Pare de Se Entorpecer: A Chave da Auto-regulação Emocional no Seu Sistema Nervoso

Tempo de leitura: 6 min

Escrito por Tiago Mattos
em agosto 5, 2025

Pare de Se Entorpecer: A Chave da Auto-regulação Emocional no Seu Sistema Nervoso

Pare de Se Entorpecer: A Chave Está no Seu Sistema Nervoso

Você já parou para pensar que talvez esteja se entorpecendo sem perceber? Muitos de nós recorrem a hábitos que, na superfície, parecem inofensivos, mas que na verdade servem para “anestesiar” emoções ou desconfortos internos.

A verdade é que a maioria das pessoas se entorpece de alguma forma, e isso tem uma relação profunda com o nosso sistema nervoso.

O Sistema Nervoso em Duas Faces

Para entender o entorpecimento, é fundamental olhar para o nosso sistema nervoso. Ele opera em dois estados principais.

Nenhum deles é bom ou ruim; ambos são necessários. Pense neles como:

  • Estado Elevado (simpatia): Caracteriza-se por alerta, energia e a resposta de “lutar ou fugir”.

    Nele, sua frequência cardíaca e respiratória aumentam, e suas pupilas dilatam. É o que acontece quando você está sob estresse ou precisa de foco intenso.

  • Estado Relaxado (parassimpático): É o estado de conservação e restauração.

    Nele, sua frequência cardíaca e respiratória diminuem, e seu corpo se acalma.

Simplificando, podemos chamá-los de estado elevado e estado relaxado.

Por Que Recorremos ao Entorpecimento?

A principal razão pela qual o indivíduo se entorpece é para acalmar seu sistema nervoso, buscando uma transição do estado elevado para o relaxado.

O problema é que, para muitos, faltam ferramentas para essa auto-regulação. Raramente somos ensinados a nos acalmar mental e fisicamente, a sair de um estado de ansiedade ou estresse extremo e alcançar a tranquilidade.

Quando o homem se encontra constantemente em um estado elevado e não sabe como se “desligar”, ele busca soluções.

As Formas Comuns de Entorpecimento

Diante da incapacidade de se autorregular, muitas pessoas se voltam para soluções externas. As mais comuns incluem:

  • Comida:

    Sim, a comida é, de longe, uma das formas mais comuns e subestimadas de entorpecimento.

    Quando você come algo pesado, seu corpo gasta uma enorme quantidade de energia na digestão. A digestão, sendo a atividade que mais consome energia no corpo, desvia recursos e faz com que você passe de um estado elevado para um mais relaxado. Por isso, a comida se torna um refúgio emocional.

    Muitos têm uma forte conexão emocional com a comida, sem questionar se ela realmente os nutre ou se está sendo usada como uma técnica de entorpecimento.

    É comum ver alguém que trabalha arduamente o dia inteiro e, ao final, consome uma grande quantidade de comida processada, gordurosa e pesada, mesmo sabendo que não deveria. Isso é comer para o conforto e, mais profundamente, para o entorpecimento.

  • Álcool:

    Muitos tomam uma taça de vinho para “relaxar” ou “tirar o gume” no final do dia. Embora possa parecer inofensivo e até vendido como benéfico para a saúde, a verdade é que o álcool permanece no seu sistema por um longo tempo, e a ideia de que é “bom para o coração” é um mito baseado em interpretações distorcidas de estudos científicos.

    A verdadeira questão é: por que existe um “gume” para ser tirado em primeiro lugar? Estamos usando algo externo para nos acalmar?

  • Drogas:

    Um entorpecimento óbvio.

  • Sexo:

    Pode ser usado para esquecer problemas, pois proporciona um estado de presença intensa.

  • Trabalho excessivo (Workaholismo):

    Para alguns, trabalhar sem parar é uma forma de fugir de problemas emocionais ou traumas passados. Se você está constantemente ocupado, não sobra tempo para olhar para essas questões.

  • Exercício físico intenso:

    Embora seja uma prática saudável, o exercício pode se tornar uma compulsão, um vício.

O Perigoso Reconhecimento do Vício

O problema com o workaholismo e o exercício excessivo é que são frequentemente elogiados pela sociedade. “Uau, você trabalha muito!”, “Parabéns por ser tão dedicado!”.

Isso dificulta reconhecê-los como um problema. É como parabenizar um viciado em drogas – não faz sentido. No entanto, o workaholismo, assim como outras compulsões, serve como uma “droga” para muitos.

A Raiz do “Gume”: O Que Estamos Fugindo?

Por que fazemos isso? Muitas vezes, estamos em um estado de alerta constante, correndo de uma tarefa para outra, expostos a notícias e informações negativas que nos mantêm em “luta ou fuga”.

Se não sabemos como nos acalmar mental e fisicamente, buscamos algo externo para fazê-lo. Comida, drogas, álcool, sexo, trabalho excessivo, exercícios – todos são recursos externos que usamos para mudar nosso estado interno.

A verdadeira questão é: podemos aprender a nos acalmar de um estado elevado para um estado de tranquilidade sem depender de nada externo? Podemos aprender a nos autopacificar?

A maioria das pessoas preferiria se entorpecer a descobrir a causa do seu desconforto.

Ferramentas Internas para a Auto-Regulação

Felizmente, existem ferramentas internas poderosas que podemos usar para gerenciar nosso estado mental e físico:

  • Respiração:

    A forma mais rápida de mudar seu estado interno. Se você se sentir em um estado de alerta e com vontade de recorrer a algo para se entorpecer, respire.

    Faça seis respirações profundas, inspirando pelo nariz e exalando longamente pela boca, como se estivesse usando um canudo. Essa expiração prolongada diminui o ritmo cardíaco e libera dióxido de carbono, permitindo que seu corpo e músculos relaxem.

  • Meditação:

    Uma prática que acalma a mente e o corpo, ensinando-o a observar seus pensamentos sem se deixar levar por eles.

  • Escrita (Journaling):

    Colocar no papel tudo o que está causando o estado de alerta. Isso permite que você comece a trabalhar através desses pensamentos e emoções, em vez de reprimi-los.

    Ao depender de si mesmo, você ganha controle sobre seu estado mental.

O Desafio do Tédio

É por isso que muitos têm dificuldade em lidar com o tédio. Você tem resistência em não fazer nada? Sente uma leve agitação, estresse ou a necessidade de estar sempre fazendo algo?

O tédio é simplesmente a ausência de algo para fazer. Por que há resistência a isso? Fomos condicionados a correr, a vincular nosso valor a conquistas.

Mas o que acontece quando você está entediado? Você fica irritado, frustrado, ansioso?

É crucial entender que o tédio não cria essas emoções; ele apenas permite que o que já está borbulhando sob a superfície venha à tona. É isso que geralmente estamos tentando evitar ao nos entorpecer.

Pense nisso: o tédio não o deixa irritado, frustrado ou ansioso. Ele cria o espaço para que o que vive dentro de você, borbulhando o tempo todo, finalmente apareça para que você possa lidar com isso.

Em vez de enfrentar, muitas vezes preferimos fugir e nos entorpecer, porque nos faltam as ferramentas para acalmar nosso sistema nervoso. Estamos viciados em estímulos.

Encontre a Sua Liberdade

É hora de dar um passo para trás e perceber que está tudo bem em sentir tédio.

Ao nos entorpecermos, precisamos perguntar: por que estamos fazendo isso? O que está por trás? Do que estamos fugindo? O que nos leva a um estado elevado e nos faz buscar comida, álcool, trabalho, sexo ou qualquer outra coisa?

Se pudermos aprender a respirar, meditar e escrever através dessas sensações, podemos permitir que o que está borbulhando venha à tona, seja liberado e vá embora.

Tudo isso reside dentro do seu corpo, esperando ser processado. Ao fazer isso, você começará a entender como acalmar seu sistema nervoso e parar de depender do entorpecimento e da fuga.

Comece hoje a desenvolver suas ferramentas internas e a viver com mais consciência.

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