Como Superar a Procrastinação e Vencer o Bloqueio Criativo: As Lições de ‘A Guerra da Arte’

Tempo de leitura: 8 min

Escrito por Tiago Mattos
em agosto 7, 2025

Como Superar a Procrastinação e Vencer o Bloqueio Criativo: As Lições de ‘A Guerra da Arte’

Como Superar a Procrastinação e Vencer o Bloqueio Criativo: As Lições de “A Guerra da Arte”

A tela em branco, a página vazia, a criação ainda não iniciada. Quantas vezes nos sentamos para começar a escrever ou criar algo e somos paralisados por uma força que nos impede de dar o primeiro passo?

Essa força nos impede de digitar a primeira palavra, de escrever a primeira página ou de lançar o primeiro projeto. É uma barreira comum, e a pergunta mais frequente que muitos se fazem é: como vencer a procrastinação?

A resposta para essa questão crucial pode ser encontrada em um livro que mudou a perspectiva de muitos: “A Guerra da Arte”, de Steven Pressfield.

Ele afirma que a maioria de nós tem duas vidas: a vida que vivemos e a vida não vivida dentro de nós. Entre as duas, existe algo que ele chama de “Resistência”.

E essa “Resistência” é o segredo para superar a procrastinação. É um insight surpreendentemente transformador que, para muitos, mudou completamente a forma de encarar a vida e a produtividade significativa, ajudando a deixar de ser um procrastinador crônico.

Neste post, exploraremos três pontos-chave do livro que podem ajudar a combater a procrastinação e impulsionar seus projetos.

1. Conheça o Seu Inimigo: A Resistência

A primeira questão a ser abordada é: o que é a Resistência? A Resistência é uma força negativa que atua ativamente contra nós para nos impedir de fazer as coisas que queremos fazer.

Ela não nos impede de assistir a um filme ou de jogar um videogame. Em vez disso, ela nos impede de fazer qualquer coisa que, em nosso íntimo, sabemos que vai elevar nossas vidas.

Pressfield distingue a “resistência” com “r” minúsculo da “Resistência” com “R” maiúsculo.

A primeira é aquela sensação de preguiça para arrumar a mesa ou lavar a louça. Já a Resistência com “R” maiúsculo é a força que nos impede de realizar coisas criativas, empreendedoras ou que exigem algum nível de risco e exposição pessoal.

Sempre que tentamos fazer algo assim, enfrentamos essa batalha constante contra a procrastinação.

Há uma citação poderosa do livro que diz:

“Não dizemos a nós mesmos: ‘Nunca vou escrever minha sinfonia’. Em vez disso, dizemos: ‘Vou escrever minha sinfonia, só vou começar amanhã’.”

Essa é a Resistência em ação. É o que nos faz pensar: “Quero iniciar um projeto em algum momento”, “Vou começar um podcast”, “Mas o momento não é o certo”.

“Não tenho o equipamento adequado”, “Quem se importaria com o que tenho a dizer?”. Tudo isso é Resistência, é a procrastinação crescendo dentro de nós.

O que realmente alimenta a Resistência é o medo. A Resistência é ativada pelo medo e ganha força sempre que cedemos a ele, criando um ciclo vicioso.

Isso nos faz cair e leva a Resistência a se tornar ainda mais forte à medida que nosso medo aumenta. No entanto, como Pressfield aponta, o medo é algo muito bom.

Quando sentimos medo de fazer algo, geralmente significa que devemos simplesmente fazer essa coisa.

Ele escreve:

“Lembre-se de uma regra de ouro: quanto mais medo temos de um trabalho ou chamado, mais certeza podemos ter de que temos que fazê-lo.”

De certa forma, a Resistência é uma bússola que aponta para aquilo que é mais importante para nós. Por exemplo, raramente sentimos Resistência para atividades de lazer.

Mas podemos sentir uma forte Resistência ao sentar para escrever um livro. Isso nos diz que escrever o livro é, naquele momento, a coisa mais importante a ser feita.

A regra chave, como Stephen Pressfield escreve, é:

“Quanto mais Resistência você experimenta, mais importante é sua arte, projeto ou empreendimento não manifestado para você.”

Para muitos, essa ideia se tornou um modelo de tomada de decisão: se sentimos medo de fazer algo, na maioria das vezes, devemos nos esforçar ao máximo para realmente fazê-lo.

A experiência mostra que raramente nos arrependemos de fazer algo que nos assusta, mas frequentemente nos arrependemos de não ter feito.

2. Torne-se um Profissional

Agora que definimos a Resistência e entendemos o que ela realmente é – a fonte que nos faz procrastinar –, precisamos descobrir algumas maneiras de lidar com ela.

O segundo ponto-chave é adotar uma mentalidade profissional.

No livro, Pressfield apresenta a ideia do profissional versus o amador. Um amador age quando a inspiração aparece ou quando está de bom humor.

Ele não está comprometido, e seus objetivos são focados em diversão, dinheiro e status. Um profissional, por outro lado, molda sua vida para que o trabalho seja uma prioridade.

Ele é determinado e comprometido a ter sucesso seguindo sua motivação interna e espírito criativo.

A única maneira de lidar com a Resistência é se nos tornarmos profissionais em nosso trabalho, em vez de amadores.

É interessante notar que ele não define “profissional” como alguém que ganha dinheiro com o que faz, pois você pode querer ganhar dinheiro com algo e ainda tratá-lo como um completo amador.

Em vez disso, um profissional é alguém que faz o trabalho pelo bem do trabalho em si e tem orgulho dele.

Os profissionais possuem algumas características distintas:

  • Comparecem diariamente: Um profissional aparece para o seu trabalho todos os dias, não importa o que aconteça. Ele não falta ao trabalho apenas porque não está com vontade.
  • Trabalham através da adversidade: Enfrentam os desafios e perseveram.
  • Abertos a críticas: Estão abertos a críticas porque sempre buscam melhorar. Um amador, por outro lado, pode se sentir devastado por um feedback negativo, enquanto o profissional usa isso como uma oportunidade para crescer.
  • Entendem que o medo é parte do trabalho: Um profissional sabe que sairá da sua zona de conforto. Se você aborda as coisas com uma perspectiva amadora, assim que as dificuldades surgem, você desiste.
  • Reconhecem a Resistência como uma batalha diária: Enfrentar a Resistência é parte da rotina. É o que se deve fazer.

Obviamente, há um limite para onde levar isso. Ficar tão focado em tratar seus hobbies como um profissional a ponto de dedicar oito horas por dia a eles é provavelmente excessivo.

É importante lembrar que nem todos os hobbies precisam ser monetizados ou se tornarem uma fonte de renda principal. Tratar nossas atividades criativas e empreendedoras como um profissional não significa que elas dominam nossa vida.

Significa apenas que as abordamos com uma mentalidade mais profissional, em vez da mentalidade de “farei quando tiver vontade”, que raramente funciona.

3. Banir o Ego

Uma vez que nos tornamos profissionais, o próximo passo é reconhecer a batalha contínua entre o “self” (o eu interior) e o ego.

O ego se concentra em eventos externos e em como os outros nos veem, enquanto o “self” é a calma interior que temos, sobre como nos vemos.

Quando somos guiados pelo ego, nossa principal prioridade é manter o status do “eu” no mundo, e nos concentramos em como os eventos externos nos afetam; tudo é muito superficial.

Já o “self” é composto pelas áreas inconscientes individual e coletiva de nossas mentes, que incluem nossos sonhos, intuição, visões e aspirações. Ele abrange a forma mais profunda de quem somos.

Quando nos sentamos para criar, estamos tentando canalizar o “self”, pois é através dele que podemos vencer a Resistência.

Alguns desses conceitos podem parecer um tanto abstratos. Pressfield fala sobre como os esforços criativos são como um novo plano de existência e que estamos todos buscando esse plano.

Com a Resistência sendo como o “diabo” que atrapalha, é semelhante à mentalidade de crescimento versus mentalidade fixa.

Com uma mentalidade fixa, o feedback negativo nos abala profundamente porque danifica nosso ego; com uma mentalidade de crescimento, reconhecemos que o fracasso é apenas parte do processo de melhoria.

Outra forma de pensar sobre isso é em relação ao estabelecimento de metas. Muita gente experimenta mais Resistência – ou seja, procrastinação – quando tem metas baseadas em resultados que estão fora de controle.

Por exemplo, criar conteúdo online e ter como objetivo que um determinado post receba X visualizações ou que se atinja Y inscritos até o final do ano.

Essas são metas de resultado, e estão amplamente fora do seu controle. A única coisa em seu controle é a criação do conteúdo em si.

No entanto, se a meta é que o conteúdo seja realmente bom, o perfeccionismo toma conta, a Resistência aparece e a procrastinação se instala a ponto de o projeto sequer ser iniciado.

Isso é observado em muitos criadores: se você começa a pensar que seu projeto precisa ser “bom” conforme definido pelo que os outros pensam dele, torna-se muito difícil de realmente produzi-lo.

O ideal é ter a maioria das metas baseadas em “inputs”, ou seja, totalmente dentro do seu controle.

Por exemplo: “Vou criar dois posts por semana pelo resto da vida” é uma meta de input, amplamente dentro do seu controle.

“Vou escrever o melhor livro que eu puder e que me deixe feliz” é uma meta de input. Em contraste, “Vou escrever um livro e quero que ele chegue à lista de best-sellers do The New York Times” é uma meta de output, e está amplamente fora do seu controle.

Ao pensar em metas de resultado, é comum sentir a procrastinação, a Resistência, o peso.

Mas quando se pensa: “Meu trabalho é apenas escrever o melhor livro que eu puder”, tudo se torna muito mais fácil.

Percebe-se que, para a maioria das atividades, se há dificuldade com a procrastinação, geralmente é a Resistência agindo, e é porque há algum tipo de meta de resultado associada, o que para muitos é prejudicial, embora funcione para outros.

Conclusão

Exploramos três formas de combater a procrastinação:

  • Nomear o inimigo: A Resistência.
  • Tornar-se um profissional.
  • Banir o ego.

Há muito mais conteúdo valioso sobre isso no livro “A Guerra da Arte”, que é uma leitura concisa e impactante.

Para encerrar, Steven Pressfield oferece uma citação poderosa em seu livro:

“Nunca se esqueça deste exato momento: podemos mudar nossas vidas. Nunca houve um momento e nunca haverá em que não temos o poder de alterar nosso destino. Neste segundo, podemos virar o jogo contra a Resistência.”

Esta obra tem um efeito profundo na jornada criativa e empreendedora de muitos.

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