O Mito dos Macacos: Liberte-se do Comportamento Doutrinado e Pense Criticamente

Tempo de leitura: 7 min

Escrito por Tiago Mattos
em junho 7, 2025

O Mito dos Macacos: Liberte-se do Comportamento Doutrinado e Pense Criticamente

O Mito do Experimento dos Macacos: Você Sabe Dizer “Não” ao Comportamento Doutrinado?

É provável que você já tenha ouvido falar sobre um intrigante experimento científico envolvendo cinco macacos.

A história é fascinante e serve como uma poderosa metáfora para muitos aspectos do comportamento humano. Mas será que ela é realmente verdadeira?

Imagine a cena: cinco macacos são colocados dentro de uma jaula. No teto, um cacho de bananas aguça a curiosidade. Uma escada de madeira está ali, aparentemente convidando-os a alcançar o alimento.

Assim que o primeiro macaco decide subir a escada para pegar as bananas, algo inesperado acontece. Os cientistas lançam um forte jato de água gelada em todos os cinco macacos.

O que subiu cai da escada, e todos ficam molhados, assustados e, compreensivelmente, furiosos.

Pouco tempo depois, outro macaco decide tentar a sorte. O resultado? Mais um jato de água gelada, e todos os cinco macacos são punidos novamente.

Após algumas tentativas dolorosas, os macacos começam a entender: sempre que um deles subia na escada, todos eram punidos. Então, eles simplesmente desistem.

Apesar da forte vontade de alcançar as bananas, a punição coletiva os doutrina. Nenhum deles ousa sequer chegar perto da escada.

A Segunda Fase da Doutrinação

Com os cinco macacos originais completamente “doutrinados” a não subir a escada, começa a segunda fase do experimento.

Um dos macacos originais é retirado da jaula e um novo macaco é colocado em seu lugar. Este novo macaco não sabe de nada do que aconteceu.

Ele olha para as bananas, para a escada, e rapidamente começa a subir. Mas, antes que possa pegar as bananas, os outros quatro macacos originais o agarram e o espancam!

Eles querem impedir a tentativa dele de subir a escada, pois não querem ser punidos novamente com a água gelada.

Espancado pelos outros, este macaco novato aprende a desistir das bananas e nunca mais tentar subir.

O experimento continua. Os cientistas substituem mais um macaco original por um novato. Quando este novo macaco tenta alcançar as bananas, tanto o macaco que havia sido espancado quanto os outros três macacos originais também o impedem de subir.

O processo se repete, macaco após macaco sendo substituído.

Depois de um tempo, não resta mais na jaula nenhum dos macacos originais. Nenhum dos macacos presentes na jaula jamais recebeu um jato de água gelada.

No entanto, mesmo assim, nenhum deles dá um passo em direção à escada para pegar as bananas. Eles não sabem o porquê de não tentarem; apenas sabem que “sempre foi assim”.

A Verdade por Trás da História

O experimento dos cinco macacos é uma história cativante, não é? Prende nossa atenção e parece ilustrar perfeitamente como as tradições e o conformismo podem ser estabelecidos.

Mas aqui vai a parte mais interessante: esse experimento, exatamente da forma como é contado, provavelmente nunca existiu.

Ele nunca foi publicado em periódicos científicos. Embora exista um antigo experimento de Gordon R. Stephenson que é citado como uma possível origem da história, este experimento real não envolvia macacos, bananas ou jatos de água.

A história foi distorcida, provavelmente por palestrantes motivacionais, para ensinar uma lição sobre como somos influenciados socialmente.

A Lição Genuína: Quebre o Paradigma do Macaco

Independentemente de o experimento dos cinco macacos ter existido ou não, uma coisa é óbvia: todos nós temos comportamentos influenciados pela sociedade.

É crucial que desenvolvamos um pensamento crítico e questionemos o que nos é imposto.

Se o experimento fosse real, e nosso cérebro funcionasse como o dos macacos da jaula, isso significaria que também podemos ser doutrinados.

Será que você pensa que algumas coisas não podem ser feitas apenas porque ninguém ao seu redor as faz? Será que você acredita que certas coisas sempre foram de um jeito e, por isso, sempre serão assim, sem sequer questionar o motivo?

Em quantas situações em sua vida você apenas fica olhando as “bananas”, sem nunca tentar subir a “escada”?

Aqui está o ponto fundamental que não pode ser ignorado: nós, seres humanos, temos um poder que os macacos não possuem: o poder da linguagem, da comunicação assertiva e do pensamento crítico.

Você tem a capacidade de dizer: “Não, isso não faz sentido!” ou de viver uma vida de conformismo e doutrinação.

Imagine trocar os macacos da jaula por seres humanos. Depois de ver todo mundo molhado ou espancado ao tentar pegar as bananas, o que você faria?

Provavelmente perguntaria: “Por que vocês me batem e me agridem quando tento pegar as bananas? Os outros que tentaram ontem foram molhados? Então vamos tentar de outra maneira!

Que tal nós cinco juntos pegarmos as bananas e as repartirmos igualmente?”

Os seres humanos não são os mais fortes, nem os mais ágeis, nem os mais rápidos que muitos outros animais. Seríamos presas fáceis para boa parte deles.

No entanto, nos tornamos a espécie dominante no planeta por causa da nossa capacidade cognitiva – nossa capacidade de pensar. Conseguimos nos comunicar de uma maneira que nenhum outro animal consegue.

Criamos histórias, usamos nossa criatividade para solucionar problemas, conectamos ideias de diferentes áreas do conhecimento. E o conhecimento é questionado, aperfeiçoado e transmitido.

Mesmo que a aparente pressão social tente nos empurrar para tradições que hoje em dia já não fazem mais sentido, nós sempre podemos questionar.

Podemos diferenciar aquilo que faz sentido daquilo que é um tabu perpetuado que já não tem mais fundamento. Em outras palavras, não precisamos continuar fazendo as coisas só porque elas sempre foram feitas de uma maneira específica anteriormente.

Claro, se algo já é feito há séculos do mesmo jeito e funciona bem, talvez exista sabedoria nessa tradição. Por isso existe o pensamento crítico: nem tudo deve ser mudado só porque está sendo feito há muito tempo.

Cada caso é um caso, e você precisa usar a cabeça para avaliar quais tradições devem ser mantidas e quais podem ser melhoradas.

Seu Cérebro não Precisa Ser Doutrinado

Quando deixamos de usar nossa capacidade cognitiva para refletir sobre o que estamos fazendo, o que acontece? Acabamos nos afastando do nosso diferencial humano.

Passamos a agir mais como animais adestrados, como campos doutrinados. Em outras palavras, nos tornamos menos humanos.

Por um lado, é normal economizar tempo e energia simplesmente seguindo as tradições, seguindo o comportamento geral do grupo.

Se você fosse questionar cada mínima área da sua vida a todo momento, enlouqueceria. Mas existem momentos em que nós podemos – e devemos – questionar nossos atos e as tradições.

Caso contrário, podemos cometer o mesmo erro da manada.

Conforme o tempo passa, a cultura muda também. Observe todas as mudanças que têm acontecido nos últimos anos em questões de igualdade de direitos, preconceitos.

Algumas atitudes que eram toleradas e até consideradas normais há poucos anos, hoje em dia são consideradas inaceitáveis. A sociedade muda, o ser humano se transforma o tempo todo.

Tudo isso é resultado da nossa capacidade cognitiva sendo utilizada para questionar o comportamento existente, a normalidade e o motivo das coisas serem do jeito que são.

Da mesma maneira que as grandes mudanças sociais aconteceram ao longo da história, você também pode e deve utilizar sua capacidade cognitiva para mudar as rotinas e os hábitos que não fazem mais sentido para você.

Você pode dizer “não” a atitudes que não estão mais alinhadas com aquilo que você quer para sua vida. Você pode parar hoje mesmo com atos que estão afastando você da pessoa que você quer ser.

Você pode dizer “não” hoje mesmo para atitudes erradas, rotinas ultrapassadas ou para qualquer outra coisa que você está fazendo só porque “sempre foi assim”.

Imagine ter esta preciosa capacidade de refletir sobre suas próprias ações e não utilizá-la. Isso seria o mesmo que se comportar como um macaco doutrinado que segue o conformismo e as regras do grupo, repetindo apenas aquilo que sempre foi feito.

Só porque uma coisa sempre foi feita de um certo jeito, isso não significa que seja o jeito certo.

Provavelmente existem muitas rotinas e hábitos em sua vida que podem ser melhorados se você utilizar sua capacidade cognitiva para refletir sobre o porquê de fazer aquilo que faz.

Quando você para e reflete sobre suas atitudes, consegue ter clareza e dizer “não” para atitudes que já não fazem mais sentido.

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