Pare de Se Entorpecer: A Chave Está no Seu Sistema Nervoso
Você já parou para pensar que talvez esteja se entorpecendo sem perceber? Muitos de nós recorrem a hábitos que, na superfície, parecem inofensivos, mas que na verdade servem para “anestesiar” emoções ou desconfortos internos.
A verdade é que a maioria das pessoas se entorpece de alguma forma, e isso tem uma relação profunda com o nosso sistema nervoso.
O Sistema Nervoso em Duas Faces
Para entender o entorpecimento, é fundamental olhar para o nosso sistema nervoso. Ele opera em dois estados principais.
Nenhum deles é bom ou ruim; ambos são necessários. Pense neles como:
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Estado Elevado (simpatia): Caracteriza-se por alerta, energia e a resposta de “lutar ou fugir”.
Nele, sua frequência cardíaca e respiratória aumentam, e suas pupilas dilatam. É o que acontece quando você está sob estresse ou precisa de foco intenso.
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Estado Relaxado (parassimpático): É o estado de conservação e restauração.
Nele, sua frequência cardíaca e respiratória diminuem, e seu corpo se acalma.
Simplificando, podemos chamá-los de estado elevado e estado relaxado.
Por Que Recorremos ao Entorpecimento?
A principal razão pela qual o indivíduo se entorpece é para acalmar seu sistema nervoso, buscando uma transição do estado elevado para o relaxado.
O problema é que, para muitos, faltam ferramentas para essa auto-regulação. Raramente somos ensinados a nos acalmar mental e fisicamente, a sair de um estado de ansiedade ou estresse extremo e alcançar a tranquilidade.
Quando o homem se encontra constantemente em um estado elevado e não sabe como se “desligar”, ele busca soluções.
As Formas Comuns de Entorpecimento
Diante da incapacidade de se autorregular, muitas pessoas se voltam para soluções externas. As mais comuns incluem:
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Comida:
Sim, a comida é, de longe, uma das formas mais comuns e subestimadas de entorpecimento.
Quando você come algo pesado, seu corpo gasta uma enorme quantidade de energia na digestão. A digestão, sendo a atividade que mais consome energia no corpo, desvia recursos e faz com que você passe de um estado elevado para um mais relaxado. Por isso, a comida se torna um refúgio emocional.
Muitos têm uma forte conexão emocional com a comida, sem questionar se ela realmente os nutre ou se está sendo usada como uma técnica de entorpecimento.
É comum ver alguém que trabalha arduamente o dia inteiro e, ao final, consome uma grande quantidade de comida processada, gordurosa e pesada, mesmo sabendo que não deveria. Isso é comer para o conforto e, mais profundamente, para o entorpecimento.
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Álcool:
Muitos tomam uma taça de vinho para “relaxar” ou “tirar o gume” no final do dia. Embora possa parecer inofensivo e até vendido como benéfico para a saúde, a verdade é que o álcool permanece no seu sistema por um longo tempo, e a ideia de que é “bom para o coração” é um mito baseado em interpretações distorcidas de estudos científicos.
A verdadeira questão é: por que existe um “gume” para ser tirado em primeiro lugar? Estamos usando algo externo para nos acalmar?
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Drogas:
Um entorpecimento óbvio.
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Sexo:
Pode ser usado para esquecer problemas, pois proporciona um estado de presença intensa.
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Trabalho excessivo (Workaholismo):
Para alguns, trabalhar sem parar é uma forma de fugir de problemas emocionais ou traumas passados. Se você está constantemente ocupado, não sobra tempo para olhar para essas questões.
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Exercício físico intenso:
Embora seja uma prática saudável, o exercício pode se tornar uma compulsão, um vício.
O Perigoso Reconhecimento do Vício
O problema com o workaholismo e o exercício excessivo é que são frequentemente elogiados pela sociedade. “Uau, você trabalha muito!”, “Parabéns por ser tão dedicado!”.
Isso dificulta reconhecê-los como um problema. É como parabenizar um viciado em drogas – não faz sentido. No entanto, o workaholismo, assim como outras compulsões, serve como uma “droga” para muitos.
A Raiz do “Gume”: O Que Estamos Fugindo?
Por que fazemos isso? Muitas vezes, estamos em um estado de alerta constante, correndo de uma tarefa para outra, expostos a notícias e informações negativas que nos mantêm em “luta ou fuga”.
Se não sabemos como nos acalmar mental e fisicamente, buscamos algo externo para fazê-lo. Comida, drogas, álcool, sexo, trabalho excessivo, exercícios – todos são recursos externos que usamos para mudar nosso estado interno.
A verdadeira questão é: podemos aprender a nos acalmar de um estado elevado para um estado de tranquilidade sem depender de nada externo? Podemos aprender a nos autopacificar?
A maioria das pessoas preferiria se entorpecer a descobrir a causa do seu desconforto.
Ferramentas Internas para a Auto-Regulação
Felizmente, existem ferramentas internas poderosas que podemos usar para gerenciar nosso estado mental e físico:
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Respiração:
A forma mais rápida de mudar seu estado interno. Se você se sentir em um estado de alerta e com vontade de recorrer a algo para se entorpecer, respire.
Faça seis respirações profundas, inspirando pelo nariz e exalando longamente pela boca, como se estivesse usando um canudo. Essa expiração prolongada diminui o ritmo cardíaco e libera dióxido de carbono, permitindo que seu corpo e músculos relaxem.
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Meditação:
Uma prática que acalma a mente e o corpo, ensinando-o a observar seus pensamentos sem se deixar levar por eles.
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Escrita (Journaling):
Colocar no papel tudo o que está causando o estado de alerta. Isso permite que você comece a trabalhar através desses pensamentos e emoções, em vez de reprimi-los.
Ao depender de si mesmo, você ganha controle sobre seu estado mental.
O Desafio do Tédio
É por isso que muitos têm dificuldade em lidar com o tédio. Você tem resistência em não fazer nada? Sente uma leve agitação, estresse ou a necessidade de estar sempre fazendo algo?
O tédio é simplesmente a ausência de algo para fazer. Por que há resistência a isso? Fomos condicionados a correr, a vincular nosso valor a conquistas.
Mas o que acontece quando você está entediado? Você fica irritado, frustrado, ansioso?
É crucial entender que o tédio não cria essas emoções; ele apenas permite que o que já está borbulhando sob a superfície venha à tona. É isso que geralmente estamos tentando evitar ao nos entorpecer.
Pense nisso: o tédio não o deixa irritado, frustrado ou ansioso. Ele cria o espaço para que o que vive dentro de você, borbulhando o tempo todo, finalmente apareça para que você possa lidar com isso.
Em vez de enfrentar, muitas vezes preferimos fugir e nos entorpecer, porque nos faltam as ferramentas para acalmar nosso sistema nervoso. Estamos viciados em estímulos.
Encontre a Sua Liberdade
É hora de dar um passo para trás e perceber que está tudo bem em sentir tédio.
Ao nos entorpecermos, precisamos perguntar: por que estamos fazendo isso? O que está por trás? Do que estamos fugindo? O que nos leva a um estado elevado e nos faz buscar comida, álcool, trabalho, sexo ou qualquer outra coisa?
Se pudermos aprender a respirar, meditar e escrever através dessas sensações, podemos permitir que o que está borbulhando venha à tona, seja liberado e vá embora.
Tudo isso reside dentro do seu corpo, esperando ser processado. Ao fazer isso, você começará a entender como acalmar seu sistema nervoso e parar de depender do entorpecimento e da fuga.
Comece hoje a desenvolver suas ferramentas internas e a viver com mais consciência.


