Relacionamentos Disfuncionais: Quando o Amor Impede a Autonomia e o Crescimento
Existe um tipo de relacionamento que, em vez de libertar, aprisiona.
Nele, nenhuma das pessoas consegue viver em seu potencial pleno e, por mais que se amem, acabam se machucando mutuamente.
Essa dinâmica se aplica não só a relações amorosas, mas também a laços familiares e profissionais.
De um lado, temos o indivíduo que realiza demais.
Do outro, aquele que realiza de menos.
O Ponto de Equilíbrio: A Autonomia Funcional
Em um relacionamento saudável, ambos os indivíduos operam em um nível que chamamos de funcional.
São capazes de tomar decisões, superar dificuldades e são produtivos o suficiente para resolver as questões importantes da vida.
Ou seja, são pessoas que funcionam com autonomia, conseguindo “cuidar do próprio nariz”.
Quando pensamos em uma relação funcional, estamos imaginando esse nível onde conduzimos de modo satisfatório nossos papéis, seja como pai, filho, cônjuge, chefe ou colaborador.
Nossa responsabilidade primária é pelos nossos resultados e escolhas.
O Extremo da Inércia: Quem Realiza de Menos
Saindo dessa faixa saudável, encontramos aqueles que realizam de menos.
Este é o homem que não consegue decidir ou fazer nada por conta própria, que se paralisa de medo, entra em pânico, procrastina, enrola.
É quem se sabota, tem potencial, mas não vai atrás de nada, que “deixa a vida passar”. Ele não realiza o suficiente para ter uma vida completa.
Quem realiza de menos não assume responsabilidade pela própria vida, adora culpar os outros pelos problemas, demonstra uma imaturidade evidente.
Resmunga, tem preguiça para fazer as coisas, tem medo e, por vezes, busca fugas da realidade em entorpecentes, jogatina ou qualquer outra coisa que permita essa desconexão.
O Extremo da Sobrecarga: Quem Realiza Demais
No outro extremo, temos o perfil do “realizador demais”.
Ele não apenas se responsabiliza pelas próprias escolhas, mas sente que precisa carregar o peso de todos ao redor, assumindo a vida dos outros.
Conhecemos muitos homens com esse perfil: perfeccionistas, detalhistas, que buscam melhoria contínua e são exemplos a serem seguidos tanto no trabalho, na família, quanto na vida comunitária.
São pessoas que gostam de se aperfeiçoar, buscando sempre o aprimoramento. Isso é muito bom, desde que se respeitem alguns limites.
O problema surge quando esse “realizar demais” acaba invadindo a esfera do outro.
Queremos socorrer o outro, iluminá-lo com nossa experiência e conhecimento, e começamos a dar palpites.
Quando nosso conselho não é ouvido, ficamos agitados, preocupados.
E quando nossa ajuda não é seguida de um agradecimento, até nos sentimos um pouco ressentidos.
A Dinâmica Viciosa da Escravidão Mútua
No final das contas, é exatamente esse socorro prestado que está escravizando a outra pessoa, que vai “fazer de menos”.
Logicamente, não estamos dando as oportunidades para que a outra pessoa se desenvolva e se vire por conta própria.
O ideal, de fato, é que todos nós nos encontremos na faixa do meio, no equilíbrio.
Quanto mais extremada for nossa posição, maior o tipo de escravidão que acontece.
Uma pessoa acaba servindo de estímulo para a outra: quem realiza de menos pode aparentar um pedido de socorro, e quem realiza demais acaba limitando o outro.
Isso piora ainda mais com a dinâmica do tipo “eu não consigo viver sem você”, o que pode levar a várias chantagens emocionais.
Talvez haja até uma verdadeira e sincera percepção de que a vida não é possível sem o outro, já que os papéis se complementam de uma forma disfuncional.
Isso nos leva a perguntas importantes:
Será que você realmente ama a pessoa, ou ama o papel que você está exercendo nessa relação?
O tipo de resposta que você recebe ou a reação do outro é o que te motiva?
Será que esse drama traz picos emocionais que o ajudam a se sentir vivo?
Responder a tudo isso é importante para nos conhecermos melhor e desenvolvermos maturidade.
Buscar o equilíbrio e a autonomia é o caminho para relacionamentos verdadeiramente libertadores e plenos, onde ambos podem crescer sem limitações.


