Estoicismo para o Dia a Dia: 4 Ensinamentos de Epicteto para Alcançar a Paz Interior
Você já parou para pensar em como alguns homens conseguem manter a calma diante das adversidades, enquanto outros se irritam facilmente? A resposta pode estar em uma antiga filosofia: o Estoicismo.
Epicteto, um escravo que se tornou um dos grandes mestres dessa escola filosófica, deixou um legado de sabedoria em seu “Manual para a Vida”.
Seu manual busca justamente ensinar a viver plenamente, conquistando a paz interna, a tranquilidade da alma e a verdadeira felicidade. Longe da busca por dinheiro ou sucesso, o Estoicismo nos convida a olhar para dentro.
Apresentaremos quatro ensinamentos cruciais desse manual, capazes de transformar sua perspectiva e seu dia a dia.</
1. O Poder da Escolha: Controlando o que Está em Suas Mãos
Uma das maiores lições de Epicteto é a distinção fundamental entre o que está sob nosso poder e o que não está.
Aquilo que está em nosso poder é tudo em que podemos agir: nossos pensamentos, impulsos, vontades de obter ou evitar – em resumo, tudo o que resulta de nossas ações. Nesses aspectos, você pode desejar, agir e influenciar.
Já o que não está sob nosso poder inclui a natureza, nosso corpo, a reputação, a propriedade e todos os eventos que não dependem diretamente de nossas ações.
Sobre estes, você não tem controle. E é justamente por isso que não deve se tornar escravo dos seus desejos em relação a eles.
Imagine, por exemplo, um bairro onde aviões passam o dia todo. É comum ver homens bravos e irritados, reclamando do barulho e lembrando como “era melhor antigamente”.
O problema é que esses homens não percebem que os aviões são algo que não está sob o poder deles. Não faz o menor sentido passar a vida reclamando de algo que você não tem influência, permitindo que isso roube sua paz.
Reclamar nunca é uma opção aceitável, pois não resolve nada.
O que fazer, então? Agir sobre o que se tem poder: a própria mente.
As únicas opções são mudar de casa ou, de forma mais simples e talvez mais sábia, aceitar a situação e encontrar a paz.
O mesmo vale para o tempo: por que ficar triste porque chove ou faz frio? Se você não tem o menor poder sobre a natureza, por que permitir que isso destrua seu bem-estar e sua tranquilidade?
Existe apenas um caminho para a liberdade: desprezar aquilo que não está sob o seu poder.
Fazer uma boa leitura, refletir bastante e criar o melhor trabalho possível são coisas que estão sob o meu poder e é o que sempre busco fazer.
Depois disso, o que acontece com o resultado não está em minhas mãos. Não tenho como determinar se meu projeto terá grande repercussão ou se será ignorado, se as pessoas gostarão ou não. Não tenho o poder de entrar na cabeça dos outros.
Então, por que me preocupar? Eu faço a minha parte, aprendo o máximo e compartilho da melhor forma possível. Apenas nisso eu posso agir, e assim garanto minha paz.
2. A Percepção do Dano: Ninguém o Prejudica sem Seu Consentimento
Epicteto ensina que ninguém pode verdadeiramente lhe causar mal sem o seu consentimento. Você só será atingido quando pensar que está sendo prejudicado.
Certa vez, durante o último ano da faculdade, era preciso fazer o TCC (Trabalho de Conclusão de Curso). Como de costume, o trabalho raramente é dividido igualmente entre o grupo.
Muitos colegas ficavam furiosos, reclamavam e choravam, sentindo-se profundamente prejudicados pelos colegas que não faziam nada. Entendo que a situação não era justa, mas por que perder a paz por isso?
Passei por algo parecido: fiz a maior parte do meu TCC sozinho. Passava horas na biblioteca, ficava acordado até tarde escrevendo, comparecia a todas as revisões. Mas não me irritava com isso.
Perguntavam-me como eu conseguia manter o controle. A resposta era simples: eu não pensava que estava sendo prejudicado. Pelo contrário, estava ganhando, e quem estava sendo prejudicado era o meu grupo.
Eu aprendi várias coisas, ganhei a confiança do professor, fui responsável, melhorei minha escrita, mantive a consciência limpa e até apresentei o trabalho despreocupado. Meu grupo não teve nada disso. Eles, sim, foram prejudicados.
Pelo seu próprio bem e pela sua paz, pare de pensar que você está sendo prejudicado em tudo.
3. Eventos vs. Julgamentos: Onde Reside o Real Problema
Finalmente, o que perturba a mente dos homens não são os eventos em si, mas os julgamentos que eles fazem sobre os eventos.
Há alguns dias, meu celular simplesmente “morreu”. Não funcionava mais de jeito nenhum. Para muitas pessoas, isso seria o fim do mundo. E estou falando sério.
O homem atribui tanto valor, julga o celular como algo tão importante, que acaba criando uma dependência pelo aparelho.
Começa a reclamar, se vitimiza, pensa em processar a empresa, fica preocupado em como viverá sem passar horas nas redes sociais ou como os outros o verão se não responder as mensagens. É absurdo, mas é uma realidade.
Você percebe que o problema não é o aparelho, mas sim o que a pessoa pensa sobre ele.
E o que eu fiz quando isso aconteceu comigo? Olhei para o celular e pensei: “Nós, seres humanos, já vivemos milhares de anos sem celular. Não há nada de mais em ficar sem ele por algum tempo.” Pronto, minha vida seguiu normalmente.
É claro que o celular é uma ferramenta muito útil e que eu gostaria de tê-lo funcionando. Mas o ponto principal é este: tudo depende do que você pensa sobre as coisas e sobre os eventos.
Nada é intrinsecamente bom ou ruim. Somos nós que damos valor às coisas.
Seu sofrimento depende apenas daquilo que você pensa sobre as coisas e os eventos. Se você conseguir perceber isso, ganhará uma imensa qualidade de vida.
Lembre-se sempre: a qualidade dos seus pensamentos está diretamente relacionada à qualidade da sua vida, à sua paz e à sua felicidade.


