Desapego: A Chave para Aliviar o Sofrimento e Viver com Mais Leveza
Não importa a situação, todos nós, em algum momento, experimentamos o sofrimento.
Seja por amor, por uma doença, pela falta de algo que desejamos ter, ou até mesmo por aquela situação indesejada que gostaríamos que não existisse.
Independentemente do motivo, o seu sofrimento tem uma origem clara: o apego.
A Origem do Sofrimento: Apego a Desejos ou Aversões
O apego pode se manifestar de duas formas principais:
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Apego a um desejo: Você sofre porque está apegado ao desejo de ter um relacionamento com um certo indivíduo, ou talvez à ideia de possuir uma forma física que ainda não conquistou.
O sofrimento surge porque você está apegado ao desejo de comprar ou possuir aquele bem material que viu outras pessoas adquirindo.
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Apego a uma aversão: Por outro lado, o apego pode estar relacionado a uma aversão.
Você sofre porque está apegado à ideia de que não gostaria de ter o relacionamento que tem hoje, a doença que o aflige, ou o vizinho inconveniente.
A aversão, no fundo, não é mais do que um desejo de que as coisas não fossem do jeito que são.
Em sua essência, o sofrimento surge do seu apego aos desejos – seja de ter algo, ou de não ter.
E, de forma simples, o sofrimento termina quando o apego acaba.
A Arte de Se Desapegar: O Segredo para a Liberdade
Se você busca acabar com o sofrimento em sua vida, precisa aprender a arte de se desapegar dos seus desejos.
Mas como podemos fazer isso?
Uma técnica poderosa é substituir a palavra “desejo” por “preferência”.
Ao invés de se apegar obsessivamente a um desejo, liberte-se da ânsia de que as coisas sejam de um jeito específico.
Tenha, sim, preferências para guiar sua vida e suas ações, mas sem o sofrimento que o apego causa.
Quando você se desapega de desejar qualquer coisa e sofre por não a ter, o foco se torna um amplificador.
Quanto mais você foca naquilo que quer ter, mais apegado fica a esse desejo e mais sofre por ainda não o ter.
Pense no seguinte exemplo: você deseja muito comprar uma casa, apegado à ideia de que, quando tiver seu imóvel próprio, tudo será melhor.
Enquanto não consegue comprá-la, você sofre.
Sempre que compara sua situação atual com um futuro imaginário, idealizando como seria ter aquela casa, a realidade atual parece em desvantagem, gerando mais sofrimento.
E mesmo quando se conquista o desejo, a realidade no futuro pode não ser exatamente como você imaginava, trazendo novas frustrações.
Aceitação: O Primeiro Passo para Reduzir o Apego
Uma das maneiras mais eficazes de acabar com esse tipo de sofrimento é simplesmente aceitar a realidade atual.
A aceitação reduz o apego aos desejos.
Aceitar que “dói menos” é uma verdade profunda.
Se você não desejasse que as coisas fossem diferentes, não haveria causa para o sofrimento.
É realista tentar se desapegar totalmente dos desejos? Não.
Mesmo indivíduos dedicados ao desenvolvimento pessoal encontram momentos em que, diante do inesperado, o apego surge inevitavelmente.
A solução mais prática, então, é sofrer menos nessas situações, diminuindo seu apego, não eliminando-o.
Melhore a maneira como você lida com seus próprios anseios.
Em vez de “desejar” isso ou aquilo, você pode simplesmente dizer que tem “preferências”.
“Eu preferiria que tal coisa acontecesse” reduz o apego e diminui o sofrimento, pois transforma um desejo obsessivo em uma simples preferência.
Ao ter uma simples preferência, você tem menos apego e, portanto, sofrerá menos se aquilo que prefere não se concretizar.
Desejar vs. Preferir: Não é Um Jogo de Palavras
A diferença entre desejar e ter uma preferência não é um simples jogo de palavras.
Quando você tem uma preferência, caso aquilo que prefere não aconteça exatamente como você imaginava, tudo bem. Há espaço para aceitação.
Quando você está apegado a um desejo, encontra grande resistência em aceitar a realidade.
Você quer que as coisas aconteçam de um certo jeito, quer comprar algo específico, quer que outras pessoas se comportem de uma maneira diferente.
Esta é a origem do sofrimento.
A causa do nosso sofrimento não está nos fatos em si, mas na nossa interpretação dos fatos.
O sofrimento não surge pela perda do emprego, pela morte de um ente querido, pela falta de dinheiro ou pelo término de um relacionamento.
A origem do sofrimento é a desconexão entre os nossos desejos e a realidade, a crença de que o mundo deveria ser alinhado com o que nós desejamos.
É por isso que precisamos ajustar nossas expectativas à realidade.
Abandone o Apego, Não os Desejos
Abandonar seus desejos pode parecer uma opção impossível, mas abandonar o apego aos seus desejos é um atalho para sair do sofrimento.
Você pode continuar preferindo ter mais dinheiro na conta bancária, preferir um trabalho mais interessante, um corpo em forma, viver em um lugar mais agradável, ter um relacionamento mais satisfatório ou ser um homem mais feliz.
Essas preferências são guias que o levam a agir de uma determinada forma para ter a vida que você prefere.
O que você não pode é ficar apegado às suas ideias e sofrer enquanto elas não se realizam, ou, dependendo do tipo de sonho a que você está apegado, nunca se tornarem realidade.
Apegar-se aos próprios sonhos de forma obsessiva é causar o seu próprio sofrimento.
Exercício Prático para o Desapego
Para perceber que mesmo se seus desejos se realizassem, você não seria muito mais feliz do que já é, e para abandonar o apego ao seu desejo, experimente o seguinte:
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Observe suas emoções negativas: Em um papel, anote quais emoções negativas você costuma sentir: tristeza, raiva, frustração, ansiedade, entre outras.
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Identifique seus desejos apegados: Quais são os desejos aos quais você está mais apegado? Geralmente, eles envolvem dinheiro, vaidade, relacionamentos, necessidade de aprovação, saúde, conquista de bens materiais.
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Conecte as emoções aos desejos: Ligue as emoções negativas que você costuma sentir aos desejos a que está mais apegado.
Por exemplo, quando percebe que não tem o corpo que gostaria de ter, o que você sente? Frustração? Raiva? Inveja de outros?
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Imagine a realização e a impermanência: Procure imaginar como seria se você conseguisse realizar todos esses desejos aos quais está tão apegado.
Imagine que você conquistou o emprego que queria, o relacionamento ideal, a forma física desejada, os bens materiais que buscava.
Agora, lembre-se: nada dura para sempre.
Nossa tendência é achar que, se tivéssemos tudo isso, seríamos felizes. Mas a verdade é que, assim que conquistamos algo, novos desejos surgem.
Mesmo que novos desejos não surjam imediatamente, uma vez que você conquista cada uma dessas coisas, perceberá que elas não são uma fonte permanente de felicidade.
Cedo ou tarde, você se acostuma, e o encanto inicial por aquele bem material, relacionamento ou status que você conquistou acaba.
É por isso que você não deve ficar tão apegado a esses desejos.
Você pode, sim, preferir que certas coisas aconteçam, desde que esteja ciente de que não são essas coisas que lhe trarão felicidade duradoura.
Claro que é melhor satisfazer os seus desejos do que não os satisfazer, mas não é isso que o deixará feliz no longo prazo.
Pelo contrário, ficar apegado a essas coisas pode, com certeza, trazer sofrimento no curto prazo ou até mesmo agora.
O apego aos desejos é a razão do nosso sofrimento.
Para reduzir o sofrimento, aprenda a arte do desapego.
Tenha simples preferências sobre como você gostaria que a sua vida fosse, mas fique ciente de que não é isso que definirá seus níveis de felicidade.
Sempre que se pegar sofrendo por alguma coisa, pare por um momento e pense: de onde vem esse sofrimento?
Se você está sofrendo por causa de desejos não realizados, pode ter a fantasia de que a realização desse desejo lhe traria a felicidade eterna.
Mas, na verdade, você pode perceber que nada é permanente, e mesmo que esse desejo se realizasse, ele não seria uma fonte de felicidade duradoura.


