Inteligência ou Esforço? A Ciência Por Trás do Sucesso Duradouro
O que você prefere ser: inteligente ou esforçado? O que você acha que o ajudaria mais ao longo de toda a vida: ser naturalmente talentoso ou ser conhecido pelo seu empenho incansável?
Essas são perguntas profundas que remetem à natureza do sucesso e do desenvolvimento pessoal.
Esses questionamentos, em particular, passaram pela mente de Carol Dweck, renomada psicóloga e professora da Universidade de Stanford, e autora do influente livro “Mindset”.
Dweck conduziu um estudo revelador com centenas de estudantes, cujos resultados mudaram a forma como compreendemos o elogio e seu impacto.
O Experimento que Desafiou o Elogio Tradicional
Para iniciar sua pesquisa, Carol Dweck aplicou um teste com problemas relativamente difíceis, inspirados em testes de QI, a um grupo de estudantes.
A maioria deles se saiu muito bem. O ponto crucial do experimento veio no elogio que Dweck e sua equipe ofereceram. Embora todos fossem elogiados, a natureza do elogio variou sutilmente:
- Para um grupo de estudantes, ela elogiou a inteligência: “Uau, você acertou muitas questões! Você é muito talentoso!”
- Para o outro grupo, ela elogiou o esforço: “Que beleza! Você acertou muitas questões. Você deve ter se esforçado bastante!”
Foi apenas uma pequena modificação nas palavras.
O primeiro grupo foi elogiado por suas aptidões inatas, enquanto o segundo foi elogiado por suas atitudes e dedicação.
Quando a Dificuldade Chega: Os Resultados Surpreendentes
Em seguida, um novo teste foi aplicado, desta vez com problemas significativamente mais difíceis que o primeiro.
O desempenho de cada aluno foi então verificado após experimentar uma dificuldade maior. Os resultados foram surpreendentes e reveladores:
- O desempenho do grupo elogiado pela inteligência caiu drasticamente, mesmo nas questões um pouco menos difíceis. Ao se depararem com tantos problemas praticamente impossíveis de serem resolvidos, eles perderam a confiança em sua própria capacidade. Para eles, o sucesso anterior era um sinal de inteligência, e o fracasso atual deveria significar o oposto. Sentiram-se inadequados e, consequentemente, tiveram um desempenho ruim em todas as questões.
- Já o grupo elogiado pelo seu esforço demonstrou um desempenho visivelmente melhor. Eles encararam os problemas mais difíceis como uma oportunidade de se aperfeiçoar ainda mais em seus conhecimentos. Ao retornarem às questões menos desafiadoras, conseguiram resolvê-las com maestria.
O estudo de Dweck revelou uma conclusão poderosa: elogiar a capacidade inata pode, paradoxalmente, reduzir o desempenho, enquanto elogiar o esforço pode elevá-lo.
Quando uma pessoa passa a confiar apenas em sua inteligência e talento, ela tende a diminuir seu esforço, especialmente quando a dificuldade aumenta.
E quando o fracasso inevitavelmente chega, ele é totalmente devastador para ela.
Se um homem se vê como alguém inteligente e com facilidade para aprender tudo, mas se depara com algo difícil e desafiador (e, claro, ele encontrará isso mais cedo ou mais tarde), seu “castelo de areia” chamado talento pode desabar.
Elogiar a inteligência acabou, de fato, tornando-os menos eficazes.
O elogio, quando se torna um rótulo positivo, pode ser perigoso para o desenvolvimento pessoal.
A Verdade por Trás das Notas: O Impacto na Honestidade
Houve ainda outra descoberta impactante neste estudo. Quando disseram a cada um dos alunos que o mesmo teste seria aplicado em outras escolas e que eles deveriam escrever anonimamente, em uma folha, o que acharam dos problemas e quais foram suas notas, algo preocupante veio à tona.
Quarenta por cento dos alunos do grupo que foi elogiado pelo seu talento mentiram sobre seus resultados, dizendo que tiraram uma nota maior do que realmente tiraram.
Isso é extremamente preocupante porque, quando esses estudantes “inteligentes” descobriram que não eram tão inteligentes quanto pensavam, sentiram tanta vergonha que tiveram que esconder suas imperfeições.
Ou seja, pessoas normais se transformaram em mentirosos simplesmente porque haviam recebido o rótulo positivo de “inteligente”.
Pode parecer duro fazer uma crítica ao elogio em uma sociedade que valoriza tanto a inteligência, mas reflita duas vezes antes de rotular alguém – ou até a si mesmo – como superdotado, talentoso, brilhante ou inteligente.
Você pode, sem querer, estar minando o futuro dele ou o seu próprio.
Perceba bem: você deve conhecer alguém muito inteligente que, por algum motivo, “ficou pelo caminho”, não alcançando todo o seu potencial.
A partir de agora, não se contente em ser apenas inteligente. Esforce-se para ser uma pessoa mais dedicada, mais resiliente e, por consequência, melhor a cada dia.
O verdadeiro sucesso e crescimento residem na capacidade de se esforçar e aprender continuamente.


