Permita-me abordar um tema que frequentemente evitamos, fingindo que não existe: a morte. Mais especificamente, quão poderosa pode ser a reflexão sobre ela.
Nossos pensamentos sobre a finitude humana geralmente só surgem quando uma doença grave atinge um amigo próximo, ou em velórios de pessoas queridas e figuras públicas.
Nessas ocasiões, percebemos como muitas vezes adiamos a vida que realmente merecemos e sabemos que deveríamos viver, movidos pelo medo.
Medo de nos expormos, de revelar quem verdadeiramente somos aos nossos parceiros, de perseguir nossos sonhos mais profundos. Esse medo nos impede de avançar.
Há uma solução, talvez um tanto sombria, mas incrivelmente útil para essa estagnação. Ela não reside na conformidade ou na falsa segurança de que “ainda há tempo”.
Pelo contrário, ela nos convida a alinhar nossos pensamentos com algo radicalmente maior e mais assustador do que todas as nossas dúvidas e inquietações: a própria impermanência da vida. É a força capaz de nos arrancar de uma inércia tímida.
Diante da iminência da finitude, por que temer o fracasso? Por que ter medo de ser alvo de piadas de amigos ou de perder todas as economias em um novo empreendimento? Por que hesitar em seguir o que você ama, mesmo que não traga retorno financeiro imediato?
A verdade é que, ao final de anos ou décadas, seremos apenas lembranças. O que realmente temos a perder?
Com a melhor das intenções, o que precisamos é alimentar o “medo” da morte – não o medo paralisante, mas o medo de não ter vivido.
Imagine que você tem 34 anos e, otimista, viverá até os 100. Pense em quantos invernos, quantos ciclos de vida, você tem pela frente. Sinta um certo pavor por cada um desses invernos que poderia ser desperdiçado.
E considere também a frequência com que doenças cardiovasculares ou AVCs, em suas formas violentas e aleatórias, atingem pessoas bem antes de suas expectativas de vida.
Converse com homens de 55 anos ou mais e deixe que eles lhe contem o quão rapidamente os anos voaram. Busque esse “terror” não em nome do desespero, mas como um combustível para uma força de vontade impaciente e corajosa.
Antigamente, alguns homens compravam uma caveira para colocar em suas escrivaninhas, como um lembrete constante para manter o foco. Gostaria que todos pudessem ter um lembrete da morte.
Lembrar que você irá morrer, e talvez em breve, é a ferramenta mais poderosa para tomar as maiores decisões da sua vida. É a melhor maneira de evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Na verdade, você não tem nada a perder.
As expectativas dos seus pais, amigos e familiares, o medo de parar, a vergonha de falhar, todo o seu orgulho… todas essas coisas se tornam ínfimas quando comparadas à terrível e avassaladora realidade da morte.
Seu tempo é limitado. Não o desperdice vivendo uma vida que outros esperam de você.
Não permita que o ruído das opiniões alheias silencie sua própria voz interior. Lembre-se da morte, e liberte-se para fazer tudo aquilo que realmente precisa ser feito. Viva intensamente, viva para valer.


