Autoaceitação: O Caminho Essencial para o Amor-Próprio e a Verdadeira Confiança
Você já parou para pensar que, se aceitamos a nós mesmos 100%, a opinião dos outros pouco importa? Neste artigo, vamos mergulhar na importância de ser mais gentil, amoroso e, acima de tudo, aceitar-se plenamente.
É comum observar que muitos são cruéis consigo mesmos em seus próprios pensamentos. Falam negativamente, diminuem-se, dizem a si mesmos coisas que jamais diriam a qualquer outra pessoa viva, nem mesmo ao seu pior inimigo.
E então, perguntam: “Como posso ser mais gentil comigo mesmo? Como posso me amar mais?”.
Acredita-se que, em vez de focar em “como amar-me mais” – uma mudança que pode parecer muito drástica para quem está acostumado com a autodepreciação –, o ponto de partida mais eficaz é perguntar: “Como posso aceitar-me mais?”.
A verdadeira questão não é tanto sobre amor, mas sobre aceitação. Aquilo que não gostamos em nós mesmos é, na realidade, apenas um aspecto que ainda não aceitamos. A barreira para o amor-próprio é a falta de autoaceitação.
Aceitação Plena: O Segredo por Trás do Amor-Próprio
O convite é para focarmos na autoaceitação, para enxergar nossas falhas e começar a aceitá-las. Por trás de todo autojulgamento existe o amor, e a porta para alcançá-lo é a aceitação. Acredita-se que nosso estado natural como seres humanos é o amor, tanto pelos outros quanto por nós mesmos.
No entanto, somos criados em uma sociedade e por pessoas que, muitas vezes, não possuem conhecimento profundo sobre o funcionamento da mente humana. Isso nos afasta do nosso amor-próprio inato.
Não se vê um bebê andando por aí com problemas de amor-próprio. Ao observar um filho pequeno, ele parece incrivelmente feliz a maior parte do tempo.
A única vez que não está feliz é quando tem fome, está cansado ou se sujou as fraldas. Isso sugere que a falta de amor-próprio é algo aprendido ao longo do caminho.
A Origem da Dificuldade em Nos Aceitarmos
Se o amor e a autoaceitação são nosso estado natural, por que é tão difícil nos aceitarmos? Uma das principais razões é a socialização, que pode ser vista como uma espécie de “domesticação”.
Da mesma forma que se domestica um animal, em certo sentido, domestica-se uma criança. Isso não é culpa da criança, mas sim dos pais, que estão sob pressão para nos socializar de alguma forma, para que nos encaixemos como adultos “normais”.
Uma criança, por natureza, não se encaixa nas construções sociais “normais”. Já viu uma criança que, no meio de um restaurante, decide gritar? Ou que em um parque simplesmente quer tirar a roupa? Isso não se encaixa.
E então, os pais reagem com um “não faça isso”.
Os pais, mesmo sem intenção consciente (embora alguns possam fazê-lo), buscam que a criança aja de determinada maneira, seja através de repreensões ou de recompensas e punições emocionais. Se a criança é “boa”, ela recebe o amor; se é “má”, o amor é retirado.
Uma criança, naturalmente livre e selvagem, faz algo que não se encaixa na sociedade, e os pais a repreendem. A criança média é repreendida oito vezes mais do que elogiada durante a infância.
Isso significa que a criança média pensa “não sou bom o suficiente”, “não sou inteligente o suficiente”, “meu pai/mãe não me ama por fazer isso” oito vezes mais do que pensa “sou aceito”.
A criança não pensa “há algo errado com a sociedade”; ela pensa: “Fiz algo, meus pais estão retirando seu amor. Deve haver algo errado comigo. Preciso me consertar”.
A forma como somos naturalmente não é boa, e com o tempo, torna-se difícil nos aceitarmos.
A Busca por Validação Externa
Com esse processo de socialização, aprendemos desde cedo que não somos bons o suficiente como somos. Temos que agir de forma diferente, como uma pessoa que não somos, para obter o amor de nossos pais.
O resultado é que nosso eu verdadeiro, aquele com o qual viemos ao mundo, passa a ter dificuldade em aceitar nosso eu condicionado. Nosso eu verdadeiro pensa: “Esta pessoa em que me tornei não sou eu. É uma caricatura”.
Muitas vezes, nem temos consciência disso, apenas sentimos que não gostamos de nós mesmos, não nos aceitamos, não nos amamos.
Essa sensação de não ser digno é um resultado direto do processo de socialização. É compreensível que, como pai, o desafio seja imenso. Crianças são “selvagens”, e o objetivo principal é mantê-las seguras.
No entanto, é fundamental compreender que estamos moldando a personalidade e a identidade de nossos filhos a cada momento, através de nossas ações, nossas palavras sobre eles e o que dizemos diretamente a eles.
Essa reflexão é crucial tanto para quem está criando filhos quanto para cada um de nós. Nossa personalidade foi construída, muito provavelmente, com base nessa repressão de quem realmente somos.
Crescemos buscando validação de nossos pais – “Sou bom se eles me aprovarem”.
E ao crescer, essa busca se estende para os outros: “Você me ama se eu tirar boas notas, se eu for o melhor, se eu parecer atraente o suficiente, se eu tiver muitos seguidores nas redes sociais, se eu ganhar muito dinheiro?”.
Fazemos todas essas coisas buscando aceitação de outras pessoas, porque o que procuramos no mundo externo é, na verdade, o que precisamos encontrar em nós mesmos.
Se você se aceita 100%, não se importa se os outros o aceitam. Isso não significa ser desrespeitoso, mas ter uma confiança calma e inabalável.
Você não precisa ser outra pessoa, agir de certa forma ou alcançar algo para que os outros gostem de você, porque já se aceita.
Aceitar-se Sem Limites
O verdadeiro trabalho é aprender a nos validar com base em quem somos como pessoa, e nada mais. Não nossa aparência, dinheiro, bens, trabalho, conquistas ou número de seguidores. Apenas aceitar-se como é.
Já foi dito que “você não tem bolsos, não tem armazém”. Isso pode ser interpretado como: nascemos neste mundo sem nada e partiremos sem nada.
O que significa que nada do que temos, possuímos ou conquistamos nos torna mais ou menos do que já somos. Precisamos nos aceitar como realmente somos.
Nossa base não é negativa; nossa base é zero. Fomos treinados a pensar que há algo de errado conosco – não intencionalmente, mas por acidente.
E embora não seja nossa culpa, é nossa responsabilidade lidar com isso. O que precisamos fazer é aprender a nos apreciar como somos atualmente.
Se você é baixo, aprecie-se como baixo. Se está acima do peso, aprecie-se assim. Se é magro, se não tem dinheiro – aprenda a se apreciar como você é agora.
Aprecie seus pensamentos negativos, seu temperamento explosivo. Aceitação primeiro, sem julgamento.
Pense na floresta: você não entra para julgar as árvores. Você as aprecia como são.
Não diz: “Olha que árvorezinha feia e gorda! Que árvore baixinha e quebrada!”. Mas julgamos a nós mesmos e aos outros o tempo todo, geralmente por nossas próprias inseguranças.
Aceitação Não É Estagnação, É Liberdade
E quando se fala em aceitação, não se trata de se conformar e parar de mudar. É possível, sim, querer ser um milionário, mudar o mundo, construir um negócio transformador e ter centenas de funcionários, ou ser o melhor pai possível.
Queremos sempre crescer, mudar e evoluir, pois isso é natural para o ser humano.
Você pode construir um negócio multimilionário odiando a si mesmo durante todo o processo – não será divertido.
Ou pode construir o mesmo negócio aceitando e amando a si mesmo enquanto o faz. Na verdade, quem se ama e se aceita provavelmente construirá esse negócio mais rápido, pois não estará se sabotando mentalmente o tempo todo.
Permita-se ser um ser humano, com todas as suas falhas, e apenas aprenda a se aceitar como é.
Não é preciso conquistar, comprar, ganhar uma certa quantia de dinheiro ou se maquiar. Apenas aceite-se como realmente é.
Redescobrindo o Seu Eu Interior
Uma prática valiosa é tentar redescobrir seu eu interior, sua criança autêntica, como você realmente é.
O que você ama fazer? O que é divertido? O que você realmente gosta de fazer e não faz há muito tempo?
Talvez você tenha estado tão imerso em ser adulto, em prover, em pagar contas, que não fez algo que amava há anos. O que seria isso?
E se você começasse a se reconectar com essa criança interior, a se divertir mais e a se aceitar? Não há nada que você precise fazer, provar ou mudar para ser amado e aceito.
O aspecto mais importante de ser gentil consigo mesmo, o cerne do amor-próprio, é aceitar-se como você realmente é. Compreender por que talvez não nos aceitemos – devido à infância, ao condicionamento – é o primeiro passo.
Pense na sua infância: você se lembra de alguma vez em que seus pais retiraram o amor de alguma forma por algo que você fez?
Talvez você só recebesse o amor do seu pai quando tirava uma nota alta ou ganhava um jogo. Esse é um exemplo de amor condicionado.
Ou, se você agisse de certa forma, sua mãe se afastaria e não falaria com você.
Reflita sobre essas experiências passadas e escreva sobre elas. Outra prática excelente é listar os aspectos de si mesmo que você tem dificuldade em aceitar.
Depois, pergunte-se: “O que posso fazer para me aceitar mais por quem eu realmente sou?”. Por exemplo, “Sim, às vezes sou um pouco impaciente. Posso aceitar isso.”
E ao aceitar, você pode começar a mudar.
Finalmente, pergunte-se: “O que meu eu interior deseja que eu redescubra? Como vou me comprometer a dar o primeiro passo para redescobrir quem eu realmente sou?”.
Abrace essa jornada de autoaceitação. Quanto mais você se aceita, mais naturalmente sua jornada diária será melhor, a vida parecerá mais fácil e o amor-próprio se tornará um estado natural.


