando, não aceitando as provocações. O agressor quer uma reação sua; se você não reagir, ele pode ir embora entediado e procurar outra pessoa.
No entanto, também existe a possibilidade de sua falta de reação ser vista como passividade, o que pode aumentar ainda mais o bullying. Em breve, veremos o que fazer nessa situação, que é traçar limites claros. Mas, primeiro, vamos ver como ignorar o bullying partindo de uma posição de confiança.
Construindo Sua Fortaleza Interna: Autoconfiança e Autoconhecimento
A melhor maneira de ignorar o bullying é aumentando sua autoconfiança. O bullying que mais machuca é aquele que atinge nossos pontos fracos e mexe com nossa autoestima.
Se alguém explora uma de nossas vulnerabilidades, é muito difícil ignorar. A solução, então, é diminuir a quantidade de pontos fracos que você tem, e isso se faz aumentando a sua autoestima.
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Cerque-se de Pessoas Positivas: Crie uma rede de pessoas que o apreciam por quem você é, com suas qualidades e também seus defeitos. Procure indivíduos com interesses parecidos e mantenha-se junto deles. Você verá que o agressor terá menos incentivo e coragem para importuná-lo.
Converse com alguém – pode ser um colega parecido, alguém do mesmo círculo social, um parente, um professor, ou um terapeuta. Independentemente de quem seja, conte o que está acontecendo. Não guarde isso apenas para você.
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Invista em Desenvolvimento Pessoal e Mindfulness: Para aumentar sua autoconfiança, trabalhe seu desenvolvimento pessoal e se conheça melhor. Liste suas forças, tenha clareza de suas qualidades e também de seus defeitos, pois, como qualquer pessoa, você os tem.
Uma excelente maneira de resistir aos impulsos de reagir instintivamente é praticar meditação e atenção plena, também conhecida como mindfulness. Se você sofre bullying e sente aquela onda de raiva ou lágrimas chegando, respire profundamente, conte até três, inspire, expire. Continue fazendo isso até se sentir calmo o suficiente.
A Força da Sua Presença: Linguagem Corporal e Preparo Físico
Cuidar da mente talvez não seja suficiente; você também precisa cuidar de sua dimensão física e da forma como se porta.
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Melhore Sua Linguagem Corporal: Aprenda a melhorar sua linguagem corporal. Pratique artes marciais ou defesa pessoal, faça musculação, crossfit ou qualquer outro exercício que melhore sua condição física.
Digo isso não com a intenção de que você saia agredindo os outros, mas para melhorar sua linguagem corporal. Uma linguagem corporal fraca demonstra medo e convida o agressor a considerá-lo um alvo fácil. Se sua linguagem corporal transmite fraqueza, isso não é sua culpa, mas é sua responsabilidade mudá-la.
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Detectando e Corrigindo Sinais de Fraqueza: O que é uma linguagem corporal de fraqueza? É quando suas expressões faciais, sua postura e até sua voz indicam que você se sente inferior.
Seu rosto pode revelar sinais de medo e temor: sobrancelhas tensas, boca contraída, músculos do corpo tensos. Adotamos uma postura como se quiséssemos proteger nossos órgãos internos, curvando-nos.
Muitas vezes, nos movemos de forma muito rápida e brusca. O olhar é evasivo, e as piscadas são mais frequentes e rápidas. Escondemos as mãos ou cerramos os punhos.
Para evitar tudo isso, cuide do seu corpo, pratique esportes, melhore sua postura. Adote “poses de poder”: ombros para trás, peito para frente, cabeça erguida – claro, tudo de forma natural.
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A Importância da Postura e da Voz: A maneira como você se porta fisicamente tem um impacto direto em como os outros o percebem. Além disso, a forma como você fala também é crucial.
Comunique-se Com Força e Clareza: A Arte da Assertividade
Você é percebido pela maneira como se expressa. Por isso, aprenda comunicação assertiva, oratória, lógica de argumentação e assertividade.
Trata-se de uma forma particular de se comunicar com os outros: direta, honesta e respeitosa. Um comunicador assertivo sabe o que pensa, sabe o que quer e não tem medo de pedir diretamente.
Aprender a comunicação assertiva leva tempo, mas você pode praticar expressando e comunicando suas expectativas e necessidades. Você pode dominar essa poderosa forma de comunicação.
Vivemos em um mundo de velocidade, com cada vez menos tempo disponível. Isso pode levá-lo a pensar e agir cada vez mais rápido.
O problema de pensar rápido demais é que você fala rápido demais, não reflete devidamente e acaba transmitindo uma mensagem confusa, cheia de ruídos.
A assertividade em sua comunicação significa escolher melhor as palavras que você utiliza para transmitir com precisão suas opiniões e pensamentos.
Falar muito rápido e se comunicar de forma atropelada transmite a ideia de que você tem medo ou precisa terminar logo.
Falar lentamente, por outro lado, indica que você não tem medo de interrupções.
Se você quer praticar, pegue um livro e comece a ler em voz alta, prestando atenção na sua voz e no seu ritmo. Faça essa mesma leitura por vários dias de forma lenta, e você perceberá que esta prática o torna mais calmo e o ajuda a transmitir mais segurança e assertividade.
Quando Ignorar Não Basta: Traçando Limites Claros
Esta é uma dica especial para quem já tentou ignorar e percebeu que isso só piorou as coisas. Para você, a dica mais importante de todas é aprender urgentemente a traçar limites do que é intolerável em sua vida.
Primeiramente, estamos falando de bullying, não de situações onde acontece crime, violação da lei, lesão corporal, injúria, calúnia ou difamação. Isso é crime, e crime é algo que você resolverá pelo sistema judiciário.
No caso do bullying, a agonia que muitas pessoas sentem vem da falsa impressão de que não há o que fazer ou que não conseguem formalizar a queixa.
Você precisa de algum contexto com regras: a vizinhança tem regras de condomínio, a escola tem um código de comportamento, a empresa tem o departamento de RH ou gestão de pessoas.
Quando você não consegue resolver o abuso diretamente usando sua comunicação assertiva, ignorando ou mostrando quais são seus limites e o que você não tolera, recorra aos responsáveis que têm o poder de repreender aquele comportamento abusivo.
Cuidado, porém, porque o agressor é calculista: ele sabe o momento de atacar e o jeito de fazer isso sem ser visto. Muitas vezes, quando você fica nervoso e reage, a pessoa ferida é você, e o agressor fica rindo impunemente.
Por causa disso, você precisa de calma, planejar suas ações e, se for relatar, não o faça imediatamente se estiver em um estado emocional alterado. Deixe a raiva passar.
Considere todos os elementos necessários para fazer uma queixa que tenha todas as provas e evidências necessárias. Assim, você traça seus limites e assume o controle da sua vida.
O Caminho Para a Superação
O bullying é um problema que afeta crianças, jovens e adultos em todos os lugares do mundo. Casos extremos podem levar a assédio moral, agressão física e danos psicológicos.
A melhor maneira de lidar com o problema é trabalhar seu próprio desenvolvimento pessoal para se tornar uma pessoa mais confiante, capaz de realmente ignorar o bullying e, assim, superá-lo.
Um dos aspectos que mais ajuda nessa superação é a sua capacidade de se comunicar de forma efetiva, tanto para traçar limites com o agressor quanto para relatar o problema às pessoas que podem resolver esses abusos.


