Como Dominar a Arte da Comunicação: 4 Pilares Essenciais para Conexões Mais Profundas
No universo das interações humanas, uma verdade é inegável: a comunicação é inevitável. Interagir com outras pessoas significa, invariavelmente, ter que se comunicar de alguma forma.
Para mim, essa foi uma percepção que tive desde cedo. Eu era um garoto bastante tímido. Como um introvertido, consigo me esforçar para ser extrovertido em certas situações hoje em dia, mas quando jovem, eu era inexperiente e realmente não sabia como me comunicar.
Era tímido e tinha medo de conversar com outras pessoas. Lembro-me de estar na oitava série, sem ter tido um relacionamento, e perceber: “Preciso parar de ser tão tímido e aprender a conversar com as pessoas se um dia quiser ter um relacionamento.”
Eu detestava me pronunciar e levantar a mão na escola. Ficar na frente das pessoas, falar em público, simplesmente me aterrorizava.
No entanto, aos 19 anos, entrei para uma empresa que me forçou a subir ao palco. Em apenas quatro meses, eles basicamente disseram: “Vá para o palco e apresente. Você vai estar lá hoje à noite, apenas fale.”
E eu tive que falar no palco, aprender a me expressar dali. Eles nos deram treinamento sobre como fazer isso. Lembro que a parte mais difícil do treinamento era estar com 19 ou 20 anos, na frente de 40 amigos que também passavam por aquele treinamento de gestão.
Sempre que alguém usava uma “muleta verbal” como “hum” ou “né”, todos eram treinados para repetir “hum, né” imediatamente após você dizer. Isso nos forçava a melhorar.
A empresa nos impeliu a estar no palco, seja para três ou cem pessoas, basicamente seis horas por dia, durante cinco anos, à medida que abríamos nossos escritórios.
Foi então que comecei a estudar comunicação. Li livros e observei as pessoas. O que vou compartilhar com você hoje são os quatro pilares fundamentais para a comunicação e para se tornar um comunicador mestre, não apenas em oratória, mas na interação diária com as pessoas.
Ao incorporar esses pilares em suas interações cotidianas, você experimentará conversas e conexões muito mais significativas e enriquecedoras. E o quarto pilar provavelmente vai surpreender você bastante. Vamos mergulhar nisso.
1. Dominando a Comunicação Não Verbal: Sua Linguagem Corporal Fala Mais Alto
A comunicação não verbal, ou seja, falar sem palavras, é surpreendentemente poderosa. Pesquisas sugerem que cerca de 55% de toda a comunicação é não verbal.
Um estudo realizado na década de 1960 revelou que apenas 7% do que você diz é transmitido pelas palavras em si; 38% é pela sua tonalidade, e impressionantes 55% é pela sua linguagem corporal.
Isso inclui gestos como balançar a cabeça, manter os ombros retos, cruzar os braços, inclinar-se para trás ou para frente.
Para ser honesto, as mulheres tendem a ser muito melhores nisso do que os homens. Percebi isso quando era mais jovem e perguntei a um dos meus primeiros mentores, um excelente desenvolvedor de pessoas em minha empresa, que tinha dezenas de milhares de vendedores e funcionários.
Ele era o principal desenvolvedor de talentos femininos. Perguntei-lhe: “O que preciso fazer para entender como me comunicar de forma mais eficaz e desenvolvê-los em meu ambiente de trabalho?”
A primeira coisa que ele disse foi: “Leia o livro ‘Homens são de Marte, Mulheres são de Vênus’.” Para que eu pudesse entender que homens e mulheres são completamente diferentes na forma como se comunicam, pensam e interagem.
Uma das coisas que percebi ao pesquisar as diferenças entre homens e mulheres, especialmente na forma como nos comunicamos, é que desde a infância, os meninos frequentemente se engajam em atividades lado a lado, como jogar videogame ou praticar esportes.
Suas conversas geralmente ocorrem enquanto estão um ao lado do outro. A teoria é que isso remonta aos dias da caça, quando caçadores-coletores não tinham razão para se olhar durante uma caçada.
Era mais seguro observar o ambiente ou estar de costas um para o outro, para não perder um animal ou ser pego de surpresa. Acredita-se que, com o tempo, os homens podem ter desenvolvido a comunicação e a interação sem necessariamente olhar um para o outro ou manter os ombros alinhados.
Por outro lado, desde muito jovens, as meninas tendem a formar grupos mais íntimos e conversas face a face. É por isso que geralmente são melhores com a linguagem corporal e em demonstrar que estão ouvindo.
Se você já se viu na situação em que seu parceiro reclamou: “Você não está me ouvindo!”, e você respondeu: “Claro que ouvi! Prestei atenção em tudo!”
Saiba que ele pode ter ouvido as palavras, mas provavelmente não captou as pistas visuais que você está acostumado a receber e que mostram que o outro está realmente ouvindo.
Portanto, precisamos estar conscientes da nossa linguagem corporal ao nos comunicarmos. Mantenha uma postura aberta, evite cruzar os braços ou as pernas, pois inconscientemente isso pode parecer que você está fechado ou na defensiva.
Queremos demonstrar interesse e engajamento. Incline-se ligeiramente para a frente, mantenha contato visual apropriado (não olhe por cima do ombro da pessoa ou desvie o olhar).
Olhar diretamente nos olhos demonstra confiança e atenção ao que está sendo dito.
Além disso, observe os sinais não verbais dos outros. Perceba quando alguém está desinteressado (olhando para o relógio) ou desconfortável (mudando o peso do corpo).
Quando você começa a notar o não verbal das outras pessoas, você se torna um comunicador melhor, pois consegue se ajustar ao que elas estão expressando.
Estar atento aos sinais não verbais dos outros pode ajudar você a ajustar sua abordagem em tempo real para se comunicar da forma mais eficaz possível, e garantir que a pessoa com quem você está interagindo se sinta verdadeiramente ouvida.
2. A Tonalidade Importa: Regule o Tom da Sua Voz
Em segundo lugar, a tonalidade. Regular o tom e o ritmo da sua voz é crucial. Um tom calmo e constante pode desescalar tensões em momentos mais acalorados, e em uma conversa divertida, a tonalidade será variada, subindo e descendo.
Lembre-se, 38% da comunicação é tonalidade.
Permita-me dar um exemplo clássico. Vou pronunciar uma frase: “Eu não disse que ela roubou meu dinheiro.”
Agora, vou enfatizar cada palavra e mostrar como a simples mudança de ênfase altera completamente o significado da frase. Isso ilustra a importância da tonalidade:
- Eu não disse que ela roubou meu dinheiro. (Implicação: Outra pessoa disse, mas não eu.)
- Eu não disse que ela roubou meu dinheiro. (Implicação: Estou negando a alegação ou a acusação.)
- Eu não disse que ela roubou meu dinheiro. (Implicação: Eu posso ter sugerido ou escrito, mas não comuniquei verbalmente.)
- Eu não disse que ela roubou meu dinheiro. (Implicação: Não estou acusando especificamente ela, mas outra pessoa.)
- Eu não disse que ela roubou meu dinheiro. (Implicação: Talvez ela tenha pegado emprestado ou achado, mas eu não disse que roubou.)
- Eu não disse que ela roubou meu dinheiro. (Implicação: Ela pode ter roubado dinheiro, mas não necessariamente o meu.)
- Eu não disse que ela roubou meu dinheiro. (Implicação: Ela pode ter levado outra coisa minha, mas não foi meu dinheiro.)
A frase muda completamente de sentido à medida que a minha tonalidade e a ênfase nas palavras se alteram. É fundamental dominarmos a nossa tonalidade.
Percebi a importância disso quando lancei meu primeiro podcast. De uma forma, digamos, “ruim”.
Depois de uns 10 ou 15 primeiros episódios, fui verificar as avaliações e uma delas dizia algo como: “Para um podcast motivacional, este cara tem a voz mais desmotivadora.”
Fiquei irritado. Mas então, dei um passo atrás e pensei: “Hum, talvez ele tenha razão.”
A razão é que as pessoas que ouviam o podcast não podiam me ver, não viam minha linguagem corporal, não notavam o ritmo da minha fala ou a ênfase que eu dava, nem meus braços se movendo.
Elas ouviam apenas as palavras e a tonalidade que eu usava. Talvez eu precisasse aprender a falar com mais ênfase para que as pessoas pudessem captar a mensagem de forma mais clara.
Essa é a importância de prestar atenção à nossa tonalidade ao falar com outras pessoas.
3. A Arte da Concisão: Menos é Mais
A terceira coisa é tentar ser mais conciso ao falar. Menos é mais.
Não sei se você conhece alguém assim, mas tenho um amigo muito bom que, quando ele começa a falar sem parar, preciso fazer um movimento de mão como se um avião estivesse pousando.
Por sermos amigos há tanto tempo, estou basicamente dizendo a ele: “Pousa o avião”, o que significa “vá direto ao ponto”, porque ele fica dando voltas e me perco no que ele está dizendo.
Num mundo bombardeado de informações, ser claro e conciso é fundamental. Se você usa palavras complexas e pensamentos elaborados, estudos mostram que as pessoas tendem a considerá-lo menos inteligente…
…o que é interessante, pois você pensaria: “Ah, estou usando palavras difíceis, meu vocabulário é incrível.”
Mas não é o caso. Einstein disse: “Se você não consegue explicar algo de forma simples, você não o entendeu bem o suficiente.”
Lembro-me de uma conversa com meu amigo que usava palavras muito difíceis e ideias complexas. Perguntei a ele: “Cara, quando você fala no palco, precisa falar desse jeito?” Ele respondeu: “Bem, é assim que eu falo.”
Então, eu lhe fiz uma pergunta: “Você está falando no palco para que a plateia ouça o quão inteligente você é, ou para que a plateia entenda o que você está tentando transmitir?”
Ele ficou chocado: “Meu Deus, nunca tinha pensado nisso antes.” Desde então, ele se tornou um comunicador muito claro e articulado, porque antes ele tentava mostrar o quão inteligente era com seu vasto vocabulário.
Houve um estudo de Daniel Oppenheimer, com um dos títulos mais engraçados que já vi: “Consequências do Vernáculo Erudito: Uma Investigação sobre Problemas de Necessidade de Utilização de Palavras Longas Inutilmente”.
O título reflete de forma humorística o tema do estudo. Basicamente, Oppenheimer descobriu que quando o conteúdo é desnecessariamente complexo, leitores e ouvintes classificam o autor ou orador como menos inteligente.
Por outro lado, quando o conteúdo é muito claro e direto, o comunicador é frequentemente visto como mais inteligente.
Portanto, não use palavras grandiosas e não se prolongue demais. Entenda que, se você conseguir transmitir algo de forma muito clara e concisa, da maneira mais simples possível, as pessoas realmente o verão como um comunicador mais inteligente.
Lembro-me de que, anos atrás, uma das coisas que as pessoas diziam amar no podcast era o quão claro e conciso ele era, e como eu conseguia transmitir muita informação em um curto período.
Eu apenas ia direto ao ponto. Uma das razões para isso é que, anos atrás, li um artigo que dizia que o brasileiro médio não lê acima do nível de leitura da sétima série.
Então, pensei: preciso melhorar em simplificar tópicos muito complexos, como neurologia, psicologia e desenvolvimento infantil precoce, falando o mais claramente possível para que o máximo de pessoas possa entender e ser impactado pelas minhas palavras.
Ser claro e conciso ajuda na compreensão do ouvinte.
4. O Segredo dos Mestres: A Escuta Ativa
Em quarto lugar, aprimore sua escuta ativa, que significa realmente ouvir o que a outra pessoa está dizendo.
Você pode perguntar: “Mas como isso me torna um comunicador melhor?”
O que é realmente incrível é que, se alguém entra em uma conversa com você e sente que foi ouvido, que você lhe deu espaço para falar e ser compreendido, quase sempre sai da conversa pensando: “Nossa, que conversa incrível!”
Lembre-se da frase: você tem duas orelhas e uma boca para ouvir o dobro do que fala.
Você já esteve em uma conversa em que a pessoa fala sem parar, e você mal consegue dizer algumas palavras, e no final ela diz: “Uau, que ótima conversa!” E você pensa: “Mas eu disse tipo, umas quatro palavras…”
Você parecerá um comunicador ainda melhor quando ouvir mais. Troque o desejo de ser interessante pelo de ser interessado.
A escuta ativa exige seu total engajamento. Veja como você pode praticá-la:
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Silencie seu diálogo interno: Mantenha o foco no orador. Resista à vontade de formular mentalmente uma resposta antes que a pessoa termine de falar. Apenas ouça-o(a) o tempo todo. Quando ele(a) terminar, então você decide como vai responder.
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Reconheça e valide: Acene com a cabeça, mantenha contato visual e forneça pequenas afirmações verbais e sinais como: “Entendi”, “Compreendo”, “Oh, como foi isso?”
Faça perguntas abertas sobre o que ele(a) disse. Incentive-o(a) a elaborar mais. Por exemplo, se ele(a) falar sobre algo, você pode dizer: “Ok, isso é incrível! Como isso fez você se sentir? Qual você acha que deveria ser o próximo passo?”
Ao fazer essas perguntas, você mostra que está presente na conversa, prestando atenção, e isso faz com que a pessoa se sinta vista e compreendida, algo que pouquíssimas pessoas sentem hoje em dia.
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Reflita e resuma: De vez em quando (não sempre, seria estranho), parafraseie o que você acabou de ouvir. Isso mostra que você está engajado. Diga algo como: “Ah, que loucura! Então, ele(a) disse X, Y, Z para ela.”
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Dê uma pausa antes de responder: Um desafio adicional é dar alguns segundos depois que a pessoa para de falar antes de responder. Muitas vezes, as pessoas começarão a falar novamente e a aprofundar a história, pois nem sempre dão todas as informações de primeira.
Meu primeiro treinador sempre me desafiava com isso, dizendo: “Quando alguém terminar de falar em uma conversa (ou se for um possível cliente e você um vendedor), na sua cabeça, conte um Mississippi, dois Mississippi, três Mississippi, e só então responda.”
Geralmente, essa lacuna de 3 segundos faz com que a pessoa queira preencher o espaço e comece a falar mais, revelando ainda mais detalhes e aprofundando o que estava contando.
A escuta ativa realmente fomenta a confiança e o relacionamento com a outra pessoa. Permite que ela se sinta mais aberta, dê um feedback mais honesto e diga a verdade sobre as coisas.
As pessoas tendem a confiar naqueles que as ouvem.
Lembre-se disto: as pessoas querem ser vistas e ouvidas. Muitas vezes, a maioria das pessoas no mundo está apenas tentando dizer o que elas querem dizer.
Então, se você realmente quer ser um comunicador melhor, adote esses quatro passos:
- Preste atenção à sua comunicação não verbal, como sua linguagem corporal.
- Preste atenção à sua tonalidade.
- Seja o mais claro e conciso possível, porque menos é mais.
- Comece a trabalhar na escuta ativa.


