Livro Pense Como Um Monge de Jay Shetty: Desvende a Mente Monge para Propósito e Calma

Tempo de leitura: 8 min

Escrito por Tiago Mattos
em agosto 20, 2025

Livro Pense Como Um Monge de Jay Shetty: Desvende a Mente Monge para Propósito e Calma

Desvende a Mente Monge: Como o Livro de Jay Shetty Pode Guiá-lo para uma Vida de Propósito e Calma

No turbilhão da vida pessoal e profissional, somos constantemente bombardeados por ruídos externos.

E se pudéssemos desenvolver um mindset capaz de silenciar esse barulho e, ao mesmo tempo, clarificar nossas próprias intenções, livres da influência alheia?

E se pudéssemos aprender esse mindset não com executivos de alto escalão ou os mais ricos do mundo, mas sim com a humildade de um monge?

Essa é a proposta central do aclamado autor Jay Shetty em seu livro “Pense Como Um Monge” (Think Like a Monk).

Ele mergulha na sabedoria e nas tradições monásticas, ensinando-nos como aplicá-las para viver com menos ansiedade e mais significado.

Utilizando a sabedoria ancestral e sua própria experiência, Jay Shetty demonstra como o pensamento dos monges oferece lições valiosas e pertinentes, mesmo no século XXI.

Contudo, seu objetivo não é que nos tornemos monges, mas sim que aprendamos a pensar como eles, a fim de combater as pressões e ansiedades do mundo moderno.

O livro está dividido em três partes essenciais: Desapegar, Crescer e Servir.

Vamos explorar cada uma delas e descobrir quais lições podemos extrair para aplicar em nossa própria vida.

Parte 1: O Poder do Desapego

A primeira parte de “Pense Como Um Monge” concentra-se no desapego, um conceito fundamental que se desdobra em quatro pilares principais: encontrar nossa identidade, reduzir a negatividade, nos libertar do medo e aprender a viver com intenção.

Reencontrando Sua Verdadeira Identidade

Primeiramente, precisamos abordar nossa identidade, que, como Jay Shetty ressalta, está intrinsecamente ligada aos nossos valores.

Ele aponta que muitos dos valores que acreditamos possuir não são necessariamente nossos, mas sim adquiridos através do condicionamento social.

O autor escreve: “Quando silenciamos as opiniões, expectativas e obrigações do mundo ao nosso redor, começamos a nos ouvir.”

A ideia é que, ao filtrar esse ruído e nos dar espaço para considerar nossos próprios valores, podemos direcionar nossas vidas para valores mais elevados.

Valores como gratidão, serviço, veracidade e compaixão nos impulsionam em direção à felicidade, realização e significado.

Por outro lado, isso nos afasta de valores inferiores, como ganância, luxúria, raiva e inveja, que nos empurram para a ansiedade, depressão e sofrimento.

Lidando com a Negatividade Diária

O próximo passo no desapego é lidar com a negatividade, algo que todos enfrentamos.

Se você é como muitos, às vezes permite que ela afete seu dia de maneiras indesejadas.

Mas, como Jay Shetty afirma, a negatividade é uma característica, não a identidade de alguém, e podemos aprender a deixá-la ir.

Os monges falam sobre um processo de consciência, enfrentamento e modificação, que Jay Shetty resume em três etapas: Identificar, Parar e Trocar.

Esse processo de observar, refletir e depois modificar nosso comportamento é uma excelente forma de lidar com a negatividade.

Libertando-se do Medo Através do Desapego

Essa abordagem também é eficaz para enfrentar o medo.

Monges acreditam que a causa raiz do medo está intimamente ligada ao apego, ou seja, à nossa necessidade de possuir ou controlar coisas.

Se a causa do medo é o apego, Jay Shetty argumenta que a cura para o medo é o desapego.

Podemos, às vezes, pensar que desapego significa indiferença, mas Jay Shetty oferece uma citação poderosa: “Desapego não significa que você não deve possuir nada, mas sim que nada deve possuir você.”

Este é um conceito clássico do estoicismo, que nos lembra que bens materiais – como tecnologia, acessórios ou até mesmo nossos amigos e familiares – são preferíveis, mas não essenciais para nossa felicidade.

Podemos preferir tê-los, mas não somos apegados a eles para sermos felizes.

Vivendo com Intenção: A Escada do Porquê

A parte final do desapego envolve nos questionarmos para que possamos viver de forma mais intencional.

Jay Shetty explica que nossas motivações giram em torno do medo, desejo, dever e amor.

Ele apresenta a “Escada do Porquê” como uma maneira de entender nossas verdadeiras motivações para agir.

Ele escreve: “Para viver intencionalmente, devemos cavar até o ‘porquê’ mais profundo por trás do ‘querer'”.

Isso pode ser um exercício revelador, pois envolve questionar-se repetidamente até chegar à raiz de suas intenções.

Por exemplo, se alguém se perguntasse por que queria produzir conteúdo, uma razão poderia ser para ensinar e inspirar outras pessoas.

E por que fazer isso? “Porque parece divertido.” E por que isso parece divertido? Talvez a verdadeira causa seja um desejo secreto por admiração e respeito.

Ao viver intencionalmente, sem negatividade e sem medo, podemos começar a nos desapegar do que nos prende, abrindo espaço para a segunda parte do livro.

Parte 2: O Caminho do Crescimento Pessoal

Assim como o desapego, o crescimento pessoal também gira em torno de princípios-chave, incluindo encontrar nosso propósito, treinar nossa mente e dominar nosso ego.

Descobrindo Seu Propósito (Dharma)

Comecemos com o propósito. Jay Shetty fala sobre como podemos identificar nosso dharma, um termo sânscrito que se traduz aproximadamente como nosso chamado ou vocação.

Ele explica que encontrar o dharma não é apenas descobrir nossa paixão e habilidade, mas sim identificar uma paixão e habilidade que também possam ser úteis para os outros.

Assim, a equação é: paixão + expertise + utilidade = dharma.

Uma citação marcante é: “Nossa paixão se torna nosso propósito quando a usamos para servir aos outros.”

Se você, como muitos, ainda não descobriu seu dharma, propósito ou missão na vida, uma maneira de fazê-lo é usando os “Quadrantes do Potencial”, como Jay Shetty os chama.

Muitos de nós passamos a maior parte dos nossos dias no Quadrante Um (habilidade sem paixão) ou no Quadrante Quatro (paixão sem habilidade).

Mas para realmente crescer e desenvolver nosso propósito, devemos aspirar a estar no Quadrante Dois (habilidade e paixão), usando nossos talentos para fazer o que amamos e, crucialmente, servindo aos outros.

Cultivando a Mente Monge

O segundo passo nesta jornada de crescimento pessoal é desenvolver o mindset certo.

Jay Shetty compara a “mente de macaco” (monkey mind) com a “mente monge” (monk mind).

A mente de macaco é aquela que luta contra o excesso de pensamento, a ocupação constante e pula sem rumo de um pensamento para outro.

A mente monge, por outro lado, nos tira da confusão e distração, ajudando-nos a encontrar clareza, significado e direção.

Para transformar qualquer mindset, podemos usar a estrutura de três partes de Jay Shetty (ou uma variação dela): Identificar, Parar e Trocar.

Se nos encontramos pensando em um padrão destrutivo, primeiro o identificamos, depois paramos de pensar assim e, por fim, trocamos por um pensamento diferente.

Embora seja mais fácil falar do que fazer, essa é a base de abordagens como a terapia cognitivo-comportamental, que reconhece que podemos controlar nossos pensamentos e ações, mas apenas com prática consistente.

Dominando o Ego para o Desenvolvimento

Assumindo que estamos todos nessa jornada para cultivar uma mente monge, o terceiro passo no caminho para o crescimento é liberar nosso ego.

Jay Shetty explica que os monges ensinam que nosso ego é um dos principais obstáculos ao nosso crescimento.

De fato, a maioria dos nossos egos é “duas-caras”: em um momento, nos diz que somos os melhores, e no próximo, que somos os piores.

Jay Shetty destaca que a verdadeira humildade é entender que nossa mente quer nos levar a um desses extremos e, em vez disso, optar por um meio-termo, onde reconhecemos ativamente nossas fraquezas e trabalhamos para melhorá-las.

Para cultivar a humildade, precisamos pensar em duas coisas e esquecer duas:

  • Devemos lembrar o mal que fizemos aos outros e o bem que os outros fizeram por nós.
  • E devemos esquecer o bem que fizemos aos outros e o mal que os outros nos fizeram.

Ao fazer isso consistentemente, refreamos nosso ego egoísta, que quer se considerar o melhor, e aumentamos nossa gratidão, algo sempre positivo.

Parte 3: A Arte de Servir aos Outros

A parte final do livro é talvez a mais importante e aborda como podemos aprender a olhar além de nós mesmos, pensando em como podemos agir a serviço de outras pessoas.

As ideias anteriores de desapego e crescimento são, em última análise, sobre nos livrar de nosso egoísmo para que possamos estar em uma posição de retribuir à sociedade e aos outros através do serviço.

Embora doar aos outros seja uma parte fundamental do serviço, os monges ensinam que há uma troca recíproca: quando servimos aos outros, na verdade nos sentimos bem conosco mesmos.

Jay Shetty expressa isso de forma eloquente: “O altruísmo cura a si mesmo.”

Há muitas pesquisas que corroboram isso, mostrando que perseguir metas compassivas, como servir aos outros de alguma forma, leva a um aumento de sentimentos internos de felicidade e contentamento.

Os próprios monges falam sobre quatro maneiras diferentes pelas quais o serviço aos outros nos ajuda:

  • Conexão: Nos força a interagir com o mundo e com outras pessoas.
  • Amplifica a Gratidão: Doar aos outros e ajudar nos faz perceber o quão gratos somos pelas coisas que temos.
  • Aumenta a Compaixão: Ajuda a abrir nossos olhos para as necessidades dos outros, o que é benéfico para nós mesmos.
  • Constrói Autoestima: Nos dá uma missão e um significado que vai além da satisfação pessoal.

Conclusão: Por Que Pensar Como um Monge?

No final das contas, pensar como um monge pode parecer uma ideia abstrata.

No entanto, diante da quantidade de ansiedade, agitação e frenesi que temos no mundo atualmente, por que não aprender com as pessoas que são calmas, pacíficas e felizes – como os monges?

“Pense Como Um Monge” é um livro extremamente valioso e definitivamente vale a pena a leitura.

Ele oferece insights profundos e práticos para navegar pelos desafios da vida moderna.

As ideias apresentadas aqui são apenas uma pequena amostra do que o autor oferece, ilustrando seus ensinamentos com muitas histórias inspiradoras.

Se você busca mais calma, propósito e significado, a sabedoria monástica, mediada por Jay Shetty, pode ser o caminho.

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